sexta-feira, 9 de abril de 2010

O verdadeiro criador das favelas do Rio de Janeiro

Lá não tem claro-escuro
A luz é dura, a chapa é quente
Que futuro tem aquela gente?
Perdido em ti, eu ando em roda
É pau, é pedra, é fim de linha
É lenha, é fogo
É foda
(Chico Buarque – Subúrbio)
Merece uma garrafada na fuça quem diz que os favelados cariocas têm parte de culpa na tragédia que está desabando sobre suas cabeças, e cobrindo de luto a Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Os políticos e seus assessores, seus engenheiros, seus advogados, enfim: seus vassalos, sempre – eu disse S-EM-P-R-E – são os culpados pelos dramas que se abatem sobre os deserdados da Terra.
Você vai conhecer agora o “pai” das favelas e de toda a desgraceira na qual se afunda a “Cidade Maravilhosa”.
Como dizia Plínio Marcos, ao povo pobre só lhe resta ir morar lá “nas quebradas do mundaréu, onde o vento encosta o lixo e as pragas chocam seus ovos”.
Foi um prefeito que administrou a cidade do Rio entre 1902 a 1906, quem expulsou a gente humilde da região central, e a despachou feito entulho para ocupar os morros.
Não vou postar a foto do imundo, pra não sujar a parede do buteco. Mas, se você quiser a imagem dele para um vudú, pega o retrato do maldito
aqui.
Felizmente, este gênio do mal terminou sua existência nefasta no dia 12 de março de 1913, engolido pelas águas do mar bravio, no naufrágio do navio Araguaia, quando ia para mais uma de suas muitas vadiagens pela Europa.
O texto é do historiador Celso de Martin Serqueira, que ensina de forma cristalina
como tudo começou

4 comentários:

David da Silva disse...

Só para complementar:
O atual Morro da Providência foi a primeira favela do Brasil. Iniciada em 1897, antes da chegada dos ex-moradores de cortiços do centro do Rio, lá viviam ex-escravos das fazendas do Vale do Paraíba, e ex-soldados que, após massacrarem o povo na Guerra de Canudos, ficaram desamparados pelo Governo.
O método do prefeito Pereira Passos para desapropriar as casas para demolição, era medonho. À noite capangas da Prefeitura pregavam avisos nas portas. Quando o morador acordava, tinha poucas horas para se mandar do lugar.
O escritor Lima Barreto conta no seu livro "Clara dos Anjos" como iam morar aqueles infelizes: "Há casas, casinhas, casebres, barracões, choças, por toda a parte onde possa fincar quatro estacas de pau e uni-las por paredes duvidosas".

Jussanam disse...

Que tristeza amigo,
Tanto tempo se passou e o Rio vai de mal o pior. Descaso total dos nossos governantes desde os tempos idos.
Eu já conhecia a história do início das favelas porque pesquisei sobre isso há algum tempo atrás, tanto que o assunto me incomodava como carioca e amante da minha cidade e do povo que nela vive.
Sempre é bom ler seus artigos que tanto informam e acrescentam.
Pobre da cidade maravilhosa e do povo mais alegre do mundo.Porque nao dizer; pobre do nosso Brasil!
Gostaria de ver o povo brasileiro nas ruas como fez São Paulo na ocasião do caso Isabela. Isso é o maior exemplo da força qe o povo que tem. Porque tanta passividade? Porque nao exigir dos governantes o que é de direito? Onde estão os artistas brasileiros que nao se colocam na frente do povo, para que esses os sigam e mudem a história triste deste belo País?
Jussanam (Artista Brasileira, carioca, na Islandia)

Matheus Trunk disse...

Prezado David: trata-se de um dos melhores textos que já li sobre as enchetes, de uma maneira brilhante e extremamente lúcida. Parabéns.

Matheus Trunk
www.violaosardinhaepao.blogspot.com

David da Silva disse...

Jussanam querida,
pena que nem sempre nossa alma canta ao vermos o Rio de Janeiro.
Matheus, meu caro,
quando vejo os jornais cariocas do início dos anos 1900, dá vontade de ter sempre à mão uma arma para quando os políticos atuais vão à imprensa dizer que "choveu de modo inesperado".