terça-feira, 15 de julho de 2008

Marina que a manguaça matou

(rascunho para roteiro com final infeliz) Em uma tarde ensolarada, um homem idoso (68 anos), baixote (1,62 m) e gorducho (90 kg) caminha tranqüilamente por uma rua do Rio de Janeiro. De repente ele estaca diante de um outdoor com propaganda de pneus. Seus olhos passeiam gulosamente pelas curvas da modelo mulata do painel publicitário. Aquele senhor embasbacado diante da estonteante garota era o pintor Di Cavalcanti.
Dias depois, a mulata estava diante do pintor, que a chamara ao seu apartamento, e a convidou para ser sua modelo.
Marina Montini tinha apenas 17 anos, mas era uma figura exuberante (1,80m) que paralisava os homens diante de sua boca carnuda.
A garota, nascida em 10 de janeiro de 1948 no bairro carioca da Vila Isabel, era filha única da costureira Dora e de Horácio Montini Borges de Carvalho. O casal exigente e orgulhoso da bela criança, matriculou-a logo cedo no balé clássico e no karatê.
Ainda menina, venceu vários concursos de beleza, e foi contratada como modelo da Bloch Editores.
O contato com Di Cavalcanti, que a elegeu como musa única, abriu para Marina Montini as portas da fama. A cobiçada mulata foi modelo e amante do pintor por sete anos.
Fez carreira no teatro e no cinema. No Brasil e na Europa, os principais fotógrafos imploravam para tê-la diante de suas lentes. Posou para as principais revistas de sua época.
Em suas exibições internacionais, Marina Montini enfeitiçou ricos e famosos como Robert de Niro e Omar Shariff.
Em 1976 Di Cavalcanti morreu de cirrose. Era artista genial e esbanjador.
Tempos depois da morte de seu principal protetor, Marina Montini logo afundou-se em dívidas e na bebida.
O ano de 2003 vai encontrá-la vivendo de caridade na Casa dos Artistas.
Embora no fundo do poço, a mulata ainda mantinha viva na mente de alguns homens a sua beleza e seu porte de rainha. O diplomata Seidou Diarra, primeiro-ministro da Costa do Marfim, pelejou em vão para levar Marina Montini com ele para seu país, e casar-se com ela, independente da sua condição de mulher decaída.

Aos 58 anos de vida, às 6h30 do dia 20 de março de 2006 Marina Montini morreu de cirrose hepática no Hospital dos Servidores Públicos do Rio de Janeiro.
Marina, meses antes de morrer. Foto: André Gardenberg

Nenhum comentário: