quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Teatro Encena estreia “A Escada”, e sairá em turnê pelo interior de SP

Espetáculo teve plateia sempre lotada na pré-temporada. É necessário fazer reservas.
Foto: Rogério Gonzaga
Quase dá agonia na gente ao ver, nos 95 minutos da peça, o casal de velhinhos subir e descer tantas vezes a escada implacável.
Walter Lins (Francisco) e Zulhie Vieira (Noêmia)
Foto: Orlando Júnior
Eu disse quase.
Mal entramos na sala de espetáculos, o olhar se extasia. 
O cenário literalmente sobe pelas paredes.
A Companhia de Teatro Encena estreia neste sábado, 13 de fevereiro, o espetáculo “A Escada”, do dramaturgo paulista Jorge Andrade. 
A peça já teve uma pré-temporada em novembro último. Sempre com plateia lotada. 
Você não conseguirá assistir se não fizer reserva. 
As sessões acontecerão todos os sábados de fevereiro, e aos sábados e domingos de março e abril.
Diógenes Peixoto (Vicente) e Maira Galvão (Maria Clara)
Além das apresentações na própria sede, a trupe fará turnê por seis cidades do Estado de São Paulo - Barretos, Sertãozinho, Assis, Itapevi, São Roque e Pindamonhangaba.

Isolados de si
O público não percebe a princípio porque o casal de idosos ficou sem teto. Antenor (Orias Elias) e Amélia (Sylvia Malena) vivem de favor nas casas dos quatro filhos. Um mês no apartamento de cada um. Moram todos no mesmo prédio. Entre eles, a escada. Que os desune.
O velho Antenor desperta nos espectadores afeto e antipatia. Dá palpite em tudo. Ofende a todos. É elitista, intriguento. Uma espécie de inferno ambulante.
Jacintho Camarotto (Sérgio) e Vera Barretto (Helena)
Foto: Orlando Júnior
Os filhos tentam manter o velho trancado em casa. Mas como disse o poeta Manoel de Barros, “liberdade caça jeito”. Antenor escapa sempre. Faz fiado nas banquinhas de frutas do bairro. Chega a expulsar pessoas das calçadas das ruas que ele diz que foram (e voltarão a ser) suas.
O velho birrento carrega pra todo canto um documento. Diz ser a prova da herança de sua mulher Amélia, neta de antigos fazendeiros do bairro paulistano do Brás, onde a história se desenrola.

Curiosamente o próprio autor Jorge Andrade foi casado com Helena de Almeida Prado, neta de antigos donos de vastas porções de terras no Brás. 
Orias Elias (Antenor) e Sylvia Malena (Amélia)
Foto: Rogério Gonzaga
Assim como Antenor na ficção, na vida real o avô de Helena lutou por 30 anos na justiça para tentar reaver as propriedades de seus ancestrais.

Os modos e manias terríveis de Antenor despertam tal exasperação, que uma personagem desfere a palavra cruel: “Odeio velhos. Não são vivos nem mortos”.
Mas é impossível não se enternecer quando, no patamar onde a escada se divide em duas, Antenor diz à sua velha Amélia: “É muito difícil morrer. Podia ser tão mais rápido. Tenho a impressão de ter passado a vida morrendo”.

Preconceitos para todos os desgostos
Pense numa espécie de preconceito. 
Qualquer um. 
Discriminação contra idosos, discriminação racial, social, sexual. O ofício secreto do veneno corroendo o amor entre marido e mulher. 
Está tudo lá, no texto.
A língua impiedosa de Antenor cavou a infelicidade de sua neta Lourdes (Paloma de Oliveira). A moça não pôde casar só porque seu pretendente era italiano. 
Babi Soares (Zilda) e Paloma Oliveira (Lourdes)
Foto: Rogério Gonzaga
A outra neta, a fogosa Zilda (Babi Soares) também não escapa à violência verbal do velho. O namorado dela é negro (“O avô dele foi escravo de quem?”, açoita Antenor).
Nem o pobrezinho do porteiro do prédio se salva das preocupações presunçosas do idoso irreverente – “Você é filho de qual família? Você não tem sobrenome? Quem foram seus avós?”.
Uma praga, esse Antenor.
Mas de novo o contraponto se impõe. Os velhos são tratados como trastes. Sem direito a dormir na mesma cama por mais de 30 dias. Nenhum dos filhos pergunta com sinceridade, frente a frente, o que seus pais julgam ser melhor para eles mesmos. Tudo é tramado à meia boca, diálogos enviesados.
O único lugar onde Antenor e Amélia conseguem conversar a sós é na escada. Resta somente ali um pouco da privacidade perdida.
Mas, os velhos pelo menos têm o passado a que se apegar. Os filhos, nem isso. São desgarrados das raízes familiares. Órfãos de um tempo presente pleno de incertezas.
Nada muito diferente do momento vivido pela sociedade brasileira nos dias de hoje.

Cativando plateias
Fundada em 1997, a Cia de Teatro Encena vê a cada dia se avolumar o número de pedidos de reservas para seus espetáculos.
Na divulgação de “A Escada”, a trupe gerou um marketing de guerrilha. Nos teasers comandados por Walter Lins, ator e co-diretor da peça, a curiosidade do público é aguçada com detalhes de cada personagem.

ELENCO em ordem alfabética


Babi Soares fala da sua personagem Zilda:



Cláudio Bovo fala do seu personagem Juca:

Diógenes Peixoto fala do seu personagem Vicente:

Jacintho Camarotto fala do seu personagem Sérgio:

Maira Galvão fala da sua personagem Maria Clara:

Orias Elias fala do seu personagem Antenor:

Paloma de Oliveira fala da sua personagem Lourdes:

Sabinna Di Colluccy fala da sua personagem Lavínia:

Sylvia Malena fala da sua personagem Amélia:

Vera Barretto fala da sua personagem Helena Fausta:

Zulhie Vieira fala da sua personagem Noêmia:

(Parece que aqui se confirmou o velho ditado: “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Não encontramos o teaser com o ator Walter Lins falando do seu personagem Francisco. A providenciar)

Serviço:
Espaço Cultural Encena
Quando: 13, 20 e 27 de fevereiro (sábado) às 20h30. Em março e abril, de 5/03 a 17/04, aos sábados às 20h30, e domingos às 19h.
Rua Sargento Estanislau Custódio, 130, Jd. Jussara-Butantã / SP
Quanto: Grátis, com contribuição espontânea
Capacidade: 70 lugares
Duração: 95 minutos
Classificação: 10 anos
Informações: 98336-0546 (Tim) e 2867-4746
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Ficha Técnica
Texto: Jorge Andrade
Direção: Orias Elias
Co-direção: Walter Lins
Iluminação: Vagner Pereira
Musica original: Gustavo Barcamor
Cenário: Orias Elias e Jones Cortez
Figurinos e maquiagem: Walter Lins
Produção: Cia de Teatro Encena

Apoio Institucional: PROAC - Programa de Ação Cultural da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo -  Edital 2015 - Montagem
Elenco fará turnê pelo interior paulista, percorrendo seis cidades. Foto: Divulgação

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