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| Lixão solta fedor e fumaça. Foto: David da Silva - 27/06/2026 |
Na
última 2ª-feira (22), o prefeito de Taboão da Serra disse que os incêndios no ‘lixão
da usina’ vão continuar, e a fumaça tóxica seguirá se espalhando enquanto durar
a remoção da montanha de resíduos: “Então peço paciência pra vocês”.
Já
outros municípios não se limitam a recomendar resignação. Aplicam a tecnologia
de controle dos maus cheiros que emanam de piscinões e aterros sanitários.
Várias
administrações públicas utilizam um produto químico de neutralização de odores
desagradáveis chamado Nonox, fabricado pela Continuum Chemical, localizada em
Cotia, na Grande São Paulo.
O
produto atrai as moléculas de odor por meio de cargas elétricas. A molécula de
Nonox envolve a molécula do fedor, tornando-a neutra.
Desde
2012 a Prefeitura de São José dos Campos (SP) aplica o produto na estação de tratamento
de esgotos através da dispersão em jatos.
Na
Prefeitura de Praia Grande, a pulverização do produto no tratamento de esgoto é feita por
bicos aspersores, formando uma névoa que impede o mau cheiro se espalhar no
ar.
A
Sabesp utiliza o mesmo produto em estações de esgoto.
A
Prefeitura de São Paulo usa essa tecnologia em piscinões, e a de Recife, em
aterros sanitários.
O
blog constatou a compra de neutralizador de odores atmosféricos nas prefeituras de Sorocaba, Louveira e Jaguariúna, todas no interior do Estado de São Paulo.
Vizinho
inadequado
O
empreiteiro Jadiel Pereira Rocha e a professora aposentada Sandra Cristina
Souza moram afastados do lixão. Na manhã deste sábado (27), ela relatou: “São
5h54, eu moro a mais de 300 metros da usina, e aqui está um mau cheiro
fortíssimo dessa fumaça”.
A
casa de Jadiel é ainda mais longe, a quase 700 metros de distância. Na noite do
domingo passado (21), ele enviou mensagem ao blog: “a minha casa aqui está com
um cheiro insuportável”, diz o morador do bairro Marabá.
“A
fumaça chega na EE Maria José Antunes Ferraz. Cheiro constante empesteando o
ambiente”, registra Márcia Regina da Silva, diretora da escola estadual do
bairro Marabá.
O
desconforto respiratório tem evoluído para danos à saúde.
“Estamos
sofrendo dentro da escola com a fumaça. Várias funcionárias doentes. Nenhuma
providência, está sendo tomada. Ninguém se importa com nossa saúde. Estamos
cansadas”, diz uma servidora pública da EMEB Jotalhão, ao lado da montanha de
lixo e entulho. Taís Cristina é mãe de uma aluna: “É uma vergonha minha filha
frequentar essa escola. Tenho que pegar ela quase todos os dias por conta dessa
fumaça com cheiro forte”.
Maria
Eunice de Carvalho relata: “Eu moro no Parque Pinheiros, e minha casa está com
cheiro de fumaça. Tenho bronquite asmática e estou sempre tossindo”.
Edvaldo
Santana conta que sua mãe de 78 anos, moradora do bairro Marabá, está “com a
casa cheirando fumaça. Já a levei três vezes ao médico”.
O
tamanho do problema surpreende quem não convive com o lixão que se tornou
vizinho inadequado. “Passei ontem do lado. Não imaginava
que fosse tão caótica a situação. Como pode deixarem chegar ao ponto que chegou?”,
questiona Marizete Mesacasa.







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