segunda-feira, 21 de março de 2011

Jazz de primeira às terças no Bar do Binho

Se espante, não! Você, de fato, já leu o título acima noutra postagem, meses atrás. Só não trazia dados biográficos dos guitarristas Adriano Matos e Pedro Arnt. Usando a linguagem musical lá deles, era só um toque sobre a apresentação de Jazz e MPB instrumental que fazem todas as terças-feiras à noite no Bar do Binho.
Há mais paralelas nas vidas dos dois além das cordas de suas guitarras.
Adriano Matos e Pedro Arnt: revezamento refinado nos solos e harmonizações - Foto: David da Silva
Pedro e Adriano são colegas no curso de Música da Faculdade Cantareira. A figura dos avós é uma clave comum na infância e iniciação artística de ambos. Na casa do avô Carlos, aos 15 anos Pedro foi atraído por um violão que vivia jogado num canto. E foi com sua avó Sabina que Adriano aos 12 anos aprendeu os primeiros acordes musicais.
Outro traço de união é tanto um como outro terem migrado do rock para o Jazz.
Eles começaram a fazer música instrumental no Bar do Binho no ano passado a convite de João Carlos, o Galo, ex-gerente da casa.
Pedro Arnt - Foto: Beline
Pedro Arnt, 30 anos, é de Porto Alegre (RS). Seu tio José Augusto, o Tio Zeca, irmão de seu pai, tocou alguma coisa quando novo, mas não seguiu a vocação. Pedro cresceu vendo um piano e um violão sem uso pela casa dos avós, no bairro da Glória, na capital gaúcha. Com 15 anos o guri foi atraído pelo violão. “Acho que a primeira coisa que aprendi a tocar foi Gita, do Raul [Seixas], ou algo assim”, conta Pedro.
A índole roqueira do garoto não cabia no violão. Ganhou uma guitarra de seus pais, o engenheiro em metalurgia Carlos Olivério Arnt Filho, e a mãe Rosa Maria, engenheira civil hoje dedicada à Pedagogia.
Antes de se entregar totalmente à música, Pedro Arnt formou-se em Publicidade. “Nesta fase eu tocava rock num monte de bandas hard core. Tocava tudo o que não dá dinheiro, até porque ninguém aguenta ouvir esta desgraça (risos)”.
Desde 1992 vivendo com os pais em São Paulo, Pedro mora no bairro Indianópolis. Nome quase idêntico ao da cidade natal de Wes Montgomery, gigante da guitarra do Jazz. Coincidentemente o estilo musical que Pedro desejava seguir.
Daí, foi estudar com Michel Leme, no Conservatório Souza Lima. Na Faculdade Cantareira travou amizade e parceria musical com um rapaz criado nos subúrbios do Campo Limpo, que também estava cansado de ouvir e tocar porcarias.
Foto: David da Silva
A primeira grana que Adriano Matos ganhou como músico foi o cachê de R$ 15,00 tocando forró numa festa de aniversário. “Na época eu tinha 17 anos, tocava rock na Banda Etnia. O vocalista desta banda também defendia uns trocados com forró, e me convidou”, relata Adriano, nascido no Jardim Santo Antonio (região de Santo Amaro) e desde os nove anos morador do Jardim Eledir, na região dos bairros Maria Sampaio/Macedônia.
Adriano Matos - Foto: Beline
Dona Sabina, avó de Adriano, toca órgão e canta no coral da Igreja do Evangelho Quadrangular. Seus pais, o gráfico Genivaldo e a costureira Josefa, naturais de Inhambupe (BA), deixavam o garoto com a avó quando iam trabalhar. A família morava toda junta num imenso quintal com várias casas. “De tanto eu encher a paciência da minha avó pra aprender música, ela me deu um teclado e ensinou os primeiros toques”, conta Adriano.
Seu primeiro violão veio aos 12 anos, presente dos pais. O punk-rock falava mais alto na veia musical do garoto. Como já disse Pedro Arnt linhas acima, “ninguém ganha dinheiro tocando esta desgraça”. E Adriano se defendia em bandas de rock-balada, forró, sertanejo... Até que mudou seu rumo para a ULM (Universidade Livre de Música) e depois para a Faculdade Cantareira.
Vem de Adriano Matos, 26 anos, a frase que dá a imensa importância de o Bar do Binho oferecer entretenimento com música de elevada qualidade: “Até os meus 18 anos, eu não tinha acesso a este tipo de música. Sempre morei na periferia. Aí a gente ouve o que? Pagode, rap, essas coisas... Eu nem sabia que tinha outro tipo de música!”.

Para contratar os músicos:
Pedro Arnt - parnt@uol.com.br – Fone: (11) 9893-2965
Adriano Matos - adrianolimatos@hotmail.com – (11) 8375-5184

MPB instrumental e Jazz
Todas as 3ªs-feiras, às 20h
Bar do Binho
Rua Avelino Lemos, nº. 60
(ao lado da Uniban / Campo Limpo)
Fone: 5844-4535
Foto: David da Silva

5 comentários:

Anônimo disse...

massa a reportagem david!
muito escrita!
valeu pela força e amanhã tem mais uma terça musical no mesmo bat horário!!
valeu
abs
Pedro

Elso disse...

O som dos caras é muito bom mesmo, vale a pena ouvir, faço o possivel para estar la todas as terças feiras, JAZZ de primeira.
Bela Matéria David.

Belo

Adriano Matos disse...

Valeu pela matéria David!
Muito legal!

Terça é nóis!!!!!


Abração!!!!

Stocker Nine disse...

David da vida, como vai a lida?

Sempre descobrindo o bom da música, hein???

provavelmente o rapaz de Campo Limpo teve aulas com o 'Alemão' na ULM.

Falando no Alemão, não rolou a matéria com ele naquela ocasião?

O bar que eles tocam é aquele que tinha caldo de mocotó dia e noite?

Abs
Stocker (Gaucho)

David da Silva disse...

Stocker, amigaço Gaúcho,
o Bar do Binho é na esquina de trás do "rei do mocotó".
Quanto ao Alemão, fui à casa dele entrevistá-lo. Mas minha viagem à Europa na época tumultuou o processo. O material está pronto, bem mais ampliado, e será publicado em 17 de junho, no aniversário de 75 anos do "hômi".