segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Feira Literária da Zona Sul acontece em setembro, na região do Campo Limpo

Diane Padial: "Sonho antigo".
A região do bairro Campo Limpo e adjacências, na zona sul da Capital São Paulo, será palco da FELIZS – Feira Literária da Zona Sul, idealizada pela psicóloga e produtora cultural Diane Padial.
No período de 14 a 19 de setembro o evento vai se espraiar por bibliotecas, praças públicas, a unidade local do Sesc, a Fábrica de Cultura do Capão Redondo, atingindo até a região da Avenida Paulista, na sede do Itaú Cultural.
A jornada literária terá início em Taboão da Serra, no Teatro Clariô, onde mensalmente acontece o Sarau do Binho.
No evento de abertura será lançada a coletânea poética Sarau do Binho II.
Para a criadora do projeto, “o nome FELIZS é uma alusão a felicidade. Queremos falar de felicidade na zona sul em contraponto a tantas histórias de violência”, diz Diane Padial.
“Este é um sonho que eu trago de longa data”, prossegue a idealizadora da Feira. “É o desejo de juntar a grandiosidade da produção que vem acontecendo nas periferias da cidade de São Paulo. Principalmente na zona sul”.
A programação contempla público de todas as idades, com intervenções poéticas, ciclos de conversas literárias, atrações musicais, espetáculo de circo, contação de histórias e oficina de criação de brinquedos.
O grande final será uma gigantesca festa com tendas temáticas no decorrer de toda a tarde e até a noite do dia 19 de setembro, no Largo do Campo Limpo.

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PROGRAMAÇÃO
14 de setembro
Espaço Clariô de Teatro
Sarau do Binho
21h - Lançamento do livro Sarau do Binho II - participação especial Banda Veja Luz
Local: Rua Santa Luzia 96 - Taboão da Serra - SP

15 de setembro   
14h - Brechoteca – Biblioteca Popular
Contação de Histórias: Conversas de Onça
Camila Bueno (atriz e contadora de histórias)
Local: Rua Andréa de Firenze nº 1, Jd. Rebouças – São Paulo – SP
19h30 - Fábrica de Cultura do Capão Redondo
Conversa Literária: Saúde, Filosofia, Cultura e Felicidade.
Com Binho (Poeta e criador do Sarau do Binho), Maria Vilani (Filósofa e professora) e Emílio Terron (Professor e mestre em Filosofia) Mediação Fabiana Teixeira ( Educadora Social e mediadora de conflito )
Local: Rua Algard, 82 - Conj. Hab. Jardim Sao Bento– São Paulo – SP

16 de setembro
14h - Bloco do Beco
Conversa Literária: A Literatura Brasileira Negra - Do sussurro ao Grito.
Oswaldo de Camargo (Escritor, Jornalista e Coordenador de Literatura do Museu Afro Brasileiro) e Marciano Ventura (pesquisador da Literatura Negro-brasileira e diretor do Ciclo Contínuo Editorial) .
Local: Rua Bento Barroso Pereira, 02 – Jd. São Francisco– São Paulo – SP.
19h - Sesc Campo Limpo
Conversa Literária: Literatura na Cidade- Suas Pontes e suas Pontas
Marcelino Freire (Escritor e organizador da Balada Literária), Heloisa Buarque de Hollanda (escritora, editora e crítica literária), Gil Marçal (Coordenou o Programa VAI, implantou o Núcleo de Cidadania Cultural da SMC de SP e atual chefe da representação regional do MINC em SP e Produtor Cultural). Mediação de Diane Padial (Psicóloga, produtora cultural, e idealizadora da FELIZS).
Local:  Nossa Senhora do Bom Conselho, 120 - Parque Arariba – São Paulo – SP.

17 de setembro
19h - Itaú Cultural
Sarau do Binho
Sarau de encerramento do Projeto Sarau do Binho – Programa Rumos/Itaú Cultural.
Avenida Paulista, 149 - Bela Vista– São Paulo – SP.

18 de setembro
14h - Biblioteca Pública Municipal Marcos Rey
Conversa Literária: O Jovem e a Literatura- Quais os caminhos?
Com Tony Marlon (Jornalista, membro do projeto Escola de Notícias, trabalha com movimentos de transformação no mundo) Luiza Romão (poeta, atriz e diretora de teatro), Meire Belchior (Professora da rede pública). Mediação de Paula Picarelli (atriz, produtora e apresentadora do programa Entrelinhas da TV Cultura). 
Encerramento musical com Gaspar Z’África Brasil.
Local: Avenida Anacé, 92 - Jardim Umarizal – São Paulo – SP.
19h30 - Sesc Campo Limpo
Sarau do Binho Musical
Intervenções poéticas seguidas de pocket-show com a participação de Camila Brasil, Fernanda Coimbra, Geraldo Magela, Guinão Oliveira, Gunnar Vargas, Paula da Paz e PowLiterarua.
Participação Especial de Tião Carvalho.
Local:  Nossa Senhora do Bom Conselho, 120 - Parque Arariba – São Paulo – SP

19 de setembro
13h - FELIZS - Feira Literária da Zona Sul
Abertura da Feira Literária com Exposição e Comercialização de Livros, Intervenções, Oficinas, Apresentações Artísticas,  Sarau e Conversas Literárias.
As atividades acontecerão em várias Tendas Temáticas.
Local: Praça João Tadeu Priolli (Praça do Campo Limpo) – Campo Limpo     São Paulo – SP
TENDA MUSICAL – JAZZ NA KOMBI
Apresentações musicais seguidas de intervenções poéticas.
13h – Cerimonial de Abertura
13h30 - Umoja
14h – Ouroechá - participação especial: Salloma Salomão
14h30 - Daniel Alternativa Arte
15h - Velha Guarda do Jd. Helga
15h30 - Sapato branco Instrumental
16h - Marlon Cruz
16h30 - Circo: Trupe Lona Preta apresenta: O concerto da Lona Preta
17h20 -Trupe Benkady - Danças e ritmos dos balés tradicionais do oeste Africano.
18h - Zinho Trindade
18h30 - Eduardo Brechó
19h15 - Clarianas
20h - Emblues Beer Band
20h30 - Bloco Afro É Di Santo
21h - Grupo Candearte
TENDA DAS CRIANÇAS
13h15 – Xiloidentidade- Raíssa Corso e Marlon Cruz
14h - Oficina brincar de fazer: construção de brinquedos- Cristiane Lima
16h30 - Oficina de Xadrez- Serginho Poeta
16h30 - Circo- Intervenções Circenses.
17h- Oficina- Livro Caminhante – Carolzinha Teixeira
TENDA – CONVERSAS LITERÁRIAS
13h30 – Palavra de Mulher
Jenyffer Nascimento (poeta e articuladora cultural) Tula Pilar (poeta) Roberta Estrela D’Alva (atriz, MC e Pesquisadora). Mediação de Silsil do Brasil (Organizadora do Sarau da Ademar, designer gráfico e articuladora cultural)
15h - Um olhar sobre a produção cultural da Zona Sul
 Binho (Sarau do Binho),  Erica Peçanha (antropóloga, pesquisadora da cultura periférica e autora do livro Vozes Marginais na Literatura) e Sergio Vaz (Cooperifa) – Mediação Diego Elias (Professor da rede pública e mestrando pesquisador da literatura periférica)
16h30 - Sarau pra quê?
Uma roda de conversa com a participação de integrantes de alguns saraus da cidade de São Paulo - Mediação Luan Luando (Poeta e articulador cultural)
18h - Mercado Editorial, Mídias Alternativas e o PMLLLB
Daniel Minchoni (poeta e editor do Selo Burro), Berimba de Jesus (Poeta e editor das edições Maloqueiristas), Elizandra Souza (Poeta e Editora do selo Mjiba), Ruivo Lopes (Ativista e membro do Sarau Perifatividade), Haroldo Sereza (Jornalista do site Opera Mundi e editor da Alameda Casa Editora) e Ricardo Queiroz Pinheiro (Bibliotecário, mestrando pela ECA/USP (PMLLLB: construção e participação popular),
19h30 - Futebol e Literatura- Este lance dá jogo?
Michel Yakini (poeta e organizador do Sarau Elo da Corrente, autor do livro Crônicas de um Peladeiro), Antonio Rodrigues (professor universitário e autor do livro Futebol e Relação de Consumo), Serginho Poeta ( Professor, comediante  e poeta). Mediação: Marco Pezão (Poeta, Jornalista esportivo, organizador do Sarau A Plenos Pulmões)
INTERVENÇÕES ARTÍSTICAS
Ao ar Livre na Praça
A partir das 13h30
O Menor Sarau do Mundo – Giovani Baffô
Kombiblioteca- Jonas Worcman
Bicicloteca- Abraão Antunes
Correspondência Poética - Alisson da Paz e David Alves
Homopoéticus - Marco Miranda
Projeto Livraria Suburbano na Estrada com Alessandro Buzo
Grafite com: Beto Silva - Nave Mãe - Peu Pereira - Carolzinha Teixeira
MOSTRA VISUAL / EXPOSIÇÕES FOTOGRÁFICAS
João Claudio de Sena, Rogério Gonzaga, Sheila Signário, Postesia, Donde Miras

sábado, 29 de agosto de 2015

Grupo Clariô viaja com Urubu, e poeta Miró alça novos vôos em sua vida

O Grupo Clariô de Teatro abriu no último dia 15 de agosto temporada pelo interior do Estado de São Paulo com a peça Urubu Come Carniça e Voa. A turnê começou pela cidade de Itapetininga, já passou por Avaré e Jales, e segue até o próximo 13 de setembro, quando terá se apresentado em sete municípios do oeste, norte e noroeste paulista.
O espetáculo foi concebido sobre trechos da obra do poeta pernambucano Miró da Muribeca.
A primeira montagem estreou em 21 de maio de 2011, no teatro-sede do Grupo Clariô em Taboão da Serra. O elenco da peça foi premiado como o melhor daquele ano pela Cooperativa Paulista de Teatro.
O Clariô se apresentou no último 15 de agosto em Itapetininga, e no dia seguinte em Avaré.
Ontem, 6ª-feira dia 28, foi a vez de Jales, no noroeste do Estado, a 586 km de distância da sede do grupo. Neste sábado a peça é para o público de Martinópolis, e amanhã será em Pompeia.
A trupe volta a por o pé na estrada em 12 de setembro, para apresentação em Guararapes, a 545 km, e no dia seguinte em Bady Bassitt, finalizando o circuito.

Miró renascido
Depois de sofrer crise aguda de alcoolismo, o poeta Miró da Muribeca, autor dos textos que compõem Urubu Come Carniça e Voa, lançou novo livro no último dia 6 de agosto, data do seu aniversário de 55 anos.
Com o título adequado de aDeus, o livro recém-lançado de Miró reflete seu calvário desde 2012, quando perdeu a mãe de 87 anos. O alcoolismo que já era latente nele, virou desenfreado.
Totalmente entregue à bebida, Miró desabou em sua casa no último 14 de julho. Morava sozinho em um prédio abandonado, esvaziado por ordem da Defesa Civil devido ao risco de desmoronar.
Sabedor de seu estado grave de dependência, Miró havia avisado ao dono do boteco para procurá-lo caso demorasse a aparecer. Foi encontrado semimorto no chão. Pesava apenas 49 kg.
A situação degradante de Miró servia até para rodas de conversas de mau agouro no Mercado da Boa Vista. Já faziam apostas sobre quanto tempo ele iria durar.
"Tá nascendo outro Miró que eu não sei ainda o que é", 
diz o poeta sobre si mesmo. Foto: Blenda Souto Maior
Internado por 15 dias, perambulava pelos corredores murmurando: “Por que eu não posso criar forças para não beber, pra não morrer?”. Superou o surto com a ajuda do médico e escritor Wilson Freire, irmão do também escritor Marcelino Freire.
 “A solidão fez com que eu esquecesse de mim. Escrevi os poemas [do novo livro] muito antes de ir para o hospital, mas eles têm tudo a ver com o que eu estava passando, a loucura do álcool. O título já existia”, reflete Miró. O que poderia ser um adeus à vida, pode ter-se tornado em aDeus ao álcool. “Tá nascendo um Miró que eu não sei o que é ainda”, avalia.
Com ajuda de amigos, ele deixou o bairro Muribeca, e se mudou para a Rua da Alegria, no Centro. Rodeado de bares, garante ter deixado de beber. “Vai ser um teste da porra porque tô no centro alcoólico do Recife”, brinca Miró, agora já com 62 kg no físico e toneladas de esperança na cabeça.

Nascido João Flávio Cordeiro, adotou Miró por pseudônimo em homenagem a um ex-jogador de futebol recifense. Muribeca, onde o poeta viveu até o mês passado, é nome de um bairro criado em torno de antigo lixão na região metropolitana do Recife.
Miró tem parte de sua vida e obra registrada no filme documentário Preto, Pobre, poeta e Periférico, dirigido por Wilson Freire. Também foi tese de mestrado na Universidade Federal de Pernambuco com “Corpoeticidade: Poeta Miró e sua literatura performática”, de André Telles.
"A solidão fez com que eu esquecesse de mim", diz Miró.

Com informações dos repórteres Fellipe Torres e Diogo Guedes

Jussanam Dejah consolida sua carreira na França

Jussanam chega à Villa Domergue
A cantora brasileira Jussanam Dejah está ampliando seu público na França, onde mora há dois anos. Tem feito vários concertos na costa sul do país, na região paradisíaca de Cannes e Nice.
Sua carreira deslanchou no território francês a partir de junho do ano passado, quando cumpriu extensa temporada de shows em um hotel 5 estrelas. Foram 13 espetáculos em 15 dias no Grand Hyatt Hotel Martinez. “Foi uma maratona. Um passo muito importante na minha vida. Eu trabalhava duro o dia inteiro no meu emprego regular, e à noite ia cantar, por duas semanas sem parar. Realizei meu sonho”, conta.
Antes destas apresentações importantes ela havia cantado em agosto e setembro de 2013 nas cidades de Vallauris e Provence. 
Em outubro daquele ano cantou na Semana do Brasil na Islândia. Jussanam também tem a cidadania islandesa.
Jussanam e David Lisnard, prefeito de Cannes
Viveu naquele país de fevereiro de 2008 até o dia 8 de julho de 2013, quando foi fazer um curso de especialização artística na França, e resolveu ficar por lá.

Em maio de 2015 Jussanam realizou uma boa agenda de espetáculos na Riviera Francesa. E teve a felicidade de receber em sua nova casa, para shows em Valbonne e Cannes, os músicos que a acompanhavam na Islândia.
A relação integral das apresentações de Jussanam na França com lista completa dos músicos, você confere aqui

A guerra dos taxis e coxas ao vento
O mês de junho último teve um toque de aventura na carreira artística de Jussanam.
Contratada para um show com seu trio na Galerie Depardieu, na cidade de Nice, pegou a estrada no carro com sua filha Jaqueline. É um trajeto curto, de 32 quilômetros, que dura menos de 30 minutos. Mas o tráfego estava bloqueado por uma manifestação de taxistas. Assim como tem ocorrido no Brasil, os motoristas de praça franceses estão em guerra aberta contra o aplicativo Uber.
“Eu já estava parada na estrada há duas horas e meia. Não conseguiria chegar a tempo para o meu concerto. Estava tensa”, relata Jussanam. O jeito foi pedir socorro ao seu namorado, para furarem o bloqueio com moto.
“Enquanto meu namorado não chegava fiquei pensando: como é que eu vou na moto com este vestido? Eu já estava com a roupa do show”, lembra.
“A solução foi prender a barra do vestido no alto das minhas coxas para conseguir sentar na moto. Minha filha disse que ficou um pouco chocada com aquela cena (“Essa é a minha mãe!”, ela exclamou rindo). Mas também disse que eu estava muito sexy na moto. Sinto muito, mas não há fotos deste episódio”, conta Jussanam às gargalhadas.

Um dia depois da aventura sobre a moto, Jussanam Dejah cantou na 13ª Conferência do Clube dos Empresários de Cannes. O evento foi presidido pelo prefeito David Lisnard, que é também vice-presidente do Departamento dos Alpes Marítimos. O show foi na luxuosa Villa Domergue, onde são anunciados os vencedores do Festival Internacional de Cinema de Cannes.
Jussanam Dejah na Radio Monaco

Ontem, 6ª-feira 28 de agosto, Jussanam se apresentou no Concert at le Suquet dês Arts, no coração do bairro histórico da cidade. 
O evento foi patrocinado pela Prefeitura de Cannes.
“O prefeito David Lisnard pretende transformar a praia Cannes La Bocca em algo semelhante à praia de Copacabana, do Rio de Janeiro”, conta Jussanam. Ele criou o projeto batizado como BoccaCabana. “Já há grupos de samba com suas dançarinas que começam a tocar por aqui”, diz a cantora.
Certamente, a chegada de Jussanam Dejah a Cannes acendeu um pouco mais este desejo de fundir a natureza calorosa das praias da Costa Azul com a cultura musical brasileira.

Prova do prestígio de Jussanam no sul da França, foi sua entrevista à Radio Monaco, como convidada especial do radialista Jean-Christophe Dimino.
Ouça  aqui

Master coach de Taboão da Serra vai à Rádio Bandeirantes, na 3ª-feira

Allan Rangel
O professor universitário e empresário Allan Rangel Barros de Oliveira já é conhecido do nosso blog desde janeiro de 2012. Foi quando dei em primeira mão a notícia do lançamento de seu livro IT-Coaching, pioneiro deste sistema no Brasil.
Meses depois do lançamento, na madrugada de 4 de junho de 2012 recebi e-mail emocionado da minh’amiga Paula Barros, mãe do autor, contando um pouco da infância e juventude do seu filho. Conto já o que ela me contou. Antes tenho um recado a dar.
Na próxima 3ª-feira, 1 de setembro, Allan Rangel é o convidado do quadro “Ouvinte Profissional” no programa Rádio Livre, da Rádio Bandeirantes AM 840 (também sintoniza em FM 90,9). A atração vai ao ar das 14h às 16h.
Morador de Taboão da Serra desde os dois anos de idade, Allan Rangel, 35 anos, é casado e pai de quatro filhos. Vai contar aos radialistas Luiz Megale e Paulo Galvão o seu dia-a-dia como profissional de Tecnologia da Informação, falar de coisas pitorescas da vida de professor, dono de empresa e palestrante, e dar sua opinião sobre assuntos do momento.

Pioneirismo
Foi na Florida Christian University (EUA) que Allan Rangel teve contato com o método do professor brasileiro Paulo Vieira. E resolveu inserir o sistema coaching na Tecnologia da Informação.
Isto o tornou pioneiro desta iniciativa aqui no Brasil.
O coaching ajuda a pessoa no autoconhecimento emocional, para que consiga estabelecer e alcançar metas a partir do estado em que ela se encontra.
Com 21 anos de experiência profissional, Allan Rangel é especializado no Coaching Integral Sistêmico, onde são trabalhados todos os pilares da vida como o aspecto sentimental, familiar, financeiro, saúde, felicidade no trabalho, etc.

Predestinado
O menino Allan Rangel se envolveu com computadores desde os 13-14 anos de idade. “Sempre fui atraído pela informática. Ao lado disto, sempre fui apaixonado também pelo ensino, pela Educação. Isto despertou o meu lado de professor”, relata.
Mas sobre esta fase da vida de Allan, ninguém melhor que sua mãe para relembrar.
Allan e sua mãe Paula
“Eu era extremamente jovem quando o Allan nasceu em 11 de junho de 1979”, narra Paula Barros. “O criei com muito esforço, com o apoio dos meus pais sempre zelosos. Meu filho sempre estudou em escolas públicas de Taboão da Serra. Desde a pré-escola até a conclusão do 2º grau na Escola Estadual Wandick de Freitas. Com 14 anos ele teve seu primeiro emprego, em uma escola. Já com 18 anos, decidiu se dedicar a ensinar crianças e adolescentes que nunca tiveram a oportunidade sequer de tocar o dedo num teclado de computador. Passou a ensinar computação em bairros da periferia taboanense como São Judas, Scândia, Panorama e Saint-Moritz. Deu aulas nas escolas estaduais Laert Almeida São Bernardo e Denoel Nicodemos Eller. Esta experiência mudou o seu destino para sempre”.
Paralela à paixão pela docência e aos estudos na Tecnologia da Informação, Allan Rangel criou sua primeira microempresa, a “ProfAllan”, um ‘plano de saúde’ para computadores, e atualmente é proprietário da Geolan, no ramo de segurança da informação.
São estas e outras histórias que você vai ouvir ao vivo pelo rádio na 3ª-feira.
Contate Allan Rangel pelo site, e o acompanhe pelo Facebook por meio da sua página e seu perfil.
Na foto abaixo, Allan é o primeiro à esquerda na fila da frente, com colegas da 4ª-série em 1989.
Foto: Acervo Paula Barros

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A verdadeira história da música “Aquarela”

“Eu estou com uma blusa amarela, uma calça cinza e uma mala marrom te esperando”, diz um homem ao telefone no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em meados de 1982. “Vou buscar você com um carro prata”, diz o outro.
Foi assim que nasceu a música Aquarela, uma das obras mais populares do violonista Toquinho. Maioria das pessoas que ouve esta canção logo a associa com a imagem de Toquinho e seu violão ao lado do poeta Vinícius de Moraes. Mas Vinícius já estava morto dois anos antes de Aquarela. Que nem veio ao mundo com este nome. Nasceu italiana, batizada Acquarello.

A vinculação de Toquinho com Vinícius de Moraes se deve aos 11 anos em que foram parceiros – de 1969 a 1980, quando o poeta faleceu (Toquinho estava com ele quando deu o último suspiro). E a confusão é porque a primeira parte de Aquarela é justamente uma canção que Toquinho e Vinícius fizeram em 1974, intitulada Uma Rosa em Minha Mão, sob encomenda para a novela Fogo Sobre Terra, da TV Globo – naquela novela, os dois foram contratados para compor toda a trilha sonora nacional.

O diálogo no aeroporto que abre este texto foi entre Toquinho e o pianista italiano Maurizio Fabrizio, no meio do ano de 1982. A união dos dois foi uma jogada de marketing do empresário Franco Fontana. Ele tinha criado a gravadora Maracanã, para trabalhar com a MPB junto ao mercado fonográfico da Itália. Queria um disco de Toquinho só com inéditas. Maurizio tinha vencido o Festival de Música de San Remo, e o empresário viu algo de comum entre ele e Toquinho. Mandou-o ao Brasil, para fazer algumas músicas com o nosso violonista. Nascia ali uma parceria que rendeu quatro discos entre 1983 e 1994.
É o próprio Toquinho quem nos conta:
“Eu nuca tinha visto o Maurizio na vida. Não sabia quem era. Por isto tivemos que nos descrever daquele jeito para eu reconhecê-lo no aeroporto. Chegamos em casa, e ele foi dar um cochilo”.

Toquinho é extremamente profissional. Foi ele quem botou Vinícius no eixo em termos de produção de músicas, e obediência a horários e prazos. Com Maurizio Fabrizio também não teve moleza. Terminado o almoço:
“Nós temos que fazer músicas”, disse Toquinho. “Peguei meu violão e Maurizio foi para uma pianolinha que eu tinha em casa – uma coisinha ridícula (risos). Daí ele começou a tocar uma música. Achei chata a primeira parte. Mas quando entrou na segunda parte, eu lembrei da Uma Rosa em Minha Mão. Toquei pra o Maurizio ouvir, e assim que terminei ele atacou com a segunda parte da música dele. Tudo se encaixou logo de primeira. Gastamos nem três minutos para fazer o que seria conhecido como Acquarello.”

Nascia ali um dos maiores fenômenos da música no Brasil e na Itália. Apesar disto, Toquinho não se tocou que tinha um tesouro nas mãos.
“Achei bonita, mas não confiava nela como sucesso. Partimos pra outras composições, fizemos outras 8 músicas nos dias seguintes. O Maurizio voltou pra terra dele, foi fazer os arranjos e entregar para o Guido Morra colocar as letras”.

Em novembro de 1982 Toquinho foi à Itália gravar o disco com as músicas novas:
“Nunca vou esquecer. Eu estava num restaurante quando chegaram o Maurizio e o Guido letrista para mostrar as músicas. Deixaram Acquarello por último. A música tem versos mágicos. Desperta a criança que temos dentro da gente, reforça o romantismo da amizade, avisa as delícias de se ganhar o mundo com a rapidez da modernidade. Mas também nos alerta que tudo um dia vai perder a cor. É o enigma do futuro que guarda no bojo a ação implacável do tempo”, analisa Toquinho.
Lançado em San Remo, o disco vendeu 30 mil cópias em dois dias. De volta ao Brasil, Toquinho teve de voar de novo para a Itália, tão grande o clamor popular pela canção. Já havia vendido 100 mil discos. Foi o primeiro artista brasileiro a ganhar um Disco de Ouro na Itália:
“Virei artista popular fora do Brasil”, vibra o violonista. “As pessoas também passaram a me reconhecer como violonista”.

Os que conhecemos a MPB já sabíamos em 1982 que Toquinho é um virtuose no violão, tendo sido aluno de Paulinho Nogueira, e discípulo de Baden Powell. Mas o grande público só se ligou no violão imenso que ele toca no magnífico solo de improviso de Acquarello, que logo ganhou versão brasileira:
“Logo que ouvi a letra italiana, me empolguei em fazer a tradução. Sabia das dificuldades, pois é uma letra grande. Tive que mudar muita coisa, para preservar na nossa língua aquela magia que o Guido Morra dizia em italiano”.

A convivência de longos anos de Toquinho com o poeta Vinícius, acabaram lhe valendo habilidade também com as palavras:
“Quando comecei a escrever a tradução de Acquarello para o português, começou a sair um negócio bonito. Nem eu mesmo sabia o que era. Esta música tem a força da ingenuidade infantil. É também ligada a um encanto popular que emociona. Já no primeiro acorde do violão as pessoas ficam tomadas pela música”, diz Toquinho.
Aquarela estourou rapidamente nas paradas de sucesso do Brasil, repetindo aqui o acontecido com Acquarello na Itália. Quando recebeu a letra em castelhano de I. Baldacchi, o estouro se repetiu na Espanha, Argentina e toda a América Latina.

Aqui a canção gravada em 1974, cuja melodia integra a primeira parte de Aquarela
Procurei um lugar com meu céu e meu mar, não achei
Procurei o meu par, só desgosto e pesar encontrei
Onde anda meu rei, que me deixa tão só por aí
A quem tanto busquei, e de tanto que andei, me perdi.

Quem me dera encontrar,
Ter meu céu, ter meu mar, ter meu chão.
Ver meu campo florir
E uma rosa se abrir na minha mão
·        Toquinhoarrangements, vocals, acoustic guitar, viola, piano
·         Messias – viola
·         Isidoro Longano (Bolão) – flute
·         Jorge Henrique da Silva (Cebion) – tambourine
·         Nelson Fernandes Moraes (Branca de Neve) – surdo
·         Rubens de Souza Soares (Rubão) – ganzá
·         Antonio Pecci Filho (Cucho Xulim) – agogô

Aqui o original italiano ao lado da versão brasileira de Toquinho:
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu

Vai voando, contornando a imensa curva norte-sul
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
É tanto céu e mar num beijo azul

Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
E se a gente quiser ele vai pousar

Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está

E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
Depois convida a rir ou chorar

Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá

Sopra un foglio di carta lo vedi il sole è giallo,
ma se piove, due segni di biro ti danno un ombrello.
Gli alberi non son(o) altro che fiaschi di vino girati,
se ci metti due tipi là sotto saranno ubriachi,
l' erba è sempre verde, e se vedi un punto lontano,
non ci scappa: o è il buon Dio o è un gabbiano e va.

Verso il mare a volare, e il mare è tutto blu
e una nave a navigare, ha una vela, non di più,
ma sott'acqua i pesci sanno dove andare
dove gli pare non dove vuoi tu.

E il cielo sta a guardare, e il cielo è sempre blu,
c'è un aereo lassù in alto e l'aereo scende giù,
c'è chi a terra lo saluta con la mano
va piano piano, fuori dal mare, chissà dove va.

Sopra un foglio di carta lo vedi chi viaggia in un treno
sono tre buoni amici che mangiano e parlano piano,
da un'America all'altra è uno scherzo, ci vuole un secondo
basta fare un bel cerchio ed ecco che hai tutto il mondo.
Un ragazzo cammina, cammina, arriva ad un muro,
chiude gli occhi un momento e davanti si vede il futuro già.

E il futuro è un'astronave che non ha tempo né pietà,
va su Marte, va dove vuole
niente mai, lo sai, la fermerà.
Se ci viene incontro, non fa rumore
non chiede amore e non le dà.

Continuiamo a sognare, lavorare in città,
noi che abbiamo un pò paura, ma la paura passerà.
Siamo tutti in ballo, siamo sul più bello
In un acquarello
che scolorirà
A versão lançada na Espanha:
En los mapas del cielo el sol siempre es amarillo
Y la lluvia o las nubes no pueden velar tanto brillo.
Ni los árboles nunca podrán ocultar el camino
De su luz hacia el bosque profundo de nuestro destino.

Esa hierba tan verde se ve como un manto lejano
Que no puede escapar
Que se puede alcanzar solo con volar.

Siete mares he surcado, siete mares color azul
Yo soy nave voy navegando, y mi vela eres tu
Bajo el agua veo peces de colores
Van donde quieren no los mandas tu.

Por el cielo va cruzando, por el cielo color azul,
Un avión que vuela alto
Diez mil metros de altitud.

Desde tierra lo saludan con la mano,
Se va alejando, no se donde va,
No se donde va.

Sobre un tramo de vía cruzando un paisaje de un sueño
En un tren que me lleva de nuevo a ser muy pequeño
De una américa a otra tan solo es cuestión de un segundo
Basta un desearlo y podrás recorrer todo el mundo.
Un muchacho que trepa, que trepa a lo alto de un muro
Si se siente seguro verá su futuro con claridad.

Y el futuro es una nave que por el tiempo volará
A saturno, después de marte, nadie sabe donde llegará.
Si le ves venir, si te trae amores, no te los roben sin apurar

Aprovecha los mejores que después no volverán.
La esperanza jamás se pierde
Los malos tiempos pasarán
Piensa que el futuro es una acuarela y tu vida un lienzo que colorear
Que colorear

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O que é que Ana Paula tem a ver com Capitu?

Ana Paula Almeida
Pronto desde 21 de julho, deixei este artigo para publicar em agosto porque foi o mês no qual Machado de Assis situou Memórias Póstumas de Brás Cubas – “expirei às 2 horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto”, diz o narrador da estória. O 21 de julho, berço deste texto, foi data em que minh’amiga artista Ana Paula Almeida trocou sua foto do perfil no Facebook. Posou de lado para a câmera, e nesta pose o braço protagoniza. Como se na orquestra harmoniosa do corpo, o braço fosse o solista.
Nos livros de Machado de Assis, o elogio aos braços femininos é uma constante. O romance Dom Casmurro tem um capítulo dedicado a eles. Diz o narrador Bentinho:
“ [Os braços de Capitú] Eram belos, não creio que houvesse iguais na cidade... os homens não se fartavam de olhar para eles, de os buscar, quase de os pedir”.

No conto Missa do Galo, Machado de Assis mergulha o leitor numa sensualidade de alta voltagem. Uma mulher e um rapaz conversam na sala da casa, na noite de Natal. O marido dela foi visitar a amante. O moço está hospedado na residência do casal. Ele espera por um amigo para irem à Missa do Galo. Conceição circula pela sala. O rapaz nota que, “embora magra, tinha não sei que balanço no andar”. Ele com 17 anos.  Ela, 30. Experiente; fêmea no total controle da técnica de seduzir. Espeta no garoto olhos enfiados por entre pálpebras semicerradas. Passa a língua nos lábios. Deixa cair a manga do roupão; aparecem seus braços nus. Pede que, para não acordar a mãe dela que dorme no quarto ao lado, ele fale mais baixo, bem baixinho. Sussurram. Depositam palavras diretamente no ouvido um do outro. O bobalhão não se toca. Tão tonto que já na primeira linha da narrativa diz: “Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos...”

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, ombros e braços da personagem feminina central reluzem pelo transcorrer de toda a trama. Virgília desponta na vida de Brás Cubas aos 16 anos. Ele com 26. Brás Cubas se derrete na descrição daquela que será sua amante: “era a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Era bonita, fresca, cheia daquele feitiço precário e eterno que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação”.
Logo no capítulo 37, “o nosso primeiro olhar foi pura e simplesmente conjugal”. Nos capítulos 57 e 64, Brás Cubas refere-se aos “magníficos braços” de Virgília (“aqueles braços que eram meus, só meus”).
Tão linda que durante um baile uma senhora disse a Brás Cubas que ele estava enamorado de uma escultura.
No capítulo 130, depois de anos sem se verem, mesmo sabendo que “de dois grandes namorados, de duas paixões sem freios nada mais havia ali, 20 anos depois”, Brás Cubas ainda se refere a Virgília como dona do “mesmo par de ombros de outro tempo”.

Mas em nenhuma outra obra de Machado, e talvez da literatura universal, um par de braços de mulher tenha sido eternizado com tamanha carga de erotismo quanto no conto Uns Braços.
Na estória o garoto Inácio é completamente louco, tarado, alucinado, maníaco pelos braços de dona Severina, esposa do seu patrão. O serviço de Inácio era levar os documentos que Borges, o patrão advogado, enviava aos cartórios. Mas o moleque errava os endereços, trocava um escrivão pelo outro. Um inferno. Só pensava nos braços de dona Severina. Tropeçava pelas ruas, comparando os braços de outras mulheres com os dela. Vivia transtornado com aqueles braços impressos na memória.
Inácio tinha 15 anos, e Severina, “27 anos floridos e sólidos”. Tanto o patrão maltratava o rapaz que volta e meia ele pensava ir embora. Não podia. “Sentia-se agarrado e acorrentado aos braços de dona Severina”. Não tinha sido paixão à primeira vista. Encarou o famoso par de braços pouco a pouco. Foi descobrindo, mirando e amando.
Um belo dia a mulher desconfiou. Rejeitou a suspeita. “Ele é uma criança! Não pode ser”. Mas foi recapitulando na memória o jeito aluado do moleque, seus esquecimentos, o olhar fogoso e fixo dele nos braços dela... “Tudo eram sintomas, e concluiu que sim”.
E começou ela também a ter fantasias com o menino. O marido era um brutalhão. Nem aceitava carinhos. Inácio foi tomando conta da cabeça e do corpo de dona Severina. Ela sentia calores na frente do moleque. Chegou a sonhar com ele.
Certo domingo o marido foi passear. Dona Severina entrou no quarto do empregado, e deixou um beijo na boca de Inácio, que dormia. Naquele mesmo instante, ele estava sonhando com ela.
Dias depois Inácio foi mandado embora. Ela fez a cabeça do marido para despedi-lo. Ficou cismada que o garoto estivesse fingindo que dormia quando ela o beijou. E podia complicar sua vida.

O rapazinho nunca conseguiu se livrar da visão dos braços de dona Severina. Passou o resto da vida acreditando que apenas tinha sonhado que ela o beijou.

domingo, 2 de agosto de 2015

Lembranças de Içami Tiba em Taboão da Serra

Içami Tiba deixa a esposa Maria Natércia, as 
as filhas Natércia e Luciana, o filho André, e 
os netos Kaká e Dudu.
Da porta da mercearia dos seus pais, perto do Largo do Taboão, o menino esticava os olhinhos puxados na direção da BR-116 para ver os caminhões passarem rumo ao Sul. Sonhava em ser caminhoneiro.
Não foi.
Acabou se tornando o mais respeitado médico psiquiatra do Brasil, idolatrado pela sua atuação na Educação de crianças e jovens.
O doutor Içami Tiba, 74 anos, falecido às 19h de hoje, domingo 2 de agosto, viveu parte de sua infância e juventude aqui em Taboão da Serra. Seu pai, Yuki Tiba, e sua mãe, Kikue Tiba, eram proprietários da extinta Casa Victória, localizada no número 105 da Rua José Soares de Azevedo. A importância daquela mercearia na vida dos taboanenses da época pode ser medida por um relato do finado ex-prefeito Armando Andrade, em uma de suas crônicas da série “Taboão da Serra do Meu Tempo”: “A Casa Victória era o nosso supermercado. Tinha de tudo, desde linha e agulha para costura, vinho vendido em litro e em garrafão, arroz, feijão, secos e molhados, e até o Cinzano que não era muito comum nos comércios de subúrbios daquele tempo. Os preços eram os melhores do pedaço, mas o que ajudava mesmo era a caderneta para pagar mensalmente”.

À direita, de portas fechadas a extinta Casa Victória. Ao fundo, a BR-116.
Içami Tiba já tinha se decidido pela Medicina quando seu pai montou o comércio em Taboão da Serra. “Nessa fase eu ficava muito ausente dos assuntos da família. Voltava muito tarde para casa, envolvido com os estudos. Meus pais estavam recomeçando a vida com o pequeno empório, que nós mesmos construímos. Meu pai como pedreiro, eu e meus irmãos como serventes. Ao chegar em Taboão da Serra vendíamos de tudo. Minha mãe e meus irmãos foram para o balcão. Eu já tinha traçado o meu futuro de estudar muito para ser médico”, contava Içami.
O recomeço a que ele se referiu foi um dos altos e baixos de Yuki Tiba em sua vida de empreendedor. O próprio Içami Tiba nasceu nos fundos de uma mercearia (“Casa Tiba - Secos & Molhados”) que o pai tinha em Tapiraí, interior de São Paulo. Tempos depois o velho Tiba passou a produzir carvão, que levava para vender em São Paulo com um caminhão próprio.
Vez ou outra uma crise financeira afetava os negócios. Quando ainda viviam em Tapiraí, houve ocasião em que a mãe teve de costurar para fora bolsinhas de plástico. As crianças ajudavam cortando as rebarbas. Depois a vida melhorou.
Taboão da Serra deu sorte para a família Tiba. Com a mulher e os filhos no balcão da mercearia, Yuki foi ser taxista no bairro paulistano do Cambuci. Logo montou uma frota de taxis, com 13 automóveis da marca DKW. A casa ao lado da mercearia, também construída por Yuki e os meninos, era o escritório da frota onde Yuki passava o tempo todo controlando o movimento dos seus taxis.
Nada mal para quem passou maus bocados ao chegar no Brasil em 1936. Yuki e a mulher foram trabalhar na colheita de café em Morro Agudo (SP). Tudo o que precisavam (roupa, alimento, ferramentas) tinha de ser comprado no comércio do dono das terras. Por mais que trabalhassem e pagassem os fiados, a dívida só aumentava. O patrão roubava na conta. Kikue e o marido fugiram. Caminharam uma semana inteira pelo meio do mato; andavam à noite, e se escondiam de dia, por medo dos capangas e cachorros do fazendeiro. Até que pegaram um trem e foram parar em Tapiraí, onde Içami nasceu em 15 de março de 1941.
Pai e mãe de Içami Tiba

Uma das lembranças mais queridas que Içami Tiba guardava de Taboão da Serra, era quando voltava da escola à noite, e ficava na esquina da sua rua com a BR-116, contando piadas com os amigos. O ponto de encontro da turma era em frente ao extinto Cine Tupy, esquina da Rua José Soares de Azevedo com o Largo do Taboão.
Outra doce recordação da infância era quando Içami vinha com o pai e os irmãos para Taboão da Serra nos fins de semana, construir a casa que seria deles. “Naquela época morávamos na Bela Vista, meu pai trabalhava como corretor de imóveis. Sábados e domingos íamos a Taboão da Serra levantar as paredes da nossa futura casa. Lembro perfeitamente da alegria que a gente sentia quando passava um carroceiro vendendo frutas pela rua”.
Antes de vir com os pais para Taboão da Serra, Içami morou algum tempo na casa de uns tios e seus sete filhos, no Jardim Guedala, região do Caxingui. Estudou na Escola Godofredo Furtado e no Colégio Fernão Dias, ambos no bairro de Pinheiros.

Uma das paixões de Içami quando garoto era o judô. Começou os treinos aos 8 anos em Tapiraí, e praticou o esporte sistematicamente até os 28 anos. Chegou a Campeão Brasileiro Universitário de Judô da Faculdade de Medicina da USP em 1966.
Outra paixão eram as festas. “Meus pais nunca me prenderam. Só cobravam estudo – se ia bem na escola, tudo bem. Minha turma era danada de farrista”, lembrava divertido. Içami era o que se podia chamar de “japonês saidinho”. Virava a escola pelo avesso; levou muitas suspensões. Dançava bem, brigava bem, e se dava bem tanto com bagunceiros quanto com CDFs.
Gostava de organizar bailes. “Quando tocava rock, eu me saía bem com as garotas. Quando era samba, eu não só ia bem, como também brincava com o pandeiro”, dizia.

A admiração de Içami pelo velho Yuki era notável. “Meu pai não tinha diplomas, mas era muito culto e inteligente. Tinha influência sobre a comunidade. Nas reuniões e eventos dos clubes japoneses era ele quem fazia as apresentações, os discursos, cantava e dançava. Na década de 70 tornou-se monge budista, e chegou ao grau mais alto aqui no Brasil”, relembrava com orgulho. Como se não bastasse, aos 72 anos Yuki Tiba se formou em Direito pela Faculdade Mackenzie.
Monumento ao Japonês, Taboão da Serra.
Foto: David da Silva
Yuki Tiba foi muito atuante no Centro Esportivo e Cultural de Taboão da Serra, criado em 1932 para promover a integração da colônia japonesa na região. Na Praça Nicola Vivilechio, na entrada de Taboão da Serra, o Monumento aos Imigrantes Japoneses faz uma honraria a Yuki Tiba. A frase de caracteres nipônicos gravada no mármore foi desenhada pela sua esposa Kikue Tiba, que tinha grande dom artístico e em 1991 foi graduada a melhor calígrafa fora do Japão.
No bairro Cidade Intercap, Taboão da Serra, uma rua faz homenagem a Yuki Tiba. No bairro Jardim Clementino, na mesma cidade, a Rua Rinnossuke Tiba homenageia o avô paterno de Içami Tiba.

Médico psiquiatra formado em 1968 pela USP com carreira iniciada no Hospital das Clínicas, educador e escritor, Içami Tiba publicou mais de 40 livros. Vendeu mais de 4 milhões de cópias; seu best-seller é “Quem ama, educa”. Realizou mais de 3.400 palestras em escolas e empresas. Pesquisa do Ibope revelou que ele é o 1º brasileiro e o 3º estrangeiro mais citado em matéria de psicologia.

Na tarde triste desta segunda-feira, familiares e admiradores darão o último adeus a Içami Tiba.  Será sepultado às 16h, no Cemitério do Morumbi. Estava internado desde janeiro deste ano, mas perdeu a luta contra um câncer.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Uma Tania muito à toa...

Tania Head
Não tinha quem não chorasse com Tania contando a sorte que teve ao fugir da morte, no ataque às Torres Gêmeas. Apontava na direção do prédio que caiu: “Eu estava lá. Sou uma sobrevivente”.Contou que trabalhava no 78º andar da torre sul do World Trade Center de Nova York na manhã de 11 de setembro de 2001, quando um avião se espatifou contra o arranha-céu. Minutos antes, outro avião tinha sido lançado contra a torre norte. Tania Head se incluía entra as únicas 19 vítimas que escaparam daquele inferno; 1.950 pessoas morreram na hora da colisão das naves contra os edifícios. Com o incêndio e o desmoronamento que se seguiram ao impacto, o número de mortos nas duas torres chegou a 2.753.
Tania Head, então com 28 anos, contava ainda que, ao se arrastar pelo escritório em chamas, um homem agonizante entregou-lhe o anel de casamento, pedindo a ela para levá-lo à esposa que ele não voltaria a ver (“Eu entreguei o anel à viúva”, garantia). Mostrava seu braço direito com sequelas horríveis devido às graves queimaduras. Dizia que um bombeiro voluntário a levou pela escada até o solo. “Durante a descida eu só pensava no meu noivo David, que estava na torre norte, e eu não sabia que ele tinha morrido queimado”.
Sua força de superação, seu entusiasmo em ajudar os companheiros de infortúnio, a elegeram presidente da Rede de Sobreviventes da tragédia. Uma história dramática, arrebatadora.
E falsa.

Culpados por estarem vivos
Cada uma das torres do World Trade Center tinha 110 andares, ambas com 413 metros de altura. A explicação oficial é de atentado terrorista. Outras versões defendem que foi o próprio governo Bush o autor da desgraça. A torre norte foi atingida às 8h46 pelo Boeing 767 do vôo 11 da American Airlines. A torre sul, alvejada 17 minutos depois pelo Boeing 757 do vôo 175 da United Airlines. Os dois aviões foram sequestrados por 19 homens. Depois de pegar fogo por 56 minutos, a torre sul veio abaixo. Às 10h28 a torre norte ruiu.
Carrie Sullivan
Necrófila insaciável, a imprensa só se interessava pelas perdas, as lágrimas das viúvas. O governo não parecia contente por ter sobrado gente para contar a história. “Ninguém nos dava atenção. Eu me sentia culpada por ter sobrevivido”, revela Carrie Coen Sullivan. Ela não obedeceu à ordem de permanecer no local de trabalho na torre sul, depois que o avião atacou a torre norte. “Primeiro alertaram para evacuarmos o prédio. Quando chegamos ao térreo, policiais barraram a saída, mandando-nos voltar. Mas eu furei o bloqueio. Fugi”, relembra Carrie.
Aos sobreviventes era negado o acesso aos escombros. “A gente tinha de ficar do lado de fora da grade de proteção, misturada aos turistas que tiravam fotos e colecionavam pedaços do que sobrou dos prédios”, conta Carrie.
Relíquias macabras. Sinistros souvenirs.
Os jornais só davam destaque para parentes dos mortos, e para os policiais e bombeiros que recolhiam os corpos. “Ninguém ligava pra nós. Não tínhamos sequer um lugar onde nos reunir, compartilhar nossas dores, refletir sobre o que passamos”, lamenta Carrie.
Foi esta a fresta que Tania Head achou para se encaixar no caso.

Tecendo a farsa
As pessoas dão graças por não ter estado no local de um acidente terrível, ou por não ter entes queridos entre os mortos. Mas Tania Head queria ter estado lá. Ter tido o braço deformado por medonhas queimaduras, perdido o noivo na carnificina.
Durante meses pela internet ela pesquisou cuidadosamente cada detalhe da tragédia. Com morbidez gigantesca, fez opções superlativas. Atingida por último, a torre sul foi a primeira a desabar. “Era lá que eu estava”, resolveu Tania. O avião colheu em cheio o 78º andar. “Eu trabalhava ali”. No rol dos mortos havia 56 Davids. Tania deslizou carinhosamente os olhos pela lista fúnebre e escolheu um: “Você era o meu Dave”.
Na relação dos 343 bombeiros mortos durante os resgates, Tania Head optou por Welles Crowther, que morreu queimado: “Você foi o meu herói”.  O rapaz de 24 anos havia feito dezenas de subidas e descidas naquele dia recolhendo vítimas. “Eu estava deitada no chão, encharcada pelo combustível em chamas derramado do avião. Senti pancadas no meu braço ferido. Era o bombeiro apagando com uma manta as labaredas do meu corpo”. “Ele me pegou no colo, e descemos os 78 andares por uma escada. Pra eu não sufocar com a fumaça, ele cobriu minha boca com um lenço vermelho”. De fato Welles usava sempre uma bandana vermelha que ganhou do pai quando criança. Tania Head pensava em tudo; caprichava em cada pormenor.

Tania chorando em uma cerimônia
Hierarquia da dor
Na tabela dos martírios, nenhum sofrimento superava o de Tania. A hierarquia da dor elevou a moça ao posto máximo.
Se antes dela os sobreviventes não tinham voz nem vez, ela conquistou para eles em 2005 o direito de visitar os escombros onde apenas 1.585 corpos haviam sido identificados, e somente 300 cadáveres puderam ser enterrados – os demais foram literalmente destroçados na mistura mortífera de concreto, fogo e aço.
Sob a liderança de Tania Head, seus colegas deixaram de ser encarados apenas como “sortudos”. Ela adquiriu a confiança do prefeito de Nova York, do seu antecessor no cargo e do governador do Estado. Em outubro de 2006 foi eleita presidente da Rede de Sobreviventes.
Ao contrário de muitos que restaram vivos, Tania era relativamente explícita sobre tudo o que viu e viveu nas torres. Sua poderosa narrativa cativava a todos. Por mais de três anos ela corporificou a história trágica perfeita contada por um rosto suave, voz apaixonada, e um sorriso encantador.
Mesmo quando dizia ter sido colocada no solo pelo bombeiro Welles, sua crônica do caos continuava arrepiante. “Eu estava no chão entregue a outro bombeiro no momento que a torre sul desmoronou. Ele me levou para debaixo de um caminhão e me cobriu com seu corpo. Fomos engolidos pela fumaça preta. Era impossível ver ou respirar. Compartilhamos sua máscara de ar até que fomos resgatados. A próxima coisa que lembro é de acordar cinco dias depois no hospital onde fiquei internada por mais de dois meses”.

Nascida para mentir
A certidão de nascimento de Tania Head é um e-mail enviado em 13 de maio de 2003 para o grupo de sobreviventes: “Penso que preciso falar com alguém, contar minha história, mas não sei como fazer isso. Se eu conseguisse desabafar, mesmo que fosse por uma única vez, seria o suficiente. Deus os abençoe. Tania”.
Por mais de seis meses ela trocou correspondência eletrônica com o grupo. Chegou a marcar o dia em que participaria de uma reunião com eles. Na última hora, desistiu. “Eu ainda não estou pronta para falar com vocês sobre a minha própria dor”, desculpou-se por e-mail.
Em janeiro de 2004 Tania Head decidiu se apresentar pessoalmente aos sobreviventes.
A exatidão de seus relatos não dava brecha para incrédulos. “Eu trabalhava no banco Merrill Lynch no andar 78. Quando o avião explodiu na janela do meu escritório eu estava falando ao telefone com um pessoal do 96º andar. Estávamos fechando negócio sobre uma fusão entre as empresas Fiduciary Trust e Franklin Resources Inc. Com o impacto, uma colega da minha sala teve a cabeça arrancada”, relatava.
Tania em ato público de 17.ago.2006
No comando da Rede de Sobreviventes, Tania Head dava palestras em universidades, montava o calendário de reuniões do grupo, e promovia eventos para arrecadar fundos. Chegou a tirar dinheiro da própria bolsa para doar à organização.
Mas evitava jornalistas.
A única exceção foi uma reportagem de capa do New York Daily News em 7 de setembro de 2006. A turma do poderoso The New York Times encafifou. Eles haviam entrevistado todos os 18 sobreviventes em 2001. E Tania não estava entre eles.
A reportagem que detonou Tania
O repórter David Dunlap, do New York Times, começou a escavar a história. E na fatídica edição do dia 27 de setembro de 2007 soltou a manchete: “As peças simplesmente não encaixam”.
Na realidade, em 11 de setembro de 2001 Tania estava na Espanha.
Desmascarada, ela sumiu do mapa.

Cai a máscara
As Torres Gêmeas foram atacadas por dois aviões. Tania Head foi abatida por dois jornalões.
Dois dias depois da matéria do New York Times, o diário espanhol La Vanguardia jogou a pá de cal. Tania era na verdade Alicia Esteve Head, nascida aos 31 de julho de 1973. Na ocasião da tragédia em Nova York, ela morava em Barcelona, na Rua Els Vergós número 18, bairro Três Torres, distrito de Sarrià-Sant Gervasi.
Filha de uma das famílias mais ricas de Barcelona, Tania/Alicia domina perfeitamente o idioma inglês devido à sua mãe britânica. Seu pai, Francisco Esteve Corbella, e seu irmão Francisco Javier Esteve Head, deram um golpe de 24 milhões de euros em 1992, e passaram seis anos em cana.
Em setembro de 2001 Tania/Alicia Head fazia mestrado em administração de empresas em uma escola de prestígio de Barcelona. Na época, já tinha o braço defeituoso. Dizia aos colegas que foi um acidente quando dirigia sua Ferrari em alta velocidade com seu noivo. “Meu braço foi arrancado no desastre; tivemos de voltar para pegá-lo na estrada e os médicos colocarem de volta”.
Pessoas como Tania/Alicia sentem necessidade de ficcionar a própria vida para serem aceitas. A esta doença se dá o nome de pseudologia fantástica, uma tendência a mentir compulsivamente.
Além de inventar o caso das Torres Gêmeas, ela dizia que foi à Tailândia em 2004 ajudar os flagelados do tsunami, e também deu apoio às vítimas do furacão Katrina em New Orleans.

Perseguida pelo passado
Foto de Alicia no currículo Linkedin
Em abril de 2012 o jornalista Angelo Guglielmo lançou um livro e um filme documentário sobre Tania Head. Curioso é que foi a própria Tania quem sugeriu a ele que fizesse o documentário sobre sobreviventes das Torres Gêmeas. “Ela até me ofereceu dinheiro para financiar as filmagens”, conta o repórter-cineasta. A descoberta da farsa mudou totalmente o rumo da obra, que ganhou o nome The Woman Who Wasn't There (A mulher que não estava lá), ainda sem tradução para o português.
Na data da estreia do documentário, Tania/Alicia estava trabalhando em uma grande seguradora multinacional, dando atendimento aos segurados de fala inglesa. Com currículo profissional invejável e pleno domínio em três idiomas, não foi difícil arranjar bom emprego com alto salário. Mas a empresa, ao saber o que ela tinha aprontado em Nova York, decidiu dispensá-la. Sem se abalar, ela disse aos patrões: “Vocês estão sendo insensíveis com uma mulher vítima do terrorismo internacional”.
Depois disso, ninguém mais soube do seu paradeiro.

A Justiça norte-americana não pôde condenar Tania/Alicia Head porque ela não obteve lucro com sua farsa, não causou prejuízo econômico a ninguém, e nem ao grupo que ajudou a levantar. Pelo contrário. Até injetou grana na entidade. Abriu as portas do seu luxuoso apartamento em Midtown Manhattan, perto do Central Park, para festas beneficentes. Contratou psicólogo para as terapias em grupo. 
Carrie Sullivan
Muitos dos ex-colegas de tristeza não perdoam sua grande mentira. 
Mas Carrie Sullivan, fundadora da Rede Sobreviventes, pensa diferente. “De fato, ela nos enganou; fingiu ser uma e era outra. Mas fez muito pela nossa organização. E isto não pode ser simplesmente descartado”, diz a bela e doce Carrie sobre a adorável impostora.


Para quem Tania Head estará mentindo no exato momento em que você termina esta leitura?