Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Sem Bombeiros, em Taboão a vaca vai pro brejo...

Um bezerro passou quase 20 horas preso num trecho canalizado do Córrego Ponte Alta, nas imediações dos bairros Jd Maria Helena e Jd Salete, em Taboão da Serra.
O animal caiu na canaleta de concreto que contém as águas às duas horas da tarde do domingo 28 de junho, e só foi salvo por populares na manhã de ontem.
Funcionários de uma construtora próxima do local entraram na água sem nenhum equipamento de proteção, para ajudar o bicho. O Córrego Ponte Alta é usado como esgoto residencial e industrial. O risco de contaminação é gravíssimo.
Moradores acionaram o Corpo de Bombeiros de Itapecerica (que não atendeu a ocorrência), pois Taboão da Serra não tem este serviço.
Internautas taboanenses transmitiram este fato ao canal de jornalismo participativo do portal
Terra.
Há exatos dois anos (no dia 25 de junho de 2007) o prefeito Evilásio
mentiu que até 19 de fevereiro de 2008 haveria um quartel dos Bombeiros precisamente na região onde o bezerrinho quase entrou pelo cano...

Domingo, 28 de Junho de 2009

Sonia: a fôrça que levanta os bailarinos

Leio no site Visão Oeste o sucesso do festival de dança organizado há uma semana pela coreógrafa Sonia Almeida, diretora da Escola Municipal de Bailado de Taboão da Serra.
Entrevistei Sonia na sua primeira semana de aula na Divisão de Cultura de Taboão, a cerca de 11 anos atrás. Cheguei a levá-la ao programa de rádio que eu fazia com meu amigo imortal Waldemar Gonçalves. Desde que assumiu o ensino da dança na nossa cidade (e também em Itapecerica da Serra) a mestra Sonia Almeida tornou-se uma vitoriosa com mais de 150 troféus, e jovens taboanenses revelados para grandes companhias, inclusive o internacional Ballet Bolshoi, da Rússia.

... e por falar na Rússia...

A vida de Sonia faria a delícia de escritores russos no tempo dos bolcheviques. Filha de operários, antes dos palcos ela pisou o chão de fábrica – foi metalúrgica em Osasco. Do seu minguado salário de proletária Sonia reservava boa parte para pagar seus cursos de dança. Puro realismo-socialista.
O próprio nome Sonia é de origem russa (Сониа = sábia; esotéricos vêm neste nome sinônimo de mulher líder, vencedora, guerreira que tanto pode usar a fôrça ou a sensualidade para conquistar seus objetivos). Por isto o escritor Robert E. Howard chamou de Sonja a heroína criada para ser companheira do seu personagem Conan, o Bárbaro.
Sonia Almeida é moça distinta. Não frequenta a boemia. Talvez nem saiba da existência do nosso imaginário bar & lanches taboão. Mesmo assim, a distinta freguesia do nosso boteco imaginário levanta um brinde à mulher que faz Taboão mover-se com graça na leveza do ar.

O profeta Saviano acerta novamente

O jornalista italiano Roberto Saviano está condenado à morte. A Máfia não o perdoa por ter se disfarçado de operário, para conhecer as entranhas da organização criminosa. Principalmente na questão do lixo.
Para quem achava que as denúncias de Saviano se limitavam à Itália, saibam que o Brasil já é um imenso recipiente do lixo produzido na Europa (leia trechos do livro Gomorra no site sobre máfia do lixo no sul do Brasil).
Os mafiosos internacionais do lixo chegaram ao requinte do escárnio e desprezo à vida humana. Mandaram para o Rio Grande do Sul um navio com 750 mil quilos de seringas e preservativos usados, plásticos e vidros com o seguinte bilhete: “Entregue estes brinquedos para as crianças pobres do Brasil. Lavar antes de usar”.

(Do G1)

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

A cada qual, o seu título

Os reis gostavam de juntar adjetivos a seus nomes próprios. Tinha-se, assim, Alexandre, o Grande; Dom Manuel, o Venturoso, etc.
Se Taboão da Serra fosse monarquia, o título do atual prefeito seria: Evilásio, o Imundo.
Ele ainda nem assinou o atestado de óbito da Operação Taboão de Cara Limpa (que não limpou nada) e já inventou o tal Projeto Taboão Legal.
Voltaremos ao assunto nas próximas horas. Por enquanto, dê um giro virtual pela cidade, e encante-se com nossa bela paisagem urbana patrocinada pela atual administração.


Rua Meyer Rua João Monteiro de Brito

Lixo, mato e entulho sobre boca-de-lobo no Pq Pinheiros Rua Procópio Ferreira. Na calçada do fundo da foto acima (detalhe à direita) o relaxo é tão antigo, que já nasceu capim sobre o monte de terra, lixo e entulho.

Enquanto o couro come em Brasilia...

Seguindo o bom conselho do sábio presidente Lula, o povo de Taboão da Serra deveria esquecer os escândalos do Congresso Nacional, e ver as coisas boas dos políticos municipais.
Os vereadores de Taboão da Serra colocaram no bolso uma grana ilegal em 2006, alegando horas extras (!). Estou apurando o valor do prejú pros cofres públicos e publicarei a seguir.

O Tribunal de Contas do Estado condenou os par(a)lamentares a devolverem o dinheiro do povo.
O vereador José Aprígio da Silva foi o único a parcelar a dívida em duas vezes.
Sabem como todos os demais (inclusive os não reeleitos) vão devolver o dinheiro embolsado indevidamente?
Em longas e suaves 48 prestações – ou seja: vão levar quatro anos (o mandato inteiro!) pra restituir o que garfaram em 12 meses...
(Fonte: Nos Bastidores de Taboão da Serra).

Tá escondendo o que?

Em 12 de maio passado o vereador Alexandre De Pieri apresentou requerimento exigindo que a presidência da Câmara de Taboão da Serra informasse em detalhes sua folha de pagamento, e todas as demais despesas, mês a mês, desde janeiro de 2009.

O vereador Olívio Nóbrega deu um esculacho público em De Pieri, taxando-o de neófito. Disse que o pedido de informações era supérfluo. E ainda por cima retardou o andamento do documento.

Duas semanas depois, o requerimento voltou à pauta. Desta vez colocando até o prefeito no rolo. De Pieri exigia detalhes de todos os gastos da Prefeitura, nomes, locais de trabalho e salários de todos os funcionários, quanto cada um recebeu de horas extras e demais gratificações.

Faltando poucos minutos para o assunto ser votado, Alexandre de Pieri simplesmente retirou o requerimento da ordem do dia.

Na próxima 6ª-feira 26 de junho, vai completar um mês que De Pieri cometeu esta manobra.

Foi por causa de gastos indevidos com funcionários que o Senado mergulhou no novo mar de lama.

De Pieri farejou a caixa de esgoto municipal. Mas prefere guardar segredos de confessionário...

(Fonte: Taboão em Foco)

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

No tempo em que as freiras eram uns amores

Foi justamente em um 19 de junho, mas de 1691, que o governador da Bahia mandou carta ao rei de Portugal, D. Pedro II (ancestral do Pedro II brasileiro), prestando contas das reformas no Convento de Santa Clara do Desterro, em Salvador. O rei ordenou que se colocasse nos quartos das freiras “grades em distância de seis palmos de grossura”, e se tapasse “com pedra e cal” as aberturas de portas e janelas por onde as religiosas conversavam com pessoas de fora do convento. Queria El-Rey acabar com “todas as amizades ilícitas escandalosas” das irmãs.

O vício debaixo do hábito

Hábito é nome da roupa que não mostra nada além do rosto das freiras. Com todas as proibições reais quanto a visitas masculinas nos conventos, as freirinhas continuaram com as bacurinhas em brasa sob as severas vestes.
No convento de Santa Clara nem todas as freiras de véu preto tinham verdadeira vocação religiosa. Grande parte eram filhas de famílias ricas. Estavam ali só para evitar contatos com pés-rapados. Havia também freiras de véu branco, de origem pobre, destinadas a serviços braçais, sem necessidade de ordenar-se.
Os pais temiam o apetite sexual dos soldados da Infantaria aquartelados no Forte de São Pedro. Eram mais de 2.000 homens que haviam lutado contra os holandeses. A maioria deles, negros alforriados, mulatos e brancos pobres. Sem holandes pra matar nem outra coisa a fazer, os soldados se dedicavam a seduzir as mocinhas do lugar.
Assim, enclausuradas, as baianinhas estavam a salvo dos pés-de-chinelo.
Mas não dos fidalgos que continuavam com as portas (e pernas) do convento abertas para quem pudesse pagar o luxo de uma freira-amante.

Freiras e amantes na Boca do Inferno

As freiras de véu preto podiam ter escravas. Também se dedicavam a negócios como emprestar dinheiro a juros, compra e venda de terras e até investiam em ações dos navios negreiros.
Ricas, bonitas e famosas, as freiras de véu preto do Convento de Santa Clara do Desterro organizavam saraus e bailes de Carnaval.
Era esta a brecha por onde os fidalgos baianos faziam o assédio às irmãs.
O poeta Gregório de Matos Guerra, o Boca do Inferno, conta em suas sátiras o quanto as freirinhas eram cobiçadas pelos endinheirados da capital baiana. Mas para conseguir os benefícios eróticos das religiosas, o sujeito não podia ser um zé-ninguém.
Era preciso conquistar a madre-superiora com generosas doações ao convento. E as freiras, por serem de famílias abastadas, exigiam que seus namorados se apresentassem sempre com roupas caras, e lhes dessem presentes valiosos.
Chamavam-se freiráticos (fanáticos por freiras) estes frequentadores do local proibido aos comuns dos mortais.
Era ardente a paixão de Gregório de Matos por sua freira. Certa feita um incêndio no quarto da moça interrompeu a transa. O poeta escreveu: "Ontem a amar-vos me dispus, e logo / Senti dentro de mim tão grande chama, / Que vendo arder-me na amorosa flama / Tocou Amor na vossa cela o fogo".

Amor entre grades e ralos

Ralo era o nome dado à lâmina de latão ou cobre, geralmente quadrada e com furinhos, que se punha em portas e janelas dos conventos, na altura do rosto, permitindo às freiras conversarem com o homem do lado oposto. Embora não pudessem se ver, só o poder dizer-se coisas picantes levava ao êxtase o freirático e o alvo de seu desejo.
Quando não dava mais pra segurar, a freira-amante e seu freirático iam para as grades se alisar entre os ferros, e algo mais que a abertura das barras permitisse.

Bateu na porta errada

Já dissemos que as reformas feitas em 1691 nas grades e portas do convento, não interromperam o sexo livre das irmãs.
Prova disto é a carta de 25 de abril de 1738, da abadessa de Santa Clara do Desterro para o rei Dom João V. A abadessa denunciava um tal Inácio Moreira Franco, vigário do mesmo convento, que aprontava mil e umas com Josefa Clara, freira de véu branco. Quando impedido de entrar na cela de Josefa, o taradão tentou passar pelo forro da capela até o dormitório dela. A madeira podre e comida por cupins não aguentou o peso do freirático. Desabado sobre as assustadas irmãzinhas, o descarado Inácio alegou que estava ali porque uma freira queria confessar-se com ele...
Escrevi no subtítulo que a abadessa bateu na porta errada ao mandar carta a Dom João V. Pois o monarca luso era o maior comedor de lisboetas da paróquia...

Um luxo só

Dom João V renovava seu estoque de amantes no Convento de Odivelas. Um dia ao bater os olhos na jovem madre Paula Teresa da Silva e Almeida, El-Rey de Portugal se incendiou de desejos. A freirinha tinha 17 anos e o rei, 47. Os 30 anos de diferença na idade não era problema pro rei. O enrosco é que a linda religiosa já prestava seus favores sexuais ao fidalgo Francisco de Portugal e Castro, o Marquês de Valença. Louco de tesão El-Rey chamou Dom Francisco pra um acêrto: “Deixa a Paula que eu te darei duas freiras à tua escolha”.
Tão grande foi o poder que madre Paula exerceu sobre Sua Majestade, que Dom João V mandou abrir uma passagem secreta entre a sala do trono e o quarto da freira. Quem quisesse ter alguma moleza real, não adiantava procurar ministros: a chave era a freira-amante, a quem El-Rey visitava todas as noites.
Deste romance nasceu o menino José, que chegou ao posto de Inquisidor-Geral. (Já pensou o horror de ser mandado à Inquisição e julgado por um autêntico filho-da-puta?)
Além de cobrir Paula e seu pai de dinheiro e presentes, o rei mandou construir para ela o Palácio Pimenta – atual Museu da Cidade de Lisboa. Quando o rei morreu, deixou à madre Paula pensão digna de princesa. Os aposentos onde a freira morava com uma irmã e nove escravas eram decorados com peças trazidas da Ásia e ouro do Brasil. A freira-amante real morreu em 1785, aos 67 anos.


Pra quem achou a foto do início desta postagem típica da libertinagem moderna, saiba que a gravura ao lado foi desenhada em 1792 pelo arquiteto frances Jean-Jacques Lequeu. Ela ilustra a capa do livro Que Seja em Segredo, de Ana Miranda, sobre poemas de freiráticos e freiras.

Em Caraguatatuba (SP) os ventos e as águas brincaram de Michelangelo, e esculpiram na praia do Garcez a Pedra da Freira. Uma lenda caiçara conta que o índio Yuri apaixonou-se pela freira que o catequizava. Ele mergulhou no mar à busca de peixinhos e conchas para enfeitar sua amada. O mar o engoliu. Até hoje a freirinha continua em doce tristeza reclinada sobre as ondas, à espera do índio querido.


Leia outros episódios do lado B da História do Brasil.

Grupo de Evilásio começa a depor na Polícia

Foto: Eduardo Toledo
A Delegacia Seccional de Polícia de Taboão da Serra já começou a colher depoimentos de membros do primeiro escalão do prefeito Evilásio Farias. Eles são investigados por enriquecimento ilícito e corrupção pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
O primeiro a depor foi Marcus Vinicius Gomes de Medeiros, guarda-costas do prefeito. O Gaeco descobriu depósito de dinheiro em sua conta bancária, feito por empresa prestadora de serviços à Prefeitura de Taboão da Serra.
O secretário Said Jorge de Moraes, de Manutenção e Serviços Urbanos, também está intimado a explicar na Delegacia por que uma empresa fornecedora da Prefeitura fez depósito em dinheiro vivo na sua conta-corrente.
O secretário de Administração Luiz Antonio de Lima é apontado pela Promotoria de Justiça como chefe do bando político de Evilásio envolvido em desvio de verbas públicas. Depois que começou a trabalhar com Evilásio, o patrimônio de Luiz Antonio subiu de R$ 112 mil para mais de R$ 5 milhões. Em apenas 14 meses – entre 25 de maio de 2006 a 19 de julho de 2007 – foram comprados em nome do filho de Luiz Antonio nove propriedades no valor de R$ 2.163.000,00 (leia mais
aqui).
Evilásio e Luiz Antonio também são acusados de receber R$ 110 mil mensais cada um de propina da empresa Viva Ambiental, coletora de lixo da cidade. A afirmação foi feita no Ministério Público pela ex-diretora de limpeza pública de Taboão da Serra (leia
aqui)

Quem pariu o Brasil?

Teve estréia oficial no último sábado o espetáculo de rua Brasil, Quem foi que te Pariu?, montado pela Trupe Artmanha.
Estive na pré-estréia desta deliciosa comédia sobre os bastidores da História do Brasil (leia
aqui).
Agora em temporada definitiva, a peça segue na Praça do Campo Limpo amanhã (20) e também em 27 de junho, sempre às 15 horas.
O elenco traz Alexandre Mattos, Danielle Salibian, Eder Lopes, Eduardo Paiva, Eliete dos Santos, Lilyan Teles e Luciano Santiago, que também assina a direção e dramaturgia.
O espetáculo foi montado com investimentos do Projeto Fomento, da Secretaria de Cultura da Cidade de São Paulo.

Fotos e legendas: Marco Pezão
Fruto de criação coletiva, a peça reconta a história do Brasil de maneira peculiar, irônica, sarro mesmo, em cima dos elementos cultuados nos livros escolares.
Cabral desfraldando a terra anal. O Tiradentes bebaço. D. João, o glutão. D. Maria, a louca. O senador corrupto. O juiz parcial. O Bandeirantes opressor. O índio e o negro escravizados. O satírico questionamento. Tudo na mesma dança teatral, arrancando risos e aplausos da platéia.
Veja a reportagem completa de Marco Pezão no blog da Trupe Artemanha.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Þjóðhátíðardagurinn ao som de Jussanam / Jobim

Enquanto batuco esta nota, a cantora brasileira Jussanam está cantando no Þjóðhátíðardagurinn – feriado da celebração nacional da Islândia, onde ela mora desde agosto de 2008. O show teve início às 17h no horário islandes (14h no Brasil).
A meteorologia informa que em Reykjavik, capital do país, o céu está nublado, com temperatura de 12 graus e ventos de 20 km - pra eles lá, isto é verão!. Mas não é o vento (muito comum naquela terra) que está fazendo a platéia balançar.
A bossa nova de Tom Jobim e Vinícius de Moraes na voz de Jussanam está rolando na praça Austurvöllur, em frente ao Parlamento islandes.
O Parlamento da Irlanda é o mais antigo do mundo em atividade contínua, formado no ano 930.
Aprendi no blog de
um brasileiro residente na Islandia que o atual prédio deste parlamento foi construído em 1880-1881. Ele é revestido de pedras, mas sua estrutura interna é toda de placas de madeiras totalmente desiguais uma das outras. Lá não há árvores. Para levantar o esqueleto do edifício, os islandeses utilizaram todo tipo de caixotes que chegavam ao porto, e outras madeiras levadas às praias pela maré vinda do Canadá.

Uma apresentação de Jussanam em fevereiro último mostra como ela está consolidando sua carreira na pátria onde a água é sólida (Iceland = ice/gelo + land/terra). O show foi no Café Rosenberg (foto à dir.) e a certa altura um da platéia exclamou:
- það er a sumar (“Ela é um verão!!!”)
Enquanto isto, na portaria do bar um homem queria entrar sem pagar pelo show:
- Só vou tomar uma cerveja e ir embora.
A moça da bilheteria disse que não era possível, pois naquela noite tinha-se de pagar o couvert artístico. A temperatura estava abaixo de zero, caía neve, e o boêmio apelou:
- Se eu gostar do show enquanto tomo a cerveja, pago o ingresso na saída.
Depois de algumas canções (ele realmente teve de sair antes do fim) o homem disse à bilheteira:
- Esta cantora deveria receber o preço deste ingresso a cada canção.

Jussanam está quebrando o gelo na terra da Björk com talento, morenice e espírito pioneiro.
“E além do mais...”
Ela é Carioca está no repertório que Jussanam canta agora na praça Austurvllur, ao redor do parlamento islandes.

Sábado, 13 de Junho de 2009

São Paulo. De Piratininga e das prostitutas

Está havendo o maior zum-zum a respeito da farra dos baitolas amanhã na Avenida Paulista. Pouco ou nada se publicou sobre o 2 de junho ser o Dia Internacional da Prostituta.
A “profissão mais antiga do mundo” sempre rolou brava e solta em São Paulo. Já em 1819 o pesquisador-viajante frances Auguste Saint-Hilaire registrou: “logo após o por do sol se veem nas ruas [de São Paulo] muito mais pessoas do que durante o dia; ficam as mesmas repletas de homens e de mulheres que andam à procura de aventura.” (...) “Em nenhuma parte do mundo por mim percorrida vi tamanho número de prostitutas”.
Saint-Hilaire era botânico de profissão. O que não o impediu de espantar-se com tamanha quantidade de “trepadeiras”...
Em outro trecho do seu livro Voyage dans les Province de Saint Paul et de Sainte Catherine (1851), o pesquisador frances anota o meretrício integrado à paisagem urbana paulistana, extensão boêmia da fervilhante atividade diurna: “As pessoas do campo vêm cada dia vender seus gêneros aos comerciantes da Rua das Casinhas [atual Rua do Tesouro, no centro velho de São Paulo, perto da Praça da Sé] – incluindo farinha, toucinho, arroz, milho e charque – num congestionamento de escravos, rurícolas, tropeiros de mulas com seus animais, os quais ao anoitecer abrem espaço a nuvens de prostitutas de categoria inferior”.

Profissão legal

Até o início da década de 1950, as prostitutas paulistanas atendiam clientes com o respaldo do poder público. Nas ruas Itaboca e Aimorés, no bairro Bom Retiro, elas trabalhavam em casinhas de quarto e banheiro. Havia um posto de saúde a serviço delas, com consultas médicas, exames laboratoriais e distribuição de remédios e preservativos.
Depois, o meretrício voltou à ilegalidade. O escritor João Antonio situa nesta sangrenta época de transição o seu conto Paulinho Perna Torta (voltarei a publicar trechos desta obra-prima
aqui).
Em 2005 o Ministério do Trabalho e Emprego catalogou a prostituta na “Classificação Brasileira de Ocupações”, item 5198-05.
Hoje tramita na Câmara Federal projeto
de lei que visa regularizar a profissão.

Lição de casa

A partir de 2004 os bordéis
proliferaram na zona (êpa!) do Pirajuçara. Até o início do governo do prefeito Evilásio Farias, havia apenas um puteiro na Estrada Kizaemon Takeuti. Atualmente estes estabelecimentos estão ao longo de todo o maior corredor comercial de Taboão da Serra.
Com toda esta abundância de bordéis na cidade, a Prefeitura de Taboão da Serra não tem serviço específico voltado às mulheres desta atividade.
Já na cidade de São Paulo, desde março de 2008 funciona o 1º Centro de Referência da Diversidade da capital, “dirigido a homens e mulheres, prostitutas, travestis e transexuais que vivem em situação de vulnerabilidade social”.

Cansadas da guerra

O Dia Internacional da Prostituta é homenagem às 150 meretrizes francesas que em 1º de junho de 1975 ocuparam a igreja de Saint-Nizier, em Lyon, para protestar contra suas condições de vida. Elas foram selvagemente espancadas pela polícia.
Na literatura brasileira, uma das prostitutas mais famosas é a criada por Jorge Amado em
Tereza Batista Cansada de Guerra.
Na França, uma das personagens literárias mais populares é a meretriz Nana escrita por Émile Zola em 1880.
Leia
a reação do jornalista-dramaturgo Nelson Rodrigues ao deparar-se com Sonia, prostituta-personagem de Dostoievski em Crime e Castigo.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

O bode no paraíso high-tec

Na segunda-feira, quando sugeri que vocês assistam ao tocante documentário sobre a influência econômica e cultural dos caprinos no Nordeste brasileiro – o filme Bode Rei, Cabra Rainha - nem me passava pela cabeça que a milhares de quilômetros daqui uma ultra-hyper gigante da tecnologia já se rendeu à sua majestade o bode.

Hoje pela manhã ouvi no rádio que a Google contratou 200 bodes para manter sempre aparado o gramado de sua sede em Mountain View, Califórnia.

Depois descobri que a notícia é velha; está no blog oficial do Google desde 5 de janeiro de 2009. A empresa aposentou suas máquinas de cortar grama porque elas são duplamente poluentes - usam gasolina e são barulhentas.

Já o bom e velho bode emite um sonoro bééé aqui, outro acolá, e ainda fertiliza o solo com seu esterco.

A empresa que aluga bodes e cabras para a Google é especializada em gestão do solo e controle de ervas daninhas. Periodicamente os 200 caprinos são levados para a sede mundial da Google. Em uma semana eles deixam o gramado no talo.

Lição de casa

O prefeito sub-júdice de Taboão da Serra nasceu na “terra do bode”, conforme vocês podem ler na magnífica reportagem sobre o bode no sertão nordestino, publicada na revista Globo Rural em julho de 2007.

Eu até gostaria de sugerir que ele contratasse caprinos para a capinagem de ruas e praças da nossa cidade – pelo menos acabava com a trambicagem eleiçoeira na Frente de Trabalho (leia abaixo).

Só que este prefeito é danado pra contratar empresas sem a devida concorrência pública. E eu não quero ser mentor de mais um escândalo municipal.