terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Gestão Daniel muda horários das aulas sem comunicar famílias, diz mãe de aluno

Escola na Vila Iasi é novo foco de insatisfação
Foto: David da Silva

David da Silva

ATUALIZADO ÀS 19h - leia nota da SEDUC no final do texto 

No início da tarde desta 3ª-feira (3), as redes sociais voltaram a repercutir a insatisfação de mães de alunos das escolas municipais de Taboão da Serra com a mudança dos horários das aulas. Em dezembro último, familiares das crianças matriculadas na EMEB Cecília Meireles se rebelaram contra a medida, e a Secretaria da Educação (SEDUC) recuou. “As famílias têm razão”, admitiu o prefeito. O novo levante das mães mostra que o problema não está extinto.

Na reunião com a comunidade da Escola Cecília Meireles no final do ano passado, a vice-prefeita Érica Franquini “falou que o prefeito não sabia, que ela também não sabia dessa mudança [dos turnos das escolas]. E disse que eles só foram descobrir a partir do momento em que todo mundo começou a postar nas redes sociais”, relatou a munícipe Márcia Dias em 17.dez.2025.

O secretário da Educação Luciano Corrêa atribuiu a culpa aos gestores escolares: “A orientação dada foi de que houvesse uma conversa com a comunidade antes”.

A fala do prefeito Daniel Bogalho (“os pais terão o direito à escolha”) não chegou aos portões das escolas.

Jogo de empurra

A munícipe Sthefani Lobo, mãe de aluno da EMEB Oscar Ramos Arantes, denunciou que “mudaram os horários dos alunos e não comunicaram os pais. Na reunião de pais e mestres a gente só soube porque alguns pais perguntaram aos professores, e fomos informados que as crianças foram transferidas para o período da tarde. Nem isso a escola foi capaz de comunicar. Agora saíram as listas e definitivamente foram trocados os horários dos alunos. Porém, a gente está desde dezembro entrando em contato com a SEDUC, e ela informou que foi a escola quem mudou o horário. A escola informa que essa ordem veio da SEDUC, e fica esse jogo de empurra-empurra”, diz.

Sthefani acrescenta que em janeiro a Secretaria da Educação disse a ela que agora não tem como mudar a planilha de horários das aulas: “Não nos deram direito de escolha. Não fizeram nenhuma sala do 3º ano no período da manhã. Acho isso inadmissível”. “Queremos pelo menos uma sala do 3º ano no período da manhã. A resposta deles é: ‘se quiser, muda de escola’, e não é assim”, protesta.

O descontentamento não reside só na região da Vila Iasi.

Na região do São Judas, a mãe Renata Cabral informa que “na escola Maria José Luizetto Buscarini também não haverá 4° ano de manhã. Os pais que se virem pra remanejar seus horários, e pagar gente pra olhar as crianças”.

Voltando à região do Pirajuçara, Edna Epifânio da Silva conta que “no ano passado aconteceu exatamente a mesma coisa na Escola Antônio Fenolio. Eu ligava na escola, falavam que não estava na mão deles, que foi uma decisão da secretaria. Já na secretaria, eles falavam que foi uma decisão da escola, e eles não poderiam fazer nada. Tivemos que mudar toda a rotina, foi extremamente complicado”

Na área dos bairros Jd Maria Helena e Sítio das Madres, Paula San tem relato similar. “Fizeram isso com minha filha, também mudaram o horário dela sem me avisar, sendo que tenho duas crianças. Matriculei elas no mesmo horário, e agora simplesmente mudaram sem me comunicar. Estou ligando na escola Terezinha Volpato, na secretaria ninguém atende. Já liguei pra Ouvidoria, e nada”.

Perto dali, no Jd Saint Moritz, a mãe Thuane Glesley conta que “na escola Dalva Barbosa Janssen aconteceu a mesma coisa: mudaram os alunos da sala da minha filha toda para o horário da manhã”.

Mayra Freitas explica que as mudanças afetam a economia familiar. “As escolas municipais colocaram os 1°s anos à tarde. Os pais que trabalham de manhã não têm opção de mudar o horário das crianças. Deixaremos nossos filhos sozinhos pra poder trabalhar?”, questiona.

No bairro Jd Trianon a mãe Thássia Oliveira se prepara para atitude mais drástica: “Na escola Ester Cordeiro, inventaram agora que os 4ºs anos têm que entrar ao meio-dia, e querem que os pais aceitem de toda forma, dizendo que é obrigatório. Amanhã cedo vou na SEDUC. Se não resolver, vou atrás do Ministério Público”.

No outro extremo da cidade, na região do Pazini, a mãe Tamires Peres revela que “estamos passando por isso aqui na EMEB Heitor Villa Lobos. Não tiveram o trabalho de avisar no dia da reunião. Cada um joga para o outro fazendo os pais de palhaços”.

Na abrangência dos bairros Marabá e Oliveiras, a mãe Márcia Soares diz que “na EMEB Ayrton Senna também não tem 1º ano de manhã”.

Daniela Sena é mãe de um estudante da EMEB Darcy Ribeiro: “Meu filho autista tem muita dificuldade para dormir. Sempre estudou no período da tarde. Neste ano, colocaram ele no período da manhã, sem opção de escolha”.

ATUALIZAÇÃO 

Em comentário no Facebook na tarde desta 4ª-feira (4), o secretário da Educação Luciano Corrêa afirmou:

"No ano passado, conversamos com a equipe de supervisão e solicitamos que os diretores consultassem os pais a respeito dessa possível mudança. A proposta tinha como objetivo fortalecer o trabalho pedagógico da escola, considerando que a concentração das turmas em um único período favorece o planejamento coletivo, o compartilhamento de práticas entre os professores e um acompanhamento mais próximo da coordenação pedagógica, possibilitando intervenções mais específicas e eficazes no processo de ensino e aprendizageAinda naquele ano, duas escolas se manifestaram apontando que a alteração poderia trazer prejuízos. Diante dessas colocações, ficou acordado que seriam realizadas novas reuniões para dialogar com os pais e avaliar a situação de forma conjunta. 

Entendemos, a partir dessas tratativas, que a questão havia sido encaminhada e resolvida.

Reforçamos que a Secretaria de Educação permanece aberta ao diálogo e à construção coletiva de alternativas, sempre buscando a melhor solução para os pais, os alunos e a comunidade escolar, sem perder de vista a qualidade do trabalho pedagógico desenvolvido nas unidades".
Luciano Corrêa

4 comentários:

Anônimo disse...

Que falta de respeito em não avisar os pais.

Anônimo disse...

Não quem eu esteja defendendo a escola mais tem pais e mães que não vai nas reuniões no final do ano letivo e acaba que a escola toma as decisões por eles mesmo pq na reunião ele dar a folha da rematrícula e lá tem os horários onde que vc assina se quer manter o seu filho naquele horário ou não pq eu fui na reunião da escola do meu filho e de 22 pais só tinha 8 na reunião então o que acontece e falta de interesse.nao que eu esteja falando que essa mãe não foi mais acontece com a maioria aí prefere ficar arrumando culpado sem se vulpar

Anônimo disse...

Votar errado da nisso

Anônimo disse...

Entendo, mas não temos outros meios para avisar os país que com certeza trabalham e muitas vezes não tem tempo de participar de reuniões, claro que não é o caso de todos sempre existem exceções, mas pera ai não tem como avisar através do WhatsApp, E-mail, Redes Sociais e etc., nos tempos atuais, recebemos informações de consultas médicas, defesa civil, política principalmente que ai como interessa não falha né a comunicação para demonstrarem o que fizeram e pedir votos e não tem como evoluir essa comunicação nas escolas, isso deveria ser objetivo principal da Secretaria de Educação juntamente com a nova Secretaria que foi criada de Tecnologia e Inovação, pombas cadê a inovação, portanto não justifica o que está acontecendo.