quarta-feira, 23 de abril de 2014

Hoje é Dia de Pixinguinha

Lá no Rio, hoje é feriado.
Mas, não em louvor à data de nascimento de um de seus filhos mais ilustres. O compositor Pixinguinha nasceu lá naquela cidade num exato 23 de abril, 117 anos atrás.
Porém (como dizia Plínio Marcos: “sempre tem um porém”) o carioca tira folga nesta 4ª-feira por causa do “Dia de São Jorge”.
Ora, faça-me o favor.
Já que a lenda cristã diz São Jorge ser um “santo guerreiro”, vou logo arrumando uma guerrinha aqui com ele.
São Jorge nem é padroeiro oficial do Rio. É São Sebastião (donde o nome de batismo completinho na certidão de nascimento da capital fluminense ser “A Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro”).
E onde é que entra São Jorge nisto tudo, pelamô???
São Jorge tá nessa parada só por causa de um ex-deputado, curiosamente também chamado Jorge. Qualquer semelhança entre o nome do político e o nome do santo, não é mera coincidência. 
Vai vendo.
Ele propôs feriado municipal em 2001 quando vereador, e estadual em 2006, quando deputado. O fulano era inspetor da Polícia Civil, candidatou-se com a alcunha "Jorge Guerreiro"; usava a imagem de São Jorge nas suas propagandas. Os tais “santinhos”. Mas de santo o cabra tinha era nada. 
Em 2004, foi em cana, flagrado numa rinha de galos. Em 2010, cadeia de novo. E foi expulso da Polícia. Condenado que está até hoje a 7 anos de xadrez por comandar milícias de matadores justiceiros.
Bonzinho o moço, né?
Pelo que leio na sua hagiografia, nem São Jorge pegaria carona no carrão quatro portas do seu xará carioca.
Daí que o certo seria a Cidade Maravilhosa baixar hoje as portas de aço do comércio na virtude da data querida do nascimento de Pixinguinha. Muito mais honroso.

Elizeth Cardoso canta “Ingênuo”, de Pixinguinha (c/ letra de Paulo César Pinheiro)
Gravação de 1983, com acompanhamento da Camerata Carioca - Joel Nascimento (bandolim); Dazinho (Edgard Gonçalves) (flauta); Luiz Otávio Braga (violão 7 cordas); Henrique Cazes (cavaquinho); Maurício Carrilho e Joaquim Santos (violões 6 cordas); Beto Cazes (percussão)

E, em se tratando de blog do David da Silva, não haveria de faltar:
Baden Powell toca “Ingênuo”, de Pixinguinha (c/ letra de Baden Powell)

Vai aqui a magnífica letra que Paulo César Pinheiro edificou sobre a construção sólida deste chorinho, por sinal o predileto do próprio Pixinguinha:
Eu fui ingênuo quando acreditei no amor
Mas, pelo menos jamais me entreguei à dor
Chorei o meu choro primeiro
Eu chorei por inteiro
pra não mais chorar
E o meu coração permaneceu sereno
Expulsando o veneno pelo meu olhar...
... eu procurei me manter como Deus mandou
Sem me vingar que a vingança não tem valor
E depois também perdoar a quem erra
É ser perdoado na Terra
Sem ter que pedir perdão no céu.

Eu não quis resolver
Eu não quis recusar
Mas do amor em ruína,
uma força termina
Por nos dominar
... e depois proteger dos abismos que a vida traçar
Quando o tempo virar o único mal
E a solidão começa a ser fatal...

Eu não quis refletir, não
Eu não quis recuar, não
Eu não quis reprimir, não
Eu não quis recear...
Porque contra o bem nada fiz
E eu só quero algum dia
Ser feliz como eu sou infeliz...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Tchau, Gabo!

Gabriel García Márques (06.mar.1927 - 17.abr.2014)
Primeiro livro que li do Gabriel García Márques foi La Mala Hora. Tinha eu 14 anos de idade (como diria Paulinho da Viola). O último dele que li foi Memória de Minhas Putas Tristes. E nem poderia ser diferente, pois foi também a última ficção do Gabo (assim os amigos chamavam o escritor colombiano).
Foi por causa de uma entrevista que o Glauber Rocha fez com o Gabo para o Pasquim, que fui atrás daquele livro. Era o ano de 1971, no meu primeiro emprego. Comprei La Mala Hora numa livraria lá no topo da Rua Theodoro Sampaio. Dois dias depois lá fui eu de novo, e trouxe El Coronel no tiene quien le escriba.
Pronto. Fiquei definitivamente capturado pela atmosfera de tensão e magia de Macondo, povoado imaginário que Gabo criou inspirado na sua cidade natal. Macondo aparece em vários de seus livros. A Biblioteca Mário de Andrade (onde eu passava sábados e domingos inteiros) se transformava em Macondo todos os finais de semana.
Quando Gabo ganhou o Nobel de 1982, me diverti muito com um artigo que ele escreveu sobre suas inquietações a caminho da Suécia. “E se este prêmio em dinheiro for simbólico? E se me chamarem numa sala secreta e disserem que tudo isto é apenas para estimular o gosto pela leitura?”.
Não. Não li ainda Cem Anos de Solidão. Por que? Sei lá. Do mesmo jeito que inda não li Jogo de Amarelinha, do argentino Cortázar, nem do peruano Vargas Llosa o colossal Conversación en La Catedral (na minha opinião com o título erroneamente traduzido para o português como Conversa na Catedral). Mas os livros estão lá sossegadinhos na minha estante. Com a calma linda das obras imortais. Antes d’eu partir devo lê-los.
Por falar em partida, a trama de Memória de Minhas Putas Tristes me fez corar de vergonha de, a esta idade, ainda não ter lido os contistas japoneses. Sei bosta nenhuma de literatura japonesa.  Antes que chegue também a minha hora, preciso quitar minha dívida asiática de leitura.
Por falar novamente em partida, não me entristeceu a notícia da morte do Gabo.
Triste fiquei foi em 2012. Num triste dia 7 de julho. Quando Jaime, irmão do escritor, revelou ao mundo que Gabo havia mergulhado numa demência sem volta. Que nunca jamais em tempo algum voltaria a escrever.
Gabo na sua última aparição pública, em 09.jan.2013
Faz dois anos já que meu coração sepultou todas as esperanças de um dia ler algo inédito do Gabo.
Amei ver uma foto dele ano passado, dedo em riste mandando o fotógrafo “praquele lugar”, numa irreverência anciã tipo Einstein mostrando a língua. Aquela demência divina que só aos sábios é dado ter.

 O corpo que Gabo usou para nos legar escritos sublimes agora vai-se desfazer. A literatura universal vive hoje a sua sexta-feira da paixão.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Taboão da Serra noite adentro, com Marcelo Borgatto

Inspetor GCM Marcelo Borgatto
Eram 6h46 da manhã da última segunda-feira, 14 de abril, quando o inspetor Marcelo Borgatto estacionou sua viatura na Central da GCM (Guarda Civil Municipal) de Taboão da Serra. “Final de mais um plantão tumultuado”, escreveu ele em sua página do Facebook.
Borgatto e seus colegas de ronda noturna foram atacados com pedras e garrafadas ao fecharem um “pancadão” na periferia da cidade. Um GCM chegou a levar uma tijolada na perna. “Graças a Deus todos bem, indo descansar com a certeza do dever cumprido. Amanhã tem mais. Bom dia”, finalizou Borgatto naquela manhã as suas “transmissões ao vivo” pela rede social.

Direto e reto
Têm sido assim todas as noites em que o inspetor GCM Borgatto está de serviço. As ocorrências noturnas são transmitidas em tempo real para o seu status no Facebook.
Além do gosto pela profissão de policial, Borgatto mostra um particular aprêço em manter a cidade informada sobre o que se passa pelas noites e madrugadas afora.
As postagens dele são acompanhadas por uma legião de taboanenses. Seu relato no exato momento em que a GCM faz os patrulhamentos, transmite tranquilidade à população.
Bodega barulhenta fechada pela GCM. Foto: M. Borgatto
No fechamento do baile funk “pancadão” no domingo passado, Borgatto relatou que as guarnições da GCM foram recebidas com fúria por cerca de 200 pessoas que ocupavam a Rua João Pereira dos Santos, no Jd Record. Além de desobstruir a via pública, os guardas também determinaram o fechamento de um buteco-espelunca que promove zoeiras naquela localidade.
Tão logo Borgatto relatou o fato aos internautas à 01h05 da madrugada, cerca de 60 comentários transformaram a página do policial em tribuna popular. Discutiu-se, além do tema segurança pública, a falta de espaços de lazer e cultura para a juventude de bairros proletários.
As transmissões simultâneas do inspetor da Guarda Civil taboanense têm recebido elogios até fora do município. “Parabéns Borgatto pelo seu profissionalismo e pela GCM de Taboão. Eu comento aqui no litoral com alguns amigos sobre sua instituição, porque as daqui [são] QRU NIHIL total”, comentou o internauta Antonio Lima.
Além dos mais de 60 comentários, a postagem de Borgatto recebeu 89 curtidas e cinco compartilhamentos.
Prisão de motoqueiros ladrões em 10 de abril - Foto: M. Borgatto

Prata da casa
Marcelo Borgatto está na GCM taboanense desde a fundação da corporação em 1991.
Nascido em Taboão da Serra em 30 de março de 1969, fez seus estudos primários (hoje ensino fundamental) na antiga Escola Estadual José MacCagnan, atual EMEF Maria José Luizetto Buscarini, no Jd São Judas, na turma de 1976. O segundo grau (agora ensino médio, antigo colegial, turma de 1986) foi cursado na Escola Ugo Arduini, na Vila Carmelina.
Além de seu ofício com farda e arma, Borgatto cursou Recursos Humanos e Gestão de Pessoas na Faculdade Anhanguera, campus taboanense. Essas
Borgatto aos 18 anos com professoras da Escola Ugo Arduini
digitais transformam o inspetor como um profissional-cidadão profundamente identificado com a cidade.
Todas as noites, antes de sair para mais um plantão, Borgatto, 45 anos, pai da Marcella e do Maurício, e marido da Leoci, avisa aos internautas: “Equipe “D” nas ruas de Taboão até as 7h da manhã. Que Deus proteja a todos. Ótima noite. Contem sempre com a GCM. E aos nossos inimigos, tentem a sorte”.

Sucesso nas ruas e redes sociais
A página de Borgatto no Facebook tem 4.983 pessoas adicionadas até o momento desta publicação. Dificilmente fica abaixo de 100 o número de pessoas que teclam “curtir” a cada sua atualização.
A reação dos internautas às suas postagens mostra a dimensão da expectativa popular com quem zela pelo sossego da cidade nas noites e madrugadas. Ao postar às 22h16 do dia 1 de abril, que ladrões de um carro deram de cara com viatura da GCM durante a fuga, houve 117 “curtir” e 9 compartilhamentos imediatos. “Aqui é daquele jeito”, escreveu Borgatto no Facebook.
No início da madrugada de 10 de abril, à meia-noite e 53 minutos o inspetor avisou a comunidade conectada: “Equipe Romucam acaba de prender ladrões com uma moto roubada e um revólver. Eles agiam há tempos na região do Pq Marabá”.
Operação Fecha-Botecos em 16 de abril. Foto: M. Borgatto
Em poucos minutos houve 157 “curtir” e 13 compartilhamentos.
Às 4h04 da madrugada de 12 de abril, novos aplausos na tecla “curtir” para o fechamento de mais um pancadão na cidade.
O cerco implacável aos barulhentos das altas horas está gerando confiança na população. Moradores da Rua Líbia, no Pq Monte Alegre, se animaram a denunciar um bar daquela rua que promove baile funk na frente do estabelecimento, atraindo multidão que fecha totalmente a via. “Venho aqui pedir providências da GCM na questão da perturbação da paz em nosso bairro”, solicitou um munícipe na página do GCM que se converteu num verdadeiro “olho de gato” nas noites mal dormidas da cidade.
Na madrugada de ontem, quarta-feira 16 de abril, às 3h25 o inspetor informou pelo Face que um veículo roubado foi encontrado abandonado, batido no muro de um comércio numa rua transversal do bairro Pq Pinheiros.
Foto: M. Borgatto
Horas antes, às 1h18 Borgatto havia transmitido fotos do fechamento de um boteco barulhento e notívago: “GCM/Taboão e Fiscalização juntas no combate à perturbação ao sossego alheio”.

As publicações de Marcelo Borgatto no Facebook terão um resumo semanal aqui no blog.
Para seguir noite adentro com o policial pelas ruas de Taboão da Serra, acesse aqui

Natasha Marques prossegue firme em longa recuperação

Atualização das 18h15:
Lenilda Farias, mãe da atriz Natasha Marques, que encontra-se internada no Hospital Vila Alpina (leia abaixo) telefonou às 18h para o blog, dando conta de evolução no quadro clínico da garota.
“Até hoje ela está respirando por aparelhos. Mas os médicos retiraram o respirador agora à tarde, e eu pude ouvir a voz da minha filha. Conversei com ela”, vibra a mãe.
Natasha perguntou ao seu namorado: “Você já contou para minha mãe tudo o que aconteceu?”.
No momento desta postagem, a artista está sendo encaminhada ao centro cirúrgico para mais um procedimento médico.
No transcorrer da noite desta quinta-feira para a madrugada de amanhã, traremos novas informações.
Antes de seguir para o centro cirúrgico, Natasha, ainda um tanto sonolenta devido à alta carga de medicamentos, pediu um favor: “Mãe, avisa para as meninas que eu não vou poder ir dançar, porque meu joelho está machucado”.
Natasha Marques em foto reproduzida de sua página do Facebook
A atriz, maquiadora e produtora cultural Natasha Marques, 21 anos, completa hoje seu décimo dia internada na UTI do Hospital Estadual Vila Alpina, zona leste da Capital de São Paulo. Seu quadro clínico ainda é delicado, dado à gravidade do acidente de trânsito do qual foi vítima. Sua terceira cirurgia foi completada com sucesso no último sábado. Novos procedimentos cirúrgicos serão necessários, a fim de debelar o dano causado à sua estrutura física.
Natasha caiu da moto em que vinha para sua casa, por volta das 23h30 do último dia 6 de abril. Um automóvel colidiu com a moto conduzida por seu namorado, na esquina da Avenida Luiz Ignácio de Anhaia Melo com a Rua Ibitirama, na zona leste paulistana. A garota voltava de um trabalho que foi prestar naquela região. Ao ser projetada do banco da motocicleta, a atriz foi colhida por um caminhão, que passou com a roda traseira sobre a região da sua bacia. O motorista do automóvel que a derrubou fugiu sem prestar socorro.
Ela deu entrada no hospital com grande perda sanguínea, o que exigiu significativa transfusão. A campanha por doação de sangue persiste (veja abaixo).
Lenilda Farias e sua filha Natasha - Reprodução: Facebook

Passo a passo
Lenilda Farias, mãe da artista, informou ao blog que o processo de recuperação de Natasha Marques requer paciência e fé. “Fico apreensiva como mãe. Mas a equipe do Hospital Vila Alpina me transmite confiança. A gente tem um longo caminho pela frente. A cura da minha filha está se dando de dentro para fora. Há vários ligamentos a serem refeitos. Felizmente órgãos como o útero, permaneceram intactos. Cada cirurgia implica em limpeza interna da parte afetada, que é o núcleo mais significativo do corpo de uma mulher. Na terça-feira os médicos restabeleceram a via urinária dela. Os ossos da bacia foram quebrados em muitos pedaços. A calcificação deles será uma etapa posterior da recuperação dos órgãos internos. Acima da confiança na Medicina, é perseverar na crença em Deus, orar para que não haja infecção hospitalar”, diz Lenilda, que reforça o pedido para doadores de sangue (veja o procedimento de doação aqui).

Paixão por Natasha
Na manhã do domingo em que foi acidentada, Nati, como é conhecida por colegas do meio artístico, havia cumprido mais um ensaio da Paixão de Cristo em Taboão da Serra.
O vínculo da garota com o espetáculo é antigo. Ela participa do evento desde os seus nove anos de idade. Interpretou papéis em vários núcleos de personagens (foi uma diaba em 2010; Cláudia mulher de Pilatos em 2011; Salomé em 2013, e faria novamente a esposa de Pilatos neste ano).
No ano passado assumiu a maquiagem do elenco, tarefa que repetiria no espetáculo da Sexta-Feira Santa desta semana. Além da sua atuação como a personagem Cláudia e maquiadora dos colegas de cena, Natasha faria a exibição de pirofagia, a arte de manipular fachos incandescentes, e cuspir combustível sobre tochas de fogo, na cena do aniversário do personagem rei Herodes.

No sábado passado o Santuário Santa Therezinha, do qual Natasha faz parte, realizou uma missa seguida nos últimos dias por correntes de orações rogando pelo seu completo restabelecimento.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Começam os ensaios ao ar livre da Paixão de Cristo em Taboão da Serra

Ensaio no Morro do Cristo, no domingo dia 13 de abril - Foto: Salvador Ribeiro de Carvalho
O elenco da Paixão de Cristo, que iniciou seus ensaios em 5 de janeiro último no salão principal do Cemur, já está ensaiando nos locais da apresentação a céu aberto que acontecerá nesta Sexta-Feira Santa. O primeiro ensaio ao ar livre ocorreu em 6 de abril, com o núcleo de atores da cena da crucificação. Ontem, dia 13, artistas dos vários núcleos de personagens ensaiaram tanto no Morro do Cristo, quanto no palco defronte ao Parque das Hortênsias, onde o espetáculo tem seu início. Outros dois ensaios nas mesmas locações estão programados para as noites das próximas quarta e quinta-feira, dias 16 e 17, véspera do evento. A encenação começou em Taboão da Serra três anos antes da emancipação do município.
A atriz Natasha Marques, hospitalizada há uma semana após grave acidente de trânsito, e seu namorado e também ator Everton Lima, que conduzia a moto onde ambos foram vítimas, estão substituídos por Natália Romeiro e Elias Sabino – veja no rodapé da matéria a lista geral do elenco. Natasha interpretaria Cláudia, esposa do personagem Pilatos, e Everton faria Dimas, um dos ladrões crucificados. Além desses papéis, o casal executaria o espetáculo de pirofagia na cena do aniversário do rei Herodes.
Ao todo serão 77 atores, atrizes e figurantes em cena. Alguns artistas desempanham mais de um papel.
Manoel da Nova e Mário Pazini em 2006 - Foto: Marco Pezão
Paixão antiga e flores em vida
Em 1956 o ator Manoel da Nova decidiu levar para as ruas de Taboão da Serra a narrativa bíblica dos últimos dias de vida e a ressureição do personagem Jesus Cristo. A encenação taboanense da Via Crucis é a mais antiga do Brasil ainda em atividade.
Da Nova comandou o espetáculo até 1993. A morte de sua esposa o abalou a ponto de passar a cruz para uma nova geração. “Quando o senhor Manoel entregou a Paixão para a prefeitura em 93, convidei o Zé Maria de Lucena para coordenar, pois ele já fazia trabalho semelhante desde 1979 numa comunidade católica na região do Pirajuçara”, relata Amaral Alves, atual coordenador-geral da encenação. Zé Maria deixou a coordenação em 2009, juntamente com outros 40 artistas (leia abaixo).
Um mês antes de falecer em maio de 2011, Manoel da Nova foi homenageado com a exposição fotográfica Assim Nasce uma Paixão, realizada em um centro de compras da cidade, com curadoria de Wladimir Raeder, na época coordenador do Centro de Memória da prefeitura local.
Outra grande emoção do criador da Encenação da Paixão de Cristo após sua aposentadoria foi em 2006. Ele irrompeu na passagem do Messias rumo ao calvário, para abraçar o ator Mário Pazini Junior, filho do ator que interpretou o Cristo na versão pioneira de 1956.
Grupo dissidente em 2009 - Foto: David da Silva

Paixão não correspondida
Mário Pazini, falecido no último dia 31 de março aos 51 anos, vítima de câncer na pleura, era tido como artista emblemático da Paixão em Taboão da Serra. Não bastasse ser filho do primeiro intérprete do Cristo na cidade, ele foi o “Jesus Menino” na barriga de sua mãe Therezinha Pires Pazini, grávida dele na Encenação de 1962.
Pazini fez o papel principal durante seis anos (2000, 2002/3/4/5/6). Mas em 2009 rompeu com a organização do evento, devido ao que considerou “interferência autoritária do governo municipal” na montagem do espetáculo.
A dissidência de Pazini juntamente com cerca de 40 artistas cobrou transparência nos custos da apresentação. Elaborou na ocasião uma proposta orçamentária para a Encenação, contemplando gastos de produção e remuneração aos artistas. O grupo levou um Manifesto à Tribuna Popular da Câmara Municipal, encaminhando o documento ao Ministério Público e à Ouvidoria da Prefeitura.
Na linguagem franca da “ira dos justos”, Mário Pazini denunciou que a política “tomou de assalto a organização do evento”.
Os vereadores não deram ouvidos ao clamor dos artistas. E até mesmo hoje em dia os parlamentares municipais não mostram interesse em saber o esforço de titãs que os artistas dedicam gratuitamente para encantar multidões a cada ano. Só se limitam a aparecer no palco na apoteose do espetáculo, para serem lambidos pelas luzes dos flashes de quem se presta a dar-lhes notoriedade.
Clayton Novais interpreta Cristo pela quarta vez - Foto: Divulgação
A Paixão de cada um
Quem quiser saber “de tudo” o que aconteceu nas apresentações da Paixão em Taboão da Serra a partir de 2008, deve se dirigir a um escritório de contabilidade em Itapecerica da Serra.
O contador Josias Patriolino é um guardião da memória do espetáculo. Os nomes de cada atriz, ator e figurantes dos últimos seis anos estão num acervo digno do respeito que se deve a uma “senhora de quase 60 anos”, como é a Paixão de Cristo taboanense.
Além de contabilista, Josias é ator e poeta. Interpretou em Taboão da Serra o guarda de Caifás em 2009 e 2011; Judas Tadeu em 2010; Nicodemus em 2012; José de Arimatéia em 2013, e fará o mesmo personagem neste ano de 2014.
O ator Clayton Novais vai interpretar o Cristo pela quarta vez. Já fez o personagem central em 2007, 2008 e 2013.
Em toda a história da encenação no município, o papel central foi desempenhado maior número de vezes pelo ator Maurício Xavier.
Em todos os ensaios a prefeitura disponibiliza ônibus grátis, lanches e frutas aos artistas. A montagem dos cenários e a caracterização do Morro do Cristo é feita com grande eficiência pela Secretaria de Manutenção e Serviços Urbanos, comandada pelo engenheiro Orlindo de Jesus Domingos. O espetáculo conta com o apoio da empresa Solução Transportes, que patrocinou produtos para maquiagem, adereços e tecidos. A realização é da Secretaria de Cultura e Turismo de Taboão da Serra.

ELENCO:
Foto: Wladimir Raeder
Clayton Novais
Jesus
Dayane Santos Leal
Anjo
Pietra Cappellani
Anjo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Atriz Natasha Marques segue em estado delicado no hospital

Natasha Marques - Fotos: Reprodução | Facebook
Artista passou pela segunda cirurgia, e necessita de doadores de sangue

Informações obtidas até a 0h desta sexta-feira dão conta que ainda inspira cuidados a saúde de Natasha Farias Marques, internada no Hospital Estadual Vila Alpina, após sofrer acidente com moto no final da noite do último domingo, 6 de abril. Ela foi submetida a uma segunda cirurgia na tarde da quinta-feira, dia 10. A primeira operação se deu na data da sua internação. Não há novos dados até o momento desta postagem. 
O acidente ocorreu às 23h30 no cruzamento da Avenida Luis Inácio Anhaia Melo com Rua Ibitirama, na Capital São Paulo.
Natasha Marques, 21 anos, moradora no Jardim Taboão, no limite dos municípios de São Paulo com Taboão da Serra, voltava para sua casa na garupa da moto de seu namorado Everton Lima. A moto foi fechada por automóveis, derrubando o casal. O condutor da moto sofreu escoriações. Mas Natasha foi colhida por um caminhão, que passou com a roda traseira sobre sua bacia.
Apesar de muito jovem, Natasha Marques tem longa atuação no meio artístico. Ela faz teatro desde os nove anos de idade. Já atuou em vários papéis na Encenação da Paixão de Cristo de Taboão da Serra.
Na Paixão de Cristo de 2014 a atriz iria interpretar Cláudia, esposa de Pôncio Pilatos, mesmo papel que desempenhou na apresentação de 2011. “Foi uma experiência inexplicável, espero que o povo tenha sentido toda a emoção que eu senti em cena”, disse. Em 2010 a jovem interpretou uma das diabas.
Natasha na personagem Salomé, em 2013
Na encenação da Paixão em 2013 Natasha Marques interpretou Salomé, e foi a responsável pela maquiagem do elenco.
Ainda neste ano de 2014, além de encarnar a mulher do governador romano, Natasha Marques faria, junto com o namorado Everton Lima, a exibição de pirogafia no aniversário do personagem rei Herodes.
Sobre a emoção de maquiar seus colegas de cena em 2013, Natasha Marques escreveu a um internauta as suas expectativas com a maquiagem para este ano de 2014: “Sabendo subitamente que ficaria responsável pela maquiagem, eu procurei realmente trazer mudanças este ano. Com os meus esforços somados com os da direção tivemos discursos sobre cada maquiagem. Fiz o que pude naquele tempo curto, porque são muitos atores. Ano que vem se eu estiver na maquiagem minha meta será superar isso e caprichar. Chegar a efeitos especiais é quase impossível no teatro. Mas transformar uma pessoa em outra é um desafio. Gosto de desafios e procuro sempre fazer diferente. Estou começando agora nisso, e penso em continuar. O bom da Paixão de Cristo é que sempre descubro coisas que posso levar pra [minha] vida [pessoal]”.
No drama Eros Despedaçado - Foto: José Walter Costa

Corrente
O suplício de Natasha Marques deixou todo o meio cultural da região em estado agônico. Extremamente ativa dentro do seu 1,65m de altura, cabelos ruivos e olhos verdes, a garota ainda fazia produção de eventos.
Depois da cirurgia da segunda-feira quando foi hospitalizada, a artista necessitou de novas intervenções. A segunda cirurgia deveria ocorrer no dia 8, terça-feira, e foi adiada para o dia seguinte, devido à fragilidade física da garota. Natasha necessitava de plaquetas de sangue. Na quarta-feira, dia 9, novo adiamento da cirurgia, que finalmente pôde ser feita no final da tarde de ontem, quinta-feira, 10 de abril.
Na atualização da sua página no Facebook às 21h02 de ontem, o namorado Everton Lima disse que o quadro clínico de Natasha ainda é crítico.
Em conversa por telefone com o blog, Lenilda Farias, mãe de Natasha disse que surgiu um novo problema, mas não quis alongar o assunto. “Quando eu estiver menos fragilizada falaremos sobre isto. Só quero que você me ajude a divulgar este caso, para vermos se é encontrado o motorista do automóvel que fez isto com a minha filha”, lamenta a mãe da atriz, que pede doadores de sangue.
A jovem necessita de sangue tipo A+
Doações devem ser feitas na Fundação Pró-Sangue, Hospital das Clínicas de São Paulo. 
Entrada pela Portão 3.
Mencionar o nome de NATASHA FARIAS MARQUES, e citar Hospital da Vila Alpina.
A doação pode ser agendada - clique aqui
De segunda a sexta-feira, das 7 às 19h
Sábados e feriados, das 8 às 18h
Fechado aos domingos
Estacionamento gratuito 
para carros, por até duas horas - Garagem Subterrânea Clínicas
Capa da página da atriz, maquiadora e produtora Natasha Marques no Facebook

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Não é câncer de mama a maior causa mortis feminina do Brasil

Estudo revelado em fevereiro insinua que pode haver interesses embutidos nas campanhas de mamografia

Há uma cilada semântica segundo a qual câncer de mama é o problema de saúde que mais mata mulheres no Brasil.
Não é.
E que a mamografia é a única trilha da salvação contra este mal.
Também não é.
Escultura em túmulo no Cemitério Staglieno, Gênova, Itália
Foto: Reprodução / Hélio Rubiales
O maior produtor de viúvos no país atende pela sigla sinistra AVC.
Câncer de mama é o que mais mata mulheres com câncer. Mas não o maior índice da mortalidade feminina nacional.
Problemas cardiovasculares matam seis vezes mais brasileiras que o câncer de mama. 
O infarto é o segundo caminho mais curto para o cemitério entre as mulheres. 
O câncer de mama aparece em sétimo lugar. 
Os dados foram coletados pelo Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) em 2010 e divulgados em 2012.
No período pesquisado, 12.705 mulheres faleceram com câncer de mama. Ao passo que naquele mesmo ano de 2010 o derrame e o infarto mataram 90.909 brasileiras.
o
As dez causas líderes de morte entre brasileiras em 2010:
Arte tumular erótica. Cemitério Staglieno, Itália
1. Acidente vascular cerebral: 49.190 mortes
2. Infarto: 41.719 mortes
3. Outras doenças cardíacas: 30.872 mortes
4. Diabetes: 28.300 mortes
5. Gripe/Pneumonia: 27.760 mortes
6. Hipertensão: 23.862 mortes
7. Câncer de mama: 12.705 mortes
8. Câncer de pulmão: 8.171 óbitos
9. Acidente de transporte: 8.058 mortes
10. Câncer de colo de útero: 4.986 mortes
Fonte: Ministério da Saúde

No ano passado, as revistas Saúde e Cláudia (Editora Abril) coordenaram a pesquisa “Sinta seu Coração”. Ouvidas mais de 5 mil voluntárias, o estudo mostrou que, mesmo com os números mortíferos de AVC e infarto revelados no ano anterior, em 2013 o grande pavor feminino continuou sendo o câncer de mama.
A pesquisa evidencia que a saúde pública deve ligar o alerta vermelho e, para cada R$ 1,00 investido na prevenção cancerígena mamária, outros R$ 6,00 devem ser destinados à conscientização feminina sobre este mal que lhes ataca por detrás dos seios e por baixo dos seus sedosos cabelos.
Túmulo da família Cantarella. Escultura de Alfredo Eliani
Cemitério São Paulo, bairro Pinheiros, Capital (SP)

Coração descuidado
Até a década de 1970, para cada grupo de sete homens infartados, havia apenas uma mulher.
Elas só começavam a se preocupar com este problema a partir dos 60 anos.
Acreditava-se que o coração feminino estava protegido pelo estrogênio. Este hormônio só começa a faltar com o avanço da idade da mulher. A menopausa era “a hora da verdade”. Como se todos os maus-tratos à saúde que a mulher cometeu contra seu próprio coração durante décadas desabassem de uma só vez, com a desobrigação de comprar absorventes.
Hoje, há uma mulher com infarto para cada três homens.
O grande vilão desta estatística macabra foi o crescente ingresso da mulher no mercado de trabalho. O stress, o acúmulo de funções em casa e no emprego, e a dieta alimentar de risco enfraqueceram o papel protetor do estrogênio.
Segundo a cardiologista Elizabeth Alexandre, da seção de Coronariopatia do Instituto Dante Pazzanese, o primeiro grande inimigo da mulher infartada é o atraso no diagnóstico.

Mamografia e Política
No início deste ano o Ministério da Saúde se meteu num saco de gatos.
Ou melhor: num saco de gatas.
Decidiu repassar aos municípios verba para mamografia em apenas um seio de cada mulher na faixa dos 40-49 anos. Para examinar os dois peitos, só depois de idosas.
Em 27 de novembro de 2013 o mesmo ministério havia divulgado a Estimativa 2014 – Incidência de Câncer no Brasil. Segundo o prognóstico, 57,1 mil brasileiras vão desenvolver câncer de mama até o próximo Ano-Novo.
Os protestos fizeram tal alarido que o ministério se viu forçado a emitir nota de “esclarecimento” no último dia 14 de fevereiro de 2014, taxando de mentirosas entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM).
Por estranha ironia, exatamente três dias antes deste arranca-rabo do governo Dilma com o CFM, o periódico inglês British Medical Journal, edição de 11.fev.2014, divulgou um estudo questionando o benefício da mamografia para mulheres com menos de 60 anos.

Estudo iniciado no Canadá em 1988 acompanhou durante 25 anos a saúde de 90 mil mulheres. Elas foram divididas em dois grupos para detecção do câncer de mama. Um grupo realizou mamografia, e o outro, apenas exames físicos de toque. Ao final do estudo, 3.250 mulheres submetidas à mamografia estavam com câncer – 500 morreram. No grupo do exame físico, 3.111 foram diagnosticadas - 505 morreram. Resumo: a taxa de mortalidade é a mesma com mamografia ou com exame de toque.
Carreta da mamografia ficará por 30 dias na Pç Nicola Vivilechio.
Taboão da Serra tem 300 mulheres na fila de espera.
Exames: 2ª a 6ª-feira, das 9h às 20h. Aos sábados, 9h às 13h.
Resultado sai em dois dias. Foto: Diogo Moreira
Com a prevenção do câncer de mama por meio físico do toque de mãos em mulheres abaixo dos 60 anos, deixariam de ser gastas montanhas de dinheiro com mamógrafos.
Com base na pesquisa canadense, cientistas da Universidade de Oslo, Noruega, afirmam que a mamografia em mulheres não sexagenárias só serve para gerar um excesso no número de diagnósticos.
Os pesquisadores noruegueses, no entanto, acreditam que coibir isto será tarefa difícil: “O governo, fundos de pesquisas, cientistas e médicos podem ter interesse em continuar com as mamografias do mesmo jeito que estão estabelecidas hoje em dia”.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Por onde andará aquele meón da Argentina?

Tirando a poeira de alguns arquivos, me deparo com duas fotos que usei numa postagem de 21 de junho de 2010.
Foto: Alejandra Bartoliche - 18.jun.2010
Uma ocorrência trágica na cidade turística de Bariloche, a 1.569 km a sudoeste de Buenos Aires, capital da Argentina. Que resultou numa das mais divertidas fotos de ato incomparável de coragem.
A fotógrafa Alejandra Bartoliche, moradora da própria cidade dos fatos, foi premiada pela agência Reuters como uma das 55 melhores fotos daquele ano de 2010. Ela é repórter-fotográfica (ou fotoperiodista, como dizem lá) da Télam Agência Nacional de Notícias.
Foto: Alejandra Bartoliche - 18.jun.2010
Nunca consegui descobrir quem é (ou terá sido) o valente rapaz que urinou na fuça da tropa de choque de Bariloche.
Há certas pessoas que o jornalismo deveria ser proibido de esquecer. O que terá acontecido a este garoto irreverente, depois que a imprensa guardou sua lente?
Quero saber o destino do impávido mijão (ou meón, como se diz por lá).
Vou aproveitar a breve temporada na Argentina no final deste mês, procurar o correspondente brasileiro Ariel Palácios, do Estadão, ver se ele me ajuda elucidar o mistério.
Enquanto esta hora não chega, reveja a postagem original aqui

segunda-feira, 31 de março de 2014

Artistas se despedem de Marinho Pazini a partir da meia-noite de hoje

O ator e diretor de teatro Mário Pazini será velado no Cemitério da Saudade, em Taboão da Serra, a partir da meia-noite desta segunda para terça-feira, dia 1º de abril.
A trajetória artística de Mário Pazini, o Marinho, como carinhosamente é chamado no meio artístico, ultrapassa mais de meio século.
Sua figura humana e cultural não se prende apenas à encenação da Paixão de Cristo na cidade.
Depois de romper com a apresentação oficial do evento religioso em Taboão da Serra, Mário Pazini criou um dos movimentos mais vitoriosos do teatro alternativo da Grande São Paulo. Aliado à sua companheira Naruna Costa, e Naloana Lima e Martinha Soares, o Espaço Clariô incendiou o cenário teatral da periferia paulistana.
Foram vencedores do prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro em 2011, com o espetáculo “Urubu Come Carniça e Voa”.
Em 2008, com textos do consagrado Marcelino Freire, o diretor Marinho Pazini adaptou e dirigiu o drama teatral “Hospital da Gente”. Com apresentações por todo o Estado de São Paulo, e também no norte e nordeste do Brasil – Rondônia e Recife (PE), respectivamente.
Mário Pazini pautou sua caminhada artística em nunca se curvar aos poderosos de plantão.
Na encenação taboanense da Paixão de Cristo, “entrou” em cena na barriga de sua mãe como o Menino Jesus, quando ela, grávida de Mário Pazini, representou a Virgem Maria, em 1962.
Antes disso, seu pai interpretou o Cristo, na encenação pioneira da Paixão, em 1956.
Mário Pazini interpretou o personagem central da Paixão de Cristo nos anos de 2000, 2002/3/4/5/6.
E quase morreu de verdade em um acidente na apresentação de 2005.

O corpo de Mário Pazini será sepultado às 16h desta terça-feira, 1º de abril, no cemitério municipal (da Saudade) em Taboão da Serra.

Taboão da Serra perde o ator e diretor Mário Pazini

Foto: Facebook
Faleceu na tarde desta 2ª-feira, 31 de março, o ator e diretor teatral Mário Pazini.
O artista iria completar 52 anos de idade no próximo dia 26 de novembro.
Ele estava internado no Hospital Nove de Julho, e foi vítima de câncer na pleura e suas consequências.
Há poucos dias, a atividade de Mário Pazini e o Teatro Clariô foi contemplada com o Prêmio Governador do Estado.
Um dos idealizadores e dirigentes do Espaço Cultural Clariô, Mário Pazini teve uma trajetória histórica na arte e na cultura de Taboão da Serra.
Descendente de uma família que dá nome à região mais antiga da cidade, Mário Pazini tinha ligação umbilical com a Encenação da Paixão de Cristo no município.
Sobre ele eu escrevi no ano de 2009: “Em termos de Paixão de Cristo, ninguém pode com a vida do ator e diretor Mário Pazini. Ele fez o papel de Menino Jesus antes mesmo de nascer. Sua mãe estava grávida dele quando fez a Virgem Maria. Seu pai foi o Cristo na primeira encenação da Vida e Morte e Ressurreição em Taboão da Serra, em 1956”.
Mário Pazini interpretou o personagem central da Paixão de Cirsto nos anos de 2000, 2002/3/4/5/6. E quase morreu de verdade em um acidente na apresentação de 2005.

Detalhes sobre o seu velório e sepultamento, nas próximas atualizações do blog.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Mais quatro Músicos do Futuro avançam na carreira profissional

Percussionista César Simão suspendeu curso na Alemanha para ocupar seu lugar na Orquestra Sinfônica Municipal de SP. 
Foto: Divulgação
A organização não governamental (ONG) Associação Músicos do Futuro, de Taboão da Serra, alcança a maioridade em 2014. E chega aos seus 18 anos de atividades com a vitória de um aluno admitido na Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, e outros três, aprovados em faculdades de música. Desde o seu início em 1996 a ONG já formou centenas de músicos, com dezenas deles vivendo exclusivamente da sua arte em importantes orquestras espalhadas pelo Brasil. O projeto foi fundado pelo maestro Edison Ferreira, em uma escola pública do Parque Marabá, em Taboão da Serra.
Erick Felix e seu oboé em ensaio 
d’O Homem de La Mancha
Foto: Vinícius Pazini

Retumbou na Alemanha
O percussionista César Simão, 25 anos, morador de Taboão da Serra e formado pela ONG Músicos do Futuro, estava na Alemanha em curso de especialização na Hochschule für Musik und Tanz Köln. No último dia 18 de março, às 23h17 comunicou pelo Facebook a sua conquista na Orquestra Sinfônica paulistana: “Muito feliz! Sou percussionista do Teatro Municipal de São Paulo”. Imediatamente houve 103 comentários de felicitações, e 316 pessoas curtiram a notícia.
Quem também tem muito a comemorar neste primeiro trimestre do ano é Erick Felix, que aprendeu oboé na ONG criada pelo maestro Edison Ferreira. Também morador de Taboão da Serra, ele foi aprovado no vestibular de Música da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A apresentação mais recente de Erick aqui na cidade foi com a Orquestra Sinfônica Músicos do Futuro, no musical Homem de La Mancha.

Rafael aos 11 anos (à esq.), e hoje em aula de trompete para crianças na periferia de Taboão da Serra. Foto: David da Silva
Jovens mestres da Música
O trompetista Rafael Dias completou 22 anos no último dia 9 de março. Está desde criança na associação taboanense que semeia talentos musicais pelo Brasil e o mundo. “Cheguei na ONG Músicos do Futuro quando eu tinha 11 anos de idade. Quem me trouxe foi meu tio Uziel, que também é trompetista e maestro na época”, conta o músico. Além de dar importante passo no ensino superior de Música, Rafael conquistou em fevereiro a primeira suplência para o grupo de metais da afamada OSESP (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo).
Caroline. Foto: David da Silva
Quem também vai percorrer diariamente o caminho de Taboão da Serra até a Faculdade Cantareira de Música é a trompista Caroline Francisco. Desde muito novinha na ONG Músicos do Futuro, hoje Caroline dá aulas de trompa na associação, e também atua no pólo avançado de ensino musical na periferia de Taboão da Serra.
Ela vai se aperfeiçoar no estudo da trompa com Luiz Garcia, que tem especialização clássica em música nos EUA, já tocou no legendário quinteto de metais Canadian Brass, e é primeira trompa da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Quem se forma pela ONG Músicos do Futuro permanece vinculado à entidade, dando aulas para as novas gerações de instrumentistas.

sexta-feira, 21 de março de 2014

O show do cantor Belchior em Taboão da Serra

Foto: Divulgação
“Ah... não foi quase ninguém. Não tinha mais que 30 pessoas na plateia”.
Assim foi resumido para mim o show que o cantor e compositor Belchior fez há 18 anos, no espaço Cemur, em Taboão da Serra.
Quem me conta a história é Odair Meneguetti, ex-diretor de Cultura da prefeitura local. “A produção do Belchior nos procurou na época, e cedemos o local para ele. Mas foi decepcionante”, diz.
A apresentação se deu numa noite de 4ª-feira no ano 1995.
Mesmo tendo sofrido um fiasco em sua passagem pela nossa cidade, Belchior me recebeu com generosidade quando o entrevistei no ano 2000, para o jornal dos funcionários públicos: “Você é de Taboão da Serra? Que bom! Eu cantei lá. E se você quiser um dia posso voltar a cantar lá”, me disse no início da reportagem produzida por Aloisio Nogueira Alves.
Belchior e David da Silva
Foto: Aloisio Alves
As razões para o mau êxito de público de Belchior em Taboão da Serra permanecem nebulosas. Alguns o atribuem à falta de divulgação. O diretor aposentado Odair Meneguetti arrisca um palpite: “É excelente compositor. Mas como cantor, ele não atrai. Nem mesmo se fosse hoje”.
Engana-se.
As músicas de Belchior no Youtube chegam a 500 mil acessos. Por dia.
Em 1995 ao pisar no palco em Taboão da Serra, Belchior já tinha 25 anos de carreira como um dos maiores ídolos da MPB. Com sucessos gravados na própria voz e nas de Elis Regina, Jair Rodrigues, e Roberto Carlos. Seu primeiro sucesso se deu em 1971, com Na Hora do Almoço. A consagração nacional veio em 1976, com o estouro simultâneo de Apenas um rapaz latino americano, e de canções que se tornaram hinos da juventude como Velha Roupa Colorida e Como Nossos Pais, ambas gravadas por Elis Regina.

Belchior e Edna em Porto Alegre. Foto: Bruno Alencastro
A colossal Comédia Humana
Em 2007 Belchior parou de fazer shows. A grande imprensa o deu como desaparecido dois anos depois. Turistas brasileiros encontraram o artista no Uruguai, recluso com uma mulher que conheceu em 2005. O casal deixava um rastro de diárias não pagas nos hotéis e flats por onde passava. Dois carros de luxo de Belchior quedaram abandonados em um aeroporto e um estacionamento.
Jornais e TVs do mundo todo (inclusive o sisudo The Guardian britânico) especularam que Belchior havia se retirado de cena em 2007 para se dedicar à sua tradução do livro Divina Comédia, do poeta Dante Alighieri.
A notícia estava atrasada quase uma década. Já naquela entrevista que fiz com ele no ano 2000, Belchior contou que estava traduzindo a obra-prima de Dante. E que seria toda ilustrada por ele, que também é pintor, e inteiramente escrita à mão (o cantor-compositor também é calígrafo).

A volta por cima?
Belchior e o advogado Jorge Cabral, na casa de quem
ficou hospedado por quatro meses. Depois o cantor e
Edna foram morar num albergue. Foto: Arquivo pessoal.
Em janeiro do ano passado Belchior, 67 anos, procurou a Justiça do Rio Grande do Sul (onde leva vida semi-clandestina em Porto Alegre). Estava acompanhado da atual companheira Edna Assunção Araújo, 46 anos. A mulher alegou que o cantor vive ameaçado de morte. A Justiça gaúcha não revelou o teor da demanda de Belchior.
O casal chegou a se reunir com a direção da TV Record em Porto Alegre, dizendo ter um dossiê contra a TV Globo. Mas não apresentou nenhum documento, nem marcou novo encontro. A mulher disse a outra jornalista gaúcha que Belchior está preparando uma grande retomada de sua carreira. Inclusive com material inédito para três novos álbuns.
A dívida monumental de Belchior com hotéis, uma ação trabalhista e pensão alimentícia de três filhas beira R$ 1,5 milhão em valor não corrigido.
“Dinheiro não é problema. Com cinco ou seis shows ele paga isto com folga”, afirma Jackson Martins, ex-empresário do artista. “Se ele voltar, pago adiantado todas as dívidas dele”, garante.
Problema com público Belchior deve ter tido somente em Taboão da Serra. Mas dificilmente a história se repetiria. Perguntei à agitadora cultural Suzi Soares, do Sarau do Binho, se ela iria a um eventual futuro show de Belchior aqui no município. “Que história é essa? Tá querendo me deixar doida? Existe esta possibilidade?”, perguntou num afã contínuo a esposa do poeta Robinson Padial, o Binho. “Quero saber direito dessa história de Belchior em Taboão. Me atiçou as lombrigas. Eu amaria ver um show do Belchior na companhia do Binho e da Naiana, nossa filha. Porque nosso amor foi embalado por suas canções, e agora é nossa filha quem curte suas dores de cotovelo ao som das mesmas músicas”, conta a primeira-dama do Sarau do Binho.
Caso Belchior retorne aos palcos, e volte um dia a Taboão da Serra, ao menos já sabemos o que gosta no café da manhã, com base na ação movida contra ele pelo primeiro hotel em que iniciou sua jornada rumo ao ostracismo - omelete japonês com shoyo e açúcar, picadinho de carne acebolada, tofu com quiabo cozido e linguiça com cebola, além de sucos e pães.
É o que vou comer agora. Bom dia.