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| Silvio Modesto |
David da Silva
Em
1991, Beth Carvalho gravou um samba do Silvio Modesto. E quis conhecer o autor.
Silvio refugava. Os amigos faziam pressão, e Silvio nem...
O
disco havia sido gravado ao vivo no dia 10 de dezembro de 1991, no
Sesc-Pompeia. Nos 73 minutos de duração do álbum, o nome de Silvio Modesto foi
o único citado pela cantora na abertura das músicas. E isto numa coletânea de
compositores da envergadura de Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Eduardo
Gudin...
“Vamos
marcar uma hora pra você falar com a Beth. Ela faz questão de te conhecer”,
repetiam a todo instante. Silvio fugia.
O
disco Beth Carvalho Canta o Samba de São Paulo foi um projeto especial da
gravadora Velas, de propriedade de Ivan Lins e Victor Martins. “Este disco foi
comercializado primeiramente no Japão. Só foi lançado aqui no Brasil em 1993”,
conta Silvio.
Com
aquela única música incluída no disco (na faixa 13) Silvio Modesto “tirou o pé
da lama”. Já contei pra vocês de outras fases brabas na vida dele. Sempre às
voltas com a dureza, a pindaíba. O que ganhava, torrava.
Foi
assim na década de 1970, quando se encontrou com o amigo Jangada na Praça da
Sé. E este estava acompanhado por nada menos que Plínio Marcos. O encontro
salvou Silvio da miséria. Estava na pior, vendendo bilhetes da Loteria Federal,
“naquela de jogar a sorte grande no pé do otário e dizer que foi o destino”,
como disse Plínio Marcos.
“Trabalhei
muitos anos com carteira registrada como ator pelo Sesi, atuando em peças do
Plínio Marcos”, recorda Modesto agradecido. “Foi a primeira vez na vida que
tive uma conta em banco, e voltei a almoçar e jantar no mesmo dia depois de
muitos anos”.
Foi
desse mesmo jeito em 1982, quando Benito di Paula gravou o samba Doce Bahia,
que Silvio havia composto por acaso, mas que coube direitinho naquilo que
Benito queria para coroar seu 15º LP. E as panelas da casa do Silvio Modesto
deixaram de ficar com a boca pra baixo após larga temporada em que o fogão da
cozinha não era aceso.
Foi
assim também em 1986, quando Bezerra da Silva gravou um samba seu. “Eu já
estava perdendo o imóvel, de tantas prestações atrasadas. Com a grana que
recebi pela gravação do Bezerra da Silva botei minha vida em ordem”, relembra
Modesto.
O
valor que recebeu em 1991 pela gravação de Beth Carvalho foi outra fábula.
“Quase nem cabia no meu bolso de tantos dólares que me pagaram”, relata o
compositor de Meu Lirismo, que tanto encantou a cantora.
Silvio
Modesto, natural do Rio de Janeiro, foi incluído num disco só com sambas feitos
por gente nascida em São Paulo. Acontece que ele é considerado o mais completo
sambista carioca paulista. Aqui a carreira artística dele deslanchou, aqui
venceu mais de 20 concursos de samba-enredo.
Para
comemorar com os sambistas paulistas, Beth Carvalho fez questão que Silvio
Modesto estivesse na plateia. “Não vou lá, não”, dizia ele a cada vez que
entravam no assunto.
Foi
aí que um desses amigos concordou com Silvio Modesto para não ir ao
show-celebração. “Esse amigo me chamou pra dar umas voltas com ele de carro”,
conta Modesto. “Quando estávamos ali pelas bandas do Pacaembu, meu amigo entrou
numa mansão. Cheia de quartos e corredores que não acabava mais. Ele disse pra
eu esperar ali um pouquinho, que já voltava”, lembra Silvio. “Só que a casa
estava vazia, e eu fiquei lá dentro sozinho. A mansão toda trancada”.
Foi
só perto da hora do início do espetáculo da Beth Carvalho que o amigo foi
retirá-lo da mansão onde ficou “cativo”.
Ouça Beth Carvalho: Meu Lirismo aqui

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