sábado, 21 de julho de 2007

Periferia cruza fronteiras da América Latina pelas mãos de dois poetas

Foto: Marco Pezão
Binho e Serginho Poeta na sessão de autógrafos, em 24 de junho

Nossa periferia está pronta para romper a barreira lingüística sul-americana.
A proeza é dos poetas Robinson Padial (Binho) e Sérgio Mesiano (Serginho Poeta) na edição bilíngüe português/espanhol do recém-lançado livro Donde Miras.
A partir de agora, um operário em Potosi, ou uma manicure em Maracaibo, poderão aprender poeticamente que Taboão da Serra é uma “pequeña ciudad que hace división con la periferia sur y oeste de la ciudad de São Paulo, junto al Campo Limpo, barrio natal del poeta Binho”. E que Serginho Poeta “nació en la Favela de la Cachoeirinha, ubicada en la zona norte de la Capital.”
Os compadritos de Balvanera [bairro boca-quente de Buenos Aires] compartirão com seus colegas do submundo da Grande Sampa noções escritas em versos duros sobre camburões e pés-de-pato.
Estudiantes de Assunción dividirão com jovens do Capão, Rebouças e arredores a lírica certeza que não convém parar altas horas na esquina para mirar a lua – senão os discípulos de Tobias de Aguiar carimbam com chumbo quente nosso passaporte para o além.
Mergulhados na crueza dos bairros proletários, Binho e Serginho não registram apenas cenas de suor e sangue. Em meio à selvageria capitalista e às atrocidades de sua polícia, os dois homens dividem no mesmo volume as doces saudades da infância (Binho: “Tinha os campinhos e os terrenos baldios./ .../ Vieram os prédios, as delegacias, os puteiros/ E as Casas Bahia”. Serginho: “Sinto saudade/ Sempre quando é dez pras seis/ Lembro-me do banho e da janta/ Brincando com meus amigos/ Escondíamo-nos em lugares/ Que hoje já não posso ver”.), e o amargo aprendizado do amor (Binho: “Eu vi a intimidade sobejante deles/ ... / O que eu queria sempre não ter sido/ Ficava sendo agora”. Serginho: “E agora, Madalena?/ A quem devo dizer as palavras/ Que outrora pertenciam/ Aos teus ouvidos atentos?”)
No livro salomonicamente dividido em 88 páginas para cada poeta, a Edições Toró universaliza as quebradas onde Binho e Serginho colhem inspiração e semeiam sentimentos, na trilha de Lima Barreto, João Antonio, Plínio Marcos. A tradução é de Waldo Lao, que também assina as notas pelas quais o leitor estrangeiro vai se guiar no nosso ambiente suburbano.
Na parte dedicada a Serginho Poeta (à direita, em foto de Bob Welfenson), o legendário Oswaldinho da Cuíca, figura de proa da boemia e da cultura paulistana, revela que muitos versos do rapaz foram escritos em cima do tanque de gasolina da motocileta sobre a qual ganhava perigosamente a vida como moto-boy.
Desde pequenino, Serginho Poeta conviveu com a intolerância, mas também usufruiu de grandes doses de generosidade. Principalmente de seu pai José Mesiano, de quem herdou o amor pelos humildes da Terra.
O poeta Binho também traz fortes marcas de seu pai, Joaquim Antonio Padial, empreendedor do ramo imobiliário, que alimentou um dia o sonho de criar uma companhia cinematográfica, e com ela produzir e protagonizar o “Zorro Brasileiro”. O espírito aventureiro de Joaquim Padial persiste nas veias de Binho, que junto com seu parceiro de vida e de livro vai realizar uma excursão por vários países da América do Sul, tendo como roteiro invisível o extinto e mítico Peaberu.
Esta ânsia de Binho por los caminos de América, tem o chamado do sangue de seu ancestral Luis Padial (1832-1879), militar e político de Puerto Rico, que lutou pela abolição da escravatura e a independência de seu País.


Encomendas do livro e agendamento de palestras:

Binho - Fone: 3535-6463 - e-mail: abcbinho@yahoo.com.br

Serginho Poeta - Fone: 3451-9563 - e-mail: serginhopoeta@gmail.com
Sarau do Bar do Binho – Todas as 2ªs-feiras, às 20h. Rua doutor Avelino Lemos Jr., nº 60 (travessa da Estrada do Campo Limpo, altura do nº 3.800 – Ao lado da Uniban/Campo Limpo). Fone: 5844-6521.

Vídeos sobre o Sarau do Binho na Internet:
Programa “Entrelinhas” – TV Cultura:
http://br.youtube.com/watch?v=W8ONeL-CqW8

TV PUC:
http://www.pucsp.br/

2 comentários:

Antonio disse...

Valeu David! Matéria à altura do trabalho dos nossos poetas. Abraço. Antonio Rodrigues do Nascimento

suzi disse...

Que legal David! Adorei a matéria, muito bem feita. Gracias
Suzi Aguiar soares
19-08-07