sexta-feira, 27 de março de 2015

No palco, na tela e na cruz – Clayton Novais

Na profissão do pai, o ator Clayton Novais tem uma forte identificação com o personagem principal que vai interpretar pela quinta vez na Encenação da Paixão de Cristo em Taboão da Serra. “Meu pai também é carpinteiro”. Mas as semelhanças param por aí. “Quando eu tinha 14 anos, no segundo espetáculo da minha carreira meu pai foi assistir a uma peça onde eu interpretava um travesti. Nunca mais voltou pra me ver em nenhuma outra apresentação. Nem depois que passei a fazer o papel de Jesus”. Começa assim em meio a gargalhadas a entrevista com um dos atores mais completos do meio teatral - e do cinema - taboanense.
Clayton Novais - Foto: Divulgação
Dos 38 anos de idade que Clayton completou na última 2ª-feira, 37 deles são vividos em nosso município. “Eu nasci na Vila Prudente, zona leste da capital São Paulo. Quando fiz um ano de vida, minha família morou por um breve período no bairro da Moóca. Nessa época meu pai já estava construindo nossa casa no Parque São Joaquim, e desde então eu sempre morei aqui em Taboão da Serra”, relata o artista.
Se o travesti Trinity vivido por Clayton Novais na comédia A Farsa da Madame Custódia em 1994 espantou da plateia o seu pai [Egberto de Novais, 66 anos, baiano de Tremedal, carpinteiro aposentado, mas que continuou na ativa mesmo depois de um infarto e duas angioplastias realizadas em 2013], o público sempre maior a cada ano nunca lhe faltou com aplausos seja nos palcos, nas apresentações de teatro de rua, ou diante das câmeras cinematográficas.
No currículo teatral que abriu suas cortinas em 1992, Clayton Novais já encarnou nos palcos e nas ruas um manda-chuva de vilarejo nordestino, um engenheiro, uma parteira mãe-de-santo, o sacerdote judeu Caifás, um índio, e outros personagens. No cinema, fez o Rony, um habitante da noite que não tem escrúpulo algum em explorar seus dessemelhantes.
Cena do filme A Sombra do Fogo - Divulgação
Nada mal para um garoto que, se não teve maiores problemas com a família ao abraçar o ofício de ator, nem por isto deixou de ter problema com o zelo materno. “É uma coisa absurda, mas meu diálogo com minha mãe [Efigênia Almeida de Novais, 62 anos] ficou estremecido por uns tempos quando iniciei no teatro”, relembra.
Marido da Edna, pai da Carolina, 16 anos, e do futuro biólogo marinho Caíque, 20 anos, Clayton Novais vai fazer o papel de Jesus Cristo no próximo dia 3 de abril, como já fez nos anos 2007, 2008, 2013 e 2014. “Eu também faria o Cristo em 2009 não fosse a grande dissidência que houve naquele ano”, conta.
Na época, Clayton escreveu uma crônica para o blog bar & lanches taboão com sua análise sobre o episódio – aqui.

A sua ligação com a Paixão de Cristo tem um precedente importante lá atrás, na sua adolescência. Ali, sem se dar conta do que viria na sua vida depois, você teve contato com as vestimentas que se usavam nas encenações da Sexta-Feira Santa aqui na nossa cidade.

Em 1990, com 13 anos, eu tinha participado pela primeira vez de uma peça de teatro onde estudei o primeiro grau, na Escola Estadual Reynaldo Falleiros. E tinha gostado pra caramba. Olha que engraçado. Eu estava na sexta série. Era pra gente fazer um trabalho para a aula de História. Uma maquete sobre o Egito. A professora deu prazo de um mês para entregar. A gente reunia o grupo de alunos, ia pra casa dos amigos. Naquela época rolava muita música do Legião Urbana; ficava ouvindo música, cantando, brincando. E nada de sair a maquete. No dia da entrega...: “A gente não fez nada!!! E agora?”. Cortamos três triângulos, pegamos uns palitinhos de dente, colamos tudo e falamos: “As pirâmides do Egito”. Entregamos pra professora. A reação dela: “Isto aqui não dá nem pra dar nota. Vou jogar no lixo”. Era mesmo uma merda. Mas ela quebrou o galho: “Pra vocês não ficarem sem nota, vão ter de montar uma peça de teatro para a Semana Cultural”.  Eu era o mais revoltadinho da turma, e falei: “Não vou fazer essa pôrra, não! Teatro é coisa de boiola. Vou fazer esse negócio, nada”. Mas o grupo topou: “Vâmo fazer. Vâmo fazer”. Resolvi encarar. Como eu sempre gostei de escrever, e lia muito, acabei fazendo um roteirinho pro pessoal. Montamos os personagens, Cleópatra, Marco Antonio, Brutus, fizemos uma salada mista (risos). Uma pesquisa meio na loucura.  Mas montamos a peça, o pessoal da escola gostou. Tudo bem feitinho, figurinos na base do papel crepom... Mas, no estilo. Aí a professora falou que ficou bacana a nossa montagem. E que haveria uma Mostra Cultural na Escola Estadual Edgar Francisco. Era uma mostra de teatro das escolas da região. A professora providenciou um figurino mais adequado, com vestimentas de tecidos, espadas, lanças. Por coincidência, aquela professora era da Comunidade São Pedro, que fazia a Paixão de Cristo aqui em Taboão. Então ela levou figurinos da Paixão pra gente utilizar lá na nossa peça juvenil sobre o Egito. Tinha até uma premiação, ficamos em terceiro lugar.
Aquilo ficou marcante para mim. Na época, a gente com os hormônios à flor da pele, um monte de menininhas todas em cima... Eu curti aquela ideia.

Esta professora foi, na verdade, a responsável por abrir as portas para você ser o ator que é hoje. Qual o nome dela?

Professora Vilma. Dava aulas de História na Escola Estadual Reynaldo Falleiros.

A experiência no teatrinho da escola te deixou animado pra virar artista...

No bairro onde eu morava tinha um amigo, o Pedro, que a gente chamava de “Pizza”. Era colega de rua. Encontrei com ele, e ele disse que estava indo para o ensaio com um pessoal de teatro. Falei da minha experiência com a peça lá na escola; pedi pra me dar um toque quando tivesse uma vaga no grupo.
Passou aquele final de 1990 sem novidade. Eu até já tinha esquecido o assunto. Em junho de 1991, num sábado com muita chuva, o Pedro bateu em casa. “A gente vai montar uma peça, e tem uma vaga lá”. Era o Grupo Arte Urbana, criado pelo Noel Magalhães depois de uma briga que ele teve com o grupo “Só de Raiva” [do ator, diretor e autor teatral Reginaldo Nascimento da Silva, falecido em 1999, e hoje nome de uma rua no Jardim Três Marias, em Taboão da Serra].
Fomos para a casa do Noel. Estavam ensaiando O Planeta dos Palhaços. Me apresentei pro pessoal. Hiper acanhado. Aqueles exercícios de soltar a timidez. Trabalho de teatralização junto com danças folclóricas. Pensei: “Isso não vai dar certo...”.  Na noite desse mesmo sábado do meu primeiro ensaio, tinha uma festa no Embu, com o pessoal do Solano Trindade. A dona Raquel Trindade organizou a festa, acho que era aniversário do teatro deles.
Eu nunca tinha dormido fora de casa. Meus pais muito rígidos, e tal. Passei a noite vendo congadas, maracatu, os poetas amigos do Solano, aquele mundo cultural todo... E teve uma apresentação do “Só de Raiva”. Foi quando eu conheci o Reginaldo, o Eduardo, o pessoal de quem o Noel tinha se separado.
Como havia muitos homossexuais no Grupo Só de Raiva (tanto que alguns chamavam de grupo “Só de Bicha”), eu pensei: “Onde é que eu tô me metendo?”. Mas, beleza. Fiquei assistindo e conversando com todos. Quando olhei no relógio, já havia passado da meia-noite. Não tinha mais ônibus pra voltar para casa. A dona Raquel jogou uns panos no chão, a gente dormiu por lá mesmo. No outro dia tomei comida de rabo em casa, mas foi uma experiência bacana.

Clayton Novais na Paixão de Cristo (2014)
Foto: Cláudio Cruvinel
Tem parentes artistas na sua família?

Só um tio, irmão do meu pai. A minha irmã é empresária. Meus filhos também não se interessaram em serem artistas. Meu filho Caíque já participou da Paixão de Cristo, fez o Menino Jesus quando tinha uns 10 anos, e o Cristo era o Mário Pazzini. Depois fez papel de soldado comigo no papel de Cristo, mas vai seguir carreira acadêmica. O meu tio Jairo Novais, caçula dos meus tios paternos fez curso de ator, trabalhou no filme A Vingança do Chico Mineiro. Recebeu proposta da TV Globo, mas não pôde aceitar porque a mulher dele é ciumenta. Daí ele investiu em uma fábrica de blocos em Lavras (MG). Faz aniversário no mesmo dia que eu. Vou quase sempre lá pra comemorarmos juntos.

Você cogitou em ser ator profissional?

Não. Eu fui pai muito cedo. Meu filho nasceu um mês antes de eu completar 18 anos. Então meu foco sempre foi cuidar da família. Quando casei, morava numa casinha no quintal do meu pai. Minha meta era comprar minha casa própria. Morei por uns tempos no Jardim Helena, perto do Ginásio de Esportes. Hoje moro no Jardim Silvio Sampaio. Vendi o apartamento e comprei uma casa térrea.
O teatro para mim era apenas uma ocupação de final de semana. Gosto muito do palco. Mas eu via os perrengues que os colegas guerreiros do teatro passavam. E eu não podia me arriscar naquilo. Nunca fiz curso de interpretação nem mandei currículos para agências de atores. Faço teatro por paixão. Logo quando conheci minha mulher, avisei: “Eu não jogo bola, mas meus sábados e domingos são para o teatro”. O palco é o meu futebol de final de semana.

Fora dos palcos, você foi trabalhar no que?

Minha atividade principal sempre foi a informática. Fiz colegial técnico de contabilidade na Escola Municipal Machado de Assis, mas nunca trabalhei nesta área.
Meu primeiro registro na carteira profissional foi de Office-boy num escritório da Avenida Faria Lima. Eu estava com 15 anos, a mesma idade com que subi no palco pela primeira vez. Depois fui trabalhar no Embu, em uma empresa terceirizada da Rede Card Visa. Ali me interessei pela computação. Entrei como auxiliar administrativo, mas comecei a “fuçar” nos computadores - tira uma peça aqui, coloca outra ali. Montei um computadorzinho em casa, fui aprendendo na curiosidade. Passei a fazer cursos internos sobre computação nesta empresa. Daí passei para a equipe de técnicos. Fiquei com chave de fenda na mão consertando e instalando computadores de 1999 até 2001. Trabalhando na rua direto. Mochilona com 15 quilos de peças e ferramentas nas costas. Subindo e descendo Avenida Paulista, ruas do centro de São Paulo, por ali tudo. Como eu já tinha uma experiência de escritório, o pessoal me colocou para digitar as ordens de serviços. Passei a coordenador de cursos para o pessoal que estava entrando na empresa. Depois fui promovido a supervisor. Quando decidi sair de lá, já estava como sub-gerente.
De lá fui trabalhar na empresa Ativity, prestadora de serviços para a Caixa Econômica Federal. Nesta firma fiquei desde 2001 até 2013, na manutenção de computadores e instalação de softwares. Hoje faço faculdade de História.

Clayton na Mostra de Cinema da Leroy Merlin / Raposo
E o seu batismo de fogo como ator?

Aquele primeiro texto que ensaiei no Grupo Arte Urbana, o Planeta dos Palhaços, não chegamos a levar para o palco. Na época estava até o Salvador Ribeiro com a gente, mas o espetáculo não aconteceu. O que fizemos foram apresentações de esquetes do espetáculo, que a gente vendia para escolas particulares de Embu.
Minha primeira vez como ator no palco foi na peça Dama de Brinquedo, no dia 6 de maio de 1992, no Cemur. Era uma Mostra Teatral. Fiz o personagem Teodoro, com um figurino estiloso típico da década de 1920, terno, chapelão e bengala. Era o cara mais importante da cidade, apaixonado por uma mulher que morava no prostíbulo. Ele arranca ela de lá pra morar com ele. Só que tem outra mulher que gostava muito dele. E tinha o cafetão da prostituta...
Peguei o papel principal porque o Noel confiou no trampo que a gente vinha fazendo nos ensaios nos dois anos anteriores. Olhei pela cortina, casa cheia. O coração acelerou.
Minha primeira fala era “Onde está Lili?”. Me enrolei logo de cara. Misturei tudo com outras falas do texto. O público riu. Mas a coisa foi fluindo, e findou um bom espetáculo.

O que o Cemur representava para a sua geração de artistas de teatro em Taboão da Serra?

Era como ganhar um Oscar no início das nossas carreiras. Aquele orgulho de dizer: “Eu subi no palco do Cemur!”. Hoje ainda tem uma galerinha que sonha com isto. Mas boa parte já valoriza mais os espaços alternativos. Eu mesmo prefiro muito mais me apresentar no Teatro Clariô, no Teatro Encena, no CITA. O problema do Cemur sempre foi falta de espaço para temporadas. As pessoas levam seis meses, sete meses, até um ano ensaiando, produzindo o espetáculo. E tem só uma noite de apresentação no Cemur, e a peça morre.

Novais em Vi Makunaima na Rua - Foto: Rogério Gonzaga
Quando foi que o Grupo Arte Urbana voltou a se fundir com o Grupo Só de Raiva?

Foi naquele mesmo mês de maio de 1992. Logo depois da Dama de Brinquedo. Eles se reagruparam na realização do “Folk da Feira”. Voltou tudo a ser apenas Grupo Só de Raiva. Tinha as atividades com danças, eu participava. Mas cobrava muito o teatro. Eu gosto é de palco.

E quando rolou o seu segundo espetáculo? Aquele famoso episódio da travesti... (risos)

Demorou mais dois anos pra gente montar outra peça. Em 1994 estreamos A Farsa da Madame Custódia. Tinha uma treta entre o Davi, autor da peça, e o Reginaldo, porque ele havia registrado no nome dele algumas peças do Davi. Quase a mesma temática envolvendo prostituição. “Madame Custódia”, personagem vivido pelo Noel, era um travesti dono do bordel. Eu interpretava a Trinity, braço direito da dona do puteiro. Trinity era uma bichinha bem espalhafatosa. Meu pai estava na plateia, e depois disto, nunca mais foi me ver no teatro... (risos). Aliás, foi só na vez, ali por volta de 2005, quando meu filho fez o papel de Jesus Menino, na Paixão de Cristo. E nunca mais (risos). Nesta época eu fazia o personagem Caifás.

Antes de a gente enveredar pela Paixão de Cristo, conta um pouco da sua experiência com o Grupo Só de Raiva.

Depois que o Reginaldo morreu, a gente ainda tentou levar o Só de Raiva. Tinha todo aquele trabalho de pesquisas, tinha o maracatu... Eu guardo uma mágoa muito grande a respeito disto. Quando o Reginaldo estava internado, em 1999, estávamos montando a peça Infinito Delírio, dele mesmo, texto e direção do próprio Reginaldo. Quando ele piorou o estado de saúde, fizemos direção coletiva da peça. Mas, como eu era o mais velho da turma, acabei tomando as rédeas. Disputamos um Festival de Teatro, e vencemos o prêmio de melhor texto. Fui levar a medalha pro Reginaldo no hospital. Ele estava já bem debilitado. Não se lembrava mais direito das coisas. O Reginaldo me chamava de Tanaka. No leito do hospital, ele pegou na minha mão e disse: “Tanaka, eu não vou viver muito tempo. Já estou indo. Não deixe o Só de Raiva morrer. Se o grupo for morrer, pega todo o figurino, tudo o que está lá no apartamento, joga tudo no terreno baldio e toca fogo. E dança o Boi-Bumbá em volta enquanto queima”. Eu era muito novo, e não tinha a força e o carisma pra levar o grupo em frente. A morte do Reginaldo deixou todo mundo sem um norte. O Noel é meu amigo, meu brother, meu compadre, padrinho do meu filho. Mas nessa questão do Só de Raiva o Reginaldo era o coração. Um mês depois da morte dele, marcamos um ensaio. Mas quando olhamos uns para as caras dos outros, tudo o que fizemos foi nos abraçar e chorar, tamanho o peso da perda.

Depois deste calvário da perda do Reginaldo, que rumo você deu pra sua vida de ator?

Fiquei uns tempos procurando um grupo para me integrar. Eu ia a dois ou três ensaios, mas não me sentia em casa. Meses de buscas sem encontrar, quase dois anos se passaram. Pensei em desistir de tudo. Mesmo assim, no final de 1999 participei de um evento teatral onde os jurados eram Manoel da Nova [criador da Paixão de Cristo em Taboão da Serra], a Luci Balotin, e o Zé Maria de Lucena [que havia assumido a coordenação-geral da Encenação após a aposentadoria de Manoel da Nova]. O Zé Maria me chamou para participar da Paixão de Cristo do ano 2000. Recusei, porque continuava sem estímulo nenhum para atuar. No ano 2001 o Zé Maria telefonou na minha casa: “Vamos fazer a Paixão, Claytão!”.
Daí a minha mulher falou: “Pelo amor de Deus, Clayton. Arruma alguma coisa pra fazer” (risos). Eu não saia mais nos fins de semana. Ficava só em casa, enchendo o saco. A Edna, minha esposa, reforçou: “Sai de casa e vai fazer teatro!” (gargalhadas).
Acho que eu já estava num processo de depressão. Do trabalho para casa, de casa pro trabalho, e nada mais. O teatro era a minha válvula de escape. E sem isto eu já não engrenava mais nada. Ficava em casa estressado.
Na Paixão de Cristo revi alguns amigos de longa data, o Valter Costa, a Thânia Rocha. Fiz novas amizades maravilhosas tipo Joselito Gazza, Mario Pazzini, Naruna Costa, Naloana Lima...
Naquele 2001 comecei a fazer o papel de Caifás, e fiz até 2006. O papel de Cristo era do Mário Pazzini.  Antes de aceitar o papel, eu nunca tinha assistido a Paixão. Nem sabia como era o espetáculo. Quando vi a multidão espalhada pela praça [na época o espetáculo tinha início nas escadarias do Cemur com a cena do batismo na fonte da Praça Nicola Vivilechio], gente até em cima da fonte luminosa, fiquei maravilhado. “Me encontrei”, disse pra mim mesmo.

Clayton Novais (de amarelo) na comédia
Como Nasce um Cabra da Peste
Quando te reacendeu o amor pelo teatro, surgiram outros trabalhos?

Em 2004 recebi um convite do Luiz Domingues. Mas ainda estava reticente. Não conseguia me identificar com nenhum grupo. O Luiz estava com a comédia Como Nasce um Cabra da Peste. Três atores e um músico. A peça tem cinco personagens - a mãe grávida, o marido, a vizinha, o filho do casal, menino de seus 12 anos, e a mãe-de-santo parteira. Daí me colocaram para interpretar a vizinha, o menino e a parteira. Pensei: “Pô, de cinco personagens eu fazer três... Não vou dar conta!”. Mas encarei. Estreamos no bairro Barra Funda, em São Paulo.
Me identifiquei tanto com o espetáculo, que quando propuseram aliviar minha carga de trabalho, perguntaram: “Qual personagem você quer deixar de fazer?”. E eu: “Nenhum”. (risos). É um texto excelente do Altimar Pimentel, baseado na obra do folclorista Mário Souto Maior. Faz um apanhado das crendices populares do interior do Brasil rural quando uma mulher está para ganhar neném. Isto recuperou um pouco daquilo que eu tinha vivido nos tempos do Grupo Só de Raiva.
Foi uma coisa muito bacana. Chegamos até a participar em janeiro de 2008 do V Festival de Teatro lá no Acre. Lugar que eu nunca imaginava conhecer algum dia. Entre pausas e remontagens, ficamos cerca de seis anos em temporada com o Cabra da Peste.
Acabou o Cabra da Peste, fui trabalhar com o grupo ArteManha, no bairro Campo Limpo. Fiquei com eles de 2010 a 2012.

E a tua ‘promoção’ para Cristo em Taboão da Serra?

Em 2007 teve uma renovação na Paixão de Cristo. A encenação era dirigida pela Thania Rocha, o Marinho e a Naruna, com o Zé Maria na coordenação-geral. O Marinho já não queria mais fazer o Cristo, queria abrir espaço a novos atores. Daí chegaram a um consenso que eu assumiria o papel.

Você estava pronto para isto?

A primeira sensação que vem pra você quando é escolhido pro papel principal, é aquela euforia. Mas por incrível que pareça... Nos setes anos em que eu fiz o papel de Caifás, nunca me passou pela cabeça ser o Cristo. Cheguei a pensar em fazer o papel do centurião Flávio Lúcio. É um papel pequeno, mas importante, pois é o centurião que está ali com Pilatos, num momento em que ele meio que defende o Cristo. Outras vezes pensei em ser um dos apóstolos. Mas nunca me imaginei no papel do Cristo.

Mas você não tem a fisionomia à qual as pessoas estavam acostumadas a ver o Cristo...

Pois então. Primeira coisa que me falaram: “Como é que vai ser? Você nem tem cabelo comprido!”. As pessoas têm aquela visão Renascentista do Cristo, olhos claros, barba e cabelos longos. Eu não correspondo a esta caracterização que as pessoas idealizam. E tinha só 90 dias para compor meu personagem. Chegaram a sugerir me colocar cabelos. Num bate papo decidi não colocar aplique de cabelo comprido. Também resolvi fazer uma diminuição no gestual, e movimentação de palco mais contida.

Como você passou a lidar com a notoriedade que te deu o papel de Cristo na cidade?

Acontecem algumas coisas curiosas. Certa vez eu estava no Pronto Socorro Municipal [da Antena] esperando minha vez de passar com o médico. Por coincidência na sala de espera estavam passando o vídeo da Paixão de Cristo. As pessoas ficavam se cutucando e falando em voz baixa: “É ele!” (risos).

Paixão de Cristo no ano 2013 - Foto: Eduardo Toledo
Tirando a parte folclórica da fama, que emoções te tocaram nos primeiros anos como personagem central?

O que mais me tocou, foi no meu primeiro ano como Cristo. Na cena da ressurreição, quando saio na parte de cima do Morro, o pessoal da produção pronto para me levar embora, veio uma senhora por volta dos seus 60 a 70 anos, senhorinha de cabelinhos brancos. Ela ajoelhou no chão e beijou minha mão. Com aquilo ali, eu fiquei uma semana em casa, vendo as matérias publicadas sobre a encenação. Mas eu estava numa outra sintonia. Me senti um cara mais leve depois daquela experiência com a idosa que me tocou.
É uma coisa muito forte. A gente ouve a plateia interagindo com o espetáculo... vozes ao longe de pessoas do povo pedindo para não açoitarem o Cristo, crianças gritando...

As emoções das tuas primeiras apresentações em 2007 e 2008, também voltaram quando você retomou o papel em 2013?

Quando voltei a interpretar Jesus em 2013, sofri alguns ataques de certa pessoa pelas redes sociais. Por causa do cisma que rolou em 2009. Foi um ano muito difícil. Mas segui em frente. Convidei algumas pessoas da, digamos assim, ‘velha guarda’, para fazerem a Paixão comigo novamente, tipo o Renato, o Edemi e o Diego. Nos ensaios, o Judas que o Diego interpretava, já nos ensaios me fazia chorar tamanha a carga de emoção que ele depositava no personagem.
Na cena em que a Thaís interpretava o demônio na tentação de Cristo, na parte da fala “Eu te dou todo este mundo”, ela vinha se levantando do chão, babando, no vídeo gravado da encenação a gente vê a perfeição e fúria com que ela vinha babando pra cima do Cristo, eu chorava nos ensaios, de emoção.
Naquele meu retorno ao papel em 2013, eu saí daqui do Cemur chorando, antes de descer para o palco em frente ao Parque das Hortênsias. Chorava e dizia a mim mesmo: “Estou de volta. Estou de volta à Paixão!”. Antes de entrar no ônibus que leva a gente para o cenário, pedi para a Natasha Marques [atriz e maquiadora do espetáculo] um pedacinho de algodão. Ela quis saber para quê. Eu disse que era para arrumar a maquiagem no meu olho. Mas ela viu que eu estava chorando, e chorou comigo também.

Durante gravação do curta-metragem
O Cão que Morde Dentro
E o cinema, como entrou na sua trajetória?

Eu já tinha alguma intimidade com a câmera. Tinha participado de dois curtas-metragens que acabaram não editados. Também tinha feito figuração em um episódio do quadro Retrato Falado, da Denise Fraga, no programa Fantástico, da TV Globo.
Fiquei sabendo que o diretor Jean Grimard estava buscando pelo Facebook pessoas para participar de um vídeo curta-metragem. Não rolava grana, nem nada. Eu topei. Única coisa que me pediram foi para ir com uma camiseta azul. O personagem não tinha fala. Tudo o que eu tinha a fazer era ficar deitado, enquanto vinha uma coisa meio sombria, tipo urubu, puxar meu pé. A gente foi gravar no Parque Laguna. Mas a coisa lá tava meio esquisita. Uns mal encarados passando pra lá e pra cá de motos. E o Jean com aqueles equipamentos caros de filmagem. “Vamos dar o fora daqui”. Terminamos filmando na rua do IML, ao lado do Cemitério da Saudade.
Com Márcia Nunes em A Sombra do Fogo
O projeto não foi pra frente. Mas o Jean voltou a me procurar: “Estou com uma ideia”, ele disse. “Fazer o filme de um cara que anda pela noite. Você topa fazer?”. Eu: “Firmeza. A gente faz este curta-metragem”. Ele: “Não! Estou querendo fazer um longa”. Eu: “E quem tá envolvido neste negócio?”. “Só eu e você”, ele disse (risos). Daí ele propôs que fôssemos gravando aqui e ali, e durante o processo ir convidando as pessoas pra entrar no filme. “E o roteiro?”, perguntei. “Não tem roteiro” (mais risos).


A Sombra do Fogo estreou pelo Canal Brasil no último dia 21 de janeiro - leia aqui

domingo, 22 de março de 2015

Urubu acha em Pinheiros idoso morto pela enchente de Taboão

Curiosos observam bombeiros no resgate do corpo.
Foto: José Roberto de Toledo | jornal Estadão
A insistência com que aquele urubu voava baixinho num trecho da margem do Rio Pinheiros, chamou a atenção de ciclistas e motoristas próximos à Cidade Universitária, zona oeste da capital São Paulo. No local são comuns estas aves petiscando montes de lixo tirados do rio, e deixados para secar na lateral da ciclovia. Mas o sobrevôo circular constante do urubu sobre um único ponto na beira da água, indicava que ele estava de olho em algo diferente na manhã deste domingo, 22 de março. Cismados com o comportamento do bicho, populares acionaram o Corpo de Bombeiros por volta das 11h. Constatou-se que o urubu conseguiu o que 10 viaturas e 32 militares tentavam há três dias – encontrar o corpo do aposentado José Fonseca da Silva, 69 anos, morto pela tromba d’água que se abateu sobre Taboão da Serra na tarde da última 5ª-feira, dia 19.
Esta não foi a primeira vez que o corpo de pessoa morta por enchente em Taboão da Serra é encontrado boiando no Rio Pinheiros.

Suplício no Morro do Cristo
O resgate de José Fonseca da Silva do leito do rio demorou cerca de uma hora e meia. O corpo estava muito inchado e em decomposição adiantada.
Morador do município de São Paulo, o aposentado havia trazido pela primeira vez sua esposa a Taboão da Serra, para fisioterapia na mão operada recentemente. Ao sair do procedimento, a mulher não viu o marido na porta da clínica. Avisou o filho Alessandro pelo celular. Enquanto tentava telefonar para o pai, o rapaz reconheceu pelo telejornal o carro dele arrastado, engolido e capotado pela enxurrada.
Nália Garcia relembra o choque de ver o padecimento do 
idoso engolido pela enchente. Foto: Reprodução TV Globo

O lugar do suplício de José Fonseca foi o mesmo onde todos os anos é encenada a crucificação de Cristo na Sexta-Feira da Paixão. O homem ficou com o pé preso no veículo ao tentar se livrar da sanha assassina das águas. Quando conseguiu se soltar, a correnteza cumpriu sua intenção de matar.
Uma moradora filmou com seu fone celular todo o sofrimento do idoso. “Muito chocante mesmo. A gente estava aqui, de espectadora daquela tragédia, e sem poder fazer nada”, disse Nália da Silva Garcia, moradora do bairro há cinco anos e sete meses.
Em fevereiro de 2010, a mesma Nália Garcia, na época com 30 anos, revelou para a imprensa os seus medos a cada época de chuvas. Neste verão trágico de 2015, Nália assistiu a sequencia mais macabra jamais registrada durante as enchentes que infelicitam Taboão da Serra.

Três anos atrás, no dia 16 de dezembro de 2011, outro corpo de morador de Taboão da Serra foi encontrado boiando na mesma localidade onde acharam hoje José Fonseca, perto da Ponte Cidade Universitária.
Na ocasião, os Bombeiros identificaram Roberto, 48 anos. Ele havia caído na noite anterior, por volta das 23h15, ao tentar atravessar uma pinguela sobre o córrego que cruza o bairro Jardim Saporito onde morava.

A palavra enchente está incorporada ao vocabulário taboanense há mais de um século. Na mesma Vila Santa Luzia onde José Fonseca encontrou a morte na 5ª-feira passada, há relato de cheias 104 anos atrás – leia aqui

quinta-feira, 19 de março de 2015

21 anos sem asfalto

para Lauro Medeiros
Rosa Falzoni. Foto: Sonia Bischain

Por Rosa Maria Falzoni

Se me perguntarem do que mais sinto falta, é do cheiro da chuva chegando. De úmido, de terra molhada que aumentava, soprando junto com o vento.
Da rua eu tirei a primeira terrinha para fazer minhas comidinhas, que partilhava com as bonecas. Sempre entendi que a lama podia ser modelada, mesmo como bolinhos e papinhas das panelinhas, nas brincadeiras de casinha.
A chuva era uma alegria; lá íamos eu e os amiguinhos andar pelo meio das enxurradas, descalços, sem medo de nada, a não ser cair dentro do bueiro, e sumir.
Esse medo era constante, de tirar o sono. Sempre ouvia a história de crianças que, em dias de chuva, escorregavam e sumiam pelos bueiros. Do caminho da escola eu sabia de cor a localização deles. E quando eu me esquecia e quase caía?
No começo da noite, depois da chuva ou durante ela, começavam a aparecer os sapos. Os girinos. As pererecas. Animais com quem convivia muito na rua. Tínhamos o mesmo habitat.
Nas três raras vezes em que estivemos no laboratório da escola, qual era o animal que dissecávamos? Ele mesmo: o sapo.  Tamanha a fartura, a facilidade de apanhá-lo.
Por isso adoro fábulas que têm o sapo como personagens. Uma princesa, que ao caminhar no campo encontra sapos, é totalmente aceitável no meu imaginário.
A chuva estava presente mesmo não chovendo, pois deixava suas marcas e conseqüências sempre. Eu morava no alto, e a água ia abrindo sulcos e fendas pela rua. Nos dias secos, um transtorno, quando se caía, escorregava, desviava, pulava e caminhava nelas. Nos dias de chuva caminhava-se dentro dos sulcos, junto com as enxurradas, invariavelmente. Descalça, de chinelo, ou com o sapato da escola mesmo.
Falo também do mato que invadia as ruas, fazendo-as mais fininhas, irem afunilando mais. Quase trilhas.  O mato crescia mais depois das chuvas, assim como dentro das casas, nos jardins e falhas do cimento do quintal. Ervas cresciam também.
Nos tempos de seca, de estiagem, era um pó só. No fim do dia as roupas ficavam com o tom da terra; aliás,  uma cor linda. Um cor-de-rosa clarinho e brilhante. A pele da gente reluzia, principalmente nas noites de lua cheia, quando ficávamos até tarde na rua brincando.
Tudo me faz celebrar a chuva. A grande benção do céu.
Celebro a chuva e lamento o aborrecimento das pessoas da cidade quando ela chega. Tudo deveria ficar bom quando chove...
Então, a chuva teve tudo a ver com a rua. De terra.
Com aquela terra brilhante havia muitas pedrinhas. Isso me causou dificuldades desde quando aprendi a andar. Por causa de tantas pedrinhas não conseguia manter o equilíbrio, vivia escorregando e caindo. Tenho provas disso: em uma queda, arranquei um pedaço de pele significativo do joelho, e tenho uma cicatriz notável, profunda e bem diferente da pele. Ao cair eu me arrastei por centímetros e chorei muito porque doeu. 
Escorregar na terra era constante. Os solados plásticos e duros das congas azul-marinho proporcionavam um freqüente deslize. Os solados sempre manchados de lama, que fazia a gente esquecer o que era o branco das coisas. Muitos sapatos meus ficaram manchados de lama por vários anos. Ao circular por lugares mais centrais, as pessoas viviam perguntando onde morava, de onde vinha. Vivia com vergonha disso, mas, depois nem ligava. Cheguei a ter orgulho de carregar manchas de lama nos tênis. Uma bobagem. Ter dificuldades é motivo de orgulho?
Lembro-me, na adolescência, da amiga Inês, que morava um pouco mais no alto do que eu. Depois de a família perder tudo, foi morar no Jardim Brasília.
Crianças indo à escola com os pés envoltos em sacos plásticos
Foto: Reprodução
Ela nunca se conformou. Nos dias de chuva, ia para a avenida, no ponto de ônibus, com dois saquinhos plásticos no pé, em volta dos sapatos, para não se sujar de lama. Pouco adiantava, pois vivia espirrando lama na roupa, nem que fossem uns pinguinhos. Sempre levávamos a terra da rua com a gente. Sempre viam terra na gente.
Rua de terra e muitos terrenos com mato. O misterioso mato, tão presente em histórias de viajantes. Tão verde e cheiroso. Dali saíam muitas coisas, muitos bichos. Ratos, cobras, baratas, cupins, formigas, grilos, louva-a-deus, borboletas, tatuzinho-bola, que invadiam as ruas e não tinham vez junto à crueldade das crianças, das pessoas que marcavam ali seu território, sua passagem.
Os carros passavam tão raramente e a rua era lugar de gente. Todo mundo andava no meio dela, com jeito de estar percorrendo um caminho... Ruas compridas, olhares perdidos em pensamentos na caminhada.
Crianças passavam a caminho da escola, centenas. Mas durante todo o dia se revezavam na ocupação da rua e ficavam horas ali brincando.
         Nas férias era a tomada total da rua. Gritos de felicidade, barulhos de brincadeiras e exaltações. Toque de recolher era o grito da mãe chamando para o banho, a janta ou a chegada do pai do trabalho.
Tínhamos alguns medos da rua: dos raios em dias de chuva, de bombinhas, de enroscar pipas nos fios, de tarados que atacavam mulheres e meninas. Das brigas, quando uma turma ou integrante de outro bairro invadiam ou passavam pelo nosso. E vice-versa. Eu nunca entendi bem por que existia essa regra. Da polícia, quando, à noite, ficávamos dentro de casa morrendo de medo ouvindo as veraneios ou camburões da Rota deslizando com motor desligado, faróis apagados, nos causando pavor.
Também não tínhamos medo: queimada, esconde-esconde, pega-pega, cabo-de-guerra, brincadeira de roda, vivo-ou-morto, passa-anel. Às vezes, durante a tarde, deitávamos na rua e ficávamos olhando as nuvens do céu e vendo as mais diversas formas. Conforme o vento, mudavam as figuras. E todos milagrosamente viam juntos, imaginavam juntos.  O exercício se complicava quando o vento era veloz e a imaginação tinha que ser rápida para dar conta do movimento. Estaria aí a primeira noção de que tudo muda?
Pulamos muita corda. Tenho certeza de que minhas pernas engrossaram de tanto brincar de pular corda. A corda era sempre minha e de meus irmãos, doada e sempre reposta pelo meu pai. Ele nunca me deu uma bicicleta, mas me deu esse instrumento de muita satisfação.
“Beijo, Abraço ou Aperto de Mão”. Por causa da brincadeira, fiquei noiva aos oito anos de idade. O anel era daqueles que vinham grudados no chiclete Ping-Pong, e o meu tinha uma pedra de acrílico vermelha. Exibia-o orgulhosa, prova de meu compromisso.
Soube de menstruação, sexo, namoro e beijo com amigas da rua. Algumas coisas me chocaram, outras me deram vontade de fazer. Treinava beijar em casa, no espelho do guarda-roupa da minha mãe. Um beijo frio, no vidro. Tão diferente do meu primeiro beijo, quente, que não teve trilha sonora, como a das novelas da TV. Aliás, o silêncio estonteante da entrega. Os pés fincados na terra da rua, o ventre quente e a cabeça flutuando. Bem no meio da rua.
Depois desse beijo, vieram outros, de outros, na rua.
Crescendo, também cresceram meu olhar, minha mente e meu desejo de beijar outras bocas, uma grande vontade de vida. Em outras ruas.
De ganhar novas ruas, até avenidas. Estradas?! A minha rua ficou pequena, com pouco espaço para tudo isso.
A rua mudava, ao mesmo tempo em que eu mudava. Primeiramente, a iluminação de poste, que deu grande incrementada às brincadeiras e depois aos namoros. Depois, as grandes tubulações e buracos: a água encanada! (morria de medo de cair no poço do quintal...). Finalmente o asfalto, que selou uma nova era: a de que eu não pertencia mais àquelas ruas.

Rosa Maria Falzoni, é natural do Jardim Brasília, zona leste de São Paulo (SP).

Herdeiros do nada

Por Vitória Martins

O mundo é um tremendo caos. Nenhum de nós sabe de fato o ''por quê'' e o ''pra que'' de existirmos. Individualmente todos nós já fizemos essa pergunta, mas nenhuma das teorias obteve respostas completas.
No meio de todos, eu me sinto ninguém, e entre todas as coisas que eu poderia sentir eu herdei o ''nada''. Um completo vazio!
A todo instante as pessoas esbravejam palavras bonitas como se soubessem o que dizem. Imploram a verdade, mas quando outro alguém lhes diz o que pensa, simplesmente apontam-lhe o dedo ou viram-lhe as costas.
Eu não sei por que estou aqui, só sei que queria não estar. Mas, quando eu não mais estiver lembrem-se das minhas palavras.
Todos os seres são individualistas, até os de coração mais puro. Ninguém sabe de onde viemos, muito menos para onde vamos. 
O mundo é um aglomerado de pessoas sozinhas tentando chegar a lugar nenhum.
Em vida eu não fui uma pessoa ruim... Fui apenas alguém que queria chegar a algum lugar, mas que não sabia por onde começar e nem para onde ir.

Vitória Martins, 17 anos. 
Nasci em Jandira (SP). Hoje sou moradora de Taboão da Serra. 
Completei o ensino médio na Escola Estadual Francisco D'amico. Atualmente faço curso de idiomas e pré-vestibular. 
Pretendendo ingressar na universidade no ramo de ciências sociais. 
Nas horas vagas dedico meu tempo a escritas e poemas em geral.

terça-feira, 17 de março de 2015

Elis Regina e a história da música “Fascinação”

Elis Regina faria 70 anos, hoje
Dois fatos me ligam à história de vida da Elis Regina e a uma canção que ela re-eternizou.
Elis faria 70 anos hoje, 17 de março, se não tivesse errado na dose.
Eu estava na Biblioteca Mário de Andrade, fazendo pesquisas naquela tarde de 19 de janeiro de 1982. Meu amigo (e hoje doutor em Antropologia) João Batista Félix foi o arauto da má notícia: “Acharam a Elis morta hoje de manhã”.
Me lembro ter saído zonzo de entre os livros, e subido a pé desconsolado a Rua da Consolação. No início da descida da Avenida Rebouças me dei conta que já havia uma legião de autômatos em direção à casa da Elis. A Rua Melo Alves começa na esquina da Alameda Franca e despenca em direção à Rua Estados Unidos. Chegamos ao Edifício Mello Alves, número 668 da rua com o mesmo nome. Olhos fitos e encharcados na direção do 5º andar, onde Elis Regina morreu por overdose no quarto do apartamento 52.
Estava com 36 anos de idade.
Era ali seu lar alugado – a casa oficial ficava na Serra da Cantareira. E em frente ao prédio onde a cantora emitiu seu último suspiro, há hoje uma placa, indicando o lugar onde fora plantada uma árvore em seu louvor.
Placa na calçada do prédio onde Elis Regina morava 
quando faleceu.  Foto: David da Silva

Em 1997, eu estava fazendo uma reportagem no Cemur (mix de salão de festas com teatro aqui em Taboão da Serra) quando um assessor do então secretário Antonio Carlos Fenólio (Educação e Cultura) me pediu um help: “O professor Fenólio quer saber o nome do compositor da valsa ‘Fascinação’, pois o coral da terceira idade vai cantar essa música agora”.
No final da apresentação o desditoso assessor voltou a mim meio tristonho: “O secretário me deu bronca, porque vim perguntar pra você o nome da música”. Na defesa do meu velho amigo, dei o troco: “O Fenólio bronqueou não porque você veio me pedir a informação. Foi por causa do teu descaso, desleixo em não incluir o nome do autor da música na ficha de apresentação”.

A melodia de “Fascinação” nasceu em 1904. Sua autoria é atribuída ao violinista italiano Dante Marchetti. O músico trabalhava em cabarés de Paris. Em 1905 o ator Maurice de Féraudy colocou letra na música que até então era apenas instrumental. A primeira gravação cantada foi feita por Paulette Darty: Je t'ai rencontré simplement / Et tu n'as rien fait pour chercher à me plaire / Je t'aime pourtant / D'un amour ardent / Dont rien, je le sens, ne pourra me défaire. / Tu seras toujours mon amant...”
No meio artístico francês corre uma lenda que Dante Marchetti não é o verdadeiro compositor de “Fascinação”. Ele teria feito uma encomenda a um jovem compositor em início de carreira. Era o colossal Maurice Ravel, que para não prejudicar sua ascensão como compositor de música clássica, aceitou o dinheiro, mas não quis seu nome como autor de uma valsa cigana.
De fato, Dante Marchetti foi um compositor inexpressivo. Quando se ouve com atenção a melodia de “Fascinação”, chegamos a crer ter sido mesmo obra de um músico superior. Nos volteios da melodia maravilhosa, parece que as cordas dos violinos laçam a pessoa, puxando-a para dançar a valsa irresistível.
Nunca ninguém poderá saber se “Fascinação” saiu ou não da partitura de Ravel.

Em 1943 o radialista brasileiro Armando Louzada fez uma versão em português gravada por Carlos Galhardo no dia 4 de fevereiro daquele ano. “Os sonhos mais lindos sonhei / De quimeras mil um castelo ergui / E no teu olhar tonto de emoção / Com sofreguidão, mil venturas previ. / O teu corpo é luz, sedução...”.
A valsa virou tema de novela na Rádio Nacional. Sucesso estrondoso.
Em 24 de outubro de 1957, Galhardo voltou a gravá-la na nova tecnologia dos discos de vinil. A música, que tinha duas partes no original em francês, desta feita foi gravada só em sua primeira parte.
Ocorre que, três anos antes, em 1954 a valsa havia sido gravada pelo fantástico cantor norte-americano Nat King Cole, na versão inglesa de Dick Manning. Foi uma covardia. A interpretação aveludada de Nat virou mania mundial: “It was fascination I know / And it might have ended / Right then, at the start / Just a passing glance / Just a brief romance / And I might have gone / On my way empty hearted…”
Quase ninguém mais falou na interpretação do brasileiro Carlos Galhardo...

Em 1976, Elis Regina incluiu “Fascinação” no repertório do seu show “Falso Brilhante”. Com uma forte crítica à ditadura militar, o espetáculo é ainda hoje o maior e melhor show da história da MPB. Ficou em cartaz sempre com o Teatro Bandeirantes lotado no período de 17 de dezembro de 1975 até 18 de fevereiro de 1977. Me lembro de ter ido assisti-lo por duas ou três vezes.
Um ano mais tarde, Elis voltaria a gravar esta valsa ao vivo no seu show “Transversal do Tempo”.

Quando Elis Regina morreu em janeiro de 1982, ela estava contratada para o show de encerramento do Festival de Verão em fevereiro daquele mesmo ano, na praia do Gonzaga, em Santos.
Os produtores do espetáculo nem cogitaram chamar uma substituta. No palco totalmente vazio, enquanto a voz gravada de Elis cantava a eterna valsa, colocaram apenas um pedestal com microfone debaixo de um foco de luz.
De arrepiar.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Morreu Jadir, artilheiro dos Veteranos do Vumo, de Taboão da Serra

Jadir foi artilheiro nas conquistas do tri-campeonato invicto do Vumo Marabá
Foto: David da Silva - 03.mar.2013
Faleceu vítima de infarto fulminante o operador de áudio  Jadir Alves de Jesus, 44 anos, camisa 9 do Clube Atlético VUMO, time sediado no bairro Parque Marabá, em Taboão da Serra.
Jadir foi encontrado morto na sua residência no bairro Real Parque, na zona sul paulistana. Acredita-se que tenha falecido na quarta-feira. Sua namorada estranhou o fato de ele não ter atendido os telefonemas nem respondido mensagens em redes sociais nas últimas 48 horas, e acionou os vizinhos. Seu corpo já apresentando sinais de decomposição, estava estendido no chão próximo à porta de saída da casa. A posição em que o acharam indica que ao sentir dores, Jadir tentou sair em busca de socorro. Ele deixa os filhos Manoel Henrique, 12 anos, e Pedro, de 13.
Jadir em 20 de junho de 2013 - Foto: David da Silva
Jadir foi artilheiro pelo VUMO em várias ocasiões. A mais notória foi na conquista do tri-campeonato invicto pela Raposa do Marabá.
Em entrevista ao repórter David da Silva em 2012, Jadir relatou sua trajetória na várzea de Taboão da Serra:
“Comecei a jogar aos 14 anos no bairro Real Parque, onde eu vivo há 30 anos.
 “Meu primeiro time foi o do seu Nestor, que era sócio do São Paulo FC, e treinava a molecada aos sábados. Depois subi para os times principais do bairro.
“O primeiro time em Taboão da Serra que joguei foi o EC Jardim Roberto. Depois fui pro Aliados e Grêmio Marabá, no comando do Tiganá, ex-Auto Escola Sakis.
“Foi nesta época que nasceu minha amizade com o Nando, camisa 10 do Vumo.
“Mas a certeza mesmo que eu um dia viria para o Vumo, foi quando no final de 2010 encontrei com o Luisão num bar no Bixiga. Eu tinha ido buscar umas encomendas naquele bairro, quando o Luisão estava tomando cerveja num boteco, me viu passar pela rua, e me chamou. Tempos depois o Nando formalizou o convite”.
Jadir foi o goleador dos Veteranos em 2013
Foto: David da Silva - 06.dez.2013

Jadir nasceu em São José do Jacuri na região de Governador Valadares, em Minas Gerais. Veio para São Paulo com 9 anos de vida.
 Era operador de áudio. Prestava serviços para produtoras de filmes-documentários e comerciais para TV. Teve passagens pelo Vídeo Show e programa da Ana Maria Braga, da TV Globo.
Fez trabalhos para a MTV, além de operar áudio para reportagens de ruas. Um dos principais trabalhos de Jadir eram os vídeos para a empresa aérea TAM.

O sepultamento será às 11h da manhã deste sábado, dia 14 de março.
Devido ao estado de deterioração do corpo, o funeral vai se dar em caixão blindado. Familiares e amigos sugerem que sejam levadas fotos de Jadir na cerimônia de despedida. 

Cemitério Memorial Parque das Cerejeiras
Av. Parque das Cerejeiras, 300
Jardim Ângela - São Paulo - SP
(11) 5517-0717
(11) 5517-1004


Foto: David da Silva - 28.ago.2011
Jadir, 3º da esquerda para a direita, era perigo no ataque e também ajudava os colegas na defesa.
Foto: David da Silva - 26.jan.2014

domingo, 1 de março de 2015

Falece o jornalista André Roberg

Internado desde o início da tarde de hoje no Pronto Atendimento do município de Juquitiba, onde residia, faleceu na noite deste domingo o jornalista André Raeder Roberg, do veículo informativo regional Folha-BR, sediada naquela cidade.

Na primeira postagem informando sobre sua saúde, às 12h25 de hoje, domingo 1º de março, André Roberg, 46 anos, informava: 
“No PA [pronto-atendimento] com [pressão arterial] 20 x 12. Na sala de urgências com o melhor atendimento do mundo. Quanto orgulho e gratidão tenho da minha cidade”.

O estado de ânimo do jornalista continuava em alto astral quando ele, mesmo se auto criticando, elogiava o serviço médico:
A última postagem do repórter André Roberg no Facebook, às 13h10 deste domingo, 1º de março.

André era natural da cidade litorânea São Vicente (SP), onde nasceu em 6 de novembro de 1968. A razão social da sua empresa Editora Syllas Roberg, era uma homenagem ao seu pai, um roteirista de programas de televisão que marcou época no meio artístico paulista e brasileiro.

No sábado, 28 de fevereiro, o jornalista mostrava um disposição conciliatória na rede social: "Negócio de só criticar, meu isso já saturou, já cansou! Nós temos que ajudar."
A mensagem era acompanhada por um vídeo onde André Roberg pintava com cal branca as guias da Praça dos Emancipadores, na forma de um presente para a cidade de Juquitiba.

André Roberg é irmão do fotógrafo Wladimir Raeder, da secretaria de Comunicação de Taboão da Serra.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Marco Pezão ganha o Prêmio Governador do Estado

Em seu agradecimento ao prêmio, Pezão relembrou o início dos saraus em bares da capital e Grande São Paulo. Foto: David da Silva – 23.jan.2015
Entregue na noite da última 2ª-feira, 23 de fevereiro, o Prêmio Governador do Estado de São Paulo contemplou artistas e/ou grupos culturais que se destacaram em suas atividades no ano de 2014. Foram 45 finalistas distribuídos em nove categorias. Dentre os cinco concorrentes avaliados pela capacidade de reinventar os espaços onde fazem sua arte, e pela criatividade na forma de se relacionar com o público, o poeta Marco Pezão foi eleito pelo Júri Especializado na categoria Territórios Culturais.
De camiseta azul, Pezão na plateia ao lado da esposa Otília acompanha o anúncio dos vencedores. 
Foto: Reprodução
Pezão é co-fundador do Sarau Poético da Cooperifa, criado em outubro de 2001 em um boteco do município de Taboão da Serra. Em 2011 coordenou a elaboração do Mapa da Poesia que identificou os saraus da Grande São Paulo e centro da capital.  Nos últimos quatro anos ele organiza o Sarau A Plenos Pulmões, sediado na Casa das Rosas, região central de São Paulo. Atualmente, está estruturando o projeto I Love Laje de estímulo à leitura e declamação de poemas, no bairro Campo Limpo, zona sul, onde reside.
A cerimônia de premiação foi no Theatro São Pedro, famoso pela sua elegância e clima aconchegante. Este teatro não foi construído pelo poder público. Conheça a história e as magníficas instalações desta casa de espetáculos aqui
A entrega dos troféus teve como Destaque Cultural o poeta Paulo Bomfim. Com 35 livros publicados desde 1947, membro da Academia Paulista de Letras há 52 anos, Bomfim, chamado “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, além de troféu foi homenageado com R$ 100 mil, em reconhecimento à sua trajetória e contribuição para a cultura brasileira. O músico Eduardo Santhana, do grupo Trovadores Urbanos, cantou para o homenageado a melodia que criou para o poema “Não me pergunte mais nada”. Hoje com 89 anos de idade, na solenidade o poeta comparou a honraria recebida na noite da 2ª-feira ao primeiro troféu ganho em sua carreira em 1947 das mãos de Manoel Bandeira. “Aquele foi o meu batismo, e este é a minha crisma, a minha confirmação", afirmou no seu agradecimento.

O Prêmio Governador do Estado existe desde 1957. No meio da década de 1980 a premiação foi suspensa, e retomada em 2010. Em 2012 foi aberta a participação do público via internet na escolha dos premiados.  Neste ano de 2015, a votação dos internautas aconteceu entre 19 de janeiro a 19 de fevereiro. Nesse período foram contabilizados mais de 42 mil votos.
Na votação popular da modalidade de Territórios Culturais, o poeta Marco Pezão foi segundo colocado com 30% dos votos, contra 42% do Grupo OPNI, da região do bairro São Mateus, zona leste da capital.

Enquanto aguardávamos o Theatro São Pedro abrir suas portas, Marco Pezão contou à reportagem seus laços emotivos com aquela casa de espetáculos. 
“Eu tinha 22 anos, já estava casado, e resolvi voltar a estudar. Concluir o segundo grau no GECALI - Ginásio Estadual do Campo Limpo [atual Escola Estadual Leonardo Villas-Boas, colada ao Terminal de Ônibus Campo Limpo]. A gente tinha uma professora bem de esquerda, era época da ditadura militar, e ela nos levava para ver peças de conteúdo político. E foi aqui que vim assistir Galileu Galilei, em 1973. Meu interesse pela peça foi tanto, que até a moça lanterninha sugeriu que eu mudasse de lugar, longe da falação dos outros alunos. Nasceu dali o meu amor pelo teatro”, relembra.
Pezão com seu troféu na saída do Theatro São Pedro.
Foto: David da Silva - 23.jan.2015
Em 1978, já entrosado com grupo teatral, Pezão ensaiou no andar superior do Theatro São Pedro uma encenação de Cartas Chilenas, de Tomás Antonio Gonzaga. “A gente ensaiava lá em cima, na parte chamada na época Studio São Pedro. E na parte de baixo, no teatro mesmo, estavam ensaiando Macunaíma, dirigida pelo Antunes Filho. Então, voltar aqui hoje como indicado para um prêmio, passa todo um filme na minha cabeça”, disse Pezão minutos antes da cerimônia de onde sairia vencedor.

Os discursos mais aplaudidos da noite de prêmios ficaram por conta de grandes ícones da Cultura paulista. A bailarina e atriz Marilena Ansaldi, 80 anos, comoveu a plateia ao contar da sua recuperação de grande problema de saúde no início do ano passado, e sua volta aos espetáculos. “Fora do palco, longe da sua arte, o artista é uma pessoa morta”. Já o fotógrafo German Lorca arrancou risos do público, com seu discurso telegráfico: “A gente precisa fazer 93 anos de vida para receber um prêmio como este aqui”.
A fala mais envolvente foi do celebrado Zé Celso Martinez Corrêa, ator, diretor e criador do revolucionário Teatro Oficina. “Eu pensava que o Apocalipse fosse coisa para bem depois de eu estar morto e esquecido. Mas nós já estamos vivendo o apocalipse da falta de água”, disse para delírio dos presentes, que não economizaram palmas na crítica ferina ao governador Geraldo Alckmin que estava sentado no auditório. “Nós precisamos redescobrir os córregos desta cidade de São Paulo. Por baixo do nosso teatro Oficina passa um córrego, canalizado. A geração dos meus avôs tinha ódio da terra. Cobriram tudo com cimento. Precisamos reencontrar essas águas. Todas estas medidas que os governos estão tomando, medidas econômicas, não têm nada a ver. Precisamos resgatar a Vida. Combater o desmatamento também é coisa pouca. Precisamos é reflorestar. Plantar árvores aos milhões. Aqui em São Paulo temos os escritórios da Berrini [Avenida Luiz Carlos Berrini], o metro quadrado mais caro da cidade. E fica bem ao lado do Rio Pinheiros totalmente poluído, fedido. E os capitalistas não fazem nada contra este fedor”, seguiu o veterano artista no seu discurso apoteótico.

A Comissão Julgadora da categoria Territórios Culturais foi composta por:
·         Marcelino Freire, escritor paraibano-paulistano nascido em Sertânia (PB) há 47 anos, completa 48 de vida no próximo 20 de março. Autor dos mais renomados da atualidade na literatura brasileira. Como contista ganhou em 1991 o prêmio do Governo do Estado de Pernambuco, e em 2006 o Prêmio Jabuti de Literatura. Em 2014 lançou seu primeiro romance Nossos Ossos, ganhando o seu segundo Prêmio Jabuti. É criador da Balada Literária da cidade de SP, iniciada em 2006.
·         Rosa Iavelberg - graduada em Arquitetura e Urbanismo em 1973 pela USP (Universidade de São Paulo); especialização em arte-educação I e II pela ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP (1989); mestrado em Educação pela USP (1993), e doutorado em Artes pela ECA - USP (2000).
·         Maria Thereza Bosi de Magalhães - Foi coordenadora do Prêmio Governador em 2013. Graduada em Licenciatura em Psicologia pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília (1992) e graduação em Psicologia pela Universidade de Brasília (1996). Especialização em Arte pela PUC/SP e em Comunicação pela ECA - USP. Experiência em pesquisa, planejamento, curadoria, execução e avaliação de projetos artísticos e socioculturais, além de gestão de estratégias de comunicação.
·         Luciana Rodrigues
·         Eugenio Lima

Assista no perfil do Marco Pezão, no facebook, o seu discurso de agradecimento ao prêmio.

CONFIRA A LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES - 2014:
DESTAQUE CULTURAL | Prêmio de R$ 100 mil e troféu criado por Ester Grinspum
Paulo Bomfim - Conjunto da Obra

VOTO DO JÚRI – Prêmio individual de R$ 60 mil e troféu criado por Ester Grinspum
ARTE PARA CRIANÇAS: Banda Mirim – 10 anos de trajetória
ARTES VISUAIS: German Lorca – Fotografia “Moderna para Sempre” e “A 5º Bandeira”
CINEMA: Alê Abreu – “O Menino e o Mundo”
CIRCO: Amercy Marrocos – Artista e formadora
DANÇA: Marilena Ansaldi – “Callas: O Mito”
MÚSICA: Juçara Marçal – “Encarnado”
TEATRO: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona - Projeto Odisseia Cacildas
TERRITÓRIOS CULTURAIS: Marco Pezão – Agitador cultural

VOTO POPULAR – Troféu
ARTE PARA CRIANÇAS: Fortuna - Tic Tic Tati (29% dos votos)
ARTES VISUAIS: German Lorca – Fotografia “Moderna para Sempre” e “A 5º Bandeira” (86% dos votos)
CINEMA: Daniel Ribeiro – “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” (32% dos votos)
CIRCO: Amercy Marrocos – Artista e formadora (58% dos votos)
DANÇA: Holly Cavrell – “Suportar” (47% dos votos)
MÚSICA: Monica Salmaso - Corpo de Baile (30% dos votos)
TEATRO: Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona - Projeto Odisseia Cacildas (32% dos votos)
TERRITÓRIOS CULTURAIS: Grupo OPNI - Galeria Céu Aberto (42% dos votos)

INSTITUIÇÃO CULTURAL: SESC - Programação e espaços multidisciplinares (57% dos votos)