Já disse na postagem abaixo, que a crueldade dos políticos com os dramas urbanos é de uma antigüidade indecente.Vamos relembrar como os pioneiros japoneses de Taboão da Serra lidaram com o descaso desta raça.Os primeiros imigrantes nipônicos chegaram aqui por volta de 1917. Vinham fugidos de fazendas do interior de São Paulo, onde eram vítimas de exploração e até escravidão. Encontraram no vale do córrego Pirajuçara terra boa pra plantar. Nas décadas de 1920/30/40, Taboão da Serra passou a integrar o cinturão verde da Capital paulista. A produção de verduras e legumes dos japoneses daqui abastecia em grande volume a Cooperativa Agrícola de Cotia.
Mas, havia a dificuldade de escoar a produção. Naquela época Taboão era administrado por Itapecerica da Serra. Os japoneses encaminharam aos políticos de lá a sua demanda. Aí começou o inferno. As autoridades (!?) de Itapecerica diziam que a abertura de uma estrada em direção ao Campo Limpo deveria ser feita pela administração do distrito paulistano de Santo Amaro... E vice-e-versa. O jogo de empurra arrastou-se por longo tempo.
Cansados de serem feitos de trouxas, os bravos pioneiros decidiram abrir a estrada com seus próprios braços.E foi assim, na base de enxadas, pás e enxadões, que surgiu aquilo que hoje é a Estrada Kizaemon Takeuti, acesso ao principal pólo habitacional e comercial da cidade.
Foto: Acêrvo de Waldemar Gonçalves
Kizaemon Takeuti (esq.) e família, na sua plantação de batatas, no desbravamento da região do Pirajuçara.
David estive lendo vosso texto
ResponderExcluirA avenida Kizaemon foi na verdade aberta nos anos 60 pela prefeita Laurita Ortega Mari, sendo somente asfaltada anos depois.
O que devia existir antes era algum caminho. A Kizaemon já foi aberta no sentido de ligar O Campo Limpo ao Flórida já no Embú.
At.
Prof. Christian Sznick
christian.sznick@sanmares.com
Caro Christian,
ResponderExcluiros arquivos históricos são inequívocos. O que hoje chamamos Estrada Kizaemon Takeuti foi aberta já com função econômica, de escoar a produção agrícola da colônia japonesa do Pirajuçara.
O que a Prefeitura fez na década de 60 foi ampliá-la, seguindo o curso original traçado pelos lavradores nipônicos.
Abraços, e obrigado pela contribuição ao debate sobre as origens municipais.
Sinta-se, desde já, convocado a ministrar seus conhecimentos aos freqüentadores desta humilde birosca virtual.