domingo, 19 de outubro de 2008

Consciência negra é isto!

A partir de amanhã, faltará um mês para o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. Até lá, minha caixa de e-mails vai se encher de convites e releases para palestras e encontros e seminários e o escambáu sobre o tema.
Ano passado quase atendi ao convite do meu considerado Joilson, diretor da Cultura em Taboão. Não para debater consciência negra – isto não existe nem na África. Eu ia ao evento só pra dar um abraço no meu amigo antropólogo doutor
João Batista de Jesus Félix.
E não tenho culpa se meu cérebro torto se refugia nos relevos e reentrâncias da Adele Fátima, quando ouço ou leio algo sobre "consciência negra".

A mulatíssima Adele Fátima Hahlbohm Carneiro é filha de industrial alemão com uma carioca descendente de índios e negros.
Reinou absoluta por décadas nos sonhos sensuais do Brasil. É a representação suprema da autêntica mulher brasileira. A primeira vez que me deparei com este monumento de magníficas curvas foi em 1979, no filme Histórias que Nossas Babás não Contavam.
Mas não é necessário ver esta deusa de ébano em filmes eróticos para dar-mo-nos conta da plenitude da sua sexualidade. Basta vê-la e ouvi-la até mesmo em um inocente texto maternal, como o vídeo abaixo. Sua voz quente e rouca, e seu semblante esplendoroso, derretem quaisquer barreiras existentes entre o delírio e a razão:


Para que não me julgues um devasso, explico logo a associação entre "consciência negra" e a voluptuosidade da Adele Fátima.
No Centenário da Abolição dos Escravos, em 1988, a Assembléia Legislativa do Amazonas homenageou Adele. O convite aconteceu porque aquele foi o primeiro Estado brasileiro a libertar seus escravos. 

Mas era mentira dos deputados amazônicos. Foi o Ceará o pioneiro na abolição da escravatura em nosso país. Porém... como em tudo que envolve política a mentira faz parte do combo, vamos em frente.
A majestosa Adele compareceu à sede Legislativa num justíssimo vestido de cetim que dava ao seu corpo um não sei quê de aquático, e escondendo revelava a vida secreta da carne. Parecia que a mulata não caberia naquele pedacinho de pano. As curvas dos quadris de Adele, os doces altos relevos dos seus seios enchiam todo o plenário da Casa de Leis. Os cabelos de Adele espalhavam-se pelas galerias. Suas coxas colossais enchiam salas e corredores. 

Os deputados fritavam-se no suor da luxúria; suas babas lúbricas gotejavam nas gravatas.
O deputado estadual Enéas Gonçalves, ex-prefeito de Parintins, foi escolhido para saudar a senhora de toda a beleza.
O parlamentar até tentou manter o discurso no rumo histórico da Abolição. Mas como não cair em tentação diante de tão sublime mulher? E o político foi dando voltas nas palavras, caprichando nas perífrases, dando tratos na tautologia...  até descambar na cantada descarada:


“– Concluindo meu discurso, minha querida Adele Fátima, o que me vem à cabeça neste momento são as saudosas palavras de um deputado estadual parintinense chamado Souza Filho, um verdadeiro poeta, um homem de coração puro, e, que, nesta casa, homenageando a nossa inesquecível Marta Rocha, comparou-a com uma garça morena na beira da canarana.  
Eu gostaria de dizer o mesmo, mas com um pequeno adendo. Sua beleza, minha querida Adele Fátima, é de uma garça morena na beira da canarana, enquanto cá estou eu, nesta tribuna, como um maguari faminto a contemplá-la..."
A Assembléia quase veio abaixo, de tantas palmas. A mulata de quatrocentos talheres sentiu um calafrio perpassando-lhe a espinha.
Talvez a doce Adele não fizesse a menor ideia que diabo fosse um "maguari faminto". Mas o olhar de pidão do deputado não deixava dúvidas. Tinha sexo e sacanagem  por trás daquele palavrório todo.

Vai daí que depois desse episódio lúbrico-legislativo, "consciência negra" transita na minha memória lado a lado com Adele e suas majestosas ancas que vão e vêm manhosas,  numa batida temperada.

2 comentários:

Diego Ignacio disse...

Amigo, como dito acima, desejo lhe fazer um convite para uma palestra em uma escola particular do Taboão da Serra, se possível me informe seu e-mail para contato pois não encontrei no blog. Obrigado! Aguardo seu retorno.

David da Silva disse...

Diego, o e-mail é:
davidtaboao@yahoo.com.br