quinta-feira, 23 de julho de 2015

Uma Tania muito à toa...

Tania Head
Não tinha quem não chorasse com Tania contando a sorte que teve ao fugir da morte, no ataque às Torres Gêmeas. Apontava na direção do prédio que caiu: “Eu estava lá. Sou uma sobrevivente”.Contou que trabalhava no 78º andar da torre sul do World Trade Center de Nova York na manhã de 11 de setembro de 2001, quando um avião se espatifou contra o arranha-céu. Minutos antes, outro avião tinha sido lançado contra a torre norte. Tania Head se incluía entra as únicas 19 vítimas que escaparam daquele inferno; 1.950 pessoas morreram na hora da colisão das naves contra os edifícios. Com o incêndio e o desmoronamento que se seguiram ao impacto, o número de mortos nas duas torres chegou a 2.753.
Tania Head, então com 28 anos, contava ainda que, ao se arrastar pelo escritório em chamas, um homem agonizante entregou-lhe o anel de casamento, pedindo a ela para levá-lo à esposa que ele não voltaria a ver (“Eu entreguei o anel à viúva”, garantia). Mostrava seu braço direito com sequelas horríveis devido às graves queimaduras. Dizia que um bombeiro voluntário a levou pela escada até o solo. “Durante a descida eu só pensava no meu noivo David, que estava na torre norte, e eu não sabia que ele tinha morrido queimado”.
Sua força de superação, seu entusiasmo em ajudar os companheiros de infortúnio, a elegeram presidente da Rede de Sobreviventes da tragédia. Uma história dramática, arrebatadora.
E falsa.

Culpados por estarem vivos
Cada uma das torres do World Trade Center tinha 110 andares, ambas com 413 metros de altura. A explicação oficial é de atentado terrorista. Outras versões defendem que foi o próprio governo Bush o autor da desgraça. A torre norte foi atingida às 8h46 pelo Boeing 767 do vôo 11 da American Airlines. A torre sul, alvejada 17 minutos depois pelo Boeing 757 do vôo 175 da United Airlines. Os dois aviões foram sequestrados por 19 homens. Depois de pegar fogo por 56 minutos, a torre sul veio abaixo. Às 10h28 a torre norte ruiu.
Carrie Sullivan
Necrófila insaciável, a imprensa só se interessava pelas perdas, as lágrimas das viúvas. O governo não parecia contente por ter sobrado gente para contar a história. “Ninguém nos dava atenção. Eu me sentia culpada por ter sobrevivido”, revela Carrie Coen Sullivan. Ela não obedeceu à ordem de permanecer no local de trabalho na torre sul, depois que o avião atacou a torre norte. “Primeiro alertaram para evacuarmos o prédio. Quando chegamos ao térreo, policiais barraram a saída, mandando-nos voltar. Mas eu furei o bloqueio. Fugi”, relembra Carrie.
Aos sobreviventes era negado o acesso aos escombros. “A gente tinha de ficar do lado de fora da grade de proteção, misturada aos turistas que tiravam fotos e colecionavam pedaços do que sobrou dos prédios”, conta Carrie.
Relíquias macabras. Sinistros souvenirs.
Os jornais só davam destaque para parentes dos mortos, e para os policiais e bombeiros que recolhiam os corpos. “Ninguém ligava pra nós. Não tínhamos sequer um lugar onde nos reunir, compartilhar nossas dores, refletir sobre o que passamos”, lamenta Carrie.
Foi esta a fresta que Tania Head achou para se encaixar no caso.

Tecendo a farsa
As pessoas dão graças por não ter estado no local de um acidente terrível, ou por não ter entes queridos entre os mortos. Mas Tania Head queria ter estado lá. Ter tido o braço deformado por medonhas queimaduras, perdido o noivo na carnificina.
Durante meses pela internet ela pesquisou cuidadosamente cada detalhe da tragédia. Com morbidez gigantesca, fez opções superlativas. Atingida por último, a torre sul foi a primeira a desabar. “Era lá que eu estava”, resolveu Tania. O avião colheu em cheio o 78º andar. “Eu trabalhava ali”. No rol dos mortos havia 56 Davids. Tania deslizou carinhosamente os olhos pela lista fúnebre e escolheu um: “Você era o meu Dave”.
Na relação dos 343 bombeiros mortos durante os resgates, Tania Head optou por Welles Crowther, que morreu queimado: “Você foi o meu herói”.  O rapaz de 24 anos havia feito dezenas de subidas e descidas naquele dia recolhendo vítimas. “Eu estava deitada no chão, encharcada pelo combustível em chamas derramado do avião. Senti pancadas no meu braço ferido. Era o bombeiro apagando com uma manta as labaredas do meu corpo”. “Ele me pegou no colo, e descemos os 78 andares por uma escada. Pra eu não sufocar com a fumaça, ele cobriu minha boca com um lenço vermelho”. De fato Welles usava sempre uma bandana vermelha que ganhou do pai quando criança. Tania Head pensava em tudo; caprichava em cada pormenor.

Tania chorando em uma cerimônia
Hierarquia da dor
Na tabela dos martírios, nenhum sofrimento superava o de Tania. A hierarquia da dor elevou a moça ao posto máximo.
Se antes dela os sobreviventes não tinham voz nem vez, ela conquistou para eles em 2005 o direito de visitar os escombros onde apenas 1.585 corpos haviam sido identificados, e somente 300 cadáveres puderam ser enterrados – os demais foram literalmente destroçados na mistura mortífera de concreto, fogo e aço.
Sob a liderança de Tania Head, seus colegas deixaram de ser encarados apenas como “sortudos”. Ela adquiriu a confiança do prefeito de Nova York, do seu antecessor no cargo e do governador do Estado. Em outubro de 2006 foi eleita presidente da Rede de Sobreviventes.
Ao contrário de muitos que restaram vivos, Tania era relativamente explícita sobre tudo o que viu e viveu nas torres. Sua poderosa narrativa cativava a todos. Por mais de três anos ela corporificou a história trágica perfeita contada por um rosto suave, voz apaixonada, e um sorriso encantador.
Mesmo quando dizia ter sido colocada no solo pelo bombeiro Welles, sua crônica do caos continuava arrepiante. “Eu estava no chão entregue a outro bombeiro no momento que a torre sul desmoronou. Ele me levou para debaixo de um caminhão e me cobriu com seu corpo. Fomos engolidos pela fumaça preta. Era impossível ver ou respirar. Compartilhamos sua máscara de ar até que fomos resgatados. A próxima coisa que lembro é de acordar cinco dias depois no hospital onde fiquei internada por mais de dois meses”.

Nascida para mentir
A certidão de nascimento de Tania Head é um e-mail enviado em 13 de maio de 2003 para o grupo de sobreviventes: “Penso que preciso falar com alguém, contar minha história, mas não sei como fazer isso. Se eu conseguisse desabafar, mesmo que fosse por uma única vez, seria o suficiente. Deus os abençoe. Tania”.
Por mais de seis meses ela trocou correspondência eletrônica com o grupo. Chegou a marcar o dia em que participaria de uma reunião com eles. Na última hora, desistiu. “Eu ainda não estou pronta para falar com vocês sobre a minha própria dor”, desculpou-se por e-mail.
Em janeiro de 2004 Tania Head decidiu se apresentar pessoalmente aos sobreviventes.
A exatidão de seus relatos não dava brecha para incrédulos. “Eu trabalhava no banco Merrill Lynch no andar 78. Quando o avião explodiu na janela do meu escritório eu estava falando ao telefone com um pessoal do 96º andar. Estávamos fechando negócio sobre uma fusão entre as empresas Fiduciary Trust e Franklin Resources Inc. Com o impacto, uma colega da minha sala teve a cabeça arrancada”, relatava.
Tania em ato público de 17.ago.2006
No comando da Rede de Sobreviventes, Tania Head dava palestras em universidades, montava o calendário de reuniões do grupo, e promovia eventos para arrecadar fundos. Chegou a tirar dinheiro da própria bolsa para doar à organização.
Mas evitava jornalistas.
A única exceção foi uma reportagem de capa do New York Daily News em 7 de setembro de 2006. A turma do poderoso The New York Times encafifou. Eles haviam entrevistado todos os 18 sobreviventes em 2001. E Tania não estava entre eles.
A reportagem que detonou Tania
O repórter David Dunlap, do New York Times, começou a escavar a história. E na fatídica edição do dia 27 de setembro de 2007 soltou a manchete: “As peças simplesmente não encaixam”.
Na realidade, em 11 de setembro de 2001 Tania estava na Espanha.
Desmascarada, ela sumiu do mapa.

Cai a máscara
As Torres Gêmeas foram atacadas por dois aviões. Tania Head foi abatida por dois jornalões.
Dois dias depois da matéria do New York Times, o diário espanhol La Vanguardia jogou a pá de cal. Tania era na verdade Alicia Esteve Head, nascida aos 31 de julho de 1973. Na ocasião da tragédia em Nova York, ela morava em Barcelona, na Rua Els Vergós número 18, bairro Três Torres, distrito de Sarrià-Sant Gervasi.
Filha de uma das famílias mais ricas de Barcelona, Tania/Alicia domina perfeitamente o idioma inglês devido à sua mãe britânica. Seu pai, Francisco Esteve Corbella, e seu irmão Francisco Javier Esteve Head, deram um golpe de 24 milhões de euros em 1992, e passaram seis anos em cana.
Em setembro de 2001 Tania/Alicia Head fazia mestrado em administração de empresas em uma escola de prestígio de Barcelona. Na época, já tinha o braço defeituoso. Dizia aos colegas que foi um acidente quando dirigia sua Ferrari em alta velocidade com seu noivo. “Meu braço foi arrancado no desastre; tivemos de voltar para pegá-lo na estrada e os médicos colocarem de volta”.
Pessoas como Tania/Alicia sentem necessidade de ficcionar a própria vida para serem aceitas. A esta doença se dá o nome de pseudologia fantástica, uma tendência a mentir compulsivamente.
Além de inventar o caso das Torres Gêmeas, ela dizia que foi à Tailândia em 2004 ajudar os flagelados do tsunami, e também deu apoio às vítimas do furacão Katrina em New Orleans.

Perseguida pelo passado
Foto de Alicia no currículo Linkedin
Em abril de 2012 o jornalista Angelo Guglielmo lançou um livro e um filme documentário sobre Tania Head. Curioso é que foi a própria Tania quem sugeriu a ele que fizesse o documentário sobre sobreviventes das Torres Gêmeas. “Ela até me ofereceu dinheiro para financiar as filmagens”, conta o repórter-cineasta. A descoberta da farsa mudou totalmente o rumo da obra, que ganhou o nome The Woman Who Wasn't There (A mulher que não estava lá), ainda sem tradução para o português.
Na data da estreia do documentário, Tania/Alicia estava trabalhando em uma grande seguradora multinacional, dando atendimento aos segurados de fala inglesa. Com currículo profissional invejável e pleno domínio em três idiomas, não foi difícil arranjar bom emprego com alto salário. Mas a empresa, ao saber o que ela tinha aprontado em Nova York, decidiu dispensá-la. Sem se abalar, ela disse aos patrões: “Vocês estão sendo insensíveis com uma mulher vítima do terrorismo internacional”.
Depois disso, ninguém mais soube do seu paradeiro.

A Justiça norte-americana não pôde condenar Tania/Alicia Head porque ela não obteve lucro com sua farsa, não causou prejuízo econômico a ninguém, e nem ao grupo que ajudou a levantar. Pelo contrário. Até injetou grana na entidade. Abriu as portas do seu luxuoso apartamento em Midtown Manhattan, perto do Central Park, para festas beneficentes. Contratou psicólogo para as terapias em grupo. 
Carrie Sullivan
Muitos dos ex-colegas de tristeza não perdoam sua grande mentira. 
Mas Carrie Sullivan, fundadora da Rede Sobreviventes, pensa diferente. “De fato, ela nos enganou; fingiu ser uma e era outra. Mas fez muito pela nossa organização. E isto não pode ser simplesmente descartado”, diz a bela e doce Carrie sobre a adorável impostora.


Para quem Tania Head estará mentindo no exato momento em que você termina esta leitura?

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O cachorro que falava grego

Para Natália Romeiro

Boa parte do atual respeito mundial ao povo grego, por sua altivez perante os interesses dos banqueiros internacionais, se deve a dois cachorros sem raça definida. Há quem diga que são um só, reencarnado.
Kanellos em um motim de 2008
O primeiro cão vadio da capital da Grécia a ganhar as manchetes dos jornais foi o vira lata Kanellos – em grego se escreve Κανέλλος. O cachorro chamou a atenção dos fotógrafos e cinegrafistas no ano de 2008, pois aparecia em todas as manifestações de rua contra as propostas do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Central Europeu. O que mais encantou os jornalistas é que Kanellos sempre estava ao lado do povo, e atacava todo policial que se aproximava dos manifestantes.

Na chatice das reuniões... Kanellos tirava um cochilo
Quando não estava vadiando pelas ruas, Kanellos se abrigava no campus da Universidade Técnica Nacional de Atenas. Perambulava livremente pelos corredores e salas de aula.
O vira lata também era presença constante nas assembleias dos estudantes. Mas sempre acabava tirando um cochilo durante os debates. Talvez o palavrório enchesse o saco do animal.
Se pegava no sono durante as reuniões, Kanellos ficava muito aceso nas ações de rua.
Kanellos no fim da vida em cadeira-de-rodas
Foto: Marko Djurica | Reuters - 23fev2008
Sua valentia criou fama, e ocupou páginas e mais páginas de jornais e revistas. Logo virou personagem de telejornais do mundo inteiro. Ganhou até um blog onde se registravam suas peripécias.
Com o avançar da idade, depois de tantos combates nas ruas contra a polícia, Kanellos passou a sofrer de artrite. Os universitários fizeram uma coleta de dinheiro, e mandaram fabricar uma cadeira-de-rodas para o cão-herói. Neste mês de julho, faz exatamente sete anos que Kanellos morreu, e seu túmulo é reverenciado até hoje.

Cão reencarnado?

Dois anos depois da morte de Kanellos, o povo da Grécia continuava indo às ruas protestar contra o arrocho econômico. E novamente surgiu entre a multidão um cão muito parecido com ele. As opiniões se dividiam sobre se era um filhote de Kanellos, ou o próprio reencarnado. Na dúvida batizaram o bicho de Loukanikos.
Nada detinha o valente Loukanikos
Este segundo vira latas participou ativamente dos protestos durante os anos de 2010 até 2012.
Sua saúde foi severamente castigada pela grande quantidade de gás lacrimogêneo que inalava nos ataques da polícia contra a população. 
Também não foram poucas as vezes que Loukanikos recebia pontapés dos milicianos.
Em setembro de 2011, Loukanikos protagonizou um episódio impressionante. Mesmo maltratado pelos carrascos do povo, se posicionou a favor de um grupo de policiais em greve.
Policial chuta Loukanikos 
Quando a tropa de choque foi reprimir os colegas de farda, Loukanikos passou a morder as botas dos repressores – mas não avançou em nenhum dos homens fardados que protestavam contra o governo.

Com o estado físico comprometido, o valoroso vira lata se aposentou dos motins. Viveu até perto dos 10 anos de idade. Faleceu na tarde de 9 de outubro de 2014, deitado no sofá da pessoa que cuidou dele em seus últimos dias.

Gás lacrimogêneo afetou a saúde do cão
No último domingo, os 9,8 milhões de eleitores gregos foram ao plebiscito sobre a exigência dos bancos mundiais para que seu país pague sua imensa dívida. Venceu o “não”, com 61% dos votos.
Loukanikos e seu ancestral Kanellos devem ter latido felizes lá onde estão agora. Persiste a dúvida das pessoas se foram dois cães ou um só. Tanto faz. Como nos ensinou o escritor argentino Jorge Luis Borges, não interessa se uma história é verdadeira ou não. Importante é que alguém tenha acreditado nela.
Acima e abaixo, Loukanikos em ação no dia 17 de junho de 2011.

"Sábado eu vou à festa" (e domingo também) - Festival Rotações balança o final de semana em Taboão da Serra

Uma vasta programação com 21 horas de duração vai celebrar o universo musical negro e homenagear o disco de vinil no Festival Rotações, no Cemur, em Taboão da Serra neste sábado e domingo, dias 11 e 12 de julho.
O evento tem o objetivo de juntar diversas linguagens da atual cultura negra com a tradição da música tocada em vinil, tão comum nos bailes black e nostalgia de décadas passadas e que permanecem vivos até hoje. A black music, o samba rock, o soul, e a dança aliada a esses ritmos marcaram presença dentro do cenário fortemente paulistano.
As atividades do sábado, com início às 14h e com nove horas de duração, serão encerradas com o show ao vivo da banda Carro Tanque, com repertório do soul americano. No domingo as atrações começam às 10h da manhã e se estendem por 12 horas consecutivas, encerradas com o show ao vivo da banda Esquema B, com seu samba rock.
O evento contará ainda com feira de vinil e de artigos relacionados à moda afro, num estímulo à economia criativa de profissionais da região metropolitana da Grande São Paulo.
O festival terá a apresentação de bandas como Chic Soul, Casa do Vinil, Sr. Tempo Bom, Estrela do Vinil, Liga do Vinil, Three Soul, Vitrola’s, Som de Vinil, Venha Dançar, Djs Thurs, Fox, Eurides e Edinho.
O Festival Rotações é uma iniciativa da BBC Produções e do Coletivo Cultural Samba Rock Na Veia, com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Taboão da Serra.

Serviço:
Festival Rotações
Cemur – Taboão da Serra
Praça Nicola Vivilechio, s/nº
11/07 – sábado – das 14h às 23h
12/07 – domingo – das 10h às 22h

Entrada franca

SÁBADO - 11 de julho
14h Abertura - Discotecagem samba rock - DJ Thurs
15h Oficina de samba rock - Professor Danilo
16h Discotecagem de samba rock - DJ Thurs
17h Discotecagem projetos de vinil - Chic Soul - Carapicuíba
18h Discotecagem projetos de vinil - Estrela do Vinil - Jardim São Luís
19h Discotecagem projetos de vinil - Senhor Tempo Bom/Tab. da Serra
21h Discotecagem projetos de vinil - Som de Vinil - Embu das Artes
22h Show ao vivo com a banda Carro Tanque
23h Encerramento

DOMINGO - 12 de julho
10h Abertura - Discotecagem samba rock - DJ Fox
11h Discotecagem projetos de vinil - DJ Eurides - Carapicuíba
12h Discotecagem projetos de vinil - Three Soul - Pirituba
13h Oficina de samba rock - Professor Leonardo Cordeiro
14h Oficina de samba rock - Professor Carlos Júnior
15h Discotecagem samba rock - DJ Fox
16h Discotecagem projetos de vinil - Casa do Vinil - Vila Matilde
17h Discotecagem projetos de vinil - Venha Dançar - Embu das Artes
18h Pocket show com Gerson e Braê
18h30 Discotecagem projetos de vinil - Vitrola's Bar - Grajaú
20h30 Show ao vivo com a banda Esquema B
22h Encerramento

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Músicos do Futuro homenageiam pioneiro das bandas de Taboão da Serra

Agenor Oliveira no seu Empório Barroco. Foto: David da Silva – 14.jan.2011
A oitava edição da Festa Caipira da Associação Músicos do Futuro homenageará neste sábado, 4 de julho, o saxofonista Agenor Augusto de Oliveira. Ele vai completar 80 anos de idade em agosto próximo, e integrou a primeira banda de música de Taboão da Serra, criada em 1961 pelo padre Carlos Spaniol.
Além do pioneirismo na extinta Banda de Música Paroquial de Taboão da Serra, o instrumentista criou sua própria corporação, a Lira Musical de Campo Limpo, bairro onde mora desde 1955.
A carreira artística de Agenor Oliveira inclui passagens por programas de televisão, gravação de comerciais para rádio e TV, e décadas de participações em shows, bailes, eventos esportivos, e inaugurações de lojas e órgãos públicos. Seu renome perante a sociedade taboanense foi reconhecido com o diploma Personalidade do Ano de 1974, concedido pela Gazeta do Taboão.

Padre Carlos com sua tuba na primeira banda musical 
de Taboão da Serra. 
Acervo particular | Nelson Moraes de Oliveira
O som que vem de longe
Já na primeira edição da Gazeta do Taboão, em 24 de setembro de 1961, a banda de música em Taboão da Serra já dava sinal de vida. O jornal publicou naquela data a formação de uma comissão organizadora para montagem da banda. A compra dos primeiros instrumentos foi feita com a arrecadação da Festa de Nossa Senhora de Fátima, realizada em maio de 1961. Também contou com doação em dinheiro de duas empresas de ônibus que operavam na cidade, e uma verba da prefeitura local. A iniciativa foi comandada pelo padre Ivo Carlos Spaniol, pároco de Taboão da Serra desde 1959 até 1966. Padre Carlos também era músico, e tocava tuba na banda recém-criada.
A primeira apresentação da banda taboanense em público se deu no Sete de Setembro de 1961. E lá estava o sax alto de Agenor Oliveira.

Títulos de nobreza
Nascido aos 13 de agosto de 1935 em Furquim, Minas Gerais, Agenor Oliveira despertou cedo para a música. “Se eu não fosse saxofonista, minha outra opção seria o acordeon”, diz “maestro Agenor”, como é conhecido.
Lira Musical de Campo Limpo na inauguração de escola
infantil em Taboão da Serra – 28 de junho de 1992
Sua presença naquela primeira bandinha de música de Taboão da Serra é um ponto a mais em sua vasta trajetória. Tocou em várias formações como a Banda Santamarense (do bairro Santo Amaro, em São Paulo), Banda do Jockey Clube de São Paulo, além das bandas que ele próprio criou, como a Brazilian Band Show, onde tocou por mais de 10 anos.
A clientela das bandas de música do maestro Agenor era igualmente imensa. Tocou em comerciais de TV para a Companhia Vale do Rio Doce, bicicletas Monark, Casas Pernambucanas, Ron Montilla, entre outras. Constantemente contratado pela Associação Comercial de Pinheiros e prefeituras da capital e do interior paulista, da Grande São Paulo, e cidades de outros Estados.
Na TV Bandeirantes tocou no Programa Grande Circo de 1977 a 1978. Na TV Cultura fez o programa Bambalalão. De 1980 a 1981 tocou no programa Tic Tac.
Além do já citado diploma Personalidade do Ano 1974 em Taboão da Serra, foi homenageado em 1984 pelo Lions Club de São Paulo/Pirituba; pelo prefeito Mário Covas em 1984; pela Secretaria de Esportes e Turismo em 1992, dentre tantas honrarias.
Agenor à frente do Bloco da Ressaca, no Carnaval de 2010
Não satisfeito com a agitada vida de instrumentista, Agenor Oliveira criou em 1973 a Lira Musical de Campo Limpo, com 18 integrantes; em 1986 criou a banda do Bloco da Ressaca, no bairro paulistano do Cambuci, e em 15 de fevereiro de 1997 fundou o Bloco da Amizade, no Campo Limpo.
Quando não estava com o saxofone na boca, o veterano músico se dedicava ao seu Empório Barroco, inaugurado em 13 de agosto de 1968.
“Homenagear o senhor Agenor é uma obrigação. Aliás, seremos nós que nos sentiremos homenageados por receber uma personalidade tão importante como ele”, diz o Maestro Edison Ferreira, fundador da Associação Músicos do Futuro.

VIII FESTA CAIPIRA MÚSICOS DO FUTURO
Dia 4 de julho (sábado) – das 17h às 22h
Rua Nair Marques de Souza, 129 – Jd Maria Rosa
Taboão da Serra – SP
Informações: 4787-8277

Rapel beneficente é destinado à Associação Músicos do Futuro

Johnny com duas praticantes do rapel na Ponte Metrô Sumaré. Foto: David da Silva – 28.jun.2015
Viaduto Sumaré tem 33 metros de altura
Foto: David da Silva - 28.jun.2015
A Equipe Primatas organizou um evento de rapel no último domingo, 28 de junho, com arrecadação de alimentos a serem distribuídos pela Associação Músicos do Futuro. Ambas as entidades são sediadas em Taboão da Serra. O rapel beneficente aconteceu no Viaduto da Avenida Doutor Arnaldo sobre a Avenida Paulo VI – popularmente conhecido como Ponte do Metrô Sumaré, na cidade de São Paulo. O local é um tradicional ponto de atividades dos rapeleiros na capital paulista.
O organizador do evento, Johnny Deivid, 25 anos, explica que o rapel é uma técnica de descida vertical com utilização de cordas, onde o praticante se desloca de um ponto elevado para um inferior. “No final do século 19 os alpinistas já faziam o rapel no caminho de volta do topo das montanhas. Mas foi a partir do começo do século 20 que esta técnica ficou mais difundida pelos exploradores de cavernas”, ensina Johnny Deivid, mais conhecido como Dom no meio dos praticantes do rapel. Johnny estudou na Associação Músicos do Futuro na adolescência, e é irmão de Denis Porto, atual presidente da instituição. Hoje ele se dedica ao rapel e à profissão de cabeleireiro no bairro Jardim Leme, em Taboão da Serra.
“A iniciativa do Johnny emociona a gente. Pela sensibilidade de unir duas atividades diferentes como o rapel e a música. Com certeza a atitude do Johnny vai estimular outros alunos e ex-alunos nossos a seguirem o seu exemplo, e darem um pouco de si em pról da divulgação e eventuais contribuições para a sustentação da nossa associação”, reflete o maestro Edison Ferreira, presidente-fundador da entidade.

Rapel em escola de Barueri (SP)
Johnny Deivid iniciou no rapel em dezembro de 2008, quando trabalhava na instalação de equipamentos para a prática do arvorismo – deslocamento aéreo de pessoas entre as copas das árvores. Sua Equipe Primatas, que conta com 14 integrantes, atua na organização de acampamentos, turismo ecológico e eventos eco-esportivos. Também ministra treinamentos por meio da recreação com escolas e empresas.
O rapel não se limita ao gosto pela adrenalina. “Também é atividade muito bem remunerada pelo alpinismo industrial. Por lei, um andaime ou plataforma de trabalho não pode exceder 40 metros. Acima desta altura, deve-se usar os serviços dos alpinistas industriais, que usam a nossa técnica com uso de cordas para trabalhos em obras de grandes alturas como instalações de torres para celulares, coberturas de estádios, etc”, indica.
Viaduto Sumaré é tradicional point dos rapeleiros
Até mesmo na agricultura o rapel vem ganhando espaço. No Mato Grosso do Sul trabalhadores em silos e outras unidades de alturas elevadas para armazenagem de grãos estão recebendo este tipo de treinamento. As atividades do rapel são regidas pela NR-35 (Norma Regulamentadora de Trabalho em Altura).

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Foto: David da Silva - 28.jun.2015

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Clássico do teatro mantém casa cheia no Encena, em 6ª temporada

Sabina Di Colluccy e Babi Soares em cena. Só mais duas apresentações. Foto: David da Silva - 06.jun.2015
A parcela feminina do elenco da comédia Os Ossos do Barão é uma atração à parte. Como se diz na gíria, no meio daquelas atrizes só tem feras.
Este é o sexto ano consecutivo em que a Cia de Teatro Encena monta o texto escrito em 1962 por Jorge Andrade, e considerado um dos mais importantes da dramaturgia brasileira. O espetáculo já teve duas adaptações para telenovelas.
A recente temporada começou em 2 de maio último e vai até o próximo 27 de junho. Houve prorrogação de um mês nas apresentações, devido à grande procura do público pelos lugares da plateia intimista (é necessário fazer reservas).
Fernanda Garcia interpreta Eliza
Dentre os 10 personagens d’Os Ossos do Barão, cinco são mulheres. A atriz Débora Muniz, intérprete de Verônica, tem sólida biografia no cinema nacional – mais de 40 filmes na sua trajetória. Zulhie Vieira (a tia Ismália) tem participação concreta na história do teatro da nossa região desde o final da década de 70. Fernanda Garcia (a Eliza) é atriz premiada – melhor atriz coadjuvante no Mapa Cultural Paulista/fase regional/2005, e no mesmo ano melhor atriz no Festival de Curta Teatro em Osasco, e melhor atriz no Festival Municipal de Taboão da Serra.

Babi Soares iniciou no elenco em 2012. Substituiu Daniella Murias, que fazia a personagem Izabel desde a montagem original pelo Teatro Encena em 2010. Babi tem uma presença física devastadora no palco. 
Babi Soares vive a cobiçada Izabel. 
Foto: Maira Galvão
O figurino escolhido pelo co-diretor Walter Lins valoriza o belo contorno da atriz. A jovem artista dá conta do desafio de encarnar a sedutora personagem já vivida pela legendária Aracy Balabanian na primeira montagem da comédia em 1963, e também por Dina Sfat (na novela da Globo em 1973) e Ana Paula Arósio (no SBT em 1997). Além do impacto que causa em cena, Babi Soares é uma entusiasmada propagandista da peça pelas redes sociais.

Mas o grande encantamento deste repórter aqui é com a atriz Sylvia Malena. N’Os Ossos do Barão ela interpreta “tia Clélia”, uma mulher por volta dos 69 anos de idade, muito autoritária e extremamente apegada à nobiliarquia inútil de sua família falida.
Sylvia Malena começou em 1957 na extinta TV Tupi. Trabalhou durante um ano no humorístico Praça da Alegria. Em 1958 foi para a TV Paulista (atual Rede Globo), onde participou de vários musicais durante dois anos. Deu longa pausa na carreira então iniciante, e retornou em 1983. Formou-se no Conservatório de Artes Dramáticas Emílio Fontana, fez vários cursos teatrais com Sebastião Apollônio, Carlos Alberto Sofreddini, Chico de Assis, Torres Garcia e outros.
No teatro sua biografia inclui 15 peças adultas e seis infantis. Participou de duas rádionovelas. “Com 12 anos eu já gostava de teatro. Minha mãe não queria, porque naquele tempo era muito rígido, mas eu botei pé firme e fui”.
Sua vivência no cinema descreve um arco que vai desde 1958 (quando participou do longa Dona Violante Miranda, com Dercy Gonçalves e Odete Lara) até 2008 (participou do longa Chega de Saudade, com atrizes como Tonia Carrero e Beth Farias).
Sylvia Malena interpreta tia Clélia
O contato de Sylvia Malena com o Teatro Encena se deu por intermédio de um amigo. Na época Orias Elias estava montando um espetáculo. “Eu fiz a leitura dramática, mas aconteceu um imprevisto e não deu pra eu participar da peça. Fiquei muito tempo sem novo contato com o Orias”.
No início de 2010 Sylvia Malena leu num anúncio de jornal que um diretor procurava atriz com o seu perfil para a comédia Os Ossos do Barão. “Me interessei, mandei meu material pra ele, e no outro dia ele me telefonou. Qual não foi a minha surpresa quando vi que era o Orias. Marcamos uma entrevista, eu gostei da produção, e fiquei no elenco.”
O currículo de Sylvia Malena traz a grandeza de ter atuado em 1983 no Teatro Paiol, na montagem original de A Ópera do Malandro, de Chico Buarque.
 “Teatro para mim é tudo. Se eu pudesse, representava 24 horas por dia; estaria sempre em cima do palco”, admite a atriz.
O amor de Sylvia Malena pelo teatro é tamanho que sua filha Sabina Di Colluccy herdou a paixão pela Grande Arte. Fez os mesmos cursos onde sua mãe aprendeu o ofício, e esteve com ela na Ópera do Malandro. Hoje divide o palco com a mãe n’Os Ossos do Barão (Sabina faz a Bianca, esposa do personagem principal Egisto Ghirotto, vivido por Orias Elias).

Sábado (20 de junho) às 20h30 (retirar ingressos meia hora antes)
Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade – Direção e iluminação: Orias Elias - Co-direção, figurino e trilha sonora: Walter Lins
Com: Orias Elias, Sabina Di Colluccy, Diógenes Peixoto, Babi Soares, Jacintho Camarotto, Débora Muniz, Sylvia Malena, Roberto Francisco, Fernanda Garcia, Zulhie Vieira.
Cenografia: Jorge Jacques - Operador de Luz e Som: Vagner Pereira
Faixa Etária: 10 anos
Duração: 95 minutos
Ingresso: Grátis
Lotação: 70 lugares (necessário fazer reservas)
Teatro Encena
Rua Sargento Estanislau Custódio, 130 – Jd Jussara
(próx. Hospital Family e quadra de futebol Espadinha, fundos da Chácara do Jockey)
Reservas pelo e-mail: encena@encena.art.com
Informações: 2867-4746
A comédia tem apresentações neste sábado (20) e no dia 27, quando encerra a temporada

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A voz e a vez de Fernanda Coimbra

Cantora faz show intimista nesta sexta-feira
“Você me espera um pouco? Tô carregando uns caixotes aqui para minha nova casa”. Começa assim a entrevista com a cantora Fernanda Coimbra, 27 anos, na tarde fria garoenta de uma segunda-feira. Além da mudança de lar, a moça está às voltas com o show que vai apresentar nesta sexta-feira, 5 de junho, na Fábrica de Cultura a poucos metros de onde mora no bairro Capelinha, distrito do Jardim São Luis, zona sul paulistana.
A reportagem também ‘entra na dança’ e pega algumas caixas de madeira para servir de estante onde a artista se mudou recentemente. No caminho da residência, minha dúvida: “Se ela veio pra cá há poucos dias, como é que...?”. Fernanda vai descendo a rua e é um tal de “Oi!” pra uns, “Boa tarde!” pra outros, “E aí?” pra muitos. “É que na verdade eu estou voltando pra cá”, ela explica. “Eu me criei neste bairro desde os 6 anos de idade”.
Reparo que uma das travessas da via por onde andamos chama-se Rua da Música Aquática – tem uma outra com nome Rua Quarteto do Imperador. Bem adequado para uma garota que ganha a vida com canções.
A casa em que Fernanda está morando é um reino de mulherada, mulherame, mulherio. “Aqui vivemos eu, minha filha Lorena de 7 anos e cinco amigas, todas artistas. É a ‘casa das 7 mulheres’”, sorri.
Fernanda Coimbra também é ritmista

Fernanda Coimbra formou um razoável público nas suas constantes participações nos encontros poéticos do Sarau do Binho. “Sempre gostei de cantar. Não lembro de mim sem cantar desde pequena. Quando eu tinha 10 anos, minha mãe me levou no Programa do Raul Gil, e cantei Sandy e Junior”, lembra às gargalhadas. Aos 12 anos, a menina fazia parte do coral da Igreja Maria Goreth.
Com 14 anos de idade Fernanda Coimbra ingressou em um curso de teatro na ONG Casa dos Meninos. “Foi uma revolução na minha vida. Uma pessoa que me influenciou muito foi a Diane Padial, que na época era coordenadora pedagógica na Casa dos Meninos. Muito da minha formação eu devo a ela. Quando eu crescer quero ser Diane Padial”, brinca.
O espírito libertário da jovem rendeu-lhe problemas com o pai. “Para reprimir minha veia artística, ele impunha o terror psicológico. Cheguei a dormir com fome. ‘Da minha comida você não come’, ele disse muitas vezes. Daí comecei a fugir de casa, passar dias nas casas de amigas. E até dormir em galpão de fábrica abandonada”, relembra.

Para garantir sua independência perante o pai castrador, Fernanda começou a trabalhar aos 16 anos em uma loja de roupas no Shopping Boa Vista, na região de Santo Amaro.
Por esta época já tinha contato (e até passado a morar eventualmente) com uma comunidade de artistas no Jardim Monte Azul. “Minha amiga Paty, colega da 7ª série, tem um irmão que fazia parte deste coletivo de artistas do bairro Monte Azul. Foi lá que conheci o pessoal do grupo Trópis, o compositor Gunnar Vargas, a cantora Paula da Paz e uma galera imensa que se dedica à arte”, conta.
Foto: Elaine Campos

As cantorias pelos saraus deram notoriedade suficiente para Fernanda Coimbra ser convidada a integrar bandas em shows. “Meu amigo Jefferson me apresentou para um grupo de jazz e bossa-nova, eu cantei os Afro Sambas do Baden Powell e Vinícius de Moraes. Tocamos no Ton Ton Jazz, em Moema. A banda tinha o nome Al Jazeera, mas era composta só por descendentes de japonês”, diz, sempre rindo.
Mas Fernanda não era neófita em bandas exóticas. “Com 15 anos eu fui baterista de um conjunto com nome horroroso!”. Por insistência do repórter, ela confessa: “Quando a gente foi dar nome pra banda, meu amigo Diego vestia uma camiseta do Homem-Aranha. Daí batizamos o grupo de ‘Os Aracnídeos’. Que vergonha, meu Deus!”. (mais gargalhadas)

Me lembro dessa cantora em um show intimista com características eróticas em outubro de 2012, no teatro Clariô – “Fernanda Coimbra inteira à meia luz”, com o baixista Gabriel Catanzaro.
Meses antes, no inverno daquele 2012, ela havia feito o primeiro show solo de sua carreira com o repertório eclético que sempre pautou o seu cantar, incluindo Pink Floyd, Edu Lobo, Ithamar Assumpção, e composições de colegas no Espaço Comunitário Monte Azul, acompanhada por Sandrinho Lima (violão), Pithy Cajonero (percussão) e Carlinhos Creck (baixo). Neste mesmo ano, fez apresentações na casa Carro de Bois, com Sandrinho Lima.
Músicas sob medida para a voz
de Fernanda Coimbra

Enquanto firmava seu nome no cenário musical da periferia paulistana, Fernanda colecionou colegas e canções. E muitas participações especiais em gravações de amigos como Cauê Procópio, Tati Botelho, Luis Barbosa, Fino do Rap, Lews Barbosa. Fez também backing vocal na Absolute Pink Floyd Cover, cantou na banda Mandioca Paulista com o Fino da Bossa... Por onde passa vai espalhando sua voz, garantindo sua vez.

O ano de 2013 foi um marco na montagem do repertório de Fernanda Coimbra. “O Daniel Fagundes fez uma canção sobre um episódio que de fato ocorreu em um bar onde fomos. Ele deu o nome de ‘Alma Vadia nº 2’, disse que a música tinha a minha cara, e deu pra eu gravar”, relata satisfeita. “Desde então eu venho guardando repertório com criações de amigos meus. O resultado disto é o que vou mostrar no show desta sexta-feira”, revela.
A acordeonista Nanda Guedes, que estará no palco hoje com Fernanda Coimbra, chegou à banda por meio do Facebook. “Eu concebi este show com acompanhamento de acordeon. Lancei um convite pelo Face, daí a compositora Lívia Barros fez a ponte entre a Nanda e eu”. Também é pelo Facebook que Fernanda resolve problemas práticos do show, seja para pedir um pedal emprestado, ou para contratar o percussionista no lugar do colega que não pôde manter o compromisso.
A lista de canções do espetáculo desta noite traz Chove (Gunnar Vargas), Alma Vadia nº 2 (Daniel Fagundes), Penugem Arapuca (Matheus Von Kruger), Despedida (Camila Brasil), Menezes (Juh Vieira), Vestido Preto (Gunnar Vargas), Because Ousa (Dani Black e João Garizo), Caminho (Gunnar Vargas), Meu Coração é um Muquifo (Juh Vieira), Daria um Samba (Jennifer Nascimento e Daniel Fagundes), De Protesto (Juh Vieira), Sete Laços (Lívia Barros, Bianca e Juá de Carvalho), e uma ou outra surpresa na hora dos bises.
Ouça a gravação de algumas destas composições aqui
Para contratar shows de Fernanda Coimbra, acesse

Serviço:
dia 5 de junho (sexta-feira), às 20h
Fernanda Coimbra e os Digníssimos
Nanda Guedes (acordeon), Abhul Junior (percussão), Danilo Viana (baixo)
Grátis
Fábrica de Cultura Jardim São Luís
Rua Antônio Ramos Rosa, 651 - São Paulo (SP)
(11) 5510-5530

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Sarau faz ato internacionalista hoje, em Taboão da Serra

Por volta das oito e meia da noite de 26 de setembro do ano passado, um grupo de estudantes distribuídos em três ônibus voltava para a escola onde moravam em Ayotzinapa, pequeno vilarejo na zona rural do México. Ao passar pela cidade de Iguala, 250 km antes de chegarem ao destino, os ônibus foram cercados pela Polícia Municipal, e seus ocupantes abatidos a tiros. A alegação do prefeito é que os jovem poderiam tumultuar o discurso da primeira-dama, marcado para aquela data.
Os alunos da Escola Normal Rural de Ayotzinapa vinham de uma atividade de arrecadação de fundos a fim de participarem de uma marcha no mês seguinte, em memória ao massacre de Tlatelolco, ocorrido em 1968. Na ocasião militares e paramilitares do governo abriram fogo contra 8 mil estudantes, deixando pelo menos 300 mortos, poucos dias antes dos Jogos Olímpicos da Cidade do México.

Feito bichos
Quando a Guarda Municipal interceptou os ônibus dos estudantes a mando do prefeito da cidade de Iguala, dois deles desceram para dialogar com os agentes. Foram recebidos a bala.
Seguiu-se um ataque de meia hora contra os coletivos. Os alunos de dois ônibus saíram correndo. Porém, os ocupantes do terceiro ônibus foram obrigados pelos guardas municipais a subir em caminhonetes oficiais. Até hoje estão desaparecidos.
Além dos 43 alunos sequestrados pelos guardas, o massacre resultou em seis mortos a tiros e 20 feridos – um deles brutalmente torturado, encontrado ainda vivo, mas sem os olhos e com a pele do rosto arrancada.
Na madrugada seguinte, após os estudantes organizarem uma coletiva de imprensa para denunciar a situação, caminhonetes chegaram ao local e iniciaram um segundo ataque.
A fotógrafa internacional Marie Ange Bordas 
vai doar fotos do seu projeto “Deslocamentos”, 
sobre imigrantes espalhados pelo mundo
Os ocupantes das caminhonetes pertencem ao bando de traficantes de drogas Guerreros Unidos. São liderados pelo irmão do prefeito.
O prefeito Jose Luis Abarca e sua mulher Maria de Los Angeles Pineda estão presos.
O governo do Estado tentou convencer a opinião pública que os estudantes foram assassinados por traficantes de drogas, e que a polícia achou os cadáveres deles em uma vala comum. Mas os familiares dos alunos buscaram apoio de peritos argentinos para identificação das ossadas. Atestaram que os ossos eram de vacas e porcos.

Solidariedade: luta e poesia
Para chamar a atenção da imprensa internacional, pais, mães e estudantes sobreviventes da chacina partiram nas últimas semanas em caravana pela América Latina. 
Eles chegaram na segunda-feira a São Paulo, tendo passado antes pelo Uruguai e Argentina.
O blog “bar & lanches taboão” vai doar o livro 
“A Arte Visionária de Ranchinho”, coletânea de um dos
mais importantes pintores do primitivismo no Brasil
O Sarau do Binho, coletivo de poetas e artistas da região de Campo Limpo e Taboão da Serra, realiza na noite desta quarta-feira, 3 de junho, um ato público recheado de manifestações culturais. 
Os participantes doarão livros e obras de arte a serem vendidos a favor da causa. 
Todo o dinheiro arrecadado será destinado às despesas da caravana com sua viagem internacional.

Página do evento no facebook

Serviço:
3 de junho (4ª-feira) às 20h
SOMOS TODOS AYOTZINAPA
Sarau do Binho, no Teatro Clariô
Rua Santa Luzia, 96 – Taboão da Serra

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Angústia, por Vitória Martins

Há dias que não escrevo, mas posso sentir a necessidade de tal ato inundar meus pensamentos.
Habita em mim uma enorme angústia da qual não consigo me libertar.
Embora saiba que trata-se de tal sentimento, não consigo explicar sua imensidão nem o seu motivo. Algo que me falta na alma mesmo tendo um dia repleto de sorrisos e corpos alegremente dançantes.
Já não sei o que faço aqui. Às vezes penso que estou enlouquecendo, mas se estivesse não teria esta noção. Eu sinto que não faço mais parte deste lugar, a minha alma está perdida. Talvez presa numa vida passada, ou quem sabe com pressa de sair dessa pra uma próxima.
O fato é que sinto-me exausta. Eu já não sei mais em que devo acreditar, nem se existe de fato algo que eu deva crer. Eu sinto vontade de chorar e ficar sozinha. Vontade de dormir até tudo isso acabar...

Vitória Martins, 18 anos. Nasci em Jandira (SP). Hoje sou moradora de Taboão da Serra. Completei o ensino médio na Escola Estadual Francisco D'amico. Atualmente faço curso de idiomas e pré-vestibular. Pretendo ingressar na universidade no ramo de ciências sociais. Nas horas vagas dedico meu tempo a escritas e poemas em geral.