quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Povo da Islândia exige permanência de Jussanam no país

Quem frequenta o blog há mais tempo, já conhece a trajetória da cantora brasileira Jussanam na Islândia. Pra quem está chegando agora, sugiro que leia antes as 14 postagens que fiz sobre ela aqui

Jussanam em entrevista a uma TV-web islandêsa

Tudo ia bem para Jussanam na Islândia, até que seu casamento com um cidadão de lá se dissolveu. As autoridades da Imigração embirraram com a cantora e atriz carioca, negando-lhe vistos de trabalho e de permanência naquele país.
Mexeram num vespeiro. A população islandêsa se mobilizou, e recentemente até lideranças sindicais e políticos da nação têm-se manifestado a favor de que Jussanam continue morando e trabalhando lá.

Apoio moral e financeiro
O que era pra ser um tormento na Terra do Gelo (Iceland – Island) está se transformando num paraíso terrestre na Islândia para Jussanam da Silva.
No dia 30 de agosto passado, Jussanam levou o primeiro impacto. Foi negado seu direito de trabalhar no país. Em 29 de setembro, outra paulada: as autoridades lhe davam 30 dias pra se mandar com sua filha de volta para o Brasil.
A reação popular foi rápida, enérgica. Foi aberta uma página de protesto no Facebook, e também uma petição online que somava 1.077 assinaturas de apoio no momento desta postagem (11h10 de 24.nov.2010).
O Ministério da Justiça interveio favoravelmente à cantora, e suspendeu a negação de visto até a decisão final do caso.
Em 10 de novembro último, uma daquelas novidades de fazer o coração bater feito tambor. A poderosa União dos Trabalhadores de Reykjavik, capital da Islândia, deu apoio financeiro à causa de Jussanam. Alegria pouca é bobagem, e na mesma data o prefeito da cidade entrou na briga: "Ég skora á stjórnvöld að fella niður eða breyta þeim reglum sem þarf svo Jussanam og fleiri séu ekki settir í þessa hræðilegu stöðu" (“Eu desafio o governo a cancelar ou alterar as regras que colocaram Jussanam em condição difícil, e que outras pessoas mais não passem por essa situação terrível!”) pronunciou-se o prefeito Jon Gnarr Kristinsson no Diário Oficial do município, e conclamou os cidadãos a assinarem o manifesto de apoio à artista brasileira.

A sina dos pioneiros
Acho que o funcionário que negou a permanência de Jussanam na Islândia não leu com atenção os documentos da moça. Ela nasceu no bairro do Estácio, subúrbio carioca onde surgiu a primeira escola de samba brasileira, e exaltado pelo imortal Noel Rosa (Nasci no Estácio / fui educada na roda de bamba / sou diplomada na escola de samba / sou independente conforme se vê...”).
Aqui no Brasil, além de cantora, dubladora de filmes e atriz de novela da Globo, Jussanam foi a primeira negra a interpretar no teatro a personagem central de Romeu & Julieta, de Shakespeare.
Trocando o calorão de 40 graus do Rio pela gelada Reykjavík (com zero grau o povo lá vai de camiseta pra rua) Jussanam cantou em bares noturnos, em igreja, em teatros, dentro de uma limousine pra um casal endinheirado, atravessou nevascas pra dar show no norte do país, e foi convidada a se apresentar no Dia da Independência da Islândia.
Não ia ser um carimbo com o sisudo “Não” que ia abalar uma morena dessa...

Como se fosse Mary Popkins...
Além de cantar e encantar nos palcos, Jussanam trabalha (ou melhor: trabalhou por dois anos antes do “se manda!”) numa escola infantil da capital da Islândia. A molecada ficou enfeitiçada com a brasileira que ensina dança, canto e expressão teatral – ela também escreve peças, e no fim do ano passado as crianças encenaram um texto seu. Os pais dos alunos são os mais contundentes em exigir que não se rompa o laço de ternura entre Jussanam e seus pequeninos fãs. “Jussanam tem trabalhado com meus filhos. É uma benção ter uma pessoa tão amável como ela no nosso País”, diz Egill R. Erlendsson.
As declarações a favor de Jussi (seu apelido carinhoso na escola) ganham contorno poético com Nanna Guðbergsdóttir, mãe de uma aluna: “Jussanam é uma verdadeira pérola. Desejo com todo meu coração que ela receba sua permissão de emprego e residência de novo.”
O apoio a Jussi incendeia corações de todas as idades. "Ontem eu fui pegar meu neto em Hlidaskoli e todos ali estavam reclamando sobre esse caso, pais e funcionários. Essa decisão está correta???”, protesta Rannveig Sveinbjörnsdóttir.

... e no entanto é preciso cantar!
Enquanto seu advogado Jóhannes Eiriksson se ocupa das autoridades, Jussanam não deixa de se ocupar com seus amigos músicos.
Seus shows mais recentes têm atenuado o tom intimista da Bossa Nova que a consagrou - ela lançou na Islândia em 2009 um CD só com canções de Tom Jobim. “Hoje em dia estou mais pra blues do que pra jazz; mais pra batucada do que pra banquinho e violão”, diz Jussanam, que incorporou a seu repertório Belchior, Caetano, Clara Nunes e Elis Regina. Canções de protesto em inglês como "Whats going on" de Marvin Gaye, e até uma música islandesa famosíssima que ela própria verteu para o português, abriram passagem em sua garganta, mas, sem perder a suavidade típica de Jussi (gostei desse apelido!).
As casas de espetáculos também cerram fileira ao lado da brasileira. O auditório da Austurbaejarskóli abriu suas portas sem cobrar um tostão da cantora que contou com o auxílio luxuoso do famoso pianista Agnar Már Magnússon e do percussionista africano Cheick Bangoura, de Guiné-Bissau.
No último 31 de outubro Jussanam representou o Brasil no Festival das Nações realizado no oeste da Islândia. “Foi a primeira vez que um brasileiro se apresentou nesse festival”, vibra Jussanam com o orgulho afro-sulamericano de ter sido acompanhada pelo violão do cubano  Juan Alberto Borges e pela percussão de Cheick Bangoura.
Toda essa saga de Jussi pelos palcos da música e pelos corredores do Governo, está sendo filmada por um cineasta local para um documentário.

A rainha dos noticiários 
Ministro da Justiça da Islândia:
"Decisão sairá em breve"
Nas últimas semanas não tem sido preciso ir a shows musicais para ver/ouvir Jussanam. Repórteres de toda a Islândia e de todas as mídias têm apontado suas câmeras e microfones para a mulata que derreteu a terra de Björk.
Recente entrevista de Ögmundur Jónasson, ministro da Justiça, ao diário Morgunbladid deu novo alento ao caso – assista aqui. Sobre o suporte em dinheiro da União dos Trabalhadores veja aqui. Quando a faculdade da filha de Jussanam recusou a rematrícula da menina, também deu bafafá.
E dá-lhe mais Jussanam aqui, aqui, aqui, aqui. Cansou? Lê outro tanto aqui e aqui. Agora chega. Se quiser mais, o Google é pago pra isso...

Se não tivesse essa dor...
A pessoa que fez a des-gentileza de querer espanar Jussanam do mapa da Islândia, pode se considerar bam-bam-bam em cardiologia, porque antes disso ninguém tinha avaliado quanta bondade cabe nos corações do povo daquela ilha do Atlântico Norte.
Talvez o (a) burocrata não contava com o calor humano da população de Reykjavik cujo nome, não por acaso, significa ‘baía fumegante’.

15 comentários:

Anônimo disse...

Þórunn Hjartardóttir (criador da página de petição online):
Eu espero coletar o máximo de assinaturas possíveis para enviar ao Ministério e ajudar Jussanam a promover o seu caso.

Anônimo disse...

Gudbjorg H Leaman:
Eu quero apoiar Jussanam para que ela consiga continuar e trabalhar na Islândia. Jussanam tem provado ser um ótimo talento e uma cidadã trabalhadora. Seria uma perda para a Islândia que ela tenha que deixar o País. Eu também acho que nõs deveríamos aplaudir que ela deixou sua vida no Brasil e veio começar uma nova vida aqui num Páis tão longe. Esse tipo de coragem deve ser apoiado.

Anônimo disse...

Egill R. Erlendsson:
Jussanam tem trabalhado com os meus filhos. Dificilmente poderíamos encontrar melhor Funcionário em Hlíðaskjóli. É uma benção ter uma pessoa tão amável como Jussanam no nosso País

Anônimo disse...

Sigrún Edda Sigurðardóttir:
Eu apoio totalmente Jussanam na sua luta para trabalhar e viver na Islândia. Jussanam tornou este País mais rico e eu odiaria vê-la indo embora

Anônimo disse...

Omar Gallaway:
Nós pedimos a todos que apoiem o caso dessa corajosa mulher. O bom coração dos islandeses e a tolerância do povo que realmente tem amor, não são refletidos pela UTL ou Instituto do Trabalho. Nós amamos Jussanam e esse País, e desejamos o melhor. Avante Jussanam, e avante Islândia!

Anônimo disse...

Elinborg K. Kristjánsdóttir:
Jussanam tem tido muito sucesso com seu trabalho com as crianças em Hlidaskoli, e por isso eu peço que sua permissão de trabalho seja renovada

Anônimo disse...

Gudmundur Thorberg Kristjansson:
A Islândia é melhor com pessoas como Jussanam. Uma pessoa que demonstra interesse e quer ser parte da sociedade, deseja entender a comunidade e é uma boa cidadã. É triste para a Islândia se ela deixar o País. A Islândia é melhor com pessoas como Jussanam.

Anônimo disse...

Katrin Hauksdottir:
Jussanam é minha amiga e ex-colega de trabalho, e posso dizer que será uma grande perda se ela tiver que deixar o país. Ela é uma mulher maravilhosa, e funcionários como ela são difíceis de encontrar. É completamente ridículo que não seja permitido que ela continue aqui, se ela já tinha uma autorização de trabalho no passado e paga seus impostos para a sociedade e tem a consciência limpa. Eu apoio fortemente e espero profundamente que o Ministério da Justiça considere cuidadosamente o seu caso e venha com um resultado positivo.

Anônimo disse...

Hugrún Ósk Guðjónsdóttir:
Isso é uma injustiça intolerável aqui na Islândia. O que seria se nós tivéssemos que enfrentar isso em outros países? Ficaríamos loucos sobre como o sistema estaria sendo injusto para nós. Nós usamos argumentos sobre o desemprego e eu acho isso completamente ridículo. Ela acaba de mostrar que tem trabalho, que seus chefes querem que ela continue, e estamos falando de pessoa qualificada. Se não há grandes argumentos para permitir que ela continue a trabalhar na Islândia, então eu não entendo mais nada. Devemos ser claros, estamos falando de uma pessoa, não apenas de um nome numa folha de papel!

Anônimo disse...

Svava Ólafsdóttir:
Jussanam é uma mulher única que dá cor à vida. Ela é muito boa no seu trabalho em Hlidaskoli, é interessada, ambiciosa e tem alegria de viver. Meu filho é uma das crianças da escola e é beneficiado pelas qualidades dela que mencionei. É difícil encontrar pessoas que têm um forte interesse em trabalhar em frístundaheimilis, e Jussanam é certamente um deles. A casa dela é aqui!

Anônimo disse...

Þórður Viðar Snæbjörnsson:
Jussanam tem feito um excelente trabalho em frístundaheimili onde meu filho se encontra. Ela merece plenamente obter uma autorização de trabalho.

Anônimo disse...

Nanna Guðbergsdóttir:
Jussanam é uma verdadeira pérola. Minha filha está na escola com ela e Jussi tem ensinado as crianças a dançar e cantar e isso tem sido também uma grande diversão para os pais. Desejo com todo meu coração que ela receba sua permissão de emprego e residência de novo.

Anônimo disse...

Rannveig Sveinbjörnsdóttir:
Ontem eu fui pegar meu neto em Hlidaskoli e todos ali estavam reclamando sobre esse caso, pais e funcionários. Essa decisão está correta???

Anônimo disse...

Björn Olsson (da Suécia):
Jussanam é uma grande artista e um ganho para a república da Islândia e para o resto da Europa. Eu carinhosamente peço ao governo da Islândia para mostrarem que são civilizados e verdadeiros Europeus, e aceitem o desejo de Jussanam de ficar no País.

Comerio disse...

Conheço a Jussanam, trabalhamos juntos nos estúdios da Herbert Richers no Rio de Janeiro. Mulher de fibra, atriz e cantora maravilhosa. Com certeza a Terra do Gelo se derreterá com os encantos, a simpatia, a gentileza, a doçura e a fibra dessa carioca brasileira. Da-lhe Jussi.............

Carlos Cómério