segunda-feira, 2 de março de 2026

Foguetório particular em área da prefeitura divide opiniões em Taboão da Serra

Queima no sábado (à esq) e a divulgação
David da Silva

A queima de fogos realizada na noite de sábado (28) no bairro Parque Marabá, em Taboão da Serra, foi vista (e ouvida) a alguns quilômetros de distância, e gerou polêmica.

Apesar de o evento ter acontecido em área pública municipal, o nome da Prefeitura de Taboão não aparece na divulgação.

O card do evento foi postado no instagram no domingo anterior. Mas pegou muita gente de surpresa.

Valdirene Glória da Silva, 58 anos, acordou com os estouros dos rojões. “Eu já estava deitada, pois acordo às 5h30 para trabalhar, inclusive aos domingos. Ninguém me avisou que ia acontecer isso”, diz a moradora da Rua Antonio Carlos Torres, ao lado da Arena Marabá, onde reside há oito anos. “Meu quintal amanheceu cheio das cápsulas dos fogos de artifício; tenho dois gatos que ficaram desesperados com o barulho”, acrescenta.

O foguetório se estendeu por cerca de 30 minutos. “Eu achei que era alguma fábrica de fogos explodindo. Os vizinhos aqui ficaram preocupados também com o barulho intenso e demorado”, relata Zaac Rocha.

Erlândia Alves Santos também mora na Rua Antonio Carlos Torres e também não foi alertada: “Tenho dois cachorros, os animais sofrem com os estrondos. Moro ao lado do campo há 20 anos, e isso nunca aconteceu”.

Para Thais Weida, o sábado à noite foi “um verdadeiro inferno. Meus gatos assustados com o barulho; nem TV eu conseguia assistir. Sou da rua de baixo [da Arena Marabá]”.

A reverberação dos fogos se alastrou por bairros distantes. “Eu vi da minha janela aqui na Vila Iasi”, conta Lú Carvalho.

“Daqui do Campo Limpo eu vi. Demorou bastante”, diz Marcos Fonseca Manuel.

Até quem mora a três quilômetros de distância garante ter visto. “Eu moro no Jardim Monte Alegre e vi os fogos”, diz o morador da Rua Bauru.

Críticas e elogios

Carla Carolline comentou no instagram que “todo ano eles soltam. Sabemos o quão perturbador é, mas é uma coisa linda de se ver, fico encantada”.

Adriana Bertozzi rebate que “os idosos, os acamados, os recém nascidos, os autistas, entre outros, também dão os parabéns”.

“Minha mãe me ligou pra falar disso, ela não tava conseguindo ouvir a TV. Fica bem atrás da minha casa”, situa Gaby Emer.

Nina Domingues relata que é tia de menino autista: “Meu sobrinho mora próximo [do local] e teve crise forte por causa dessa porcaria”.

Sandra Wilma Silva conhece o evento há mais tempo, a ponto de dizer que “esse ano a divulgação foi melhor, porém achei que o tempo foi menor. Mas fomos prestigiar essa linda queima de fogos e as crianças se divertiram muito”.

Barulheira fora de época

A queima extemporânea dos fogos ganhou várias interpretações.

Denner Vinícius diz que “essa queima de fogos foi por conta que no Natal e Ano Novo o Doidinho Pipa [comerciante que realizou o evento] não conseguiu fazer por conta de local e tempo. Então acabou adiando”.

Já para Tiago Santos Sevério o foguetório fora de época foi causado por doença. “Ele sempre faz queima de fogos no fim de ano, mas a esposa estava internada, e após a recuperação da esposa ele decidiu fazer queima de fogos”.

Até a publicação desta reportagem, a gestão Daniel Bogalho não havia se manifestado se houve liberação do espaço público para o comerciante, ou se a prefeitura foi parceira do evento.

O foguetório foi divulgado no instagram com uma semana de antecedência, mas a Prefeitura de Taboão não comunicou diretamente à vizinhança.

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