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| Escola na Vila Iasi é novo foco de insatisfação Foto: David da Silva |
David da Silva
No
início da tarde desta 3ª-feira (3), as redes sociais voltaram a repercutir a
insatisfação de mães de alunos das escolas municipais de Taboão da Serra com a
mudança dos horários das aulas. Em dezembro último, familiares das crianças
matriculadas na EMEB Cecília Meireles se rebelaram contra a medida, e a Secretaria
da Educação (SEDUC) recuou. “As famílias têm razão”, admitiu o prefeito. O novo
levante das mães mostra que o problema não está extinto.
Na
reunião com a comunidade da Escola Cecília Meireles no final do ano passado, a
vice-prefeita Érica Franquini “falou que o prefeito não sabia, que ela também
não sabia dessa mudança [dos turnos das escolas]. E disse que eles só foram
descobrir a partir do momento em que todo mundo começou a postar nas redes
sociais”, relatou a munícipe Márcia Dias em 17.dez.2025.
O
secretário da Educação Luciano Corrêa atribuiu a culpa aos gestores escolares: “A
orientação dada foi de que houvesse uma conversa com a comunidade antes”.
A
fala do prefeito Daniel Bogalho (“os pais terão o direito à escolha”) não chegou
aos portões das escolas.
Jogo
de empurra
A
munícipe Sthefani Lobo, mãe de aluno da EMEB Oscar Ramos Arantes, denunciou que
“mudaram os horários dos alunos e não comunicaram os pais. Na reunião de pais e
mestres a gente só soube porque alguns pais perguntaram aos professores, e fomos
informados que as crianças foram transferidas para o período da tarde. Nem isso
a escola foi capaz de comunicar. Agora saíram as listas e definitivamente foram
trocados os horários dos alunos. Porém, a gente está desde dezembro entrando em
contato com a SEDUC, e ela informou que foi a escola quem mudou o horário. A
escola informa que essa ordem veio da SEDUC, e fica esse jogo de
empurra-empurra”, diz.
Sthefani
acrescenta que em janeiro a Secretaria da Educação disse a ela que agora não
tem como mudar a planilha de horários das aulas: “Não nos deram direito de
escolha. Não fizeram nenhuma sala do 3º ano no período da manhã. Acho isso
inadmissível”. “Queremos pelo menos uma sala do 3º ano no período da manhã. A resposta
deles é: ‘se quiser, muda de escola’, e não é assim”, protesta.
O
descontentamento não reside só na região da Vila Iasi. No bairro Jd Guaciara, região
do Pirajuçara, a queixa: “Estou passando por esse problema na EMEB Edgar
Francisco. Minha filha tem 14 anos, sempre estudou de manhã, e colocaram ela à
tarde. A escola fala que foi erro de sistema. Já mandei e-mail, falei na
Secretaria da Educação, e nada de mudar o horário dela”, relata Oliveira Vale.
Na
região do São Judas, a mãe Renata Cabral informa que “na escola Maria José Luizetto
Buscarini também não haverá 4° ano de manhã. Os pais que se virem pra remanejar
seus horários, e pagar gente pra olhar as crianças”.
Voltando
à região do Pirajuçara, Edna Epifânio da Silva conta que “no ano passado
aconteceu exatamente a mesma coisa na Escola Antônio Fenolio. Eu ligava na
escola, falavam que não estava na mão deles, que foi uma decisão da secretaria.
Já na secretaria, eles falavam que foi uma decisão da escola, e eles não
poderiam fazer nada. Tivemos que mudar toda a rotina, foi extremamente
complicado”
Na
área dos bairros Jd Maria Helena e Sítio das Madres, Paula San tem relato
similar. “Fizeram isso com minha filha, também mudaram o horário dela sem me avisar,
sendo que tenho duas crianças. Matriculei elas no mesmo horário, e agora
simplesmente mudaram sem me comunicar. Estou ligando na escola Terezinha
Volpato, na secretaria ninguém atende. Já liguei pra Ouvidoria, e nada”.
Perto
dali, no Jd Saint Moritz, a mãe Thuane Glesley conta que “na escola Dalva
Barbosa Janssen aconteceu a mesma coisa: mudaram os alunos da sala da minha
filha toda para o horário da manhã”.
Mayra
Freitas explica que as mudanças afetam a economia familiar. “As escolas
municipais colocaram os 1°s anos à tarde. Os pais que trabalham de manhã não têm
opção de mudar o horário das crianças. Deixaremos nossos filhos sozinhos pra
poder trabalhar?”, questiona.
No
bairro Jd Trianon a mãe Thássia Oliveira se prepara para atitude mais drástica:
“Na escola Ester Cordeiro, inventaram agora que os 4ºs anos têm que entrar ao
meio-dia, e querem que os pais aceitem de toda forma, dizendo que é
obrigatório. Amanhã cedo vou na SEDUC. Se não resolver, vou atrás do Ministério
Público”.
No
outro extremo da cidade, na região do Pazini, a mãe Tamires Peres revela que “estamos
passando por isso aqui na EMEB Heitor Villa Lobos. Não tiveram o trabalho de
avisar no dia da reunião. Cada um joga para o outro fazendo os pais de palhaços”.
Na
abrangência dos bairros Marabá e Oliveiras, a mãe Márcia Soares diz que “na
EMEB Ayrton Senna também não tem 1º ano de manhã”.
Daniela
Sena é mãe de um estudante da EMEB Darcy Ribeiro: “Meu filho autista tem muita
dificuldade para dormir. Sempre estudou no período da tarde. Neste ano, colocaram
ele no período da manhã, sem opção de escolha”.





























