sexta-feira, 15 de agosto de 2014

"Estou em metamorfose", informa Natasha Marques

Natasha em Eros Despedaçado
Foto: José Walter Costa
A atriz Natasha Marques, 21 anos, prossegue sua firme recuperação do acidente que sofreu no último dia 6 de abril.
Sobre o acidente que já noticiamos na data, não vou falar agora.  
Por obrigação jornalística, e somente por isto, disponibilizo o link para quem está entrando no blog agora, aqui

A artista envia hoje um relato da sua determinação em superar o episódio. 

Os que vivemos no lado da luz sabemos do quanto o Bem é capaz.

Naty, como a chamamos os amigos, iniciou sua vida teatral em Taboão da Serra aos nove anos de idade. 
Sempre teve forte atuação em vários núcleos da Encenação da Paixão de Cristo na cidade. 
Teve papel destacado em 2010; em 2011 interpretou a personagem Cláudia, mulher de Pilatos; fez a Salomé, em 2013, e faria novamente Cláudia em 2014, quando foi interrompida pelo acidente.
Além de atriz vigorosa, Natasha é maquiadora (foi responsável pela caracterização do elenco em 2013 e iria novamente ser a maquiadora do elenco) e especializada em pirofagia.

Segue o recado da artista:

Natasha Marques
Assim que entrei na sala de cirurgia, como sempre o Médico dos médicos já estava lá, à minha espera. Então vi o anestesista. Ele disse: “Oi, Natasha! Sabe quanto você está pesando? 43 quilos”. ( sim, realmente eu havia perdido 20 quilos). Ele prosseguiu: “OK. Vou começar. Você vai sentir uma tonturinha...”. E injetou fentanil através do cateter venoso central instalado na jugular. A sedação era tão forte que eu sentia o poder de cada gota se espalhando pelo meu sangue. Senti de leve o sedativo esquentando meu corpo. Ele injetou mais, porque meu corpo já pedia doses maiores, eu fiquei resistente ao propofol, Aí a tontura aumentou, e vi o relógio da parede sair do lugar. Os médicos e enfermeiros pra lá e pra cá. Meus olhos se fecharam sozinhos, como se as pálpebras estivessem pesando uma tonelada.

E foi assim, nas várias vezes em que entrei naquele centro cirúrgico. É um lugar muito tenso. A sensação de estar lá é estranha. A cada três dias eu trocava de curativo lá no Centro Cirúrgico. Para o Governo, cada curativo (a vácuo) custa por volta de R$ 3 mil reais. É uma despesa e tanto. Eu não teria como bancar meu tratamento. O SUS [Sistema Único de Saúde] até que está suprindo bem as minhas necessidades. Serei transferida dia 18 [deste mês de agosto] para o Hospital São Paulo, onde farei muitas cirurgias. O grande problema de ter sofrido este acidente foi ficar de cama. Como tive fraturas no quadril, tive de colocar um fixador externo. Então, eu mal podia me mexer. Acontece que tive de ficar muito tempo acamada, resultando em perda das forças e dos músculos. Fiquei muito fraca. Então, vou encarar muita fisioterapia, para reaprender a ficar de pé e andar. Estou começando do zero.

Recomeçar do zero, como eu sempre digo, é algo só para os fortes. Mas muitas pessoas, inclusive daqui do hospital, estão me dando forças para continuar. Pois sempre achei que sozinhos iremos mais devagar. Mas, apesar de ter um milhão torcendo por mim e me encorajando, eu sou humana. Eu sou humana e choro. Só quem sabe da minha dor é DEUS e meu travesseiro. O estado depressivo se instala  às vezes. E isso faz com que eu me sinta muito sozinha, sem poder dividir minha dor com ninguém. 

Daí, fico sem fazer nada. Não quero ler, escrever, nem  comer, nada... Apenas fico chorando.
[Fico lembrando] O meu sangue derramado naquele asfalto.
Mas aos poucos vai passando.
Meus pais e meus amigos são pessoas que estão me ajudando muito. Sei que com eles posso dividir a minha dor psíquica. Porque ficar entre 4 paredes, sentindo dores constantes durante 4 meses, é muito sofrimento.  Às vezes meu pai chora na minha frente... E acabo dizendo a ele: “Você tem de ser mais forte do que eu!". Acho que é um momento de união. Todos torcendo pro mesmo time. Faz bem pra alma encorajar os outros e ter o apoio recíproco.

Às vezes paro pra pensar e imagino como será daqui pra frente. E aí dá vontade de acelerar uns dois anos da minha vida. Só pra não sofrer nesta longa recuperação. fico pensando como meus pais dormem em casa, vendo minhas fotos espalhadas pelas paredes sem saber se amanhã estarei aqui, Deve estar sendo um vazio tão grande... uma família desestruturada... Todos sofrendo.
E o futuro lindo que eu tinha pela frente como artista.
É como se eu estivesse realmente morrido naquele dia, mas renasci e agora estou passando pelo processo de metamorfose.
Estou escondida e presa dentro de mim.
Mas tenho fé que vou criar asas e voar.
Liberdade, pra mim, é tudo que eu preciso pra ser feliz.


Sei que quando eu sair daqui vou contar minha história, de alguma forma... Talvez no palco - que é a minha paixão - talvez num livro...
Mas vou contar.
Eu preciso mostrar o que passei para que possa servir como exemplo de superação.
Porque eu sei que vou superar.
Aprendi muito de lá pra cá.
Principalmente a ter Fé em si mesmo, valorizar as coisas mais simples da vida e não ter medo dos desafios que a vida lhe propõe. A vida é um dom... pena que poucos dão valor pra isso.
Nessa caminhada, vi que essências e pessoas evaporam, diante de tanta futilidade, vaidade, ganância, mentira e egoísmo. isso é uma pena.
Mas o que realmente mudou de lá pra cá?

Hoje eu conheço a minha força, a minha fraqueza, meu verdadeiro valor, e hoje sei que não há ninguém no mundo que doe a vida por mim a não ser meus pais.
Também aprendi que não há amor maior no mundo do que o MEU por eu mesma.

Eu vou ser feliz em breve, a vitória está pra chegar, vai ser difícil mas não tenho medo de obstáculo algum.

Foto: Arquivo pessoal da atriz, maquiadora, pirofagista e produtora cultural Natasha Marques

4 comentários:

Priscila Daquita disse...

Bejos da sua prima Priscila (dada)

Sandra Mello disse...

Parabéns pela extraordinária força! Você estará de volta às luzes do teatro antes mesmo do que imagina. É de pessoas assim que o mundo precisa!

Anônimo disse...

Bjs no s2 do seu primo diego Barros

Marcos Laranjeira da Silva disse...

Torcendo por você!