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domingo, 30 de novembro de 2014

Grafiteiro de Taboão da Serra participou do maior festival 3D nos EUA

Gláucio Santos nos Estados Unidos.
Foto: Bazou Garcia
Exatos dois anos atrás contei aqui no blog algumas peripécias do grafiteiro Gláucio Oliveira Santos. Ele começou nesta arte justamente num concurso de graffiti que criei em Taboão da Serra no ano 2000. Pois Gláucio continua “aprontando” das suas.
Neste mês de novembro o grafiteiro taboanense foi aos Estados Unidos participar do Sarasota Chalk Festival, realizado na cidade de Venice, no estado norte-americano da Flórida. O evento reuniu mais de 50 artistas de 15 países. Trata-se de desenhos tridimensionais em tamanhos gigantescos pintados diretamente no asfalto do estacionamento do aeroporto municipal e do Centro Cultural de Venice.  A proeza artística entrou para o livro de recordes Guinnes World.
“Fui eu quem introduziu a pintura anamórfica na arte de rua do Brasil”, garante Gláucio. Ele aprendeu esta técnica com Julian Beever, quando o artista inglês esteve em Curitiba (PR) em 2008. A pintura anamórfica cria uma ilusão de ótica em três dimensões (3D) quando a imagem é vista a partir de determinado ângulo.
Morador "entra" na pintura de Gláucio. Foto: Thiago Neme
Outro pioneirismo de Gláucio Santos foi pintar a primeira praça em 3D do Brasil. Antecipando-se ao clima da Copa do Mundo 2014, em maio deste ano Gláucio decorou a Praça Célio Malta, Jd Clementino, Taboão da Serra, com temas esportivos. A praça fica na Rua Tsuruki Tsuno, travessa da Estrada Kizaemon Takeuti, na altura da Escola Estadual Laurita Ortega Mari, atrás da qual está localizada a pintura interativa. As pessoas podem “entrar” no desenho e tirar fotos que dão a impressão nítida de estarem de fato batendo uma bola com o craque Garrincha.
O plano de Gláucio Santos é transformar a imagem dos moradores do Jd Clementino em obra de arte. “Por enquanto só tem gente famosa no desenho. A ideia é retratar a comunidade na parede. É trazer a comunidade para dentro do cenário. Fazer com que eles sejam representados. Porque eles, os moradores, são famosos também”, afirma o grafiteiro.
Acima e abaixo, etapas do trabalho no festival dos EUA, até a pintura poder receber visitantes. Fotos: Divulgação
Nascido no bairro paulistano do Jabaquara, Gláucio Santos criou-se em Taboão da Serra desde um ano de idade. 
Em 6 de janeiro completou 43 anos. Antes de ser grafiteiro dedicava-se à Educação Física e ao fisioculturismo, ganhando a vida como personal trainer
O bom condicionamento físico ajuda no seu ofício de artista, pois há trabalhos que cobram esforço quando pintados por vários dias agachado, ou escalando grandes alturas.

A pintura em 3D na art paviment (pintura sobre o leito das ruas) foi inventada em 1984 pelo norte-americano Kurt Wenner.
O festival  Art Paviment 3D de Venice foi criado em 2010.
Foi a primeira vez que Gláucio participou desta grande festa mundial. “Concluímos tudo em seis dias, eu e o Fabio Gonçalves. Agradecimento especial ao Senhor Bom Deus, e a todas as pessoas que nos ajudaram para que isto acontecesse. Queremos voltar ao festival em 2015”, conta o artista.

Recentemente Gláucio Santos foi convidado a ser colunista da revista de arte Bora Pintar.
Assista o vídeo onde o grafiteiro Fábio registra a emoção de ver o trabalho da parceria tendo reconhecimento internacional aqui
Leia mais sobre Gláucio Santos aqui aqui

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Grafiteiro taboanense expõe em Sampa, sexta

Tico Finkenauer
Eu já contei pra você quem é Tico Finkennauer. Quem não leu a matéria na época, termina de ler este texto aqui, depois pega carona no atalho do link lá embaixo da postagem.
Ele é o grafiteiro mais descolado de Taboão da Serra. Único artista de rua do nosso município que tem um personagem. O famoso mascaradinho magrelo. Estampado em muros de becos e vielas e ruas e avenidas da cidade.
Amanhã, sexta-feira 26 de setembro, Tico Finkenauer terá sua arte exposta na badalada Rua Henrique Schaumann.
Tico vai fazer pinturas em grafite ao vivo durante a 1º Expofesta Hogar Coletivo. Durante o evento será inaugurado o primeiro mural deste coletivo de artistas.
Além do grafiteiro taboanense, também serão estrelas da festa o ilustrador Harã e a multimídia Evelyn Queiróz, também conhecida no meio artístico como Negahamburguer. Harã e Evelyn não poderiam morar num lugar mais apropriado. São de Embu das Artes.
Segundo o site oficial da moça, Negahamburguer usa seu dom artístico para denunciar a opressão e o preconceito sofrido por mulheres fora do padrão estético imposto pela sociedade de consumo. 
“Evelyn dá vida às personagens – algumas delas com certa dose biográfica -, que se assumem como são: gordas, magras, peludas, disformes, mas sobretudo, reais”. Esta vai ser a primeira instalação artística dela.

1º Expofesta Hogar Coletivo
26 de setembro (sexta-feira)
Rua Henrique Schaumann, 125
(quase na esquina com Avenida Rebouças)
Som por: Kaiser Marius
Live paint por: Tico Finkennauer
Ilustrações por: Harã
Ilustração presencial por: Negahamburguer
Camisetas por: Luv T (aceita cartão débito/crédito)
Comidinhas por: Rosana Delgado
Lojinha com obras originais a partir de r$ 25,00 (em dinheiro)
A entrada é gratuita.
Tico Finkennauer (de óculos) transmite a sua arte para a molecada. Foto: Tatu do Bem.
Agora você que inda não leu, dá uma olhada na biografia do meu amigo Tico Finkenauer aqui

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Subterrâneos de Buenos Aires

Estação Retiro do metrô de Buenos Aires foi inaugurada em 1936.
Foto: David da Silva – 05.maio.2014
O metrô que me levou até a estação Retiro, na zona leste de Buenos Aires, estava todo grafitado.
Até setembro do ano passado, dos 567 vagões do metrô da capital argentina, 399 deles estavam cobertos por pinturas graffiti.
Antes que você (que adora graffiti, eu sei) ache isto bonitinho, aviso logo. Não é uma integração da Metrovias com a cultura de rua. É o rastro colorido da rebeldia nas entranhas da metrópole portenha.
Os próprios grafiteiros com quem conversei no bairro Palermo, zona norte da cidade, dão a letra: “No dia que autorizarem a grafitagem dos trens, a gente pára. Gostamos de ser ilegais”.
Devido à crise econômica do país, a Companhia do Metrô havia parado de remover os graffitis. Cada limpeza de vagão custa em torno de $ 35 mil a $40 mil pesos argentinos. Por questão de economia, limpavam apenas as janelas. E reduziram os gastos com o pessoal da segurança.
Trem grafitado antes de começar a funcionar
Agora o caldo entornou. Antes de ontem, terça-feira, dia 27 de maio, a própria presidente Cristina Kirchner soltou os cachorros pra cima da galera grafiteira. “Não se trata de denunciar. É defender. Não é justo que se queime o estofamento dos bancos do metrô com bitucas de cigarros, que rabisquem ou escrevam [nos vagões]”.
Dona Cristina ficou puta porque os trens novos da linha Sarmiento, entregues na sexta-feira passada, ainda nem entraram em operação, e já amanheceram grafitados no domingo.

O sistema subterrâneo de trens em Buenos Aires foi inaugurado em 1913. Mas 27 anos antes, desde 1886, já havia planos para transportar a população bonaerense por debaixo do chão.
Mendigo na estação Retiro, zona leste da capital argentina.
Foto: David da Silva – 05.maio.2014
Os argentinos chamam o seu metrô de SubTe.
Deixar sua marca com traços e cores no metrô é a grande adrenalina dos manos (e algumas minas) do lugar.
A tinta spray mais utilizada pelos artistas clandestinos é a Kwait, de fabricação argentina. Custa em torno de $ 25 pesos. Os mais afortunados preferem a marca Montana, importada da Espanha - $ 45 pesos a lata.
Para as invasões noturnas das oficinas onde os vagões dormem, os grafiteiros costumam dar maços de cigarros para os cartoneros (catadores de papel) que dormem nas ruas em torno dos pátios de manobras e manutenção do trem metropolitano. Mas esses cartoneros também costumam caguetar os grafiteiros para a polícia. Afinal os guardas os deixam dormir naqueles locais para ajudarem na vigilância informal. E os mendigos atuam assim, no jogo duplo, conforme suas conveniências.

Mano grafiteiro parte para mais uma missão
A moral de um grafiteiro é medida pela sua ousadia. Uma bomba (marca pessoal simples) em um vagão pode ser coberta por um cromo que leva preenchimento prateado. Um cromo pode ser coberto por uma pieza, que é um graffiti mais elaborado. Já uma pieza pode ser coberta por um end to end, graffiti que vai de ponta a ponta do vagão. Um end to end pode ser coberto com um whole car – vagão inteiro. O whole car pode ser coberto pelo triple whole. A glória das glórias é o whole train – grafitar o trem inteiro.

A Subterráneos de Buenos Aires Sociedad Del Estado contratou em 2013 uma firma especializada em remoções de tintas. A empresa desenvolveu um produto que retira o grafitti sem prejudicar a pintura original dos vagões. Depois de meia hora aplicada sobre o desenho, a substância faz a tintura artística secar e pode ser removida como fosse uma pele ressecada. Depois disto é aplicada sobre o trem uma solução química anti-graffiti. Caso ocorra um novo “ataque”, é só limpar com um trapo embebido em álcool.

domingo, 10 de março de 2013

A arte zapatista de Tico Finkennauer

O grafiteiro Tico Finkennauer. Foto: David da Silva - 10.mar.2013
David da Silva

Na coluna central da porta do bar do Sarau do Binho, o personagem me encarava por trás da máscara.
Depois revi o mascarado reproduzido em vários muros da cidade.
Tico Finkennauer é um dos grafiteiros mais famosos da região, nascido e criado em Taboão da Serra. Foto: David da Silva - 10.mar.2013
Principalmente nas quebradas do Parque Pinheiros. “O ninho deste cara deve ser por aqui”, eu matutava.
Logo constatei. Carlos Alberto Finkennauer Neto é o nome composto e algo solene do grafiteiro Tico. Morador do Parque Pinheiros onde nasceu em 11 de janeiro de 1984.

Assim como sua arte de rua é uma explosão de cores, nas veias de Tico Finkennauer correm sangues de variados matizes.
Neto de alemão com índia, filho de paulista com goiana, Tico é dos poucos artistas do ar livre que tem personagens fixos. Além do mascarado, suas marcas são um flamingo e um pelicano.


Arte e atitude
Tico Finkennauer botou máscara em seu personagem central como símbolo da postura de “fazer mais e falar menos”.
O mascarado pode se manifestar na forma de uma criança ou de um idoso. De um bandoleiro ou um portador de deficiência física.

O mascaradinho fez sua estreia triunfal em 2007, em um muro da Rua Hortênsia Albuquerque Orlandino, onde Tico morava com seu pai funcionário de transportadora e sua mãe metalúrgica da Keiko. Hoje ele mora e se banca sozinho com a sua arte.
A máscara é também uma homenagem aos guerrilheiros do Exército Zapatista, que lutam no sul do México.
Foto: Divulgação
Tico começou pela pichação nos idos de 1998-99, quando estudava na Escola Lúcia de Castro Bueno.
Depois migrou para a arte grafite.
Mas não aceita comercializar seu talento. Se for convidado para pintar a fachada de algum imóvel, não faz desenho por encomenda. Pinta apenas o que sua consciência manda.
Foto: Divulgação
Se for pra pagar comida e aluguel, prefere trabalhar em outra coisa. Para não submeter seu dom artístico ao capital.
Já encarou trampo de caixa de supermercado, telemarketing, e outras paradas duras.
Mas na sua lata de spray, só ele dá ordens.
“Vivo dentro das minhas possibilidades. Vivo sem ostentação”, é sua filosofia cotidiana.

Valorização da periferia
“As pessoas andam sempre desatentas à paisagem à sua volta. Daí quando a gente pinta um muro, deixa ele bonito, as pessoas passam a reparar naquilo”, define o artista. 
Apesar de preferir paredes e muros como suporte de sua obra, Tico Finkennauer também se liga na pintura de tela dos nomes consagrados. Gosta particularmente do surrealista Salvador Dali.
Foto: Divulgação
Quem vê sua aparência meio rude, algo desleixada, não imagina que o grafiteiro curte MPB, gosta de Elis Regina, samba de raiz e, é claro, o reggae.

A única cara feia que o sempre humorado Tico Finkennauer fez durante a entrevista, foi quando perguntei do funk pankadão que motoristas aloprados tocam em som agressivo pelas ruas.
“É o tipo da música que influencia as crianças a não estudar. Estimula o jovem a querer ostentar carrão, relógio de grife, cordão de ouro. Eu repugno este tipo de som. Que nem é funk. Funk de verdade é James Brown, Tim Maia. Eu repugno o pankadão. Eles tocam assim pra afundar e destruir a periferia”.
O mascarado assume várias formas em suas manifestações de rua
Foto: David da Silva

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Gláucio, com G de grafite

Gláucio Santos - Foto: David da Silva
“Eu estava passando em frente ao paredão de uma avenida no Pirajuçara, e vi umas pessoas grafitando. Pedi pra me deixarem participar”.
Simples assim. Foi dessa maneira que, no ano 2000, Gláucio Santos entrou para o mundo da arte-mural. 
Na ocasião rolava o 1º Concurso de Grafite de Taboão da Serra. 
Idealizado por David da Silva, o concurso visou manter a muralha a salvo dos pichadores e dos candidatos, que na época podiam fazer propaganda política nos muros.
Ao encarar o desafio do seu primeiro grafite Gláucio Santos tinha 28 anos, e dava aulas de musculação. 
Mas o desenho o acompanhava desde a primeira infância. Porém só desenhava no papel. 
Com o apoio dos artistas plásticos Victor Hugo e Bruno Hamzagic, a arte em muros abriu novos mercados para o talento de Gláucio.
Carreira de prêmios
Nascido no bairro paulistano do Jabaquara em 6 de janeiro de 1972, Gláucio de Oliveira Santos veio para Taboão da Serra com apenas um ano de idade. 
O primeiro mural feito em 2000, na Av. Fernando Fernandes, Taboão da Serra. Colegas emprestaram tintas e compressor para o novato Gláucio. Foto: David da Silva
Seus pais, naturais de Seabra, no centro-sul do Estado da Bahia, fixaram moradia no bairro Vila Iasi, onde hoje o grafiteiro, desenhista, ilustrador e escultor mantém a sua Escola Artcomics.
Além das técnicas, os aprendizes herdam a trajetória premiada do mestre.
Estimulado pelo colega Bruno Hamzagic, Gláucio se inscreveu no Mapa Cultural Paulista em 2001. 
Perfeição - Xuxa no desenho de Gláucio, exposto no parque Beto Carrero World, em Santa Catarina    -    Foto: Divulgação
Foi campeão municipal de Desenho de Humor, com a caricatura de Milton Nascimento.
Seguiram-se conquistas importantes no I Salão Internacional de Humor do Piauí em 2002; no 1º Festival de Desenho de Humor de Ferraz de Vasconcelos (SP) em 2003, e classificações para o disputado Festival Internacional de Humor de Piracicaba.
Atualmente, Gláucio concilia seu tempo no ensino da arte e o trabalho comercial com grafite.
Grafite tridimensional de Gláucio Santos no centro de São Paulo - Divulgação
























Arte-mural e amor à Natureza
Há um mês, Gláucio Santos inaugurou seu projeto Biodiversidade Brasileira. 
A data não poderia ser outra: 4 de outubro, Dia Mundial dos Animais e da Natureza. A série temática de murais em 3D vai percorrer bairros que tenham nomes indígenas. Os grafites vão sintetizar a pesquisa de Gláucio e sua equipe sobre a geografia, fauna e flora originais de cada localidade.

Foto: David da Silva
Gláucio com os parceiros Yankee (ao fundo) e Jeff. Primeiro mural da série Biodiversidade, ao lado do Estádio do Morumbi, no bairro de mesmo nome, que em tupi-guarani significa Colina Verde.

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Escola Art Comics
Rua Pirassunga, 84 - Vila Iasi - Taboão da Serra - SP