Rogério Pagnan
da Folha de S.Paulo
O
secretário Nacional da Segurança Pública, Mário Sarrubbo, afirmou nesta 6ª-feira
(16) que o Governo Federal prepara ações para tentar barrar o avanço do crime
organizado em cargos eletivos e, inclusive, tentar barrar candidaturas já nas
eleições deste ano com apoio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
As
declarações foram feitas em um evento organizado pela OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil) de São Paulo para instalação de uma comissão especial de segurança
pública, criada para acompanhar e tentar frear retrocessos na
profissionalização das polícias de São Paulo.
Sarrubo
deu a informação à Folha após ser questionado sobre as declarações do coronel
da PM paulista Pedro Luís de Souza Lopes, chefe do CIPM (Centro de Inteligência
da Polícia Militar), sobre a contaminação das eleições deste ano em SP com a
presença do PCC.
“[A interferência] é muito maior do que eu imaginava. Tem vários municípios com indícios palpáveis de que já há alguma movimentação importante do crime para participar como financiador de campanha eleitoral”
Coronel Pedro Luís de Souza Lopes – chefe do Centro de Inteligência da Polícia Militar
O
secretário nacional disse, por sua vez, que o governo vê com muita preocupação
a presença do crime organizado nas eleições e vai propor a criação de um centro
integrado com o TSE para tentar recebimento de informações de inteligência do
país e agir em cima delas.
"Quando
nós estamos falando dessas redes de inteligência, o primeiro passo, o primeiro
grande evento que a gente quer cuidar são as eleições", disse.
Sarrubo
foi procurador-geral de Justiça de São Paulo até início deste ano, quando foi
convidado para integrar o governo federal como articulador de políticas de
segurança no país. A secretaria é vinculada ao Ministério da Justiça e
Segurança Pública, comandado por Ricardo Lewandowski.
"Então
a gente pretende, inclusive, apresentar à ministra Carmen Lúcia [presidente do
TSE] a oportunidade de montar o que possa ser um centro de recepção de
informações e tudo mais, para que a gente possa obstar essas
candidaturas", afirmou ele.
"Evidentemente
é uma preocupação. O crime organizado tem a sua faceta de procurar avançar em
postos eleitorais, ele tem mostrado isso com muita clareza. Então essa é uma
preocupação, sim, do Ministério da Justiça e do Senado, em especial",
disse.
No
mesmo evento, Sarrubo afirmou que o governo Lula pretende criar um banco
nacional para ter informações confiáveis sobre membros de facções no país,
muitas vezes superdimensionados por declarações de criminosos que, mesmo sem
ter ligação com essas organizações, afirmam fazer parte delas.
"Estamos trabalhando a unificação desses bancos de dados, mas isso exige uma conversa com a Secretaria de Segurança Pública dos estados, com os Ministérios Públicos. Porque isso está muito seccionado, a gente quer criar e centralizar, mas isso para centralizar, nós precisamos dos modelos do sistema único, a gente precisa dialogar com as partes, com os estados, com os Ministérios Públicos, com todas as agências envolvidas no tema", disse.
☆
A
suspeita da presença de candidatos ligados ao crime organizado nas eleições de
SP não é nova. Ela vem sendo citada há anos, como o próprio prefeito de Embu
das Artes, Ney Santos (Republicanos), chegou a ser apontado mais de uma vez
pelas autoridades paulistas como membro do PCC.
Mesmo
assim, ele concorreu em duas eleições e venceu. O político sempre negou ter
ligação com o crime organizado.
Nestas eleições, segundo o coronel Pedro Lopes, recentemente houve um encontro entre policiais da inteligência de São Paulo e funcionários do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) para conversarem sobre o tema e planejarem ações não apenas para o dia do pleito, mas durante todo o processo eleitoral. "Como já tem essa notícia de eventual interferência criminosa em algumas regiões, a polícia se reuniu com o Tribunal Regional Eleitoral já para antecipar que a gente está atento e monitorando e orientando o policiamento para garantir, por exemplo, a livre circulação de todos os candidatos em todas as localidades do estado", acrescentou.
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