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sábado, 11 de outubro de 2008

O Construtor de Maravilhas do Samba

Cartola abandonou a profissão de tipógrafo pela de pedreiro, por amor à liberdade de sambista.
A tipografia tinha horários definidos, tudo meio rígido. Ele não se deu bem naquele ambiente fechado. Já na construção, apesar da dureza de lidar com areia, pedra e cimento, estava em contato com a natureza. Se precisasse parar um pouco pra anotar a idéia de um verso, de uma melodia de samba, deixava por instantes a colher de pedreiro de lado, dava vazão à inspiração, depois retomava a parede incompleta. E podia ver as mulheres passando na rua. "Isso é que é vida!", exclamava para seus colegas de andaime.
Por sinal foram seus amigos pedreiros quem lhe deram o apelido. Angenor de Oliveira (este o seu nome de batismo) cobria a cabeça com um chapéu, para não sujar os cabelos de massa. Daí nasceu o nome artístico Cartola.
Neste domingo, 12 de outubro, a Rádio Net Alambique do Samba terá uma edição especial dedicada a Cartola. Serão 3 horas em homenagem ao Mestre, com direito a abertura com sambas da Velha Guarda da Mangueira. A seleção musical é de Ary Marcos, do Projeto Refúgio do Sambista.
Homenagem a Cartola
Rádio Net Alambique do Samba (clique na radiola à esquerda da página)
Domingo, 12 de outubro - a partir das 10h.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

... e o sol nasceu no entardecer do boteco!

Cartola sempre ganhou a vida em profissões rústicas (pedreiro, lavador de carros, etc).
Mas era apaixonado pela beleza das palavras. Apesar de ter apenas o curso primário, amava escrever corretamente. Jamais abriu as portas dos seus versos para termos chulos, escatológicos.
Veja o primor deste samba Cordas de Aço, com letra e música do próprio Cartola:



Ai!, estas cordas de aço...
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam.
Ai!, este bojo perfeito
Que trago junto a meu peito...
Só você, violão,
Compreende porquê perdi toda alegria.

E, no entanto, meu pinho
Podes crer, eu adivinho,
Aquela mulher até hoje está nos esperando
Solta este som da madeira
Eu, você, e a companheira
Na madrugada iremos pra casa
Cantando...

O sol nascerá

A vida de Cartola foi recheada de passagens deliciosas.
Certa tarde de 1961, na sua casa de shows na Rua dos Andradas (Zicartola), Cartola proseava com Elton Medeiros, que chegara há pouco da Secretaria da Economia do Rio de Janeiro, onde trabalhava. Cartola desfiava umas notas no pinho, e Elton batucava no tampo da mesa. Estavam felizes, pois tinham acabado de compor o samba Castelo de Pedrarias, com uma letra quilométrica.
Nisto chega Renato Agostini (um dos que “investiam” na casa) e desafia a dupla a fazer um novo samba, ali, na bucha.
Cartola abre o sorriso e deslancha: “A sorrir eu pretendo levar a vida...”
Em pouco mais de 40 minutos estava pronto um dos maiores sucessos de Elton e Cartola. Ouça O Sol Nascerá com Cartola:

Do tal Castelo de Pedrarias não sobrou poeira. Elton só se lembra que ele terminava com: “Sonhaste com um castelo de iguarias / Iguarias que jamais terias...”
Desde ontem, e até amanhã, Elton Medeiros está no palco do Teatro Fecap com convidados exaltando o Mestre do Samba. Detalhes aqui.
Meus amigos do Projeto Samba Terreiro de Mauá cantam Cartola hoje. Leia aqui.
A rapaziada da Unidos do Peruche também esquenta hoje os couros e solta a voz em louvor a Cartola. Informe-se aqui.
Freqüente o Centro Cultural Cartola.