quinta-feira, 11 de junho de 2015

Clássico do teatro mantém casa cheia no Encena, em 6ª temporada

Sabina Di Colluccy e Babi Soares em cena. Só mais duas apresentações. Foto: David da Silva - 06.jun.2015
A parcela feminina do elenco da comédia Os Ossos do Barão é uma atração à parte. Como se diz na gíria, no meio daquelas atrizes só tem feras.
Este é o sexto ano consecutivo em que a Cia de Teatro Encena monta o texto escrito em 1962 por Jorge Andrade, e considerado um dos mais importantes da dramaturgia brasileira. O espetáculo já teve duas adaptações para telenovelas.
A recente temporada começou em 2 de maio último e vai até o próximo 27 de junho. Houve prorrogação de um mês nas apresentações, devido à grande procura do público pelos lugares da plateia intimista (é necessário fazer reservas).
Fernanda Garcia interpreta Eliza
Dentre os 10 personagens d’Os Ossos do Barão, cinco são mulheres. A atriz Débora Muniz, intérprete de Verônica, tem sólida biografia no cinema nacional – mais de 40 filmes na sua trajetória. Zulhie Vieira (a tia Ismália) tem participação concreta na história do teatro da nossa região desde o final da década de 70. Fernanda Garcia (a Eliza) é atriz premiada – melhor atriz coadjuvante no Mapa Cultural Paulista/fase regional/2005, e no mesmo ano melhor atriz no Festival de Curta Teatro em Osasco, e melhor atriz no Festival Municipal de Taboão da Serra.

Babi Soares iniciou no elenco em 2012. Substituiu Daniella Murias, que fazia a personagem Izabel desde a montagem original pelo Teatro Encena em 2010. Babi tem uma presença física devastadora no palco. 
Babi Soares vive a cobiçada Izabel. 
Foto: Maira Galvão
O figurino escolhido pelo co-diretor Walter Lins valoriza o belo contorno da atriz. A jovem artista dá conta do desafio de encarnar a sedutora personagem já vivida pela legendária Aracy Balabanian na primeira montagem da comédia em 1963, e também por Dina Sfat (na novela da Globo em 1973) e Ana Paula Arósio (no SBT em 1997). Além do impacto que causa em cena, Babi Soares é uma entusiasmada propagandista da peça pelas redes sociais.

Mas o grande encantamento deste repórter aqui é com a atriz Sylvia Malena. N’Os Ossos do Barão ela interpreta “tia Clélia”, uma mulher por volta dos 69 anos de idade, muito autoritária e extremamente apegada à nobiliarquia inútil de sua família falida.
Sylvia Malena começou em 1957 na extinta TV Tupi. Trabalhou durante um ano no humorístico Praça da Alegria. Em 1958 foi para a TV Paulista (atual Rede Globo), onde participou de vários musicais durante dois anos. Deu longa pausa na carreira então iniciante, e retornou em 1983. Formou-se no Conservatório de Artes Dramáticas Emílio Fontana, fez vários cursos teatrais com Sebastião Apollônio, Carlos Alberto Sofreddini, Chico de Assis, Torres Garcia e outros.
No teatro sua biografia inclui 15 peças adultas e seis infantis. Participou de duas rádionovelas. “Com 12 anos eu já gostava de teatro. Minha mãe não queria, porque naquele tempo era muito rígido, mas eu botei pé firme e fui”.
Sua vivência no cinema descreve um arco que vai desde 1958 (quando participou do longa Dona Violante Miranda, com Dercy Gonçalves e Odete Lara) até 2008 (participou do longa Chega de Saudade, com atrizes como Tonia Carrero e Beth Farias).
Sylvia Malena interpreta tia Clélia
O contato de Sylvia Malena com o Teatro Encena se deu por intermédio de um amigo. Na época Orias Elias estava montando um espetáculo. “Eu fiz a leitura dramática, mas aconteceu um imprevisto e não deu pra eu participar da peça. Fiquei muito tempo sem novo contato com o Orias”.
No início de 2010 Sylvia Malena leu num anúncio de jornal que um diretor procurava atriz com o seu perfil para a comédia Os Ossos do Barão. “Me interessei, mandei meu material pra ele, e no outro dia ele me telefonou. Qual não foi a minha surpresa quando vi que era o Orias. Marcamos uma entrevista, eu gostei da produção, e fiquei no elenco.”
O currículo de Sylvia Malena traz a grandeza de ter atuado em 1983 no Teatro Paiol, na montagem original de A Ópera do Malandro, de Chico Buarque.
 “Teatro para mim é tudo. Se eu pudesse, representava 24 horas por dia; estaria sempre em cima do palco”, admite a atriz.
O amor de Sylvia Malena pelo teatro é tamanho que sua filha Sabina Di Colluccy herdou a paixão pela Grande Arte. Fez os mesmos cursos onde sua mãe aprendeu o ofício, e esteve com ela na Ópera do Malandro. Hoje divide o palco com a mãe n’Os Ossos do Barão (Sabina faz a Bianca, esposa do personagem principal Egisto Ghirotto, vivido por Orias Elias).

Sábado (20 de junho) às 20h30 (retirar ingressos meia hora antes)
Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade – Direção e iluminação: Orias Elias - Co-direção, figurino e trilha sonora: Walter Lins
Com: Orias Elias, Sabina Di Colluccy, Diógenes Peixoto, Babi Soares, Jacintho Camarotto, Débora Muniz, Sylvia Malena, Roberto Francisco, Fernanda Garcia, Zulhie Vieira.
Cenografia: Jorge Jacques - Operador de Luz e Som: Vagner Pereira
Faixa Etária: 10 anos
Duração: 95 minutos
Ingresso: Grátis
Lotação: 70 lugares (necessário fazer reservas)
Teatro Encena
Rua Sargento Estanislau Custódio, 130 – Jd Jussara
(próx. Hospital Family e quadra de futebol Espadinha, fundos da Chácara do Jockey)
Reservas pelo e-mail: encena@encena.art.com
Informações: 2867-4746
A comédia tem apresentações neste sábado (20) e no dia 27, quando encerra a temporada

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A voz e a vez de Fernanda Coimbra

Cantora faz show intimista nesta sexta-feira
“Você me espera um pouco? Tô carregando uns caixotes aqui para minha nova casa”. Começa assim a entrevista com a cantora Fernanda Coimbra, 27 anos, na tarde fria garoenta de uma segunda-feira. Além da mudança de lar, a moça está às voltas com o show que vai apresentar nesta sexta-feira, 5 de junho, na Fábrica de Cultura a poucos metros de onde mora no bairro Capelinha, distrito do Jardim São Luis, zona sul paulistana.
A reportagem também ‘entra na dança’ e pega algumas caixas de madeira para servir de estante onde a artista se mudou recentemente. No caminho da residência, minha dúvida: “Se ela veio pra cá há poucos dias, como é que...?”. Fernanda vai descendo a rua e é um tal de “Oi!” pra uns, “Boa tarde!” pra outros, “E aí?” pra muitos. “É que na verdade eu estou voltando pra cá”, ela explica. “Eu me criei neste bairro desde os 6 anos de idade”.
Reparo que uma das travessas da via por onde andamos chama-se Rua da Música Aquática – tem uma outra com nome Rua Quarteto do Imperador. Bem adequado para uma garota que ganha a vida com canções.
A casa em que Fernanda está morando é um reino de mulherada, mulherame, mulherio. “Aqui vivemos eu, minha filha Lorena de 7 anos e cinco amigas, todas artistas. É a ‘casa das 7 mulheres’”, sorri.
Fernanda Coimbra também é ritmista

Fernanda Coimbra formou um razoável público nas suas constantes participações nos encontros poéticos do Sarau do Binho. “Sempre gostei de cantar. Não lembro de mim sem cantar desde pequena. Quando eu tinha 10 anos, minha mãe me levou no Programa do Raul Gil, e cantei Sandy e Junior”, lembra às gargalhadas. Aos 12 anos, a menina fazia parte do coral da Igreja Maria Goreth.
Com 14 anos de idade Fernanda Coimbra ingressou em um curso de teatro na ONG Casa dos Meninos. “Foi uma revolução na minha vida. Uma pessoa que me influenciou muito foi a Diane Padial, que na época era coordenadora pedagógica na Casa dos Meninos. Muito da minha formação eu devo a ela. Quando eu crescer quero ser Diane Padial”, brinca.
O espírito libertário da jovem rendeu-lhe problemas com o pai. “Para reprimir minha veia artística, ele impunha o terror psicológico. Cheguei a dormir com fome. ‘Da minha comida você não come’, ele disse muitas vezes. Daí comecei a fugir de casa, passar dias nas casas de amigas. E até dormir em galpão de fábrica abandonada”, relembra.

Para garantir sua independência perante o pai castrador, Fernanda começou a trabalhar aos 16 anos em uma loja de roupas no Shopping Boa Vista, na região de Santo Amaro.
Por esta época já tinha contato (e até passado a morar eventualmente) com uma comunidade de artistas no Jardim Monte Azul. “Minha amiga Paty, colega da 7ª série, tem um irmão que fazia parte deste coletivo de artistas do bairro Monte Azul. Foi lá que conheci o pessoal do grupo Trópis, o compositor Gunnar Vargas, a cantora Paula da Paz e uma galera imensa que se dedica à arte”, conta.
Foto: Elaine Campos

As cantorias pelos saraus deram notoriedade suficiente para Fernanda Coimbra ser convidada a integrar bandas em shows. “Meu amigo Jefferson me apresentou para um grupo de jazz e bossa-nova, eu cantei os Afro Sambas do Baden Powell e Vinícius de Moraes. Tocamos no Ton Ton Jazz, em Moema. A banda tinha o nome Al Jazeera, mas era composta só por descendentes de japonês”, diz, sempre rindo.
Mas Fernanda não era neófita em bandas exóticas. “Com 15 anos eu fui baterista de um conjunto com nome horroroso!”. Por insistência do repórter, ela confessa: “Quando a gente foi dar nome pra banda, meu amigo Diego vestia uma camiseta do Homem-Aranha. Daí batizamos o grupo de ‘Os Aracnídeos’. Que vergonha, meu Deus!”. (mais gargalhadas)

Me lembro dessa cantora em um show intimista com características eróticas em outubro de 2012, no teatro Clariô – “Fernanda Coimbra inteira à meia luz”, com o baixista Gabriel Catanzaro.
Meses antes, no inverno daquele 2012, ela havia feito o primeiro show solo de sua carreira com o repertório eclético que sempre pautou o seu cantar, incluindo Pink Floyd, Edu Lobo, Ithamar Assumpção, e composições de colegas no Espaço Comunitário Monte Azul, acompanhada por Sandrinho Lima (violão), Pithy Cajonero (percussão) e Carlinhos Creck (baixo). Neste mesmo ano, fez apresentações na casa Carro de Bois, com Sandrinho Lima.
Músicas sob medida para a voz
de Fernanda Coimbra

Enquanto firmava seu nome no cenário musical da periferia paulistana, Fernanda colecionou colegas e canções. E muitas participações especiais em gravações de amigos como Cauê Procópio, Tati Botelho, Luis Barbosa, Fino do Rap, Lews Barbosa. Fez também backing vocal na Absolute Pink Floyd Cover, cantou na banda Mandioca Paulista com o Fino da Bossa... Por onde passa vai espalhando sua voz, garantindo sua vez.

O ano de 2013 foi um marco na montagem do repertório de Fernanda Coimbra. “O Daniel Fagundes fez uma canção sobre um episódio que de fato ocorreu em um bar onde fomos. Ele deu o nome de ‘Alma Vadia nº 2’, disse que a música tinha a minha cara, e deu pra eu gravar”, relata satisfeita. “Desde então eu venho guardando repertório com criações de amigos meus. O resultado disto é o que vou mostrar no show desta sexta-feira”, revela.
A acordeonista Nanda Guedes, que estará no palco hoje com Fernanda Coimbra, chegou à banda por meio do Facebook. “Eu concebi este show com acompanhamento de acordeon. Lancei um convite pelo Face, daí a compositora Lívia Barros fez a ponte entre a Nanda e eu”. Também é pelo Facebook que Fernanda resolve problemas práticos do show, seja para pedir um pedal emprestado, ou para contratar o percussionista no lugar do colega que não pôde manter o compromisso.
A lista de canções do espetáculo desta noite traz Chove (Gunnar Vargas), Alma Vadia nº 2 (Daniel Fagundes), Penugem Arapuca (Matheus Von Kruger), Despedida (Camila Brasil), Menezes (Juh Vieira), Vestido Preto (Gunnar Vargas), Because Ousa (Dani Black e João Garizo), Caminho (Gunnar Vargas), Meu Coração é um Muquifo (Juh Vieira), Daria um Samba (Jennifer Nascimento e Daniel Fagundes), De Protesto (Juh Vieira), Sete Laços (Lívia Barros, Bianca e Juá de Carvalho), e uma ou outra surpresa na hora dos bises.
Ouça a gravação de algumas destas composições aqui
Para contratar shows de Fernanda Coimbra, acesse

Serviço:
dia 5 de junho (sexta-feira), às 20h
Fernanda Coimbra e os Digníssimos
Nanda Guedes (acordeon), Abhul Junior (percussão), Danilo Viana (baixo)
Grátis
Fábrica de Cultura Jardim São Luís
Rua Antônio Ramos Rosa, 651 - São Paulo (SP)
(11) 5510-5530

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Sarau faz ato internacionalista hoje, em Taboão da Serra

Por volta das oito e meia da noite de 26 de setembro do ano passado, um grupo de estudantes distribuídos em três ônibus voltava para a escola onde moravam em Ayotzinapa, pequeno vilarejo na zona rural do México. Ao passar pela cidade de Iguala, 250 km antes de chegarem ao destino, os ônibus foram cercados pela Polícia Municipal, e seus ocupantes abatidos a tiros. A alegação do prefeito é que os jovem poderiam tumultuar o discurso da primeira-dama, marcado para aquela data.
Os alunos da Escola Normal Rural de Ayotzinapa vinham de uma atividade de arrecadação de fundos a fim de participarem de uma marcha no mês seguinte, em memória ao massacre de Tlatelolco, ocorrido em 1968. Na ocasião militares e paramilitares do governo abriram fogo contra 8 mil estudantes, deixando pelo menos 300 mortos, poucos dias antes dos Jogos Olímpicos da Cidade do México.

Feito bichos
Quando a Guarda Municipal interceptou os ônibus dos estudantes a mando do prefeito da cidade de Iguala, dois deles desceram para dialogar com os agentes. Foram recebidos a bala.
Seguiu-se um ataque de meia hora contra os coletivos. Os alunos de dois ônibus saíram correndo. Porém, os ocupantes do terceiro ônibus foram obrigados pelos guardas municipais a subir em caminhonetes oficiais. Até hoje estão desaparecidos.
Além dos 43 alunos sequestrados pelos guardas, o massacre resultou em seis mortos a tiros e 20 feridos – um deles brutalmente torturado, encontrado ainda vivo, mas sem os olhos e com a pele do rosto arrancada.
Na madrugada seguinte, após os estudantes organizarem uma coletiva de imprensa para denunciar a situação, caminhonetes chegaram ao local e iniciaram um segundo ataque.
A fotógrafa internacional Marie Ange Bordas 
vai doar fotos do seu projeto “Deslocamentos”, 
sobre imigrantes espalhados pelo mundo
Os ocupantes das caminhonetes pertencem ao bando de traficantes de drogas Guerreros Unidos. São liderados pelo irmão do prefeito.
O prefeito Jose Luis Abarca e sua mulher Maria de Los Angeles Pineda estão presos.
O governo do Estado tentou convencer a opinião pública que os estudantes foram assassinados por traficantes de drogas, e que a polícia achou os cadáveres deles em uma vala comum. Mas os familiares dos alunos buscaram apoio de peritos argentinos para identificação das ossadas. Atestaram que os ossos eram de vacas e porcos.

Solidariedade: luta e poesia
Para chamar a atenção da imprensa internacional, pais, mães e estudantes sobreviventes da chacina partiram nas últimas semanas em caravana pela América Latina. 
Eles chegaram na segunda-feira a São Paulo, tendo passado antes pelo Uruguai e Argentina.
O blog “bar & lanches taboão” vai doar o livro 
“A Arte Visionária de Ranchinho”, coletânea de um dos
mais importantes pintores do primitivismo no Brasil
O Sarau do Binho, coletivo de poetas e artistas da região de Campo Limpo e Taboão da Serra, realiza na noite desta quarta-feira, 3 de junho, um ato público recheado de manifestações culturais. 
Os participantes doarão livros e obras de arte a serem vendidos a favor da causa. 
Todo o dinheiro arrecadado será destinado às despesas da caravana com sua viagem internacional.

Página do evento no facebook

Serviço:
3 de junho (4ª-feira) às 20h
SOMOS TODOS AYOTZINAPA
Sarau do Binho, no Teatro Clariô
Rua Santa Luzia, 96 – Taboão da Serra

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Angústia, por Vitória Martins

Há dias que não escrevo, mas posso sentir a necessidade de tal ato inundar meus pensamentos.
Habita em mim uma enorme angústia da qual não consigo me libertar.
Embora saiba que trata-se de tal sentimento, não consigo explicar sua imensidão nem o seu motivo. Algo que me falta na alma mesmo tendo um dia repleto de sorrisos e corpos alegremente dançantes.
Já não sei o que faço aqui. Às vezes penso que estou enlouquecendo, mas se estivesse não teria esta noção. Eu sinto que não faço mais parte deste lugar, a minha alma está perdida. Talvez presa numa vida passada, ou quem sabe com pressa de sair dessa pra uma próxima.
O fato é que sinto-me exausta. Eu já não sei mais em que devo acreditar, nem se existe de fato algo que eu deva crer. Eu sinto vontade de chorar e ficar sozinha. Vontade de dormir até tudo isso acabar...

Vitória Martins, 18 anos. Nasci em Jandira (SP). Hoje sou moradora de Taboão da Serra. Completei o ensino médio na Escola Estadual Francisco D'amico. Atualmente faço curso de idiomas e pré-vestibular. Pretendo ingressar na universidade no ramo de ciências sociais. Nas horas vagas dedico meu tempo a escritas e poemas em geral.

Terminam hoje inscrições para oficinas do Encontro Mulheres Negras na Dança

Espetáculo Dikanga Calunga - Foto: Mônica Cardim
O I Encontro de Mulheres Negras na Dança, de 4 a 7 de junho, com o objetivo de proporcionar a experiência estética, o contato e a troca entre artistas negras da dança e o público.
Serão três espetáculos, uma roda de conversa e duas oficinas de dança realizados pelas artistas e companhias convidadas no Espaço Clariô, em Taboão da Serra, e no Espaço CITA (Cantinho de Integração de Todas as Artes), no bairro do Campo Limpo, em São Paulo.
As inscrições para participar das oficinas se encerram nesta segunda-feira, 1º de junho pelo e-mail navegrisciacenica@gmail.com  
As atividades e espetáculos do evento revelam diversas perspectivas sobre o fazer artístico, com materiais, estéticas e temáticas muito diversas. É a partir da perspectiva artística que a Nave Gris Cia. Cênica, que está promovendo o encontro, busca abordar e propor o diálogo sobre as questões étnico-raciais e de gênero presentes nas obras, fazeres e/ou trajetória profissional dessas artistas.
Na abertura do encontro será realizada uma roda de conversa com artistas negras da dança de diferentes gerações: a coreógrafa, coordenadora do Grupo Lapett e professora da ECA-USP Sayonara Pereira, a diretora da E² Cia. Teatro e Dança Eliana de Santana, que iniciou sua carreira no teatro com diretores como Antunes Filho, Antônio Abujamra e Gerald Thomas,  e a diretora da Cia. Sansacroma, dançarina, atriz, coreógrafa e gestora cultural Gal Martins e com mediação da bailarina, mestranda em artes cênicas pela Unesp, Kanzelumuka. A roda de conversa será no Espaço Clariô, em Taboão da Serra e as discussões abertas ao público em geral.
Baseado na obra Afro Margin, do pintor britânico Chris Ofili, o espetáculo homônimo trabalha a verticalidade do corpo em suspensão e a poética do duplo sentido de margem. A produção é da E² Cia. de Teatro e Dança. Já na peça coreografada do Grupo Lapett Unterweg(s) (estar a caminho, em alemão), o elenco se coloca a caminho em diferentes fases de sua vida. Concebido pela Nave Gris Cia. Cênica, o espetáculo Dikanga Calunga (mar distante, em quimbundo0 remete ao fluxo entre ancestralidade, tradição e contemporaneidade no corpo. Sob a perspectiva do feminino tem a água como elemento transformador, que conecta o humano ao que lhe é ancestral e sagrado.
Foto: Mônica Cardim
Já as oficinas terão três horas de duração cada. A primeira delas é a Oficina A Dança da Indignação, conceito criado por Gal Martins, com a Cia. Sansacroma. O termo é inspirado na obra do pedagogo Paulo Freire. Usa uma linguagem estética que possa reverberar as indignações sociais e pessoais numa abordagem política trazendo elementos entre vida e arte, arte e vida.
A segunda é a Oficina Dança Negra Contemporânea: procedimentos criativos, com a Nave Gris Cia. Cênica. A oficina pretende ser um espaço para o estudo e desenvolvimento de uma dança autoral que parte das corporeidades da tradição afro-brasileira de origem banto.

I Encontro Mulheres Negras na Dança
De 4 a 7 de junho, quinta a domingo.
Espaço Clariô (r. Santa Luzia, 96, Vila Santa Luzia, Taboão da Serra. Informações: 0/xx/11 4701-8401) e Espaço Cita, somente sábado e domingo (r. Aroldo de Azevedo, 20, Campo Limpo, São Paulo. Informações 0/xx/11 5844-4116)
Quanto: Grátis
PROGRAMAÇÃO
04/06/2015 (quinta-feira) no Espaço Clariô:
19h - Abertura e RODA DE CONVERSA com Sayonara Pereira (Grupo LAPETT), Eliana de Santana (E² Cia de Teatro e Dança) e Gal Martins (Cia. Sansacroma) - mediação Kanzelumuka (Nave Gris Cia. Cênica).

05/06/2015 (sexta-feira) no Espaço Clariô:
20h - Espetáculo Dikanga Calunga (Nave Gris Cia. Cênica)

06/06/2015 (sábado) 
no Espaço CITA:
14h às 17h - Oficina Dança da indignação, com Cia.Sansacroma
no Espaço Clariô:
19h - Espetáculo Unterweg(s) (Grupo LAPETT)
20h - Espetáculo Afro Margin (E² Cia. de Teatro e Dança)

07/06/2015 (domingo) no Espaço CITA:
14 às 17h - Oficina de Dança negra contemporânea, com Nave Gris Cia. Cênica

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Moradora de Taboão da Serra tem 102 anos

Josefa Maria da Silva. Foto: David da Silva - 30.abr.2015
A contabilidade de vida da dona Zefa tem números grandiosos. Vai fazer 102 anos daqui a um mês, deu à luz 15 filhos, tem 27 tataranetos, 61 netos, e 98 bisnetos. Moradora do bairro Jardim Suiná, Taboão da Serra, Josefa Maria da Silva nasceu em 14 de junho de 1913 no sertão alagoano. As movimentações de sua família durante sua infância e juventude descrevem um arco desde o município Chã Preta, onde ela nasceu, passando por Viçosa, onde se casou aos 15 anos, e Anadia, último lugar em que morou antes de migrar para São Paulo cerca de 65 anos atrás.
O local de nascimento de dona Zefa, a 105 km de Maceió, é vizinho ao município de Quebrangulo, berço do escritor Graciliano Ramos.

Vagas lembranças

A memória das pessoas é seletiva. Guarda o que agrada, apaga o que agride. As recordações de dona Zefa não registram mais os anos difíceis no agreste nordestino. “Não lembro nada de como era o lugar que eu nasci. Só sei que a casa do meu pai era muito grande, e coberta de telhas. Muitas casas lá eram cobertas com palhas, mas a do meu pai tinha telhas. Meu pai plantava algodão, milho, feijão... essas coisas assim. O resto, não lembro mais nada. A gente morava na lavoura, bem fora da cidade, muito longe. Eu pouco ia em Viçosa e Anadia. Não sei mais como eram esses lugares”, relata.
Mas um sorriso jovial perpassa os lábios da centenária senhora quando perguntada sobre o seu marido, já falecido. “Eu conheci ele trabalhando na roça. O pessoal dele morava lá perto de Chã Preta. Eles iam na casa da minha família. Meus pais não queriam que eu casasse com ele porque ele era moreno, e o meu pai tinha a pele bem clara. Demoramos muito tempo pra poder casar”. José Pedro da Silva, seu esposo, faleceu aos 69 anos já morando em Taboão da Serra.
Também só sobrou uma lembrança vaga do caminhão “pau-de-arara” que levou sua família de Alagoas para São Paulo. “Só sei que tinha uns bancos [na carroceria] e era coberto com uma lona. Veio lotado de gente, com a mudança de duas famílias. Não lembro quantos dias a gente demorou pra chegar. Viajava direto, dia e noite, com dois motoristas”, diz dona Zefa.
A vinda para o sul se deu a convite do padrinho de um de seus filhos. “Ele já morava aqui em São Paulo, voltou em Alagoas para buscar a mãe, e perguntou para o meu marido se ele queria vir para cá, então viemos”.
Zefa e seu marido desembarcaram com a dezena de filhos na cidade de Álvares Machado, distante 576 km da capital São Paulo. Repetiram lá o que faziam na terra natal – trabalhar na lavoura, no sistema de arrendamento.
Parte da família de Josefa mudou-se para a Grande São Paulo há aproximadamente 40 anos. Moraram por uns tempos na região do Jabaquara (Vila Santa Catarina, zona sul da Capital), antes de se instalarem em Taboão da Serra. Hoje três de seus filhos moram em Taboão; outros estão espalhados pelo interior paulista.

Independente e exigente

Se as imagens do passado de dona Zefa se dissolveram com o tempo, por outro lado ela tem excelente memória sobre filhos e netos. Durante a entrevista, chegou a corrigir sua filha caçula sobre a idade do neto mais novo. De toda a sua prole, apenas Eliete, a caçula, de 60 anos, nasceu em São Paulo.
É ela quem cuida do dia-a-dia de dona Zefa. “Minha mãe não costuma dormir muito cedo. Às vezes é 10 e meia da noite e ela tá saracoteando aqui pela casa. Daí ela dorme até por volta das 10h da manhã. Quando fica mais tempo na cama, ali pelas 11h vou lá acordá-la. Ela faz tudo sozinha. Toma banho, se penteia e troca de roupa sem precisar de ajuda”.
Como não dá trabalho para cuidar da própria higiene, dona Zefa tem o direito de exigir o que come. “Ela não gosta de queijo, só aceita mussarela. Não bebe café, só chá de erva cidreira. Não come bife nem filé de frango, nem gosta muito de macarrão. Não é muito chegada em saladas. Prefere carnes que tenham osso, costela, mocotó. Mas sirvo estas comidas só de vez em quando, a cada 15 dias devido à idade dela. No mais, come de tudo, sem restrições. Essa semana ela quer comer dobradinha”, relata Eliete.

Nada de tragédias!

Para dona Zefa, a televisão é uma extensão da sua religiosidade. “Eu gosto muito de assistir missas na televisão. Assisto duas missas no correr do dia. Gosto de um padre moreno aqui de São Paulo. Ele faz uma pregação muito bonita, viu? Muito bonita mesmo. E gosto muito desse padre daqui, o padre Kirano. Já fui umas duas vezes lá na casa dele”.
O jornalismo-tragédia é recusado pela idosa. “Em jornal não sou chegada, não. Tem muita coisa errada. É roubo, ladrão, mata-mata, mulher... essas coisas assim”.
A música de hoje em dia também leva puxão de orelha. “São músicas escandalosas”.

Coração de mãe

Mesmo com os 15 filhos que gerou, dona Zefa ainda terminou de criar os filhos de uma irmã e de um cunhado.
Dos filhos já falecidos, dois foram natimortos (se vivos, estariam em torno de 83 a 84 anos), Oséias morreu há 50 anos; José, apelidado Jovem, se foi há quatro anos, e Dézinho (José) morreu há nove meses, com 83 anos. Foi o padrinho de Dézinho quem convenceu o marido de Zefa a migrar para São Paulo.
A escadinha dos filhos de dona Zefa hoje está composta de Elizete, 82 anos; Valdomiro, 81 anos; Josias, 79 anos; Adelson, 76 anos; Francisca, 74 anos; Geraldo, 71 anos; Gerson, 68 anos; Zé de Mãe (José), 65 anos; Olindina, 63 anos, e Eliete, 60 anos.

O desafio de ser Mãe e trabalhar na Segurança Pública

Por Fernanda Macedo

O dom de conceber ou adotar um filho, e conciliar isso com o trabalho na segurança pública, é um desafio e tanto.
Esse é o caso de Cláudia Martinez, 36,  guarda civil municipal (GCM) de Taboão da Serra, há oito anos na profissão. Ela, que sempre nutriu o sonho de ser policial, viu a oportunidade bater à sua porta ao se deparar com o anúncio de um concurso público no jornal. Hoje, além de cuidar dos dois filhos, um de 12 e outro de quatro anos, trabalha na Câmara de Vereadores e ainda arruma tempo para cursar a faculdade de Direito.
Cláudia Martinez. Foto: Wladimir Raeder
“Maternidade é uma das coisas mais incríveis que acontece na vida de uma mulher. Conciliar trabalho e a dedicação não é fácil. Trabalhar sem horário para voltar, e sem saber se vai voltar, é um desafio difícil para as mães que se dividem entre os filhos e a guarda civil municipal”, alerta Cláudia sobre os riscos da profissão.
Atualmente trabalham na GCM de Taboão da Serra aproximadamente 200 guardas; apenas 30 são mulheres. Cláudia conta que no começo de sua carreira, por ser mulher, sofreu preconceito, mas que hoje é muito respeitada entre os colegas e pela população de Taboão da Serra. E mesmo com as adversidades que precisa superar em seu dia a dia, Cláudia se sente realizada: “A Guarda Civil está trabalhando muito, o secretário de segurança, doutor Gerson Brito, vem realizando um excelente trabalho na corporação juntamente com o prefeito Fernando Fernandes. Eles modificaram tudo e estão fazendo seu trabalho com excelência”.
Por não trabalhar aos finais de semana e feriados, ela consegue acompanhar os filhos em datas especiais. Isso permite que passe mais tempo com eles e possa participar das atividades de lazer.

Perto da rua, longe dos filhos
GCM Mônica. Foto: Reprodução
Já para a GCM aposentada Mônica da Silva, 50, que tem três filhos, isso não foi possível. Trabalhando na rua com turnos variados, não conseguiu ver as duas filhas – uma de 23 anos e outra de 20, – crescerem: “Eu adorava trabalhar na rua, atendendo as ocorrências. Me sentia melhor lá. Mas isso ao mesmo tempo me impediu de estar com minhas filhas em datas importantes, como Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças. Isso me deixava um pouco triste. Mas meus filhos sempre entenderam que tudo o que eu fazia era por eles”.
Mônica, que foi a terceira mulher a ocupar um posto na Guarda Civil de Taboão, se sente muito orgulhosa dessa conquista, pois enfrentou resistência até mesmo de seu marido à época, que afirmava não acreditar em sua capacidade de conseguir o emprego. Provando exatamente o contrário, ela não só conseguiu, como passou em primeiro lugar no concurso feminino, e fez parte da corporação por 17 anos.
No início da carreira deixava as filhas sozinhas para poder concluir o ensino médio. E mesmo trabalhando na GCM teve que fazer alguns “bicos” para pagar a escola das meninas. Passou por algumas dificuldades até conseguir se estabilizar.
Aposentada há um ano, Mônica ainda tenta se adaptar à nova rotina. Como trabalhou muito tempo no período da noite, hoje tem dificuldade para dormir. Mas agora se sente feliz por conseguir participar da vida de seu filho mais novo que tem 10 anos.
Mônica lembra com muito carinho do período que atuou como guarda civil: “Trabalhei com muito amor à minha profissão. Eu tinha prazer em poder sair pra trabalhar na rua. Mesmo sendo algo perigoso, foi um encantamento. Claro que houve algumas decepções, mas na maioria das vezes eu me sentia homenageada, pois sabia que todo meu esforço valeu a pena”.

Superação e precaução
Fica evidente o orgulho que essas mulheres sentem por conseguirem conciliar uma profissão tão nobre com a difícil e não menos importante tarefa que é ser mãe: “Comecei a enxergar a vida de outra maneira. A preocupação comigo aumentou. Eu raciocinava: “preciso voltar bem pra casa porque eu tenho duas vidas me esperando”. Se você me perguntar o que é ser mãe e ao mesmo tempo agente de segurança pública, eu te respondo é tornar-se a mulher maravilha”, resume Cláudia.
A respeito de “pancadões e rolezinhos” que vinham acontecendo com frequência no bairro e shoppings da região, Cláudia dá sua opinião como mãe: “Sou totalmente contra. Enquanto eu detiver o poder sobre os meus filhos, eu não aceito”.
Mônica, que na época trabalhava na rua e atendeu vários chamados sobre este assunto, conta como era a experiência ao lidar com esse tipo de situação: “É uma onda, uma moda. Nós chegávamos ao local e muitos abaixavam o som. Mas ao virarmos as costas eles aumentavam o volume novamente. Não existe respeito não só com o policial, mas também com o vizinho, os idosos e as crianças”.
Na opinião de Cláudia, os pais deveriam orientar melhor seus filhos, conversar com eles e influenciá-los a participar de atividades de lazer que não incomodem outras pessoas.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Taboão terá vereador eleito por distrito?

Dividido em dois cartórios, Taboão da Serra tem 201.430 eleitores (atualização de 14.abr.2015) distribuídos em 89.983 títulos na 324ª zona eleitoral com 232 seções, e 111.447, na 416ª com 288 seções.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem, quarta-feira 22 de abril, o voto distrital para vereadores. Para valer nas eleições do ano que vem, a medida precisa estar sancionada até o próximo dia 30 de setembro.
Na hipótese de valer para 2016, o voto distrital obrigaria Taboão da Serra a ser dividido em 13 partes (distritos) com número equivalente de eleitores em cada um deles. A diferença entre os distritos com o maior e o menor número de eleitores, não poderá ser mais que 5%.
A proposta agora será apreciada pela Câmara Federal, onde a tendência é pelo voto distrital misto.
Taboão da Serra está entre as 92 cidades brasileiras com mais de 200 mil eleitores onde a medida pode vigorar, caso sancionada antes de outubro. O Brasil tem 5.570 municípios, e 40% dos eleitores vivem nas 92 localidades visadas pela nova lei.

Puro ou misturado?
Pelo voto distrital aprovado na CCJ do Senado, cada partido indica apenas um candidato por distrito, com direito a um suplente. Desse modo, cada um dos 23 partidos hoje existentes em Taboão da Serra, poderia lançar apenas 13 candidatos. Pelo sistema atual, cada partido pode lançar uma vez e meia o número de vagas. Se for coligação partidária, pode-se lançar o dobro de candidatos. Mas as coligações estão em risco de extinção. O Senado já aprovou com votos de plenário em dois turnos o fim das uniões de partidos com vistas a eleições proporcionais (vereadores e deputados).
Foi feito um acordo entre os senadores para que seja articulada com líderes da Câmara a adoção do sistema distrital misto. As câmaras municipais teriam seu número de vagas dividido em dois – metade a ser preenchida pelo voto majoritário do distrito, e outra metade pelo sistema distrital misto. Assim, o eleitor poderia votar em dois candidatos – no candidato do seu distrito, e em outro candidato que pode obter votos em todo o município. Esse sistema eleitoral foi criado na Alemanha depois da II Guerra Mundial.
Os defensores do voto distrital puro garantem que o modelo obriga o vereador a ter vínculo verdadeiro com os bairros pelos quais seja eleito.
Os contrários à medida alegam que o candidato distrital vai se preocupar apenas “com o seu pedaço”, deixando de pensar a cidade como um todo.

A ex-rejeitada
Foi com esta linha de raciocínio que o voto distrital para vereadores foi derrotado pelo Senado em 8 de maio de 2013. O projeto do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi bombardeado por um próprio colega de partido, o tucano paraibano Cássio Cunha Lima. A proposta foi derrubada por 12 votos a seis.
Reapresentada pelo senador José Serra, colega do PSDB paulista de Aloysio Nunes, a criação do voto distrital municipal teve ontem 24 votos a favor e três contra. Os 8 votos do PMDB foram em bloco para o projeto de Serra. O PT encaminhou voto contrário, mas a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) desobedeceu à determinação, com o compromisso de que o PMDB convença seus deputados a votarem pelo paliativo do voto distrital misto.

Mudança de hábitos
O voto distrital e o fim das coligações partidárias são espectros que rondam a Câmara Municipal de Taboão da Serra. Ao ultrapassar a barreira dos 200 mil votos, o município coloca as discussões políticas num outro patamar.
O advento do segundo turno para eleição majoritária não altera a temperatura no Executivo da cidade. O prefeito Fernando Fernandes dá mostras de confiança perante tal eventualidade: “Não é só o fato de termos 200 mil eleitores que vamos ter o segundo turno. Independente de qualquer coisa, não mudaremos em nada o nosso planejamento [para a disputa pela reeleição]”.
Segundo dados da Justiça Eleitoral, Taboão da Serra contava uma semana atrás com 201.430 eleitores. Esta totalidade de títulos eleitorais é oscilante, e poderá sofrer uma relativa redução caso seja implantada aqui a biometria.
O voto distrital parece uma realidade mais próxima. O Congresso Nacional está ávido por demonstrar boa vontade perante a crescente insatisfação popular com os rumos da política. Nesta trilha, a extinção das coligações poria um freio à farra da criação de legendas de aluguel. Existem hoje no país 32 partidos políticos cadastrados, e outras duas siglas partidárias borbulhando nas mentes doentias de alguns parlamentares.

Volatização de votos
Dos 192.413 taboanenses com título em dia para eleger vereadores em 2012, apenas 120.082 deram voto nominal a eles. A propaganda política para vereador não conseguiu estimular 32.436 pessoas a sequer sair de casa.
Somadas as abstenções aos 12.230 votos em branco e 14.173 nulos para vereador, uma legião de 58.839 cidadãos não quis eleger membros da Câmara Municipal de Taboão da Serra.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

A menina do violoncelo no ônibus 356

Roberta Regina - Foto: Divulgação
Transporte o teu pensamento para dentro de um ônibus às 5h35 da manhã, em plena terça-feira ou quinta-feira de trabalho. Todos os assentos já ocupados, e muitos passageiros em pé. Entra um rapaz do tipo “fortinho”, rechonchudo, carregando uma... tuba. O ônibus se desloca sonolento, e alguns metros à frente, entra uma garota carregando um... violoncelo!
Por vários anos esta foi a rotina da violoncelista Roberta Regina, no período de 2008 a 2011. “Eu ia de Taboão da Serra para estudar na Faculdade Cantareira, no bairro Belém, em São Paulo. Saia com o dia ainda escuro, pegava três conduções para ir e outras três, para voltar, e só retornava em casa por volta das onze e meia a meia-noite”, conta a artista.
Os passageiros do ônibus 356 não deviam achar graça nenhuma dividir espaço no corredor do coletivo apertado com dois instrumentos que estão entre os maiores de uma orquestra. “A gente dava preferência pro ônibus 356, porque na parte traseira dele havia um espaço maior entre os bancos, e nossos instrumentos iam ali naquele vão”, relembra divertida Roberta Regina. Ela e seu colega José Renato, da tuba, iniciaram carreira na Associação Músicos do Futuro, e hoje atuam em grandes orquestras. Roberta faz Mestrado em Música na Universidade Federal da Paraíba. Lá, desenvolve projeto de pesquisa em Práticas Interpretativas. E também toca na Orquestra Sinfônica daquele Estado.

A ligação com o violoncelo foi amor à primeira vista. “Em 2008 minha mãe me levou para a Associação Músicos do Futuro. Eu ia aprender violino. Mas na hora em que eu estava no balcão da escola esperando a ficha da matrícula, passou um menino carregando um violoncelo. Mudei de ideia na hora: ‘É este que eu quero’”. A garota tinha começado a aprender música com a mãe, tecladista. “Mas ela não tinha muita paciência pra ensinar, e achou melhor eu ir pra escola. Cheguei lá, encarei outro problema. O maestro Edison Ferreira disse que, com 17 anos, eu já estava ‘um pouco velha’ pra começar a aprender violoncelo” (risos).
Durante concerto em 31.mai.2014
O fundador da Associação Músicos do Futuro mostrou a Roberta Regina o árduo caminho que teria pela frente. “Ele me disse que eu precisaria ter grande determinação e muita disciplina para iniciar com aquela idade num instrumento que exige muito de quem o toca”.
Se a primeira atração de Roberta com o instrumento se deu pelo seu formato elegante e imponente, o som do violoncelo já brincava com a cabeça dela desde menina. “Meu pai tinha um desses automóveis com bastante espaço em uma tampa sobre o motor traseiro. E eu lembro que quando criança gostava de ir deitada naquele lugar do carro. Nessa época, passava muito no rádio um comercial da Volkswagen, onde tocava uma música linda, com um som que me tomava conta. Só anos depois descobri que aquele som que me atraía era o som de um violoncelo”, diz.

Ao aceitar as recomendações do maestro Edison em se aplicar no estudo do violoncelo, Roberta Regina ficou a cargo do professor Mauro Brucoli. “A Associação Músicos do Futuro não tinha violoncelo naquela época. O maestro Edison comprou o instrumento para mim. Antes de aprender pelo menos segurar o violoncelo como se deve, eu ficava namorando ele, fazendo pizzicatos nas cordas, passava o arco nas cordas tentando tirar algum som, mas nada feito” (risos).

Roberta no seu Recital de Formatura
Foto: David da Silva - 18.fev.2014
Ao ganhar o mínimo de intimidade com o violoncelo, chegou a hora de enviar a garota para a faculdade de Música. “O maestro Edison me mandou ir lá na Faculdade Cantareira procurar a professora Ji. Fui me encontrar na frente da Igreja Santa Therezinha com um menino que também era dos Músicos do Futuro e estudava na Cantareira. Era o trompetista Guilherme (chamado Gonzaguinha por morar na praça Luiz Gonzaga). Fiquei espantada com a distância. Não existia na época a linha 4 do Metrô, e trocamos de ônibus três vezes”.
No caminho de Taboão da Serra até a faculdade, Roberta foi idealizando como seria a sua futura professora. “Pensei que o nome dela seria Gisele, pois o maestro me mandou procurar a Ji, achei que fosse apelido (risos). Nem imaginava que fosse nome de coreana – Ji Yon Shim. Na minha cabeça eu ia criando uma imagem dela como uma senhora já de certa idade, gorda, com corpo redondo igual um violoncelo, e coque no cabelo (gargalhadas). Cheguei lá, nada a ver. A Ji super nova, olhos puxadinhos, toda magrinha, timidazinha, carinhosinha. Uma fofa!”
“Cheguei na sala da Ji, ela disse: ‘Toca alguma coisa aí pra mim’. Pensei ‘meu Deus do céu, o que vou tocar agora?’,  e toquei... Foi um horror. Toquei tudo errado. Eu achei que estava indo na faculdade aquele dia só pra conhecê-la, e não que eu já fosse ter a primeira aula. Terminei de tocar, ela fez uma cara... (risos)... e disse: ‘Pega o método, e vamos aprender tocar direito’. Daí ela abriu a bolsa, tirou uns livros e falou: ‘Vai lá na xerox tirar cópias pra você’”. E inclusive me deu dinheiro para eu pagar as cópias. Quando voltei, ela passou as lições que eu deveria levar na semana seguinte. Eu sei que minhas aulas na faculdade começaram no dia 8 de maio de 2008, porque marquei meu nome e a data na capa do livro. Era o livro Fayard, que a Ji me explicou que é a “bíblia do violoncelo”, e estudo nele até hoje, comando de técnica. Mas não imaginava que fosse fazer aulas regulares com ela.”
“Antes de eu vir embora pra casa, a Ji perguntou quanto tempo eu tinha para estudar. Eu queria responder uma coisa certa, que agradasse a ela, mas não sabia o que falar. A Ji então me disse que para aprender o violoncelo eu precisaria de muita disciplina e dedicação. ‘Quatro horas por dia de estudo. Combinado?’. Aceitei.”
Com maestro Edison e colegas da
Associação Músicos do Futuro
“Nessa época eu fazia um monte de coisas. Tinha aula de artesanato, pintava panos de prato, fazia umas caixinhas pra embalar presentes, vendia produtos por meio de catálogos. Mas abandonei tudo isto porque tinha de me dedicar ao instrumento. Fazer aulas com a professora tão boa que me arrumaram, eu tinha mais é que me dedicar ao máximo.”

Neste ponto da narrativa, começa o duro dia-a-dia de Roberta Regina vencer a distância entre sua casa até a faculdade. Quando terminava sua aula, ela ficava até as 20h esperando os colegas José Renato, da tuba, e Gonzaguinha (Guilherme), do trompete, para virem juntos a Taboão. “Eu esperava eles terminarem os afazeres na faculdade até as oito da noite, tanto pra não vir sozinha, como também para escapar do horário do trânsito pesado do final de tarde.”

Na carreira artística de Roberta Regina, estudar música andou lado a lado com o ato de ensinar. “Tudo o que eu aprendia num dia com a Ji na faculdade, no dia seguinte eu compartilhava com a aluna Verônica, aqui na Associação Músicos do Futuro.”
“Passei a viver música 24 horas por dia. Aqui na Associação eu aprendi que para viver da música, é preciso total disciplina e dedicação. Quando eu não estava fazendo aulas de instrumento com a Ji na faculdade, eu estudava teoria musical e canto coral aqui. Eu praticamente vivia dentro da Associação. Minha agenda de aulas, tanto para aprender como para ensinar, era muito carregada. Só tinha folga aos domingos”.

Foto: Vinícius Pazini
Em 2009 o professor Paulo Meinberg, fundador da Faculdade Cantareira disse ao maestro Edison Ferreira, diretor de música da instituição, que gostaria de montar uma orquestra na faculdade. Começaram a montar a orquestra de cordas, que hoje é a Camerata Cantareira. Na época, não havia na faculdade violoncelista com disponibilidade para ensaiar com a orquestra às terças e quintas-feiras. Por uma feliz coincidência, eram justamente os dias em que Roberta tinha aulas.
“O maestro Edison chegou pra mim, e disse: ‘Vai ter uma orquestra aqui na faculdade, e você já está escalada para tocar’. Como eu chegava na faculdade às 7h da manhã, e morava longe, eu já deveria ficar direto lá para os ensaios no período da tarde.”
No primeiro dia dos ensaios, quando deu 13h, pensei: ‘Meu Deus, acho que não vou ficar, não...’.  Eu estava em pânico. Mas quando pensei em me levantar e ir na sala do maestro Edison dizer que eu ia desistir, ele abriu a porta da minha sala de aula: ‘Vamos lá, Roberta!’.”
“Os ensaios para formação da orquestra eram na bendita sala 12. Chego lá, o maestro Edison me apresenta para o regente Sérgio Chnee. Os outros integrantes da orquestra já estavam lá, me esperando. Todos os olhares voltados para mim... Entrei na sala apavorada.”

Para se ter uma ideia dos outros músicos que estavam esperando Roberta para o ensaio, um deles é atual spalla do Theatro São Pedro, outro deles hoje é do Theatro Municipal, um outro está na Orquestra Experimental de Repertório, outro estuda na Hungria. “Enfim, fui tocar com essas ferinhas. E eu com menos de um ano de estudos. Com apenas oito meses de violoncelo! Comecei tocando muito insegura, perdidaça!!! Não sabia nem onde era o 1. Tentava fazer alguma coisa de ouvido, mas..., uma catástrofe. Eu quis me enfiar num buraco no chão. Quando chegou o intervalo, fui para o banheiro chorar. Foi horrível. Os primeiros ensaios foram terríveis pra mim. ‘Meu Deus. O que eu estou fazendo aqui?’. Na minha cabeça, eu achava que o regente Sérgio Chnee era extremamente grosseiro comigo; pensava que ele me odiava, que não queria que eu estivesse ali. Eu pensava tudo de mal. Eu sabia que eu não estava preparada para estar ali naqueles ensaios. Mas encarei como oportunidade. Teve momentos em que eu pensei em sair. ‘Não tá rolando’. Mas, se eu saísse dali, onde eu ia ter aquela oportunidade de novo? Para entrar numa orquestra, você é submetido a testes de seleção, concorre com milhares de pessoas, e eu não tinha esta condição de concorrer com ninguém”.

Roberta no ano de 2011
Foto: David da Silva
Apesar dos pesares, a jovem instrumentista não sentiu vontade real de parar. “Vai ter que dar certo, eu pensava. E foi assim o primeiro semestre do ano de 2009. Eu ia a todos os ensaios com vontade de chorar”.
Em julho de 2009, Roberta Regina já estava pronta para a primeira apresentação da Camerata Cantareira.

Antes de encarar o primeiro concerto com orquestra, Roberta já havia feito algumas apresentações no Shopping Taboão. “No final de 2008 apareceu um cachê para apresentação no Shopping Taboão com quarteto de cordas e quinteto de metais, para tocar em dias intercalados durante todo o mês de dezembro. Me deram as partituras... Hoje eu olhando pra essas partituras... (risos). Eu fui fazer uma limpeza nos meus papéis, encontrei uma pasta com um monte de partituras com músicas natalinas. Eu vi o arranjo de Jingobells, tudo riscado com anotações, sinaizinhos coloridos. Eram marcações pra eu não esquecer. Hoje vejo que eram muito fáceis. Mas... na época, eu me apavorava e fazia anotações até que meio simplórias (risos).”
“Varei a madrugada estudando, porque afinal eu nunca tinha tocado para as pessoas em espaço aberto. Naquela primeira aparição em público, toquei com o Douglas, professor de violino aqui da Associação, o Márcio que toca viola, e a Sueidi que durante um tempo tocou violino muito bem, mas não seguiu na música. Optou por outra carreira.”
“Eu suava e tremia muito. Em pânico. Nosso quarteto ficava com aquele mundaréu de gente em volta, no shopping. Guardo até hoje a camiseta vermelha com que toquei naqueles primeiros concertos aqui em Taboão da Serra.”

Fotos: Maíra Bedin
A rotina árdua de sair de casa bem cedinho para a faculdade, e só retornar já perto da meia-noite, comprometeu o rendimento de Roberta Regina. “Eu agüentei do jeito que deu até o final de 2011. No comecinho de 2012 a professora Ji me alertou que aquilo estava me fazendo mal. Todo lugar em que eu me encostava, queria dormir. Não dava mais. O cansaço começou a afetar minha concentração nos estudos. Foi quando resolvi morar perto da faculdade com outras seis colegas musicistas da Cantareira - Andrielli, Vanessa, Maria Luiza, Jennifer, Dani e Ana Luiza – duas cantoras, uma estudante de clarinete, outra de flauta, duas cursando violinos, e eu.

Sobre o seu dom de ensinar, Roberta Regina encara com naturalidade: “Essa questão da educação musical, de passar para outras pessoas o que eu estava aprendendo, foi desde o início da minha carreira. No dia seguinte à minha primeira aula com a Ji, eu já comecei a ensinar uma colega aqui da Associação. Foi acontecendo. E quando me dei conta, eu falei: ‘Gente!, eu realmente gosto de dar aulas’.  Gosto de ensinar tanto quanto gosto de tocar. Na minha concepção isto é fundamental. O maestro Edison sempre fala que é importante a gente criar discípulos.”

Por falar em discípulos, nada melhor que a mestra para falar de sua aluna. É Ji Yon Shim quem fala: "E muito fácil falar da Roberta, pois ela tem tantas qualidades... Ela também foi um presente para mim. Me mostrou do que é capaz. Cada ano de aprendizado era como um milagre. Ela fazia progressos que eram uma lição de vida pra mim. Com isto, chegou onde está. Superou tantas dificuldades. Gastava 3 horas pra vir para a faculdade, mais 3 horas para voltar para casa, enfrentando trens, ônibus. E eu nunca a vi reclamando de nada. Chegava com olheiras, é claro (risos). Mas sempre com alegria.”

Neste período de dois anos, iniciado em 2014, o Mestrado de Roberta Regina é sobre “Recitativo, Ária e Fuga para Violoncelo e Orquestra de Cordas”, do maestro e compositor José Siqueira – análise e discussão de questões prático-interpretativas, a partir de uma estética neoclássica.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Todos os nomes da Paixão

Clayton Novais fará o Cristo pela quinta vez.  Foto: Reprodução
A 59ª Encenação da Paixão de Cristo em Taboão da Serra acontecerá nesta Sexta-Feira Santa, dia 3 de abril, a partir das 18 horas. O evento artístico-religioso começa em frente ao Parque das Hortênsias, com apoteose no Morro do Cristo.

O espetáculo será reencenado no domingo, 5, na cidade de Cotia.
Confira abaixo a listagem completa dos atores, diretores e técnicos envolvidos na apresentação.
EQUIPE DE DIREÇÃO
Direção GeralAmaral Alves
Direção de Palco ou de CenaClayton Novais
Direção de Palco ou de CenaEdemir Santos
Direção de Palco ou de CenaMaira Galvão
Direção de AtoresDaniel Diez
Direção de CoreografiaJuliana Leocadio
Direção de CoreografiaTony Sá
EQUIPE PRODUÇÃO
Coordenação de ProduçãoAmaral Alves
Assistência de ProduçãoDora Nascimento
EQUIPE TÉCNICA
Coordenador TécnicoCachoeira (Rubens Lazarini)
Iluminador e Técnico de LuzJefferson Campos Vilela da Silva
Sonoplasta e Técnico de SomAdemir da Silva Leocadio
EQUIPE DE ARTE
CenógrafoJonielson Silva de Araújo
CenotécnicoAntonio Camilo dos Santos
Assistente de CenoTécnicoEugenio Custodio Neto
Assistente de CenoTécnicoRoberto Carlos Rosa da Silva
Assistente de CenoTécnicoArquimedes de Ramos
Assistente de CenoTécnicoJony
ContrarregragemGraça
FigurinistaCida Ribeiro
Assistente SonoplastiaSilvio Cicero de Sousa
MaquiadoraNatália Romeiro
Assistencia de MaquiagemCamila Fernanda Bahu
Assistencia de MaquiagemKevin de Jesus Teodoro
Assistencia de MaquiagemKarina Martins
Fotógrafo: Márcio Bianchi                                    
ATORES                  PERSONSAGENS
Adelmo Rosa FernandesApóstolo Pedro
Alexandre Santos Albino JrGuarda
Ana Paula Da Silva CarlosPovo / Perseguidor

Herodíades
Antonio José Oliveira Sá (Tony Sá)Coreografo / Diabão
Aparecido Isidoro da Silva JúniorBarrabás
Arissa MoritaConvidada
Arquimedes de RamosGuarda
Caique Santana de NovaisGuarda 3 / Petronio 
Camila Fernanda BahuPovo
Carmem Aparecida CostaPovo
Carolina Romero Povo / testemunha
Celia Ramos da Silva MouraPovo 
Clayton Almeida de NovaisJesus
Cristiana Leite DuarteSalomé/Veronica
Cristiane Fernandes da SilvaSamaritana/Madalena
David Santos MouraPalaciano
Dayane Santos LealAnjo
Diogenes Martins da SilvaPilatos
Edemir Silva dos SantosGuarda 1 /Diretor Guarda 
Everton Lima de OliveiraEverton Lima de Oliveira
Ezupério Caetano de SouzaApóstolo Thiago
Fabio Henrique Nascimento da Silva  Povo
Gilson Basilio de AlmadaSacerdote
Giovanna Santos MercantePovo
Irani SoaresPovo
Isabela Ferraz LimaPovo
João Fernandes Camargo Povo
Joao Firmino Oliva NetoApóstolo Felipe
Joao Pedro Nascimento da SilvaPovo
Jorge NagahashiApóstolo Tomé
José Alves DornelioApóstolo Bartolomeu
José JustinoApóstolo Thiago filho de Alfeu
Joselito Porfirio Gaza TeixeiraHerodes
Josias Patrolino de LimaJosé de Arimatéia
Juliana Lopes LeocadioConvidada / Coreografa
Karina MartinsMucama
Kevin de Jesus TeodoroGuarda
Luciana Jesus CarvalhoPovo / Perseguidor
Luciana Maria da Rocha SilveiraPovo
Lucio Ramos MouraApóstolo Tadeu
Luis Bezerra da SilvaApóstolo Judas Iscariotes
Luis Pedro Ribeiro SilvaPovo
Luiz Phillipi Araújo Reis Povo
Luna Ramos MouraPovo
Maira Neiva Cristina da Silva GalvãoPovo
Manoel Silva SantosApóstolo Simão
Manuela Vitória Martins Povo
Marcelo QueirozGuarda
Marcio PaivaGuarda
Maria Clara Mascelânia AzevedoPovo
Maria das GraçasPovo
Maria Sebastiana Dos SantosPovo
Marisley Lopes de SousaPovo
Matheus MoritaGuarda
Milton da Cunha Santos (Nei)Guarda
Natália Romeiro de AraújoClaudia
Paulo Henrique Rezende Silva Povo
Paulo Rogerio de Paula SilvaFlavio Lucio
Pietra Fernandes Fambrini Povo
Rager Luan de Lima CostaGestas / Pirofagia
Raul Ribeiro Silva Guarda
Renato Gomes da SilvaNatanael/Guarda / Lazaro
Rogerio Gois dos SantosGuarda
Roque da SilvaApóstolo Matheus
Rudgi Reis CardozoPovo
Ruy Reis CardozoPovo
Salvador Ribeiro de CarvalhoNicodemos
Sandra Regina Reis CardozoPovo
Sandra Rosa dos SantosMarta
Silvio Cicero SousaGuarda
Tiago da Silva SantosGuarda
Vera Lucia Ferreira DiezMaria
Vinícius Araújo ReisApóstolo João Evangelista
Vinicius da Conceição Santos Diabo
Vinicius Santos MercanteGuarda
Walter CostaApóstolo André
Wellington Astorga (Galeano)Caifáz
Wesley CunhaDoutor do Templo