Fazia um friozinho chato no aeroporto de Nova York naquele abril de 1972. O violonista e compositor Baden Powell faria ali uma conexão no vôo que o trazia de Tóquio.
De repente, como num dos seus improvisos fantásticos ao violão, ele resolveu visitar o amigo Sivuca, que na época trabalhava em Nova York com Miriam Makeba, cantora sul africana. Sivuca havia sido colega de Baden quando tocavam juntos em bailes cariocas na década de 1950. O violonista queria ficar um ou dois dias com o velho amigo.
“Como é que eu faço pra pegar minha bagagem e trocar a passagem?”, se perguntava Baden Powell, que não sabia uma vírgula em inglês. Um dos guardas do aeroporto ficou de olho naquele moreno todo descabelado, com um casacão que lhe descia até os calcanhares.
Quando o policial se aproximou, Baden enfiou a mão no bolso do casaco para mostrar o passaporte. Em vez do documento, o que saiu do casaco foi uma montoeira de dólares. Quanto mais Baden fuçava nos bolsos em busca do bendito passaporte, mais lhe saiam notas de dólares.
Tiveram de chamar uma pessoa do FBI que entendesse português. Baden explicou que aquela pacoteira de dinheiro era parte do cachê de 30 mil dólares que acabara de receber no Japão. “Tá aqui o recibo!”, disse triunfante. Mas... o recibo estava escrito em japonês. Chamaram outro agente do FBI que falava japonês . Baden foi liberado, e a passagem de avião para o Rio, trocada para o dia seguinte.
Ao chegar na casa do Sivuca, por coincidência lá estavam Milton Nascimento e Martinho da Vila.
Que noite!

Um comentário:
Maravilha! :)
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