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A vítima e o assassino |
No Facebook do Wellington há uma frase que deveria ter sido levada a sério: “Sou uma pessoa que gosto muito, mas quando não gosto, não gosto muito”, ele se autodefine.
Doze
horas antes de cometer o crime, Wellington teve uma atitude que deveria ter
sido levada a sério. Tentou trazer de volta para casa a companheira com quem
tinha retornado a morar 5 meses atrás, após passar 2 anos na cadeia por tê-la
mantido em cárcere privado durante a gravidez.
O
agressor estava solto há 8 meses. O seu antecedente deveria ter sido levado a
sério.
Tammy
Kim de Fassio Santos, 32 anos, estava refugiada há 20 dias no terreiro de
candomblé Ilê Asé Alaketu Oxolufan onde era yaô (filha de santo), na Rua
Geraldo José de Almeida, nº 116, região do Pazini, em Taboão da Serra, buscando
proteção contra a fúria de Wellington Assunção Araújo, de 49 anos.
Imagens
da câmera de segurança mostram Tammy e o marido discutindo em frente ao espaço
religioso às 17h40 da 4ª-feira (26). A mulher estava com as vestes brancas da
sua religião. “Hoje foi a gota d’água”, ela diz a ele. Wellington tenta pegar o
celular da mulher que estava com a filha de 4 anos nos braços. O babalorixá
responsável pelo local defende Thammy, e ameaça chamar a polícia. Wellington
foi embora levando o seu ódio e a mochila da criança.
A
polícia não foi chamada, e durante a madrugada o homem rancoroso resolveu
transformar em gesto aquelas palavras escritas na descrição do seu Facebook.
A
passagem de Thammy pela terra foi interrompida por uma faca ensanguentada que
ficou jogada no chão do lugar sagrado onde ela achou que estaria a salvo.
Exatamente
doze horas depois do bate-boca no portão, às 5 da manhã da 5ª-feira (27) Wellington pulou o muro
do terreiro e desferiu as facadas na esposa que estava dormindo ao lado da
filha. Levada ao Hospital Family, perto do ocorrido, chegou com vida, mas não
resistiu.
Em
2021, quando estava grávida, Thammy denunciou o marido por violência doméstica.
Ele esteve preso no Cadeião Pinheiros, passou pelo presídio de Presidente
Prudente e pela Penitenciária de Gália, ambos no interior de SP.
Progrediu
para o semiaberto em 29.jan.2024, e no dia 25.jul.2024 teve seu alvará de soltura.
Wellington
vai fazer 50 anos em 5 de junho. É
montador de móveis autônomo, pertence a família antiga daquela região, e sua
microempresa está registrada na Rua Edite Pinho Souza, 219, casa dos seus pais.
Foi
para lá que ele fugiu com as mãos sujas de sangue e o corpo fedendo a fumaça
após atear fogo no apartamento da Rua Ana Maria da Conceição, nº 15, onde morou
com Thammy nos últimos meses.
Seguindo
à risca as palavras do seu Facebook, Wellington assumiu posturas dramáticas,
exacerbadas, depois do crime hediondo. A polícia o encontrou no telhado da casa
do pai. Sentou-se no beiral fumando e bebendo cerveja. Por várias vezes
desafiou a Força Tática a atirar nele. Jogou uma escada metálica contra o
polícia que tentava diálogo, e ameaçou se matar pulando da laje. Por fim, se
entregou.
Chegou
causando na delegacia. Camisa rasgada. Olhava para a câmera com expressão
bestial. Quis tomar a arma de um agente. Bateu a cabeça na parede. Se jogou do
beliche da cela onde foi confinado.
O
SAMU se deu ao trabalho de atendê-lo, pra provar que está tudo bem.
No
B.O., a delegada Aparecida Alves Janducci elencou feminicídio, resistência contra
agentes policiais e incêndio criminoso.
A audiência de custódia foi nesta 6ª-feira (28) e a prisão em flagrante está convertida em prisão preventiva.
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Wellington na viatura com nome da filha tatuado no peito |
Um comentário:
Sujeito perigoso, deveria gostar mais da cadeia do que da esposa e filha.
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