domingo, 17 de agosto de 2014

Condomínio ecológico faz 50 anos em Taboão da Serra

Dados históricos desta postagem gentilmente fornecidos por Nilton Esteves, síndico do Condomínio Rural Jardim Iolanda.
Condomínio é localizado no limite entre os municípios de Taboão da Serra e Embu das Artes.


Nunca perguntei ao administrador Nilton Esteves se ele gosta da música em que Jorge Benjor faz tributo subliminar ao Tim Maia. Mas toda vez que ouço a frase “Eu vou chamar o síndico!”, o nome de Nilton me assoma à memória. Ele é o mais determinado líder de conjunto habitacional de que se tem notícia na cidade de Taboão da Serra. Não é para menos. É guardião de um paraíso ecológico. O Condomínio Rural Jardim Iolanda é dos últimos remanescentes de Mata Atlântica da região sudoeste da Grande São Paulo. O empreendimento completará meio século de existência na próxima 4ª-feira, 20 de agosto.
No decorrer desta semana, o blog vai publicar depoimentos de pessoas que detêm laços de família ou antiga relação de vizinhança com a idealizadora deste que é pioneiro em condomínio horizontal mergulhado na mata nativa da região.
O núcleo de moradores foi criado pela cantora lírica Iolanda Catani, falecida há nove anos. A propriedade foi adquirida na década de 1950, quando apenas uma elite intelectualizada racionava em termos de preservação da natureza.
Iolanda e seu marido César Francisco Beretta costumavam cruzar Taboão da Serra rumo ao sítio Morro do Vento, em Embu. Ali o casal se desestressava da vida urbana praticando horticultura, viticultura, criação de porcos, aviário e gado leiteiro. Na época Embu e Taboão nem eram municípios. A visão de uma vasta área delicadamente emoldurada por um córrego no ainda distrito de Taboão da Serra atraiu a atenção de “dona Iolanda”, como é lembrada e venerada até hoje. A compra da propriedade de 477.965m² foi sacramentada em 12 de maio de 1954 no 3º Tabelião de São Paulo.  Dez anos depois, o imóvel foi transformado em Condomínio Rural. Hoje conta com 100 residências distribuídas em 120 glebas. Nenhum lote pode ter menos de 1.500 m².
O empreendimento foi concebido no clima de amor e harmonia que unia o casal. César Francisco, engenheiro civil, planejou todo o arruamento do local que leva o nome de sua esposa.
Dona Iolanda Catani em fotos do acervo pessoal de Nilton Esteves
Iolanda Catani arregimentou moradores para o seu projeto junto ao meio artístico com que tinha contato na sua atividade de cantora no Theatro Municipal de São Paulo. Entre os ex-moradores mais festejados pela mídia, estão os artistas plásticos Arcangelo Ianelli e Emanoel de Araújo, ex-diretor da Pinacoteca de São Paulo e criador do Museu Afro-Brasileiro.
Como toda pessoa amante da alta cultura, Iolanda era helenista. As alamedas e praças do condomínio são batizadas com nomes de musas da Mitologia Grega.
O DNA de artista de Iolanda foi herdado do sangue de seu pai, Gino Catani, pintor de murais da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e das igrejas Santa Cecília e Santa Efigênia, ambas igualmente na capital paulista.
O amor à natureza de Iolanda foi transmitido geneticamente ao seu filho Cláudio, hoje com 74 anos e residindo no mesmo local idealizado por seus pais. Ele formou-se engenheiro agrônomo no ano em que César e Iolanda formalizaram a criação do condomínio rural taboanense, em 1964.
A longevidade é outra marca de família. Dona Iolanda viveu 94 anos – sua partida se deu em 2 de janeiro de 2005. Sua mãe, Virgínia, faleceu em 1988 aos 103 anos de idade.

Filosofia de morar
A criação do Condomínio Rural Jardim Iolanda não foi apenas uma sacada imobiliária de sua idealizadora. Havia toda uma concepção filosófica envolvendo o projeto. Para Iolanda Catani, “
uma das falhas mais lamentáveis dos empreendimentos que fracassam, deriva unicamente da incapacidade de seus dirigentes para estabelecer e conservar amizades”, registrou em reunião condominial de 11 de março de 1967.

O apego à natureza não é sinônimo de fechar-se no pequeno paraíso que rodeia seus moradores. Nilton Esteves mantém luta sem quartel pela construção de uma segunda alça de viaduto, para saída no sentido sul dos veículos de freqüentadores do Shopping Taboão. Denunciou o shopping em 14 de abril de 2012 na Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. A medida vai suavizar o impacto do trânsito gerado pelo centro de compras no seu entorno. A obra deverá ser entregue em 2015. A criação de um retorno sobre a BR-116 na altura do quilômetro 277 é outra obstinação do síndico. Atualmente o condomínio protagoniza uma pendência jurídica com a concessionária da Rodovia Régis Bittencourt, devido à desapropriação de parte de sua área para construção de uma via marginal à pista. A gestora pediu suspensão do processo por 40 dias, e a Justiça acatou. “Só o deposito judiciário [em favor] do Jardim Iolanda é de R$ 568.332,00. Alguma coisa está acontecendo nos bastidores da Autopista. Tentei acordo de todas as formas. Não quiseram. Só restou recorrer aos Tribunais, e assim continuaremos fazendo”, garante Nilton, que entre uma demanda e outra ocupa seus olhos em fotografar os presentes que a Natureza oferece diariamente ao Jardim Iolanda.
Foto: Nilton Esteves - 28.nov.2012
Foto: Nilton Esteves - 19.set.2013
Foto: Nilton Esteves - 18.dez.2012
Foto: Nilton Esteves - 10.mar.2013
Foto: Nilton Esteves - 04.dez.2012
Foto: Nilton Esteves - 06.set.2013
Foto: Nilton Esteves - 19.mar.2013
Foto: Nilton Esteves - 19.mar.2013

Um comentário:

martiniano alves macedo disse...

Parabéns aos moradores do Jardim Iolanda, é de admirar que nos dias de hoje o lugar ainda mantem as características originais da mata e da fauna local, parabéns Nilton Esteves pela sua luta em prol da preservação original do lugar, forte abraços!