terça-feira, 27 de maio de 2014

Gostinho de Brasil dá água em La Boca de Buenos Aires

Em terra estrangeira tenho nada de “ai que saudades do feijão preto”.
Pra mim, gastronomia local faz parte do roteiro turístico. Assim como devorar com os olhos a paisagem, ou conhecer biblicamente uma nativa lá deles.
Aceitei logo de cara, de bom grado, no primeiro almoço portenho quando a bela camarera (garçonete) perguntou se eu queria carne com salada de lechuga, zanahorias e arvejas. Afinal entre os ingredientes da ensalada a moça mencionou tomate. E eu nunca vi tomate andar em más companhias.
Na Argentina faca e garfo não cansam de trinchar. É o povo que mais come carne no mundo. O consumo é de 70 kg ao ano por pessoa. Cinco por cento do gado bovino abatido no planeta vai parar no estômago de argentinos e argentinas.
Eis porque tive problema algum pra comer muito e bem em Buenos Aires.
Porém (e como dizia Plínio Marcos, sempre tem um porém) se te bate aquela gana da comidinha brasileira em plena capital da Argentina, corre pra beira do Rio de La Plata, no bairro La Boca.
As panelas e tachos da dona Izabel te esperam fumegantes de alegria.
Mineira de Teófilo Otoni, dona Izabel Batista, de 58 anos, vive há 18 anos em Buenos Aires. Saiu criança de Minas para Salvador (BA); mudou-se logo para São Paulo. Com parentes em Carapicuíba [região metropolitana da Capital/SP], dona Izabel provou para o repórter que conhece bem Taboão da Serra. “Minha filha Jane nasceu lá em São Paulo”, conta a comerciante que vive com a filha, a netinha Nataly, e o genro Cristiano Ferreira, contrabaixista do cantor Diego Torres, mais conhecido no Brasil pela canção Que Será, da trilha sonora da novela Amor e Intrigas (2007, TV Record).
Dona Izabel morou seus cinco anos iniciais argentinos no bairro Palermo, e depois e desde então sempre no histórico La Boca. Assim chamado por ser o lugar onde o Rio Riachuelo desemboca no Rio da Prata. Neste bairro nasceu a capital argentina em 1536, batizada com o nome completo de Santa Maria de Los Buenos Aires. Ali também nasceu o tango.
“No Brasil eu trabalhava na creche do padre Antonio Maria, no [bairro paulistano] Jaraguá. Um dia vim passar minhas férias aqui em Buenos Aires, e estou até hoje”, diz com jeitão despachado e sorriso cosmopolita, debaixo do letreiro do seu comércio que faz divertido trocadilho com a vontade de comer e o bairro onde está instalada em um dos boxes do Antiguo Mercado de La Boca. Estrategicamente localizado entre o mitológico Caminito e o estádio La Bombonera, do time Boca Juniors.

Serviço:
Água na Boca – Olavarria, nº. 713
Se segunda-feira a sábado, das 10h às 20h

Um comentário:

Backstage Extrema disse...

Em terra de "hermanos" com uma culinária baseada em carne e ótimos vinhos eu não teria a menor dificuldade de adaptação... Entretanto, esbarrar com uma brasileira nativa de Minas Gerais não tem nada mais acolhedor, pra voltar ao próprio eixo.