quarta-feira, 24 de junho de 2026

Justiça mantém suspensa a licitação do entulho em Taboão

Remoção deve durar de 6 a 7 meses, diz prefeito
David da Silva

Na última 5ª-feira (18), a Justiça rejeitou o recurso da Prefeitura de Taboão da Serra contra a liminar que suspendeu a contratação da empresa Imbulix para retirar entulhos colhidos pela administração municipal.

Nos embargos de declaração, a gestão Daniel Bogalho argumentou que já havia concluído o contrato antes da decisão judicial.

Embargos de declaração são um recurso jurídico usado para pedir ao próprio juiz ou tribunal que esclareça dúvidas ou corrija falhas em uma decisão.

O juiz Matheus Barbosa Pandini, da 1ª Vara Cível de Taboão da Serra, não acolheu o recurso da prefeitura afirmando que sua decisão de suspender a licitação “apreciou o litígio em todos os seus aspectos relevantes, não havendo omissão, obscuridade ou contradição passíveis de reconhecimento”.

Outro ponto atacado pelo magistrado foi a afirmação da gestão Daniel Bogalho de que já havia concretizado o contrato com a Imbulix antes da medida suspensiva.

“Se for verdade que o procedimento se encerrou antes da liminar, deve o município interromper imediatamente a contratação, sob pena de reconhecimento de descumprimento da ordem judicial”, sentenciou o juiz Pandini.

Para ele, “essa conclusão é óbvia e não pode o município ignorar a ordem judicial, sob o pretexto de que avançou com a contratação, mesmo diante da ordem judicial que suspendeu a decisão administrativa que desclassificou a proposta da impetrante, pois, com a decisão liminar, o certame encontra-se sub judice e não pode produzir efeitos”.

 

A empresa vencedora da licitação ofereceu o valor de R$ 12 milhões para carga, transporte, descarga de rejeitos, resíduos volumosos (entulho, restos de materiais de construção, móveis velhos) coletados pela Prefeitura de Taboão. A gestão Daniel recusou.

O argumento foi que a empresa não teria condições de realizar o serviço por aquele valor. Também foi rejeitada a proposta de outra concorrente que ofereceu preço em torno de R$ 18 milhões.

O governo Daniel escolheu um preço 112% maior, e contratou a Imbulix por 25 milhões (R$ 24.499.500,00) o que gerou problemas na Justiça.

A prefeitura disse ter recusado o orçamento da Valentim e Rosa Comercial Ltda porque ela não apresentou provas da viabilidade da sua proposta.

O juiz desmontou esse argumento: “a planilha [apresentada pela empresa] discrimina expressamente os valores estimados para combustível, salários de motoristas e operadores, manutenção e depreciação, além de juntar outros orçamentos comerciais”.

Na liminar concedida em março, o magistrado havia advertido a Prefeitura de Taboão que “é ilegal afastar uma proposta significativamente mais barata para os cofres públicos sem apontar, de forma concreta e matemática, qual erro existe na planilha de custos da empresa”.

Segundo cálculos da própria administração, há mais de 100 mil toneladas de entulhos acumulados no pátio da Secretaria de Manutenção. "A remoção deve durar de 6 a 7 meses", diz o prefeito.

Atualmente, a montanha de resíduos está sendo remanejada por outra empresa contratada sem licitação por R$ 8,4 milhões. O contrato de emergência foi feito pelo prazo de 90 dias, e vai terminar daqui a 63 dias, em 24.ago.2026.

Decisão judicial emitida em 18/06/2026

Um comentário:

Anônimo disse...

Isso explica muita coisa, diante das inúmeras licitações feitas pela atual gestão, onde valores altos têm prioridade de contratação - e o que resta saber, se o serviço contratado será devidamente "eficaz" ( e não é sobre eficácia propriamente dita de que estamos falando)