quinta-feira, 15 de abril de 2021

Escola infantil é usada para testes da Covid em Taboão da Serra

EMEF Jorge Amado – Foto: David da Silva

David da Silva

A Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Jorge Amado, localizada no Jd Clementino, em Taboão da Serra, está sendo utilizada para a testagem de pessoas com sintomas da Covid-19. O contrato da prefeitura com a Associação Instituto Prius determina que os testes sejam realizados no Pronto Atendimento (P.A.-Covid) instalado na UBS do Jd Clementino. O atendimento das pessoas sintomáticas dentro da escola é feito por funcionários da Prefeitura de Taboão da Serra. O contrato não prevê o uso de funcionários públicos municipais como linha auxiliar da firma contratada.

“Até a semana retrasada os testes eram colhidos lá mesmo [no Pronto-Atendimento na UBS Jd Clementino]. Só que como eles não estavam dando conta da demanda, montaram lá na escola para fazer o PCR e o teste rápido”, diz a fonte ouvida pela reportagem. “Os pacientes saem da UBS [do Jd Clementino] com o encaminhamento e vão pra escola colher o PCR, e a escolinha fica aberta de domingo a domingo”, complementa.

Das 7h às 19h os testes são feitos na EMEF Jorge Amado. “Depois das 7h da noite é colhido lá no instituto mesmo”, refere-se ao Instituto Prius contratado pela prefeitura como gestor dos serviços médicos de atendimento dos pacientes leves e moderados com suspeita de Covid no município.

O contrato determina que “é de responsabilidade exclusiva e integral da contratada a utilização de pessoal”.

O contrato é específico ao apontar que os serviços diagnósticos (testes) devem se dar “em espaço sito à Rua Tsuruki Tsuno, 104, Jardim Clementino”, e que cabe à Associação Instituto Prius “garantir equipe de profissionais para o atendimento”.

Até do SAMU

A reportagem teve acesso ao livro de ponto dos funcionários da prefeitura que atendem pessoas com sintomas de Covid na EMEF Jorge Amado. São servidores públicos deslocados de várias unidades básicas de saúde, inclusive CAPS e até o SAMU.

“A empresa contratada fica responsável pelo fornecimento de todo o RH necessário aos atendimentos além de todos os insumos”, diz o contrato ao enumerar que a Associação Instituto Prius deve manter um quadro de funcionários com 5 médicos (3 diurnos e 2 noturnos), um enfermeiro RT, 15 enfermeiros, 21 técnicos de enfermagem, 10 auxiliares administrativos, farmacêutico, gerente de unidade, e um coordenador médico.

Em comentário postado no Facebook  às 19h04 desta 4ª-feira, a moradora Márcia Soares relata que “não entendi quando mandaram meu marido fazer o teste no anexo [na EMEF Jorge Amado], e era a escola com funcionários da prefeitura. Se o hospital é terceirizado acho que os funcionários deveria ser deles”, critica.

A empresa foi contratada pela Prefeitura de Taboão em 9 de março de 2021 pelo prazo de 90 dias ao custo de 3 milhões e meio de reais (R$ 3.510.925,62).

Comentário no facebook da esposa de um paciente atendido pelo Instituto Prius, e encaminhado para fazer teste com servidores da Prefeitura de Taboão da Serra

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Triagem da Covid em Taboão tem aglomeração, e devolve lençol contaminado a família de paciente

Fila de pacientes não tem distanciamento enquanto aguarda testes de Covid-19 no Pronto-Atendimento no Jd Clementino em Taboão da Serra. Foto: Reprodução Facebook | Neusa Kuraoka - 14.abr.2021

David da Silva

O Pronto-Atendimento a pessoas com sintomas de Covid-19 instalado na UBS (unidade básica de saúde) no Jd Clementino, em Taboão da Serra, não guarda o distanciamento de pacientes à espera de testes. A denúncia foi feita às 14h desta quarta-feira, 14 de abril, no Facebook. Outra moradora relatou na mesma rede social que a unidade devolveu as roupas utilizadas por seu filho contaminado para a família lavar.

Neusa Kuraoka, autora da denúncia, questionou a Associação Instituto Prius, gestora do Pronto-Atendimento, o por quê de a fila de espera não respeitar o distanciamento entre pacientes.

A funcionária pública Teresa Spoliante relata que seu filho esteve internado com Covid. "Quando foi transferido da upa pediram para que fossemos lá retirar os pertences dele. Ao chegar lá me entregaram um saco branco, daqueles que colocam lixo hospitalar, com os lençóis que pertencem à unidade para que eu levasse pra casa. Me recusei quando chamaram uma funcionária, e ela verificou que eram as roupas que meu filho usou da própria unidade", disse a moradora funcionária da Prefeitura de Taboão da Serra.

A reportagem encaminhou pedido de esclarecimento à Secretaria Municipal da Saúde de Taboão da Serra e aguarda pronunciamento.

Unidades de Saúde não vacinam professores contra a Covid em Taboão da Serra

Profissionais da Educação à espera da vacina no Cemur. Foto: Reprodução – 12.abr.2021


David da Silva

Nenhuma das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Taboão da Serra está aplicando vacina contra o coronavírus em professores. Dos 13 postos de saúde do município, 12 deles vacinam os grupos prioritários. Mas os trabalhadores da Educação com idade acima de 47 anos de idade que atuam diretamente nas escolas contam com apenas um local de vacinação, no Cemur.

Taboão da Serra tem 53 escolas municipais de ensino infantil, fundamental e médio, e 13 creches do Programa de Atendimento às Crianças. A rede pública estadual tem 27 escolas, e a rede particular, 51 escolas. A prefeitura não divulgou a quantidade de pessoas acima de 47 anos que trabalham presencialmente nessas escolas e em contato com os alunos. Também não foi apresentado balanço parcial da vacinação que se encerra hoje.

Metade da prefeitura

O pessoal da Educação representa 45,98% dos 6.500 funcionários da Prefeitura de Taboão da Serra. Dos 2.989 servidores da Secretaria Municipal da Educação, 2.693 trabalham dentro das escolas.

 Única opção

Diferente de Taboão da Serra que acumula os educadores e demais funcionários das escolas em um único local de vacinação, cidades vizinhas oferecem mais opções – Itapecerica da Serra e Embu das Artes dão aos trabalhadores das unidades de ensino três polos de vacinação cada uma.

Na etapa dos idosos de 69 anos a Prefeitura de Taboão também disponibilizou apenas um ponto de vacinas contra a Covid-19 em um shopping, e manteve todas as suas UBSs fechadas por 10 dias no recesso sanitário entre 26 de março a 4 de abril.

Restrições

O Governo do Estado de SP anunciou a vacina para professores no dia 24 de março. A Prefeitura de Taboão da Serra só emitiu o comunicado após 16 dias, em 8 de abril, e o site para agendamento só ficou disponível depois das 6h da tarde da última 6ª-feira.

Além de local restrito e dispor de apenas três dias, a vacinação dos professores tem horário limitado das 8h às 16h, enquanto nas 12 UBSs a vacina dos demais grupos de risco é aplicada de 2ª a 6ª-feira das 7h às 17h.

Taboão da Serra está entre as últimas colocações de vacinação na lista dos 645 municípios paulistas


segunda-feira, 12 de abril de 2021

Funcionários públicos lançam campanha de arrecadação para famílias vulneráveis em Taboão da Serra


Funcionários da Prefeitura de Taboão da Serra estão mobilizados para arrecadar alimentos e produtos de higiene pessoal e de limpeza doméstica para famílias em dificuldade durante a pandemia. A iniciativa tem a participação de servidores públicos estaduais.

A ideia de socorrer pessoas em vulnerabilidade nasceu das conversas entre professores, profissionais da Saúde e pessoal da Usina da Prefeitura de Taboão da Serra.

A entrega dos donativos será nos próximos sábado e domingo, dias 17 e 18 de abril no SindTaboão (Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais).

O local tem estacionamento próprio bem espaçoso, que vai funcionar no esquema drive-thru, garantindo o distanciamento e a segurança dos doadores.

A doação está aberta também para quem não seja do serviço público e queira contribuir. A organização da campanha aceita sugestão sobre quais famílias ou entidades possam ser beneficiadas.

A ação tem parceria com a Agiligás Comércio de Gás – botijão a R$ 78, que pode ser entregue diretamente à família ou instituição que o doador indicar (endereço e whats abaixo).

Produtos para os bebês: fraldas (P, M, G); pomada contra assaduras; lenço umedecido; sabonete infantil, shampoo infantil

Alimentos: arroz; feijão; óleo; açúcar; sal; macarrão; extrato de tomate; sardinha; farinhas (mandioca, milho, trigo); bolachas; leite; achocolatado; café ou chá, margarina

Higiene Pessoal: sabonete; álcool em gel; creme dental; papel higiênico; absorventes

Material de limpeza: detergente; água sanitária; sabão em barra e em pó, desinfetante

Local para entrega dos alimentos:

Sábado (17/04) e Domingo (18/04)

das 10h às 15h

Rua Engenheiro Wilson Houk, 21, Jd da Glória

- perto da Delegacia Seccional de Polícia e do Cartório de Taboão da Serra (estacionamento amplo c/ sistema Drive Thru)

Para doação de gás:

Rua Luciano Marcos Saturnino, 177, Jd das Oliveiras / Taboão da Serra - Whatsapp: 95798-1058 – fixo: 4771-2867

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Aprígio não esclarece destino de galpão alugado para período de obras em escola

Galpão alugado pela prefeitura na Estrada Benedito Cesário de Oliveira. Foto: David da Silva – 08.mar.2021

David da Silva

A concorrência pública da construção de um novo prédio com três andares para a EMEF Aracy de Abreu Pestana, em Taboão da Serra, está parada. No final de 2019, para abrigar os alunos no período das obras a prefeitura alugou e reformou um galpão em frente à escola. A adaptação do galpão para ambiente de ensino custou R$ 329 mil. A reportagem foi procurada por pais de alunos com a suspeita de que o imóvel será devolvido ao proprietário pelo prefeito Aprígio. Questionada, a administração se mantém em silêncio.

Para o galpão ficar com ‘cara de escola’, o espaço interno foi subdividido em salas de aulas, construída uma cozinha, colocadas portas novas em nove banheiros, concretada rampa de acesso aos sanitários, instalada cobertura na entrada principal, e erguido muro na frente. Essa readequação saiu inicialmente por R$ 279.757,64 em dezembro de 2019 quando a reforma começou. Em abril do ano passado o serviço subiu para quase R$ 330 mil (R$ 329.435,39) – acréscimo de 50 mil reais (R$ 49.677,75).

“Preocupação da gente é ter gastado essa dinheirama e agora vai desocupar”, diz o pai de aluno. Antonio Fonseca, responsável pela locação, disse que não tem informação sobre o plano do governo Aprígio a respeito do galpão alugado.

Nas duas fotos abaixo, aspectos do galpão em junho/2019 quando foi alugado pela prefeitura...


... e após a reforma. Foto: David da Silva – 08.mar.2021
Prédio velho

Nascida como Escola Estadual de Primeiro Grau do Jardim Record, a atual Escola Aracy foi construída há 47 anos. Segundo o Censo Escolar/INEP 2020 ali estudam 656 crianças da 1ª à 5ª séries do ensino fundamental, 202 alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), e 11 na Educação Especial.

Para se adequar aos novos tempos, o prédio projetado para aquela comunidade escolar terá três pavimentos, e o número de salas de aula vai saltar de sete para 24, além de nove salas de aulas de reforço.

O cronograma da mudança dos móveis para o galpão provisório já estava traçado quando em 18 de novembro de 2020 o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo determinou que a prefeitura refaça os cálculos do projeto da nova edificação, e publique uma nova licitação.

A transferência dos equipamentos iria começar pela sala de informática, local por onde a obra da construção do novo prédio estava demarcada para iniciar.

No dia 8 de março a reportagem enviou e-mail perguntando ao governo Aprígio sobre a mudança. Não houve resposta. Também não foi informado quanto a prefeitura está pagando por mês de aluguel pelo galpão.

No dia 4 de março último o galpão foi alvo de tentativa de arrombamento.

No site da Prefeitura de Taboão da Serra não estão disponíveis novas movimentações na licitação do novo edifício.

Galpão foi reformatado pela prefeitura...

... e custou R$ 330 mil aos cofres públicos. Foto: David da Silva – 08.mar.2021

Histórias da dona Aracy

A EMEF que surgiu como EEPG em 1975 tem como sua certidão de nascimento o Decreto nº 5.583 de 5 de fevereiro de 1975. A Escola Estadual de 1.° Grau do Jardim Record absorveu os alunos matriculados nas 12 classes das escolas Mistas e Masculinas do Jd Santo Onofre e Pirajuçara. Essas 12 turmas eram regidas pelas professoras e professores Maria Cecília Carneiro Mesa, Sonia Cernov, Elza Feltrim de Oliveira, Nardina Ferreira de França Carvalho, Hélcio Silvério de Oliveira, Antonio Carlos Fenólio, Taís Gonçalves Fraletti, Marly Amaral de Oliveira, Lulico Ohara, Leonice Uru, José Bonifácio Mendes Gonçalves e Luiz Carlos Kryzanowiski.

O professor Antonio Carlos Fenólio foi designado primeiro diretor da escola. Como bom operário da Educação, sua nomeação de diretor foi publicada em 1º de maio de 1975 na página 18 do Diário Oficial do Estado.

Coube a Fenólio sugerir a denominação da escola em 1982, oficializada pela Lei nº 3.538 de 30 de setembro daquele ano. A escolhida foi uma senhora dedicada ao trabalho de auxílio aos necessitados de Taboão da Serra nas décadas de 1960-1970. Aracy de Abreu Pestana também tem seu nome ligado à urbanização da cidade. Era mãe do popular Paulé, do Jardim Maria Rosa, torneiro mecânico conhecido nos campos do futebol de várzea da sua época, e também campeão paulista de bocha em 1975.

A Escola Estadual Aracy virou municipal em 24 de janeiro do ano 2000. E sua municipalização assinada, coincidentemente, pelo mesmo primeiro diretor da sua história.

Escola Aracy foi construída quase 50 anos atrás. Comunidade espera pelo novo prédio de 3 andares

domingo, 4 de abril de 2021

Hoje tem Julia Ferreira no Festival Ilhabela. Ivan Lins canta no mesmo evento, dia 18

Julia Ferreira e Oscar González | Divulgação

David da Silva

A cantora Julia Ferreira faz neste domingo de Páscoa, 4 de abril, o show de abertura da terceira edição do Festival Ilhabela Bossa & Choro. Coerente com o momento, o evento será totalmente online. O show de encerramento será no próximo dia 18 com Ivan Lins. O acesso é grátis.

O Festival Bossa & Choro lançou âncora em Ilhabela em 2017. Naquele ano e no seguinte, o evento rolava em um palco fixo e transbordava com apresentações pelas ruas, praças e praias.

Na primeira edição o acontecimento musical produzido pela Lucas Show já disse a que veio com participações de João Donato, Menescal, Vânia Bastos, Rosa Passos. Na montagem de 2018, outros nomes de peso - César Camargo Mariano, Toninho Horta, Jaques Morelenbaum, Alaíde Costa, Wanda Sá.

 O tom da Julia

Julia Ferreira cativa o ouvinte com dicção cristalina, tonalidade pura e leveza no fraseado. Sua ligação com a obra de Tom Jobim é visceral. Das 60 canções gravadas nos seus quatro álbuns em homenagem à bossa nova, 25 são dele.

No palco, Julia magnetiza a plateia com a pregnância de que Vinícius tanto falou.

Descoberta pelo guitarrista e produtor Oscar González, antes mesmo de lançar sua antologia 60 Anos da Bossa Nova Julia Ferreira já havia pisado em solos sagrados da MPB como Beco das Garrafas, Bar Brahma e Bourbon Street, neste último com a presença valorosa de Roberto Menescal.

Antes de a pandemia assolar o planeta, Julia Ferreira se apresentou com a Jazz Sinfônica em janeiro do ano passado.

Na apresentação em formato de live deste domingo, a cantora fará o tributo Elis & Tom com releituras da obra da intérprete maior e do maestro soberano.

Duelo e dueto

As relações de Elis Regina com Tom Jobim não tiveram início promissor. Ela foi rejeitada por Tom para a gravação em disco do espetáculo Pobre Menina Rica, do qual ele era arranjador, em 1964.

Dez anos depois a cantora pediu um disco seu com Tom, como presente de aniversário pelos 10 anos do seu contrato com a Philips. Gravado entre 22 de fevereiro e 9 de março de 1974, o disco começou como duelo (Elis xingando Jobim de “babaca, chato”) e terminou como dueto de pessoas completamente encantadas uma com a outra. O videoclipe Águas de Março não deixa dúvida de como foram os embates e as empatias de Elis & Tom eternizados nos 37 minutos e 46 segundos deste que é considerado um dos álbuns mais importantes da MPB em todos os tempos.

Trecho do roteiro dos três shows que Elis & Tom realizaram em outubro de 1974 no Teatro Bandeirantes (duas apresentações) em São Paulo e outro no Hotel Nacional do Rio de Janeiro

É a magia destes “momentos vividos por duas pessoas muito tensas, que só conseguiam se descontrair através da música” (segundo o texto da própria Elis na contracapa do histórico disco) que Julia Ferreira vai nos devolver nesta noite de Páscoa.

4 de abril, às 19h30.

ilhabela bossa & choro

http://bit.ly/ilhabelabossaechoro

·        Julia Ferreira canta Elis & Tom

·        Thiago Espirito Santo convida Bia Góes, Fábio Peron e Danilo Silva


segunda-feira, 29 de março de 2021

Gestora do atendimento à Covid em Taboão da Serra teve certificado negado pelo Ministério da Saúde

Associação contratada pela gestão Aprígio também teve problemas com prefeituras da região metropolitana da Grande São Paulo. E-mail indicado para contato não existe, e o endereço físico é virtual

Unidade de Triagem da Covid ocupa o lugar da UBS Jardim Clementino

David da Silva

O Ministério da Saúde indeferiu em março de 2019 a concessão do Certificado de Entidade Beneficente para a Associação Instituto Prius contratada em março deste ano por José Aprígio, prefeito de Taboão da Serra, para realizar os atendimentos médicos dos casos leves e moderados com suspeita de Covid-19. A associação foi qualificada como “organização social” pelo secretário da Saúde taboanense no último 19 de janeiro. Esse mesmo pedido de qualificação foi negado pelas prefeituras de Osasco e Jundiaí em 2018 e 2019, respectivamente.

A recusa do certificado pelo Ministério da Saúde foi feita pela Portaria MS-SAS  nº 325, de 11 de março de 2019. Esse documento permite a celebração de convênios com o poder público.

A qualificação da Associação Instituto Prius como Organização Social foi negada pela Prefeitura de Jundiaí em 16 de janeiro de 2018 porque “não logrou êxito na comprovação de documentação exigida pela legislação municipal”.

Em 7 de outubro de 2019 foi a vez da Prefeitura de Osasco indeferir o pedido de qualificação para essa mesma associação em portaria assinada pelo então secretário da Saúde Fernando Machado Oliveira.

O custo da emergência

A Associação Instituto Prius foi contratada sem concorrência pública pela Prefeitura de Taboão da Serra em 9 de março de 2021 por 3 milhões e meio de reais (R$ 3.510.925,62). O contrato vale por 90 dias, e seu funcionamento é na UBS Jardim Clementino, que foi fechada para o público – os 20 mil munícipes atendidos pela unidade agora recorrem a outros postos de saúde.

O Hospital de Campanha instalado em abril do ano passado em Taboão da Serra dispunha de 60 leitos para internação. O Atendimento à Covid iniciado no último dia 15 de março não faz internação – são 6 (seis) leitos de observação do paciente “até sua liberação para casa ou transferência para a Unidade de Referência [UPA Akira Tada]”, diz o contrato.

“A nova administração da Prefeitura de Taboão da Serra cogitou a reativação de leitos no Serviço Especializado de Reabilitação (SER), onde já foi instalado o Hospital de Campanha. No entanto, os custos subiriam”, diz o release da gestão Aprígio. Os números não confirmam.

O Hospital de Campanha ficou em atividade do dia 6 de abril até 11 de setembro do ano passado. Quando resolveu fechá-lo o ex-prefeito Fernando Fernandes disse:  “Agora chegou o momento em que, com segurança, podemos entrar em uma nova etapa contra o coronavírus”. Hoje ele é criticado pela decisão.

Hospital de Campanha de Taboão da Serra custou R$ 8.912.455,94. Funcionou por 5 meses e 6 dias com 18.758 atendimentos (até 07/07) e 595 pessoas internadas até 11 de setembro de 2020 quando fechou

Em 11 de setembro a Covid tinha matado 270 pessoas em Taboão da Serra. Depois que o hospital fechou, outras 273 morreram até ontem.

Neste ano em Taboão da Serra, de 1º de janeiro a 28 de março 123 pessoas foram mortas pelo coronavírus – 40 delas nos últimos 23 dias.

Sem contato

A reportagem tentou contato com a Associação Instituto Prius. Mas o e-mail que consta em sua ficha cadastral não existe. Sua sede na cidade de Barueri funciona em um escritório virtual. O endereço Calçada das Margaridas, nº 163, sala 2 no Condominio Centro Comercial Alphaville é dividido com várias outras empresas como agência de emprego, cobrança, rastreamento e logística, imobiliária, segurança, corretora de seguros, entre outras.

O e-mail citado na ficha cadastral do cnpj da Associação Instituto Prius

sexta-feira, 26 de março de 2021

Já faltam insumos para intubação na UPA de Taboão da Serra

A crise da falta de medicamentos para intubar doentes da Covid chega a Taboão da Serra
 
David da Silva

Os medicamentos midazolam e rocurônio, utilizados na sedação de pacientes com Covid-19 para a colocação de respiradores, já estão em falta na UPA (Unidade Pronto Atendimento) Akira Tada, referência para a doença no município de Taboão da Serra. Um grupo de professores está na busca desses relaxantes musculares para socorrer uma colega de profissão internada na unidade. “O médico disse que a [...] está em estado grave. A preocupação dele agora é a falta de sedativos para a intubação. Estamos procurando essa medicação para ela”, é o apelo que circula no whatsapp.

A paciente que necessita de midazolam e rocurônio para sua intubação é professora na Prefeitura de Taboão da Serra, e completou dois anos de casa no último dia 7 de março.

 Colapso da intubação

A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revelou que 1.316 municípios do Brasil estão em risco de falta de medicamentos para intubar vítimas da Covid-19.

Além do colapso da rede pública, parte dos hospitais particulares brasileiros só tem medicamentos para atender pacientes com Covid-19 até 2ª-feira, garante a confederação.

Troca de mensagens entre professores da rede municipal de Taboão da Serra na noite desta 6ª-feira

quinta-feira, 25 de março de 2021

Aprígio interrompe vacinas nas UBSs durante feriadão. Idosos terão de se deslocar até o shopping

Norina Maria de Oliveira recebeu sua segunda dose na UBS do Jd Suiná. Unidade  de Saúde estará fechada pelos próximos 10 dias. Foto: Adilson Oliveira – 24.mar.2021

 

David da Silva

Todas as unidades básicas de saúde (UBS) de Taboão da Serra ficarão fechadas durante 10 dias – de 26 de março a 4 de abril – e não aplicarão vacinas contra a covid-19. Moradores com idades de 69, 70 e 71 anos terão de se locomover até um centro comercial para serem vacinados. A interrupção ocorre no pior momento da crise sanitária. Brasil hoje é o foco mundial da doença. Taboão da Serra está nas manchetes internacionais com 466 mortos – 105 mortes no governo Aprígio; 25 óbitos nos últimos 20 dias. O sistema de saúde da cidade está em colapso – ontem às 22h havia 62 internados na UPA Akira Tada – 43 em leitos de enfermaria e 19 pacientes na emergência (12 deles intubados).

O Governo do Estado de São Paulo antecipou para amanhã, 6ª-feira 26 de março, a vacinação dos idosos de 69 a 71 anos, mas a gestão Aprígio só vai começar a vaciná-los três dias depois.

Taboão da Serra tem 13 UBSs, mas uma delas foi fechada para a população, e só faz triagem de pessoas com sintomas da covid-19.

Catraca cibernética

Para ter direito à vacina a partir da 2ª-feira 29 de março, a pessoa de 69 a 71 anos será obrigada a fazer um cadastro pela internet em um site que ainda não está no ar. A Prefeitura de Taboão da Serra não explicou como vai agir com quem comparecer ao local de vacinação sem ter feito o cadastro. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 51% dos brasileiros ainda não estão incluídos no mundo digital; nosso país está em 72º lugar no ranking global de acesso às tecnologias.

O interessado em vacinar-se terá de levar comprovante de endereço e documento de identidade com foto, além do cartão do SUS – se for segunda dose, levar a carteira da primeira dose.

O ponto de vacinação no estacionamento do Shopping Taboão só vai funcionar por três dias durante o feriadão de 10 dias, e apenas das 8h da manhã às 4h da tarde. Sexta, sábado e domingo deste final de semana não terá vacina. E nem quinta, sexta, sábado e domingo da semana que vem.

VACINA contra covid-19

Idosos de 69, 70 e 71 anos

Estacionamento do Shopping Taboão

Dias 29, 30 e 31 de março – das 8h às 16h

Obrigatório fazer cadastro antes no site

www.vacina.ts.sp.gov.br (AINDA NÃO ESTÁ NO AR)

Precisa avisar se vai de carro ou a pé

quarta-feira, 24 de março de 2021

Aprígio parou obra de UBS para se promover, diz construtora

 Aprígio futucando laje com o dedo para achar defeito na UBS do Parque Laguna

David da Silva

A UBS (Unidade Básica de Saúde) do Parque Laguna, em Taboão da Serra, teve a sua construção interrompida em janeiro deste ano pelo prefeito Aprígio, 14 dias após sua posse. Ele alegou ter encontrado “inúmeras irregularidades” e o trabalho seria suspenso por 30 dias. Decorridos 70 dias, o canteiro de obras continua parado. A UBS deveria estar pronta no último domingo, 21 de março.  A construtora Serracon considera a paralisação “um ato arbitrário que mostra apenas um lado de promoção política”.

Projeto condenado

O argumento de Aprígio para barrar a obra foi que a empreiteira Serracon não seguiu o projeto elaborado pelo engenheiro Fellipe Ferrari Fakri, da FFF Projetos e Assessoria em Construções Ltda. “Olha a situação que a gente estamos encontrando a obra” (sic), falou Aprígio chamando o testemunho do engenheiro calculista: “Ele também está abismado”. O prefeito disse que o plano executivo da FFF Assessoria “é um projeto certo, projeto bom, com cálculo correto”.

A Serracon diz que “as informações passadas divergem da realidade”.

O projeto executivo de Fellipe Ferrari foi punido pela Prefeitura de Taboão da Serra por “envolver erros de projeto e orçamento”, “além de não ter contemplado serviços essenciais à execução da obra”. A decisão foi assinada em 10 de dezembro de 2020.

Empresa contatada por Aprígio para fazer laudo foi multada e teve contrato cancelado em 2020 por erros no projeto da obra
Pelas inconsistências do serviço prestado, a FFF Projetos e Assessoria foi multada em 10% do valor do contrato (R$ 70 mil), e ficou proibida de prestar serviços à prefeitura taboanense pelo período de um ano.

“Como nossa empresa poderia seguir um projeto assim?”, protesta a Serracon. “Todas as alterações feitas no projeto foram necessárias e aprovadas pela Secretaria de Obras”, acrescenta.

Empresa impedida

A Serracon critica a presença de Fellipe Ferrari como principal acusador. “O engenheiro calculista não poderia nem estar presente para análise da obra, e menos ainda a empresa que está por 12 meses proibida de ser contratada pela Municipalidade de Taboão”, reclama.

Apesar de a FFF Assessoria estar proibida temporariamente de prestar serviços à Prefeitura de Taboão da Serra, a gestão Aprígio solicitou à empresa laudo sobre a construção; se é preciso fazer ajustes, ou se será necessário embargar a obra e abrir nova licitação.

Obra era para ficar suspensa por um mês, mas está parada há 70 dias. Veja fotos da construção paralisada:


A UBS Parque Laguna teve sua licitação lançada em 12 de julho de 2019 pela gestão do ex-prefeito Fernando Fernandes. O contrato de construção foi assinado em 6 de março de 2020 por R$ 1.933.937,51. Pelo projeto original, a unidade terá 13 consultórios, dentista, ginecologista e sala de raio-X.

segunda-feira, 22 de março de 2021

Prefeitura de Taboão da Serra utiliza medicamento sem eficácia contra o coronavírus

Doentes da Covid em Taboão da Serra são concentrados na UPA Akira Tada. Foto: David da Silva – 18.mar.2021

David da Silva

Pacientes com Covid-19 internados na Unidade Pronto Atendimento (UPA) Akira Tada, em Taboão da Serra, recebem o medicamento azitromicina como tratamento para evitar infecções bacterianas oportunistas”, informa a Secretaria de Comunicação da prefeitura local. Entidades médicas não recomendam o uso desse antibiótico contra o novo coronavírus que já matou 457 taboanenses, sendo 23 mortos nos últimos 16 dias.  Até as 22h de ontem, domingo 21 de março, havia 55 pessoas internadas na UPA referência para Covid no município - 36 na enfermaria, e 19 na emergência.

A médica Ludhmila Hajjar tratou do general Eduardo Pazuello quando este contraiu Covid. Sabemos que cloroquina não funciona há muitos meses, que azitromicina não funciona há muitos meses, que ivermectina não funciona há muitos meses”, diz a coordenadora das UTIs de cardiologia do InCor (Instituto do Coração) e do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Pela veemência com que ela condena o uso de azitromicina em infectados pelo coronavírus, fica evidente que o ministro da Saúde não recebeu esse medicamento enquanto se curava da Covid.

Duzentos mil comprimidos

No dia 9 de novembro de 2020 a Prefeitura de Taboão da Serra realizou pregão eletrônico para a compra de 200 mil comprimidos de Azitromicina 500 mg da marca Cimed por R$ 240 mil.

 “O tratamento com a azitromicina não melhorou o status clínico do paciente, não reduziu a mortalidade e não impactou em tempo de internação no hospital”, diz o Comitê Executivo da Coalizão Covid Brasil no estudo publicado em 4 de setembro de 2020 na revista científica The Lancet. A pesquisa sobre a azitromicina foi realizada entre março e maio do ano passado em 57 hospitais de todo o Brasil.

A azitromicina é usada contra bronquite, sinusite, faringite, pneumonia, e doenças sexualmente transmissíveis. “A eficácia dessa medicação não é contra o vírus causador, mas no controle da síndrome respiratória aguda, principal sintoma da Covid. Ela ataca bactérias, e não o vírus”, ensina Alexandre Biasi, pesquisador do Hospital do Coração-SP.  

A ação da azitromicina contra a inflamação em doentes da Covid induziu a comunidade médica a crer que ela teria um efeito benéfico no combate aos sintomas da doença. Mas, o trabalho dos cientistas brasileiros mostrou que o uso do antibiótico não deu o resultado esperado. “Recomendamos fortemente que a azitromicina não seja mais usada em pacientes graves, a não ser que esse paciente tenha alguma bactéria associada”, completa o médico Luciano César Pontes, superintendente de Ensino do Hospital Sírio-Libanês.

Moradores de Taboão da Serra aguardam notícias de seus parentes internados na UPA Akira. Foto: CNN – 16.mar.2021

Vergonha internacional

A cloroquina passou a ser utilizada nos doentes com Covid em Taboão da Serra em 11 de abril do ano passado.

Dois meses depois de a Prefeitura de Taboão da Serra optar pela cloroquina no Hospital de Campanha, a Comissão Intergestores Bipartite (que congrega a secretaria estadual e os secretários municipais de Saúde do Estado de São Paulo) emitiu a Deliberação CIB nº 45, de 5 de junho de 2020, recomendando que “não devam ser utilizados os fármacos cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com COVID-19 nos casos leves, moderados ou graves”.

Em novembro de 2020 a Agência Europeia de Medicamentos confirmou que existe “uma ligação entre o uso desses medicamentos [cloroquina e hidroxicloroquina] e o risco de transtornos psiquiátricos e comportamento suicida”.

A médica Ludhmila Hajjar não economiza ao falar de cloroquina em vítimas da Covid: “Isso é uma vergonha internacionalmente discutida”.

A reportagem perguntou se a Prefeitura de Taboão da Serra continua tratando doentes da Covid-19 com cloroquina. “Não. Não utilizamos cloroquina”, enfatiza a assessoria de imprensa da administração Aprígio, mas não indica se o uso da cloroquina foi suspenso pela atual gestão municipal da Saúde ou pela anterior.

Alerta do Conselho de Farmácia sobre o uso de remédio de vermes em doentes da Covid

A febre pelo carrapaticida

No mesmo Pregão Eletrônico nº E-079/2020 com que licitou 200 mil comprimidos de azitromicina em novembro último, a Prefeitura de Taboão da Serra homologou a compra de 30 mil comprimidos de ivermectina da marca Vitamedic por R$ 23.097,00.

Um artigo publicado por pesquisadores do Instituto para a Infecção e a Imunidade Peter Doherty (Austrália) em junho de 2020, mostrou que em teste de laboratório (in vitro) a invermectina teve eficácia contra o Sars-CoV-2 dentro de 24 horas. Mas, o uso desse medicamento ainda precisava ser testado em humanos. Mesmo assim a notícia provocou uma corrida em busca do medicamento em farmácias e até lojas de produtos agropecuários.

Três meses depois a febre pela ivermectina afetava o fornecimento do produto. “A empresa Inovamed Comércio de Medicamentos Ltda deixou de entregar o remédio Ivermectina 6 mg devido à sua falta por motivo da pandemia de corona vírus (sic)”, informa o despacho da assessoria técnica da Secretaria de Administração da Prefeitura de Taboão da Serra em 16 de setembro de 2020. Devido a isso foi aberta a nova licitação E-079/2020 concluída em 9 de novembro de 2020.

A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Taboão da Serra informa que não há estoque de ivermectina no almoxarifado da Saúde.

O Grupo de Estudos do Coronavírus do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo emitiu um alerta no último dia 12 de março ressaltando que não há até o momento comprovação científica da ivermectina no tratamento ou prevenção contra a Covid, e que seu uso deve obedecer as indicações da bula, ou seja, apenas contra sarna, piolhos, carrapatos, lombrigas.

professora Isabela Aleixo, 32 anos, chorava desesperada em frente à UPA Akira Tada na 3ª-feira passada, preocupada com o estado da sua mãe Iraci de Sousa, 63 anos, e de seu pai José Neves Guimarães, 70 anos, ambos internados no local. Foto: Rivaldo Gomes | Folhapress – 16.mar.2021

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

STF e STJ decidem a favor de professores da Prefeitura de Taboão da Serra, que terão de volta o direito ao adicional de salário

Decisão judicial em 3ª instância devolve aos professores das escolas municipais direito tirado da categoria 11 anos atrás

Por David da Silva

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) publicou na última 5ª-feira, 18 de fevereiro, decisão do ministro Herman Benjamin contra recurso da Prefeitura de Taboão da Serra, sobre o direito de professores da rede pública municipal receberem o adicional por tempo de serviço (quinquênio) e a sexta-parte (concedida a servidores que completam 20 anos na função). A decisão beneficia perto de 1.300 professores.

O direito ao quinquênio e à sexta-parte foi retirado dos professores pela gestão do ex-prefeito Evilásio Farias com a lei complementar 230/2010. No final do ano passado, nas sessões dos dias 20 e 21 de novembro, o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou recurso apresentado pela Prefeitura de Taboão da Serra e repôs os benefícios salariais para o magistério municipal.

No último dia 11 de fevereiro foi assinado no STF o termo de baixa definitiva desse processo.

Os professores já estão protocolando no departamento pessoal da prefeitura o requerimento para receber com juros e correção os adicionais de salário que foram cortados deles 11 anos atrás.

Discriminação

A ação contra a lei complementar 230/2010 de 23 de setembro de 2010 foi movida pelo Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Taboão da Serra - SindTaboão. A lei que reestruturou o plano de cargos, carreira e vencimentos do magistério local tirou dos professores o direito aos adicionais de salário por tempo de serviço, mas manteve esse mesmo direito para os demais funcionários da prefeitura.

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo considerou que o artigo 22-A da lei 230/10 é inconstitucional, e causa uma “indevida discriminação dos profissionais do magistério em relação aos servidores públicos municipais em geral”.

O corte desse direito gerou evasão de profissionais da rede municipal de Ensino. 

Dinheiro corrigido

A decisão judicial em terceira instância ordenou que a Prefeitura de Taboão da Serra restabeleça os adicionais por tempo de serviço aos professores da sua rede, e decidiu “condenar a ré ao pagamento das diferenças suprimidas, com acréscimo de correção monetária e juros”.

Dos 2.971 funcionários da Secretaria Municipal de Educação de Taboão da Serra, 1.919 exercem o cargo de professores e 1.276 deles já têm direito ao quinquênio por cinco anos ou mais de serviço.

Outros 643 professores já têm 20 anos ou mais de tempo de casa, e devem receber o adicional salarial denominado sexta-parte.

Em uma das fases do processo em agosto de 2017 o STJ rejeitou o agravo interposto pela Prefeitura

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Passos do Senegal em Campo Limpo e Taboão

Ambulante senegalês na Estrada do Campo Limpo - Foto: David da Silva - 10.nov.2020

Por David da Silva

A paronomásia “ser negão no Senegal deve ser legal” criada por Chico César na sua canção mais famosa [“Mama África “, de 1995] não faz sentido algum para os 5.995 senegaleses que em dezembro de 2019 aguardavam o visto de permanência no Brasil.

É sofrido ser negão no Senegal.

Segundo a Polícia Federal, 14.106 senegaleses migraram para o Brasil entre os anos de 2010 a 2017. De janeiro a outubro de 2014, os senegaleses foram o povo que mais solicitou refúgio no Brasil – 1.687 pedidos. O número caiu drasticamente de janeiro a maio de 2020: apenas 173 pedidos de refúgio devido ao fechamento de fronteiras por causa da pandemia.


Foi a canseira nas pernas que levou Birame a sentar-se ao meu lado no bar Fecha-Nunca, zona sul de São Paulo. Estudante do 3º ano de Direito na Université Cheikh Anta Diop, ele meteu o pé na estrada empurrado pela grave crise econômica do seu País. Foi com Birame que estabeleci o primeiro melhor contato com imigrantes senegaleses que percorrem as ruas de Campo Limpo e Taboão da Serra. Ele fala francês (língua oficial do Senegal), inglês, espanhol e principalmente wolof, idioma nativo da África Ocidental e dominante entre o povo senegalês. A grande maioria dos imigrantes senegaleses que batalha como vendedor ambulante não sabe ler ou escrever, o que dificultava nosso diálogo. Com Birame aprendi algumas frases básicas da língua wolof, e até receita do prato mais típico da sua nação.

Agora é comum eu cruzar com senegaleses na nossa quebrada e trocar cumprimentos como Sama xarit, na nga def?” e eles sempre sorridentes respondem Maa ngi fii”.

Pelo seu bom grau de instrução, Birame não perambula mais por Campo Limpo e Taboão vendendo relógios, tênis, bijuterias, etc. Meus bate-papos mais constantes agora são com Diop Issa, 25 anos, que se mandou do Senegal em 2015, e só depois de dois anos e meio andando como clandestino pelas nossas ruas teve atendido seu pedido de permanência no Brasil.

Senegalês mostra produtos a clientes em restaurante - Foto: David da Silva - 19.maio.2016

Em 2017 o Conselho Nacional de Imigração deferiu 2.285 autorizações de permanência de senegaleses. A fila de espera tangencia hoje 6 mil pessoas como se viu no parágrafo de abertura.

Nessa reportagem você vai seguir passo a passo a saída de senegaleses da sua terra natal até chegar aqui.

Foto: David da Silva - 08.out.2020

O chamado da carne

A primeira grande leva de imigrantes senegaleses veio ao Brasil trabalhar nos frigoríficos que aderiram ao abate Halal, visando exportar carnes para países muçulmanos. O abate Halal só pode ser executado por praticantes do islamismo, seguindo regras rígidas do Alcorão. Segundo a pesquisa “Os novos rostos da imigração no Brasil”, publicada em 2014, mais de 300 empresas brasileiras vendem carnes para cerca de 40 países de religião muçulmana, que é a crença predominante no Senegal.

O número de carteiras profissionais emitidas no Brasil para imigrantes senegaleses saltou cinco vezes de 2012 para 2013 e chegou a 2.657 em 2016. Mas não há facas para tantas mãos, e quem não conseguiu emprego na indústria frigorífica teve de pegar o rumo da rua como camelôs.

Carteiras profissionais emitidas para senegaleses no Brasil

Inferno na Terra Prometida

A vinda do Senegal para o Brasil, pelo sofrido caminho dos imigrantes ilegais, custa em torno de 6.500 dólares. As famílias e os amigos ajudam com o que têm, fazem vaquinha, e colocam o filho pródigo no avião. Metade do que ganham aqui é mandado para lá em retribuição.

Meu amigo Diop Issa partiu da cidade de Mbacké, a 190 km de Dakar, capital do Senegal.

Se voasse de Dakar para SP, com escala na Espanha, seriam em torno de 19h a 23h de viagem. Mas o sendeiro dos excluídos é comprido e pedregoso.

Uma reportagem de junho de 2017 descreve Mbacké como uma comuna onde centenas de famílias “vivem em pobreza extrema e indescritível”. Foi para fugir dessa estatística que Diop Issa juntou toda a grana que podia e pronunciou o nome de São Paulo.

O voo Dakar-Madri leva de quatro a cinco horas. De Madri a Quito, mais 11 horas e meia. O ingresso na América via Equador é porque aquele País não exige visto de entrada de estrangeiros.

Arte: Guilherme Gonçalves | Zero Hora

Na capital equatoriana os senegaleses iniciam uma jornada terrestre de nove dias até o Acre, passando por Lima, capital e o interior do Peru. Se por ventura tiverem de vencer algum trecho a pé, são atacados por malandros que abordam os imigrantes fatigados fingindo querer ajudá-los, mas tomam suas malas e somem no meio da mata. Os que não roubam, exigem propinas de 20 dólares para não denunciá-los à polícia. A polícia peruana é bandida. Intercepta os ônibus lotados de imigrantes e cobra “pedágios” de 100 a 200 dólares pra liberar a estrada. Exaustos de extorsão, os sofridos senegaleses finalmente veem a placa da fronteira Peru-Brasil.


São Paulo ainda está a 4 mil km de distância. Mais 79 horas de rodovia. Quase 4 dias pela frente

Ao entrar em nosso território por Assis Brasil, os viajantes têm duas escolhas de locomoção – os próprios pés ou os tristemente famosos táxis-lotação. Enquanto não chegarem a Rio Branco, a mais de 300 km, onde podem oficialmente pedir refúgio, os senegaleses são considerados clandestinos. Os taxistas podem negar o transporte ou exigir o dobro do que cobram de outros passageiros.

O fim da saga senegalesa

No auge da revoada senegalesa, o governo do Acre reservava um alojamento sórdido para imigrantes africanos e caribenhos. A imundície do lugar era um estímulo a mais para os peregrinos saírem dali o mais rápido possível.

Quando o campo de refugiados incha (como inchava) demais, o governo estadual aluga ônibus para despachar os visitantes incômodos.

Na ruazinha de terra onde os senegaleses se abrigam o motorista do ônibus age como um Moisés abrindo um mar vermelho:

- São Paulo! São Paulo! Bora comprar passagem logo, macho. Pro ônibus ir embora logo, macho.

Mesmo quem tá com a grana, costuma fazer hora, na esperança de conseguir poltrona no ônibus grátis do governo. Isso atrasa a saída do ônibus pago por dois ou mais dias.

Com a lotação completa, novo capítulo da saga senegalesa. A travessia do Rio Madeira por balsa encanta e assusta. A Ponte Abunã de 2 km de comprimento iniciada em 2014 já ‘comeu’ mais de R$ 130 milhões e ainda está em obras. Prometeram inaugurá-la em setembro de 2019. Adiaram para o fim de 2020. Mas nada nem ninguém garante.


Três dias e meio depois de escapar do inferno em Rio Branco, os senegaleses têm à sua frente a Rodoviária do Tietê e uma São Paulo plena de possibilidades.

A maioria dos que conheço mora em uma república em um prédio de fachada arredondada na Avenida Ipiranga, nº 73, a poucos metros do Consulado Honorário do Senegal, naquela mesma avenida.

Prédio alugado por senegaleses na esquina da Avenida Ipiranga com Rua Consolação 
Foto: David da Silva - Apoio: Táxi Lucas

Mais problemas à vista (e a prazo também)

Em uma medida intempestiva, e sem dar nenhuma explicação, o presidente do Senegal, Macky Sall, trocou todo o seu ministério no último 28 de outubro. Diz que é para enfrentar os efeitos econômicos da crise sanitária mundial. Só que ele está no poder desde 2012, muito antes da pandemia, já foi primeiro-ministro do País em 2004, e a diáspora senegalesa ainda é uma hemorragia que não estanca.

O coronavírus está sendo um aliado do presidente senegalês para adotar medidas autoritárias.

Na semana passada, em 17 de novembro mais de 300 pescadores do Senegal voltaram do mar com com seus corpos todos cobertos de bolhas, uma misteriosa moléstia de pele que especialistas classificam como doença tóxica de origem desconhecida.

Não é nada fácil ser negão no Senegal

Foto: David da Silva - 19.nov.2020