sexta-feira, 13 de março de 2009

Crônica do conchavo anunciado

“Política é namoro de homem com homem”

Rubem Braga

Neste mês de março, completam-se exatos três anos (eu disse: três anos) que o prefeito sub-júdice de Taboão da Serra propôs casamento político ao vereador Paulo Felix. O vereador nunca se fez de difícil ao prefeito. Mas algumas pessoas eram contra a união. No último 10 de março, no altar da Câmara Municipal o enlace finalmente se consumou. Felix diz que aceitou repartir o teto com Evilásio para enfrentarem juntos a crise mundial. E afirma que o governador José Serra abençoa o enrabichamento deles dois.

Este adultério partidário não teve nada de discreto; não foi amor clandestino: foi tramado com a porta do quarto aberta. Quem demonstra agora surpresa ou revolta com o desfecho deste conchavo anunciado, perdeu o bonde.

Teve pelo menos três movimentos explícitos a dança de acasalamento da pombinha com o tucano:

Primeiro movimento: A azaração rola solta no bar Pachá. E foi isto que Felix e Evilásio fizeram: se paqueraram sem pudor na frente de todos por toda a noite de 27 de março de 2006 durante a festa de aniversário de um assessor. Até posaram para foto. Diz a crônica da corte que os dois “estavam conversando muito e dando risadas e gargalhadas”, “o clima entre os dois estava tão amistoso que o prefeito até brincou”. O cronista conta que a assessoria do prefeito ficou enternecida com a cena e saiu do boteco “jurando” que Felix e Evilásio estariam juntos “logo logo”. (confira o que se publicou na época aqui)

Segundo movimento: Em setembro de 2007, Paulo Felix promete na tribuna da Câmara nunca mais brigar com o prefeito.

Terceiro movimento: Na tarde de 4 de outubro de 2007, Felix se filia ao PTB, partido aliado de Evilásio. Horas depois, o TSE ameaça adúlteros partidários com a perda do mandato. Felix rasga a certidão de casamento recém-assinada, mas mantem seus sequazes no curral do prefeito.

Agora que resolveram morar juntos, os dois políticos vêm solertes dizer que “a crise mundial” e a “harmonia de seus partidos sob o edredon Serra” é que os fez assumirem publicamente o concubinato político.

Arranja outra cascata!

Como vocês já viram, em março de 2006, quando os dois iniciaram a comborçaria, Serra nem era governador; não havia aliança entre PSB e PSDB. O PSB nem apoiou Serra: concorreu sozinho com um candidato chinfrim. Mas Evilásio e Felix já varavam madrugadas trocando sorrisos nos cantos dos bares.

No final de 2007, a crise mundial ainda nem tinha botado suas garras pra fora. Mas Felix foi pego em flagrante adultério eleitoral dentro da sala de Evilásio.

Segundo meu amigo Franco, editor do jornal Os Municípios, onde escreve uma coluna sobre relações entre casais, Felix não quer fazer o papel passivo com seu novo parceiro.

Não vou desejar que o vereador e seu prefeito vivam felizes para sempre. Só torço que os filhos bastardos deste chamego executivo-legislativo não tragam mais e maiores desgostos à nossa cidade-mãe gentil...

3 comentários:

Anônimo disse...

Parabens reflete sua publicação uma trajetoria historica monopolizada que me faz lembrar da frase muito bem escrita "A política é uma delicada teia de aranha em que lutam inúmeras moscas mutiladas."
Abraços e continue motivador na arte jornalistica

Prof. Franco

Vida disse...

Essa zoofilia é nojenta.Agora que todos são situação sinto-me melhor em me declarar oposição. Oposição a toda a cúpula política deste município, eleita por um povo que não sabe aonde pendurar suas esperanças, tendo que eleger algum dos que se propõem, e ingenuamente accreditando naquele que lhe fala mais bonito. Se costumasse avaliar o comportamento de cada um, certamente não teria votado nos "marajás de periferia" que lá estão.

cremilda disse...

Inacreditável
Estou pasma !!!!